Finalmente, a apaixonada e sofrida torcida do Botafogo teve o presente que merecia, às vésperas do aniversário de fusão do Club de Regatas Botafogo com o Botafogo Football Clube, em 1942. O Botafogo de Futebol e Regatas, apoiado enlouquecidamente por 40 mil torcedores no Engenhão, obrigou o time a fazer um saboroso churrasco do Porco (Palmeiras), fugindo do temido rebaixamento e evitando que o adversário participasse da Taça Libertadores da América de 2010. Pela primeira vez no Campeonato Brasileiro que terminou, o alvinegro da estrela solitária jogou com uma raça desmedida e um empenho extraordinário. Na tarde de domingo, no lotado Engenhão, o Botafogo foi o Botafogo que eu conheço e acho que mereço.
Todos os jogadores atuaram com um empenho que honrou o nome do clube, mas não posso deixar de destacar as atuações de Leandro Guerreiro (foto) – como sempre – Jefferson, Alessandro e Fahel, este último tão criticado nos últimos tempos.
E mais: O Botafogo terminou com um ponto à frente do Fluminense (que também escapou do rebaixamento), certamente, depois do Flamengo (Fla-Prensa), o clube mais elogiado dos últimos tempos no futebol do Rio de Janeiro. É verdade que o Fluminense, mesmo com o empate, escapou de uma guerra em Curitiba. Mas não é menos verdade que o Botafogo enfrentou o mesmo antagonismo quando encarou o Atlético PR.
A rigor, o Botafogo, no domingo, não fez uma partida elogiável. Superou com garra e muito coração o time titular do Palmeiras, que lutava por uma classificação para Taça Libertadores. O Palmeiras – conhecido como Porco (que mau gosto) por sua torcida – não fez como o Grêmio que jogou sem oito titulares diante do Flamengo, só para atazanar a torcida de seu rival gaúcho Internacional. O velho Verdão chegou ao Rio com sua força máxima e chegou, em determinados momentos, a dominar o Botafogo. Mas a disposição do Botafogo era tão grande, tão imensa, que o Porco acabou merecidamente fritado.
O Botafogo, a bem da verdade, agigantou-se em campo.
Espero agora, como torcedor apaixonado, que os dirigentes não mais façam com que a fiel torcida sofra como sofreu em 2009, beirando o rebaixamento para a série B. Agora há tempo para que a diretoria pense na temporada de 2010 retribua o amor e a paixão dos torcedores que lotaram o Engenhão e estimulou o time o tempo todo.
Posso dizer isso de cadeira pois estive lá (não fiquei no famoso PFC da Globo) e pude verificar in loco o que é ser botafoguense, mesmo às portas de um rebaixamento que, cá entre nós, que ninguém nos ouça, não seria demasiado exagerado. O Botafogo cumpriu uma das piores campanhas dos últimos tempo. Salvou-o a torcida e o empenho de jogadores exemplares como Leandro Guerreiro, um verdadeiro herói.
Como botafoguense, espero que o Botafogo de 2010 – ano de Copa do Mundo – seja digno do Botafogo pelo qual me apaixonei há tantas e tantas décadas. Infelizmente, a já anunciada venda de Jobson ao Cruzeiro já é o primeiro passo equivocado. Jobson não é Garrincha – está longe disso. Mas é um jogador imprevisível, Quem o substituirá no ataque, já enfraquecido do Glorioso?
Com a palavra, a diretoria alvinegra.
(*) E não me venham com a dupla Victor Simões e Reinaldo (que, aliás, domingo, jogou bem enquanto esteve em campo).
(**) Ano que vem, 2010, o Botafogo fará 100 anos do nome que recebeu no hino do clube: ‘O Glorioso’.









