segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Botafogo, bicampeão brasileiro


Para mim – e para muitos outros alvinegros – o Botafogo de Futebol e Regatas e apenas campeão brasileiro de 1995, em memoráveis duas partidas contra o Santos. Mas a CBF, que tudo muda de uma hora para outra – baseada em relatórios estranhos, deu ao Glorioso o título de campeão brasileiro de 1968, como campeão da Taça Brasil. No infeliz Natal que tive, com a morte de minha companheira de 22 anos, Ada Regina Guimarães, foi o único presente que recebi – e amainou minha tristeza.

Agora, quer queiram ou não, o Botafogo do meu coração é bicampeão brasileiro de 1968-1995. Por que vou discutir? Por que vou negar? A CBF quis assim e eu aceito, até porque não estou em condições psicológicas de recusar rigorosamente nada. O que vier para amainar a minha dor será recebido de bom grado. E o Botafogo, já disse mil vezes, é o maior amor imaterial de minha vida. E assim será até que o árbitro soe o meu apito final. Levarei comigo estes e (quem sabe?) outros títulos.

E aí está o Botafogo campeão brasileiro de 1968, ligeiramente desfalcado, mas sempre o famoso alvinegro de General Severiano: de pé, de esquerda para a direita, Moreira, Cáo, Zé Carlos, Dimas, Carlos Roberto e Valtencir; agachados, na mesma ordem, Zequinha, Afonsinho, Ferretaço, Humberto Redes e Paulo César Lima. E quem não gostar da idéia, é só mandar uma reclamação para a CBF. O Simpaticíssimo já disse que vai mandar. Ele, Simpaticíssimo, e o Tabajara Futebol Clube.

O chororô agora é na Gávea, onde havia a Favela do Pinto.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um Natal de tristeza


Estou passando, com a mais absoluta das certezas, o Natal mais infeliz de minha existência. Perdi, há 24 dias, a grande companheira de minha vida, Ada Regina Guimarães. Nós nos conhecemos a 23 anos na redação da Tribuna da Imprensa, eu como editor de esportes, ela como estagiária de diagramação. Começamos a namorar e em 1988 fomos viver juntos em Vila Isabel, com o filho dela, Mário Henrique Bittencourt – hoje advogado do Fluminense – quando ele tinha apenas nove anos. Foi um período maravilhoso, repleto de alegrias, sorrisos e, inclusive, ainda com a presença de meus pais, que já se foram faz tempo.

Poucos anos depois, graças a meu trabalho, já como editor nacional e internacional de O Dia, pude realizar um de seus sonhos: uma viagem ao exterior. Profunda conhecedora de inglês, ela queria conhecer os Estados Unidos. E fomos nós três para Nova York, em fevereiro, onde fomos recebidos por meu filho Roby Porto que nem sonhava em trabalhar como narrador de televisão – na ESPN de lá, no início e na Sportv hoje em dia. Ela tinha tanto medo de avião (jamais havia embarcado num deles) que, enquanto o Boeing taxiava na pista, no Galeão, ela me perguntou aflita:

- Já decolamos?

Quando desembarcamos no Aeroporto Kennedy, meu filho estava nos esperando. Fazia um frio, acreditem, de 17 graus abaixo de zero. Pelas ruas desertas de Nova York só circulavam uns poucos táxis, com correntes nos pneus. Ficamos num hotel modesto, pertíssimo do Central Park – totalmente coberto pela neve – e perto, também do sinistro Edifício Dakota, onde John Lenon (1940-1980) foi assassinado a tiros e também foi rodado o filme de terror de Roman Polanski, em 1968, ‘O bebê de Rosemary’, com Mia Farrow e John Cassavetes nos papéis principais.

Na segunda semana o tempo melhorou. Chegou a 12 graus acima de zero e pudemos aproveitar algumas das atrações daquela que é considerada a capital do mundo. Chegamos a visitar o famoso Empire State, a Broadway, o Lincoln Center e outros lugares que minha memória não está ajudando. Passei meu aniversário lá, dia 22 de fevereiro, num restaurante português que levava o nome de ‘Cabana Carioca’. Para mim, especificamente, não foi uma aventura. Como jornalista, viajei quase o mundo todo – inclusive a Arábia Saudita – e estive quatro vezes nos Estados Unidos. Mas para Ada Regina, foi um sonho. O único que realizou em vida.

Hoje, sozinho em casa, tento relembrar aqueles momentos de muita neve e de raros raios de sol. E sinto uma dor profunda no peito. Nem o fato de o meu Botafogo ter sido agraciado com o bicampeonato brasileiro me alegra. Ela me faz uma falta incomensurável. Jamais esquecerei sua ausência e de seu jeito de caminhar na neve nas calçadas novaiorquinas. Não acredito em outras vidas. Mas a que ela me proporcionou irá comigo até o meu apito final.

Obrigado por ter existido, Ada Regina. Obrigado, mesmo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nota de falecimento


Morreu ontem, dia 30, no Rio, na Oncoclínica da Barra da Tijuca, a querida Ada Regina Guimarães, esposa de meu querido amigo Roberto Porto.

Os amigos que quiserem mandar uma mensagem de apoio nessa hora de dor, o e-mail dele é portoroberto@uol.com.br

Atenciosamente
Malu Cabral

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Obrigado, Loco Abreu!!!


O tempo passa, os campeonatos se sucedem e eu fico ainda mais apaixonado pelo Botafogo. Não sei, sinceramente, até onde esse meu amor irá. Antigamente não ficava tão nervoso e ansioso. Hoje, com mais de seis décadas de Botafogo nas costas, estou cada vez pior. Minha vida – alegria e tristeza – passa a depender dos resultados do Botafogo. Ainda mais agora com jogos no meio de semana. Confesso aos leitores desse blog – se é que ainda me seguem – que fico desorientado no dia em que o Botafogo vai enfrentar qualquer adversário. Só consigo pensar no jogo e como o Botafogo do meu coração vai se comportar em campo, no Engenhão ou fora dele.

Na noite de quarta-feira foi assim, diante do Vasco. O placar do primeiro tempo quase me desmontou. Mas no segundo tempo, os dois gringos, Herrera (que gol lindo) e Loco Abreu se encarregaram de evitar uma derrota que parecia certa. E como há coisas que só acontecem ao Botafogo, Loco Abreu (foto) empatou a partida em 2 a 2 quando faltavam poucos minutos para o final da partida. Vibrei como se fosse um gol de vitória e pude dormir em paz, embora os três pontos não tenham vindo.

Aproveito esse espaço para pedir aos torcedores do Glorioso – campeão de 1910 e 2010 – que não vaiem os jogadores que não estão bem. Não exijo que os aplaudam. Mas não vaiem. Jamais em minha vida vaiei um jogador alvinegro. Aquela camisa para mim é um símbolo. E vaiar um jogador que a está vestindo, acho eu, é um ato inominável. Por isso a reação grosseira de Caio – que já nos salvou várias vezes – reagindo à torcida. O Botafogo não merece isso. A gloriosa camisa alvinegra não pode ser enxovalhada por quem a veste. Ela é linda e é um símbolo para nós todos.

Obrigado, Loco Abreu – uruguaio gelado – pela cobrança do pênalti sem cavadinha, matando a pau o goleiro do Vasco. Para um time que perdia por 2 a 0 e teve Herrera expulso, foi um bom resultado. Podia ser melhor, claro, mas com 10 homens ficou de bom tamanho. O importante era evitar a derrota. E Loco Abreu nos deu esse presente no finalzinho. Agora posso dormir mais ou menos em paz.

O Botafogo, em poucas e resumidas palavras, é uma de minhas razões de viver. E como digo no alto do blog. É a minha indubitável e gigantesca paixão imaterial. Obrigado, uruguaio, pela frieza e pela categoria. Siga sempre assim.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O desfalque que é reforço


A periodista Mariúcha Moneró (foto de Leopardo da Vinte) reinou no marketing do Glorioso durante o período do presidente Bebeto de Freitas – cujas contas ainda não foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo. Sempre soube que Mariucha era apaixonada pelo Tricolor das Laranjeiras, mas como ela cantava o hino Alvinegro, nos jogos do Botafogo, imaginei que tinha virado a casaca. O tempo passou e através de Jefferson Mello, aliado de Bebeto, fui convidado a escrever para o site uma vez por semana. Disse a ele que uma vez era pouco e passei a colocar três colunas no site.

Autoritária, aparentando saber mais do que sabia, Mariúcha jamais atendeu uma única, escassa e miserável sugestão minha para melhorar o site. Uma delas era a de entrevistar, com fotos, semanalmente, botafoguenses famosos como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Marcelo Antony, Murilo Benício, Dira Paes, Léo Baptista, Luiz Penido, Eraldo Leite, Luiz Mendes, Lúcio Mauro, Otávio Augusto, Glória Menezes, José Augusto Branco e tantos outros globais e não globais.

Ela, Mariúcha, cheia de marra, vetou. E eu também acabei vetado três meses depois.

Não me considero um sujeito que tudo sabe sobre o Glorioso. Há muita gente que sabe mais do que eu. Mas sei um pouco, tenho fotos antigas no computador, sou sócio proprietário, pertenci ao Conselho Deliberativo por 15 anos e tenho este blog. Mas o Botafogo e Mariúcha, não me pagaram os três meses de colaboração (com nota fiscal). Deixei meu último salário para ser distribuído entre os funcionários mais humildes, que viviam com seus ganhos mensais atrasados e tirei meu time de campo de cabeça erguida. Fiz o que me permitiram fazer, embora me proibissem de colocar as centenas de fotos que possuo. Foi uma pena. Meu arquivo estava à disposição.

Ao todo, escrevi três livros sobre o Botafogo: ‘Didi – Treino é Treino, Jogo é Jogo’, ‘Botafogo – 101 anos de Histórias, Mitos e Superstições’ e por último, agora em 2010, ‘Botafogo – O Glorioso’. Os dois primeiros estão esgotados. O terceiro, impresso em Belo Horizonte, ainda pode ser encontrado em poucas livrarias. Jamais pedi um tostão ao Botafogo para escrevê-los, até porque passei batido por nomes de dirigentes ou pseudo-dirigentes. Contei sempre histórias, passadas a mim por Didi – com quem trabalhei na Rádio Globo – Neivaldo Carvalho e Américo Pampolini, todos falecidos, Robert James Neil, o Bob, Nílton Santos, Luiz Mendes e, hoje em dia, o talentoso dentista Ronald ‘Marretinha’ Alzuguyr. Isso para não falar em colegas de redação como João Saldanha e Sandro Luciano Moreyra e Oldemário Vieira Touguinhó, os três também mortos prematuramente.

Em poucas e resumidas palavras, repito, conhecia e conheço mais sobre o Glorioso do que todos os que integravam o marketing na época de Mariúcha, a tricolor. Mas tudo isso é passado. O que tinha que escrever sobre meu clube do coração já escrevi. Aí, veio Maurício Assumpção e afastou Mariúcha, que foi acolhida no marketing do Tricolor. E lá ela também mandava e desmandava. Segundo informações de cocheira, soube por interpostas pessoas, que lá também ela foi colocada para escanteio, ou seja, detonada. Para mim, Mariúcha, no Fluminense, é um desfalque que é um reforço. O marketing tricolor só tem a ganhar com sua ausência. Pode ser que agora, sem a ditadura de Mariúcha, o marketing tricolor ganhe destaque, até porque o clube vem fazendo boa campanha no Brasileiro deste ano.

Boa sorte, Mariúcha. Quem sabe o Beira da Lagoa não a chame para conturbar mais o clube?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um time retrancado


Depois de várias semanas de folga – em razão de compromissos particulares e de trabalho – retorno ao blog para fazer duas perguntas aos botafoguenses velhos de guerra: por que o Glorioso jogou em seu campo (General Severiano), em 1964, valendo-se de um esquema 4-4-2? Haveria alguma explicação para isso?

Por fim, um desafio: quem são os jogadores desta foto histórica?

(*) Será que o Botafogo conseguirá superar tantos desfalques no Brasileiro de 2010? No próximo sábado à noite, pela ESPN Brasil, no ‘Loucos por Futebol’ falo sobre as conquistas de 1910 e 2010 – números que formam um século de diferença e que só poderiam acontecer ao Botafogo de Futebol e Regatas.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Botafogo está nas cabeças


Depois de alguns dias de descanso – afinal somente o amor pelo Botafogo me sustenta aqui neste blog – para parabenizar o clube pelo avanço que conquistou neste Campeonato Brasileiro de 2010, ocupando agora a terceira posição, atrás apenas de Fluminense e Corinthians. Faço questão, também, de cumprimentar a torcida alvinegra que compareceu em peso à partida de sábado, contra o Avaí, pois está ganhando novamente confiança no time. Trinta e cinco mil presentes – com 30 mil pagantes – é uma prova disso. Se passarmos pelo Ceará (alvinegro como nós), aí, sim, o Botafogo poderá pensar pelo menos em disputar a Taça Libertadores.

Aproveito também para saudar a inauguração da estátua de Jairzinho, um dos ídolos co clube, como já foram homenageados Nílton Santos e Garrincha. E faço questão de esclarecer, com as fotos que Malu Cabral postará para mim, que a demonstração de alegria demonstrada por Jair Ventura Filho na estátua foi inspirada num dos gols que ele marcou a 15 de novembro de 1972, quando o Glorioso espancou o Tabajara Futebol Clube (ou Urubu, como quiserem) por 6 a 0 no Maracanã. É uma vitória inesquecível, como tantas que o alvinegro conquistou sobre seu inimigo.

No momento, a única coisa que me preocupa é a escalação do ataque do Botafogo, com Jóbson e Herrera, pois três jogadores de peso ficam no banco a maior parte dos jogos: Loco Abreu (herói da decisão contra o Tabajara no Campeonato Carioca deste ano), Caio Talismã e Édino. Concordo que é uma bela opção tática de Papai Joel, mas deixo a pergunta no ar: será que Loco Abreu concordará em ser banco por muito tempo? Temo que ele queira sair, logo agora que se tornou um ídolo da torcida. Mas ficarei torcendo para que ele volte logo à forma, pois é uma estrela.

A nota triste me foi passada por Felipe Perlingeiro, neto de Ariosto (1928-2010), centroavante do Botafogo na década de 50. Ariosto morreu dia primeiro deste mês, de infecção pulmonar, no Hospital Santa Marta, em Niterói. Por coincidência, num dos meus últimos blogs publiquei uma foto de um time daquela época, cujo ataque era Zezinho, Néca, Ariosto, Otávio Sérgio e Válter (na foto, Néca e Zezinho estão em posições trocadas). Só três leitores conseguiram identificar todos os jogadores no desafio que fiz e que gosto de fazer para ver quantos acompanharam o time.

Não faz muito tempo, conversei com Ariosto pelo telefone (não sei como consegui o número dele). Chegamos a marcar um encontro em Caio Martins (ele sempre morou em Niterói), mas ele me advertiu: ‘Você vai custar a me reconhecer... Engordei muito mesmo...’ Ariosto foi um dos meus artilheiros preferidos e uma vez, em General Severiano, chegou a ser escalado com os braços protegidos por talas, pois não queria ser barrado. Ele, certa vez, fez um gol incrível contra o Urubu (Botafogo 2 a 1), chutado uma bola no ângulo. Creio que terá sido em 1952, mas isso só o Pedro Varanda – a nova Enciclopédia do Botafogo – pode dizer com certeza.

Que a terra lhe seja leve, artilheiro de minha infância...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Urubu agora é Tabajara F.C


Os torcedores do Glorioso aprovaram, com louvor, a adoção pelo Urubu da Gávea do uniforme do Tabajara Futebol Clube, em lugar da camisa de macumba utilizada até hoje. Fui informado, também, que o Beira da Lagoa pode mudar de nome, em razão das peripécias criminais perpetradas nos últimos tempos por Bruno da Samudio, Adriano da Chatuba e Wagner Love da Rocinha. Sendo assim, os adeptos do Urubu fariam uma homenagem aos atores e protagonistas do programa Casseta & Planeta, da Rede Globo de Televisão, tentando angariar alguma simpatia.

O novo uniforme – como o antigamente oficial – é medonho, nas cores amarelo e azul, mas, em todo caso, já é uma tentativa de mudar a má fama do clube. O problema é que nem todos os torcedores do Urubu são aquinhoados e custarão a comprar as novas camisas. Mas desde já, mesmo sendo horroroso, aprovo a mudança, não apenas para algumas partidas, mas para todas. De qualquer maneira, acho que os atores do Casseta & Planeta poderiam entrar com uma ação judicial contra o Urubu por usurpação de cores – o que fatalmente levaria o velho Urubu à falência completa.

(*) No desafio do último blog, apenas tive três acertadores: Roberto Sobral, César Nardin e Humberto Cottas. Na foto de 50 estão, pela ordem, Carlito Roberto, Oscar Basso, Oswaldo Baliza, Nílton Santos, Ávila e Rubinho, de pé; agachados, Neca, Moisés (Zezinho) Ferreira Alves, Ariosto Perlingeiro, Otávio Sérgio e Walter. Na prática, o time jogava assim: Oswaldo, Rubinho, Basso e Nílton Santos; Ávila e Neca; Zezinho, Ariosto, Otávio Sérgio e Walter. Este último voltava um pouco para compor o meio-campo, enquanto Ávila, às vezes, fazia o papel de quarto- zagueiro. Mas o 4-2-4 só viria a aparecer a partir de 1956, com o mineiro Martim Francisco, no Vasco.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Que Botafogo é este, gente?


O Botafogo desta foto de hoje tem, simplesmente, 60 anos. Eu, ainda garoto, o vi jogar. Mas a grande maioria dos meus leitores, não. Lanço, portanto, o desafio: quem são, um a um os jogadores da foto, no Maracanã e não apenas isso: como jogava na prática este lindo e inesquecível Glorioso (para mim pelo menos)? Malu Cabral, minha amiga, não sabe. César Oliveira, idem. Quem conseguirá acertar estes 11 jogadores, numa época em que não havia substituições nem cartões amarelos e vermelhos? Acrescento que, na época, mesmo de calças curtas, eu já era alvinegro apaixonado – paixão que foi aumentando e hoje transformou-se numa loucura total.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amarildo chega aos 70 anos


Este blog é em homenagem ao campista Amarildo Tavares Silveira, que no último dia 29 de julho completou 70 anos. Mas fica a pergunta: que time é o da foto em General Severiano? Simplesmente é o da formação básica que levou o Botafogo ao bicampeonato carioca de 1962, derrotando o Urubu, com ligeiras alterações, por 3 a 0. Aí estão pela ordem: de pé, Joel Martins, Manga, Nílton Santos, Zé Maria, Ayrton Povil e Rildo; agachados, Garrincha, Arlindo, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Na prática, dirigido por Marinho Rodrigues, jogava com Manga, Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Ayrton, Arlindo e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo, que já conquistara no Chile o bicampeonato mundial em lugar de Pelé.

Como realmente há coisas que só acontecem ao Glorioso, o clube, gradativamente, foi se desfazendo de jogadores importantes, como Paulo Valentim, o guerreiro de 1957, vendido ao Boca Juniors; Didi, o mestre, transferido ao Real Madri (no qual não se deu bem) no início de 1962; Amarildo, negociado com o Milan, em 1963 e, por fim, Arlindo, que ainda jogou em 1963 mas acabou no México pouco depois. O sonho de João Jobim Alves Saldanha, de transformar o Botafogo num verdadeiro escrete, com a compra do passe de Didi, em 1956, foi por água abaixo.

Só não escoou pelo ralo porque com o dinheiro da venda de Amarildo (150 milhões de cruzeiros), o Botafogo comprou o passe de Gérson ao Urubu em 1963 (ele só pôde jogar em 1964) e promoveu duas autênticas revelações do juvenil: nada menos do que Jairzinho e Roberto Miranda, além de promover Rogério Ventilador, Carlos Roberto e Paulo César. Por isso, o Alvinegro conquistou o bicampeonato de 1967-1968 e, depois, amargou um longo jejum até 1989. Mas a venda de Amarildo, com apenas 23 anos para a Itália, foi um desastre, mesmo levando-se em conta que a negociação permitiu a vinda de Gérson, incompatibilizado no Urubu de Flávio Costa.

Como veterano torcedor apaixonado pelo Botafogo, guardo de Amarildo grandes recordações, no Alvinegro de General Severiano e na Seleção Brasileira. No Chile há pelo menos quatro momentos preciosos de Amarildo, a quem Nélson Rodrigues deu o apelido de Possesso. Os dois gols da vitória sobre a Espanha, em passes de Garrincha, o gol sem ângulo contra a então Tchecoslováquia na final e, no mesmo jogo, o drible desconcertante em seu marcador – que se esparramou pelo gramado – e o centro preciso para Zito, do Santos, marcar de cabeça o segundo gol do Brasil. Vavá, que já jogava no Atlético de Madri, marcou o terceiro dos 3 a 1, numa falha do goleiro.

Pelo Botafogo, a 15 de dezembro de 1962, tenho na memória uma grande jogada de Amarildo. Jogando com uma coxeira – deve ter sentido algo no músculo – ele, de maneira esperta, lançou Zagallo livre, nas costas de Murilo, zagueiro-direito do Urubu. Zagallo foi à linha de fundo e centrou para a área. Foi então que Quarentinha, numa tesoura voadora espetacular, da marca do pênalti, acertou um balaço que Fernando não segurou. Garrincha, malandro, vinha chegando e só tocou para dentro do gol, marcando os 3 a 0 que matou o Urubu de raiva e deu ao Glorioso o bicampeonato carioca. Naquele dia, no Maracanã, 145 mil pessoas pagaram ingressos.

Parabéns pelos 70 anos, Amarildo. E obrigado pelas alegrias que me deu.

(*) Correção: no último blog, falei nos dois goleiros afro-descendentes que foram convocados para a Seleção Brasileira: Osvaldo Baliza e Jefferson. Mas há mais dois brancos: Manguinha, desastroso em 1966, além de Paulo Sérgio, que não chegou a ser titular.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dois goleiros de Seleção



Conheci pessoalmente Oswaldo Alfredo da Silva (1923-1999), o Oswaldo Baliza, exatamente na noite de 12 de dezembro de 1998, no salão nobre da sede de Venceslau Brás (ou General Severiano, como quiserem os leitores). Por quê? Porque naquela data estavam sendo completados 50 anos da conquista de 1948, sobre o Vasco da Gama. Tive a idéia da festa, apoiada pelo presidente Mauro Ney Palmeiro, mas poucos foram os campeões que compareceram além de Oswaldo. Rubinho havia morrido, Gérson dos Santos estava em Minas e Nílton Santos, em Brasília; Ávila morava em Resende; Paraguaio morrera pouco antes, assim como ocorrera com Geninho, Pirillo e Braguinha. Além de Baliza, só lá estavam Juvenal e Otávio Sérgio.

Conversei um bom tempo com Oswaldo, que estava acompanhado da mulher, e me assustei com a altura dele. Ou eu crescera muito (1m86) ou Baliza, com o tempo, diminuíra um pouco. Foi um bate-papo meio estranho, pois Baliza parecia meio ausente. Pouco tempo depois, ele foi cumprimentar alguns amigos e a mulher dele me disse que o marido, no dia seguinte, já não se lembraria de nada. Sofria do Mal de Alzheimer, como Nílton Santos sofre hoje. Como não conhecia pessoalmente Juvenal, gastei o tempo conversando com o artilheiro Otávio Sérgio de Moraes.

Na época, pelo que me recordo (não tenho Alzheimer), lamentei muito a ausência de Nílton Santos, Gérson e Ávila. E não me conformava com a morte de Egídio Landolfi, o Paraguaio, dias antes. Curiosamente, conversei com Paraguaio na varanda da sede e ele estava muito bem. Tão bem que me revelou que estava cobrando uns atrasados do Botafogo, na época em que exerceu o cargo de técnico. Mas sequer houve tempo para que o Glorioso saldasse seus compromissos com ele. Pouco depois, ele morreu sem receber o dinheirinho a que tinha direito. Fiquei triste com a história.

Hoje, pelo que estou informado, apenas Juvenal (com um problema na próstata) e Nílton Santos (Alzheimer) estão vivos, como os únicos heróis daquela histórica campanha, quando o Botafogo perdeu na estréia para o São Cristóvão (sem Nílton Santos, substituído por José Sarno) e só empatou mais duas vezes: uma com o Fluminense (2 a 2), em General Severiano, e outra com o Bangu (zero a zero) em Moça Bonita. As demais partidas o Botafogo Venceu-as todas, inclusive duas vezes diante do Urubu e mais duas enfrentando o Vasco, mesmo em São Januário (2 a 1).

Mas o blog de hoje não é para recordar vitórias e ao mesmo tempo tristezas. É para comemorar a convocação do goleiro Jefferson por Mano Meneses, transformando-o no 47º jogador do Botafogo chamado para a Seleção Brasileira, o que dá ao Alvinegro a liderança absoluta em termos de jogadores chamados para defender o Brasil. E Osvaldo? Por quê? Simplesmente porque Oswaldo Baliza foi campeão Pan-Americano pela Seleção Brasileira em 1952, entrando na decisão contra o Chile no Estádio Nacional. Zezé Moreyra, o técnico de Baliza no Campeonato Carioca de 1948, viu que Carlos Castilho (Fluminense) não estava bem e não vacilou: lançou Oswaldo Baliza em seu lugar para conquistar o primeiro título internacional do Brasil em terras estrangeiras.

Daqui deste espaço, faço uma homenagem aos nossos dois goleiros, ambos afro-descendentes (fotos), os únicos do Glorioso (fora Manga) a serem convocados para a Seleção Brasileira que, desastres à parte, na África do Sul, há pouco tempo, é a única pentacampeã mundial. Sorte para Jefferson, nosso goleiro e paz para Oswaldo Baliza, o único de quem Heleno de Freitas tinha medo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Urubus torcem para Bruno


Como já esperava, alguns dos dirigentes do Urubu agourento estão na expectativa de mais um inquérito policial que não dará em nada, rigorosamente em nada. Desobedecendo as ordens da presidente do clube, Patrícia Amorim – que queria a demissão de Bruno da Samudia por justa causa – esperam que mais um bandido da Gávea escape sem punição da esfera judicial, como ocorreu com Adriano da Chatuba e Wagner Love da Rocinha, que fugiram do Brasil. Eles, os tais dirigentes (que aparecem na ilustração apreciando um treino na Gávea), aguardam que o julgamento do bando de bandidos que cerca Bruno da Samudia termine sem culpados do crime.

Eu, que estudei Direito Penal – além de Processo Penal – na Faculdade Nacional de Direito, sei muito bem como funciona a suposta justiça criminal. O matador pelas costas de uma jovem jornalista do Estado de São Paulo, o tal Pimenta da Veiga, segue em liberdade pelas ruas paulistanas. O mesmo acontece com os assassinos da jovem atriz Daniella Perez – filha da novelista Glória Perez, da Rede Globo – e podem apostar: dentro de pouco tempo, os Nardoni, que atiraram uma menina pela janela em São Paulo, também terão a maldição chamada ‘progressão da pena.

O Direito Penal brasileiro, em poucas e resumidas palavras, é um nojo. Nem mesmo serve para punir bandidos e traficantes assassinos. Querem um exemplo? Pois muito que bem: um dos matadores do jornalista Tim Lopes, sujeito bom, que estudou e conquistou emprego na Rede Globo, ganhou liberdade condicional e nunca mais deu as caras no merecido cárcere. Os advogados de criminosos fazem a festa, proíbem depoimentos, testes de DNA, acareações e o diabo a quatro. As brechas das leis penais permitem isso. Sujo como o Direito Penal, só mesmo o Direito Trabalhista, criado unicamente para defender os patrões inadimplentes, como já ocorreu comigo.

Larguei o Direito justamente por isso e me tornei jornalista, antes mesmo de me formar em 1965. E não me arrependo. No Brasil, a pena maior é de 30 anos, sem contar o incrível recurso de progressão. Nos Estados Unidos, há a prisão perpétua. Por que não imitarmos os americanos? Não sei responder. E isso vem de longe, desde a época em que Pero Vaz de Caminha – que não era escrivão da corte lusitana – escreveu a carta ao rei de Portugal. Com a carta, Caminha conseguiu a libertação do irmão, que furtara obras de arte de uma igreja de Lisboa. Hoje as coisas pioraram, e não há lei de ‘ficha limpa’ que impeça ladrões do tesouro de concorreram às eleições.

Outro dia mesmo, assisti na televisão – canal de assinatura – a história de um nazista que mandou fuzilar 300 italianos (escolhidos a esmo) em Roma. Ele foi preso por agentes israelenses em Bariloche, Argentina, e repatriado à Itália. Imaginei que acabasse fuzilado pelo crime hediondo que cometeu. Errei feio. A justiça italiana, tal qual a brasileira, decretou prisão domiciliar para ele. Foi ou não foi um prêmio? Detalhe: a prisão domiciliar que ele cumpre – se é que cumpre – é num belo prédio em Roma, num bonito edifício, pago pelo poder público, ou seja, pelos impostos que o bilionário Berloscuni cobra do povo. Um absurdo tipicamente ao estilo brasileiro.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Só me resta seguir batendo


Na véspera de mais uma trágica partida do Botafogo contra o Flamengo (perdoem a má palavra) pelo Campeonato Brasileiro, assisti pela televisão a uma rápida entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano (completará 70 anos agora em três de setembro). Galeano, como todos sabem (ou deviam saber) comparou Garrincha (1933-1982) a nada mais nada menos do que a Charlie Spencer Chaplin (1889-1977), o genial Carlitos que encantou muitas gerações de cinéfilos. Veio a quarta-feira chuvosa e fatídica e o Glorioso, supostamente em vantagem psicológica sobre seu mais temível rival, perdeu bisonhamente por 1 a 0 no Brasileiro.

Em 15 jogos pelo citado Campeonato Brasileiro, desde 2000, o Botafogo sofreu oito derrotas e conseguiu apenas sete empates. A última vitória alvinegra, por 3 a 1, ainda nos tempos de retorno de Donizete, ocorreu a sete de outubro de 2000, já na era do sérvio Petkovic envergando a pavorosa camisa rubro-negra. Aí eu pergunto: de que valeu nossa vitória no Campeonato Carioca, com gols de Herrera e Loco Abreu, se pouco tempo depois entregamos o ouro ao bandido? Quem vai se recordar dela agora, depois da nota zero que o Glorioso tomou diante de um clube que ainda é um caso de polícia, com os feitos de Adriano da Chatuba, Wagner Love da Rocinha e, agora, de Bruno da Samudio – e outros integrantes parceiros de Bruno da Samudio?

Sou botafoguense apaixonado – mais do que devia, estou certo – mas não alivio atuações pífias, sem alma e empenho. A rigor, o ‘Botafogo não vale nada mas eu gosto de você’, como na música do conjunto ‘Calcinha Preta’, que tanto sucesso fez. Depois a diretoria do clube fica se perguntando por que razão a torcida alvinegra está envelhecendo. Por causa dessas derrapagens constantes – e irritantes – que só afastam os jovens da camisa alvinegra. Quem quer ser Botafogo? Poucos, muito poucos, embora, segundo o Ibope, o Alvinegro seja o 12º colocado na preferência de torcedores do clube em todo o Brasil (193 milhões de habitantes), na frente do carioca Fluminense, que é o 14º. Mas uma derrota dessas é um pontapé no saco de todos.

O Botafogo – quanto mais velho fico – segue sendo o maior amor imaterial de minha vida. Mas isso não quer dizer que me conformo com vergonhas desse tipo. O Botafogo, como Jesus Cristo fez, em sua época, simplesmente ressuscitou um morto, como Lázaro, que depois, mostrando serviço, virou São Lázaro. E o que me resta fazer aqui em meu blog, postado gentilmente pela alvinegra apaixonada Malu Cabral? Continuar batendo no Tinhoso, que, na prisão, irá formar uma dupla sertaneja com o assassino da filha, o monstro Nardoni. Ou então dizer que surgiu um advogado japonês, especialista em Direito Penal Brasileiro, para defender Bruno da Samudio. O nome dele? É simplesmente Sugiro Kifuja. Será que vai conseguir alguma coisa?

Eu, apesar de tudo, das gozações com o Tinhoso, alvo de várias polícias, continuo puto da vida. Como é se que atira pela janela uma vitória que virou livro (21 depois de 21), de Rafael Casé e Paulo Marcelo Sampaio? E A conquista espetacular do Campeonato Carioca de 2010 – homenagem aos campeões de 1910? Quem irá ao Engenhão ver o Botafogo jogar a bola quadrada que jogou com o Tinhoso? Eu não vou nem de graça, nem que me arrastem à força. Sou daqueles torcedores que não vaiam time nem jogadores, por uma única e escassa razão: eles estão vestindo a camisa mais bonita do mundo, ilustrada ainda pelo mais belo escudo de um clube, eleito por uma revista japonesa. E desse jeito, que o Botafogo tome cuidado para não cair uma vez mais para a segunda divisão. Seria simplesmente o apocalipse.

Botafogo ressuscita um morto


Creio que já escrevi aqui que não sou muito chegado a religiões. Conheço um pouco da história delas todas, mas minha grande e única paixão imaterial é o Botafogo de Futebol e Regatas. Mas como estudei em colégio católico (Instituto São Fernando, no Rio), sei muito bem que Jesus Cristo ressuscitou Lázaro. Em poucas e resumidas palavras, para chegar aonde quero chegar, O Glorioso ressuscitou o Tinhoso, que estava literalmente morto, na noite da última quarta-feira no Maracanã. Abatido pelos casos de Adriano da Chatuba, Wagner Love da Rocinha e Bruno Samudio, o Urubu, para ser enterrado, só precisava de sete palmos de terra.

Pois o Botafogo me fez o favor de perder para um time bisonho, abatido moralmente, ridicularizado por todas as demais torcidas, reforçando a história de que ‘há coisas que só acontecem a ele, Botafogo’. Pior: mesmo desfalcado de Loco Abreu, há 10 anos o Botafogo não supera o medonho Urubu em campeonatos Brasileiros. Depois da sensacional vitória no Campeonato Carioca deste ano, o alvinegro de General Severiano pagou um mico que lhe será caro no futuro para resgatar. Como botafoguense, não posso admitir que meu clube reerga um clube no fundo do poço, lá atirado por seus ídolos. Nota zero para os que usaram nossa camisa.

A foto que ilustra este blog é de uma conferência minha na Casa de Cultura Banco do Brasil. E os que estão perto de mim na ocasião riem das histórias curiosas que não posso esconder de meu clube. E ririam muito mais depois da derrota humilhante no Maracanã, com um gol de um jogador do qual nunca ouvi falar. Honestamente, estou envergonhado. Tanto esforço, tanto treino – até em Teresópolis – para fazer o papel de ressuscitar um clube mortinho da silva. Assim, com derrotas desse tipo, não há torcedor que aguente. Não há torcedor que se anime e sair na rua vestindo a camisa gloriosa de seu clube. Eu, confesso, estou possesso. E Maurício Assumpção deveria multar todos os que participaram de mais uma tenebrosa derrota do Botafogo – justamente para o nosso maior e mais odiado rival.

Como diria o rubro-negro Kleber Leite, me incluam fora desse vexame.

sábado, 10 de julho de 2010

Fla toma providências enérgicas


Faz tempo que sugiro aqui neste meu blog, a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no que restou da sede da Gávea, perigoso reduto de jogadores, torcedores e auxiliares do departamento de futebol do Tinhoso, em tempos idos vizinho da famosa Favela do Pinto. Hoje, através de meu SSI (Serviço Secreto de Informações) tomei conhecimento do projeto que será erguido em breve na Beira da Lagoa (foto acima). Trata-se de uma nova sede que não precisará de UPPs e que servirá para abrigar atletas e adeptos do rubro-negro. Uns ficarão em seu interior cumprindo uma espécie de recolhimento perpétuo. Outros, poderão sair, vez por outra, desde que vigiados por elementos da PM.

Para desenhar o projeto da nova e ‘espetacular’ sede, o arquiteto (que não pode ser citado pois já passou anos no Complexo de Bangu), fez um estudo profundo sobre as teses do médico, cirurgião e cientista italiano Cesare Lombroso (1835-1909), que escreveu a obra prima da criminologia denominada ‘O Homem Delinquente’. Pessoalmente tive contato com a história de Lombroso quando estudei Direito Penal na Faculdade Nacional de Direito, na Praça da República. Para escrever sua monumental obra, Lombroso, como médico, perpetrou 400 autópsias e fez, de maneira paciente e profunda, a análise de seis mil delinqüentes vivos e presos, claro.

O projeto, pelo que pude verificar, é magnífico, tendo, inclusive, um campo de futebol (de terra batida mas de dimensões oficiais) para treinos dos atletas. Estes ficarão, digamos assim, concentrados em celas isoladas e o controle da entrada de telefones celulares será terminantemente proibido. Os torcedores que quiserem assistir aos treinos serão todos revistados e posteriormente acomodados em arquibancadas gradeadas para evitar tumultos. Em dias de jogos, na projetada reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, as torcidas organizadas ficarão acomodadas à esquerda das tribunas especiais – como sempre ocorreu no passado – mas, por uma questão de segurança, serão vigiados por 10 mil homens armados da Polícia Militar.

Para estimular o time, os torcedores rubro-negros poderão levar cópias empalhadas de urubus. O que ainda está em estudo – e talvez demore a ser decidido – é a questão de uniforme dos jogadores. Não se sabe até agora se os jogadores poderão usar a camisa oficial ou se ela será substituída – como já foi – pela do Tabajara Futebol Clube. Tudo depende de uma especial autorização dos protagonistas do programa ‘Casseta & Planeta’, da Rede Globo. Na saída do Maracanã, os jogadores serão acomodados (com conforto) em camburões especiais até a nova sede, onde serão devidamente trancafiados até o próximo compromisso. As viagens de avião, para o Campeonato Brasileiro, serão proibidas. Os craques seguirão em ônibus especiais, mesmo para os mais distantes locais – como Fortaleza, por exemplo.

Particularmente, acho que as medidas tomadas pelo Tinhoso da Gávea são exageradas. Não na sede, que está realmente muito bem bolada. Mas nas viagens longas. Os jogadores, por uma questão de respeito ao ser humano, poderiam viajar de avião, desde que algemados, para não ameaçar a segurança dos demais passageiros. Através deste blog farei (prometo) uma campanha a favor dos aviões e das algemas, já que as viagens de ônibus serão extremamente cansativas e desgastantes. Por fim, nas divisões de base, aqueles que pretenderem jogar pelo Tinhoso terão que apresentar o que já existe nas eleições, ou seja, uma ‘ficha limpa’. Acredito que em 20 ou 30 anos o Tinhoso possa se recuperar do trauma porque passa nos dias de hoje.

Este é o meu desejo: liberdade condicional para os jogadores bem comportados.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Apenas um caso de polícia


Há alguns anos, um jornalista rubro-negro – certamente ressentido pelas derrotas sofridas no gramado – escreveu um livro de quase 500 páginas abordando o alcoolismo de Garrincha (1933-1982) e sua morte prematura aos 49 anos. Não me recordo de um só trecho em que falasse do gênio que foi Manoel dos Santos, não apenas no Botafogo como na conquista do bicampeonato mundial no Chile em 1962.

Eu sou Botafogo apaixonado, não gosto do Flamengo (vejam que não escrevi o adjetivo pejorativo ‘Tinhoso’) mas não vou escrever uma única e escassa palavra sobre o caso do goleiro Bruno no desaparecimento da jovem Elisa Samúdio. Já basta o que o clube da Gávea sofreu com Adriano da Chatuba e Vágner Love da Rocinha, o que me levou, ironicamente, a sugerir que fosse implantada na Gávea uma UPP.

Mas o caso de Bruno me parece gravíssimo. Trata-se de um caso de polícia, da Divisão de Homicídios. Mesmo detestando o Flamengo, como adversário nos campos de futebol da vida, me recuso a tratar do assunto. Sou um cronista esportivo e não um repórter policial. Não vou repetir aqui, em meu blog, a sacanagem sofrida por Garrincha, sua doença provocada pelo álcool e suas estripulias fora de campo.

O caso do goleiro Bruno é um caso de polícia, repito. O de Garrincha era um caso de doença, de dependência física com o álcool – para não citar os problemas vividos por ele com as artroses incuráveis que sofria nos joelhos. Para mim, a carreira de Garrincha terminou a 15 de dezembro de 1962, quando ele, pelo alvinegro, liquidou o Flamengo na final do Campeonato Carioca de 1962, marcando dois gols e provocando o terceiro, contra, de um zagueiro rubro-negro. O Flamengo, como clube de futebol, com a torcida que tem, não merece que eu deste caso me aproveite.

Por uma questão de ética profissional, não escreverei sobre o assunto. Não sei se jornalistas rubro-negros (como o que colocou Garrincha abaixo de zero) fariam o mesmo. Creio que não, principalmente se o alvo fosse o Glorioso.

Como diria o rubro-negro Kleber Leite, me incluam fora dessa.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O marketing alvinegro de Loco Abreu


O marketing não é minha área, mas estou convencido de que o jogador uruguaio e alvinegro Loco Abreu fez para o Botafogo nesta última Copa do Mundo – mesmo com a derrota do Uruguai para a Holanda – foi simplesmente sensacional. Loco Abreu, além de entrevistas declarando seu carinho pelo Glorioso, foi capa de O Globo na última terça-feira e citado, diversas vezes, por outros jornais e emissoras de televisão. Por isso, humildemente, peço a todos os torcedores do campeão carioca de 2010 que façam uma bela festa para ele quando voltar ao clube da estrela solitária.

Sebastian El Loco Abreu fez contra a Seleção de Gana a mesmíssima coisa que abateu a tiros a equipe do Tinhoso, cobrando um pênalti que colocou o suspeito goleiro Bruno, do citado Tinhoso, sem saber o que fazer. E mais: a maneira de Loco Abreu bater pênaltis foi repetida várias vezes nas televisões, sempre com o teipe de seu gol na decisão. Não tenho essa informação, mas se o marketing do Botafogo mandar fazer uma camisa alvinegra com o número 13, vai vender como água na Fogão-Shop, da Avenida Venceslau Brás. Loco Abreu virou ídolo do Botafogo.

Não gosto de me intrometer na vida do Botafogo – onde vou raras vezes apesar de sócio-proprietário desde 1968 – mas o presidente Maurício Assumpção deve fazer o possível e o impossível para manter o uruguaio no clube. Como o Brasil fracassou uma vez mais, coube a Loco Abreu, do Uruguai, manter o Botafogo nas páginas e nas telas de televisão, numa jogada de marketing que ninguém esperava. Mesmo na derrota para a Holanda (injusta até certo ponto), o Uruguai arrastou um grande número de torcedores alvinegros para o telão da praia de Copacabana.

Como torcedor apaixonado pelo Botafogo, eu, Roberto Porto (com 12 letras no nome), estou animado para o restante do Campeonato Brasileiro, com ele, Loco Abreu, e mais o argentino Herrera, Jobson e Maicosuel, além de outros como Caio Talismã, Lúcio Flávio (voltando à forma) e Edno (que parece ter redescoberto seu jogo). Mas não se esqueçam, repito, de receber Loco Abreu como ídolo, pelo que ele, de maneira até indireta, colocou o Botafogo na imprensa, fazendo com que os torcedores brasileiros até esquecessem a bisonhice da equipe brasileira na Copa.

Quem sabe Loco Abreu ainda faz das suas na luta pelo terceiro lugar no Mundial? Vou torcer por ele porque ele é o Botafogo nessa maldita Copa da África.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma geração mais do que bisonha


Esta foto, de meu arquivo particular, é da Seleção Brasileira que derrotou a Itália por 2 a 1, em 1978, e conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo da Argentina. Para os mais novos, vou identificar: em pé, da esquerda para a direita, estão Nelinho, Leão, Oscar, Amaral, Batista e Rodrigues Neto; agachados, na mesma ordem, Búfalo Gil, Toninho Cerezzo, Jorge Mendonça, Roberto Dinamite e Zico. Como jogava esse time dirigido por meu amigo Cláudio Coutinho (1939-1981)? Leão, Nelinho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Cerezzo, Jorge Mendonça e Zico; Búfalo Gil e Dinamite. Agora faço a pergunta: faltava craque nessa equipe de Cláudio Coutinho?

Evidentemente que faltava. Um ou outro podia ser substituído, claro. Mas era o que o futebol brasileiro tinha de melhor naquela época, já tão distante. Agora torno a fazer outra pergunta: por que certo jornal carioca – em campanha aberta contra Dunga – afirma, em manchete, que Luiz Felipe Scollari nunca teve medo de selecionar craques? E eu mesmo respondo: simplesmente porque a geração de jogadores da época de Luiz Felipe Scollari – pentacampeão mundial em 2002 na Copa do Japão e Coréia do Sul – era melhor e dotada de profissionais mais talentosos. Já a geração de Dunga fez o que fez na África do Sul: venceu os mais fracos (Coréia do Sul, Costa do Marfim e Chile), empatou com Portugal e perdeu com justiça para a Holanda.

Não tenho a menor pretensão de defender Dunga, a quem nem conheço. Mas fazer campanha aberta contra ele é uma coisa injusta. Por que, torno a interrogar, ninguém fez campanha contra Telê Santana da Silva (1931-2006), outro que fez uma sólida amizade comigo? Telê perdeu duas Copas do Mundo (1982 e 1986), sendo que em 1982 montou um time quase espetacular: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior Capacete; Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder. Fora Valdir Peres e Serginho, só contava com craques. Até Éder jogava um bolão na Copa da Espanha. E Carlos Alberto Parreira, em 2006? E Mário Jorge Lobo Zagallo em 1974 e 1998? A rigor, só dois técnicos perderam finais de Copas do Mundo: Flávio Costa (1906-1999) e Zagallo. Um em pleno Maracanã, o outro na França, para o time de Zidane.

Mas há uma explicação para tudo. A CBF, de Ricardo Teixeira, queria que Dunga privilegiasse – prejudicando outras empresas jornalísticas – o grande império de comunicação do Brasil. E Dunga, com seu temperamento irascível, o desobedeceu. O desobedeceu, não tinha time – aliás tinha um time bisonho – e foi demitido pela Internet. Ele e toda a comissão técnica. Vamos torcer pelo Brasil, claro, somos brasileiros. Mas não vamos nos juntar à críticas sem sentido. Dunga é teimoso? É. Pode não ser bom técnico? Pode. Mas vamos olhar para a bisonha geração de jogadores que ele teve à sua disposição, principalmente no meio de campo.

Em minhas colunas na ESPN Brasil – sede em São Paulo – escrevi logo de saída que a Seleção Brasileira poderia aspirar no máximo um terceiro lugar. Errei. Foi eliminada diante do primeiro adversário forte que enfrentou. Nos comentários à essa minha coluna (mais de 50 telespectadores) fui apoiado mas também fui chamado de impatriota. Como posso ser patriota vendo um time jogar tão mal, com jogadores tão bisonhos e sem a menor criatividade? Tenham todos muita paciência, mas até a Argentina, tida e havida como o escrete dos escretes, tomou um sacode da Alemanha.

Agora, sem muitas esperanças, torço para o Uruguai, do botafoguense Loco Abreu. Mas a verdade é que a final deve ser Holanda x Alemanha.

Me cobrem isso, por favor.

sábado, 3 de julho de 2010

Adiós muchacho, mascarado e sin verguenza


Ah, Maradona (foto do JB), Dieguito tão querido (?) no Brasil... Você disse tanta coisa antes e durante a Copa do Mundo da África do Sul. Garantiu que iria ficar nu na Praça do Obelisco em Buenos Aires caso a Argentina fosse campeã do mundo... E agora, quem diria, caiu de quatro diante da Alemanha e vai voltar mais cedo. É verdade, Maradona, que você não sacaneou o Brasil quando o time (?) de Dunga perdeu da Holanda. Mas falou mal de Pelé (pela enésima vez), disse que Messi era o melhor jogador do mundo, etc e tal. E agora, Don Diego? Como você será recebido na volta à capital argentina? Fique com o título que você conquistou no México com aquele gol com a mão e com as derrotas que sofreu diante do Brasil. Recuerdate de 1982?

Você é insuperável, Maradona. Boquirroto, metido a besta naquele terno ridículo que o deixou sem pescoço. Cansou de beijar seus jogadores, fingindo-se de técnico carinhoso e malandro ao mesmo tempo. Declarou que sua turma não precisava de concentração fechada, que iria permitir sexo e pirulitos para todos. E ahora, hermanito? O que é que você vai dizer em casa (se é que ainda tem casa)? O que você vai explicar para o pasquim Olé, que vive esculhambando o Brasil? Foi bem feito, Maradonita, foi bem feito. Tomar de quatro da Alemanha foi um castigo e tanto para um cara mascarado como você. Tanta marra para arrumar um time mequetrefe, que tomou um baile da Alemanha. Adiós muchacho, que la tierra le sea leviana...

O Brasil, Maradona, não ficou atrás. Foi eliminado, sim, pela Holanda. Jogou mal, principalmente no segundo tempo, mas não deu o vexame histórico que su equipo deu. Você vai carregar para sempre esses quatro a zero, junto com Carlito Tevez, Messi e todos os outros. Ahora, Don Diego, serei hincha del Uruguay, del jugador Loco Abreu, campeón por mi club de corazón, el Glorioso, el Botafogo eterno. E tome cuidado, Maradona: com tanta trampolinagem, desde as eliminatórias, você certamente vai perder o cargo. Los hinchas del River Plate irão fazer pressão para que você caia fora, com essa barbicha e esse terno indescritível.

E ahora repito: que la tierra le sea leviana, bien leviana Maradona...


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Loco Abreu é o Botafogo na Copa


Foi uma sexta-feira de cinzas para o futebol brasileiro. Sermos eliminados como fomos pela Holanda, jogando de maneira bisonha e medíocre, me deixou entristecido. Mesmo sabendo que a geração de jogadores que foram à África do Sul estava muito abaixo do que estamos acostumados, foi trágico. Em minha coluna no site da ESPN Brasil – que já teve até agora 50 comentários, uns bons, outros maus – havia afirmado, logo após a nossa estréia, que conseguiríamos no máximo um placê – linguagem de turfe que significa ficar em terceiro lugar. Mas errei. Nem no terceiro pudemos ficar, tamanha a mediocridade do jogo que apresentamos. Foi de doer.

Minha única e escassa alegria nessa sexta-feira negra – tomara que a esqueçamos rapidamente – foi o pênalti categórico que o uruguaio-botafoguense Loco Abreu bateu, na partida contra Gana, eliminando o último país africano no Mundial. No momento em que Loco Abreu partiu para decidir a partida, lembrei-me da final contra o Tinhoso, no Maracanã, em abril. Ele mostrou a mesmíssima frieza e categoria daquela partida que deu a meu amado Botafogo o título de campeão carioca de 2010. De canhota, como se estivesse numa pelada, Loco Abreu matou o goleiro ganês, com a única diferença que não usou a trave para enganar o hoje suspeito Bruno.

Confesso que, mesmo entristecido com a derrota do Brasil, dei uma gargalhada quando a bola estufou a rede do adversário. Loco Abreu é de uma coragem impressionante, tanto jogando pelo Uruguai como pelo Glorioso. Sei que o Uruguai terá que enfrentar a correria da Holanda pela frente, o que não será um bom negócio. Sei, também, que Loco Abreu não é titular do time de Montevidéu. Mas, quem sabe? Com sua frieza e sua altura, poderá ganhar a posição. E confesso que apesar de ter o Uruguai atravessado na garganta desde 1950 – e de outras refregas sul-americanas – vou torcer pela Celeste, única e exclusivamente por causa do alvinegro Loco Abreu.

Gana teve o jogo nas mãos no último minuto de jogo, com o pênalti a seu favor. Mas o atacante, que poderia eliminar o Uruguai naquele derradeiro chute, bateu um tiro de meta. E a jabulani estourou no travessão. Parece que estava escrito que 2010 é um ano alvinegro. Na série de pênaltis, coube a Loco Abreu fechar o caixão de Gana, com a coragem e a categoria de sempre. Os uruguaios foram à loucura, formando uma pirâmide sobre o jogador do Botafogo. Ah, como me recordei da decisão contra o Tinhoso... Por isso vibrei porque o alvinegro de General Severiano é o meu maior amor imaterial. Principalmente agora com os reforços que estão chegando.

E o Tinhoso? O que vocês me dizem dele? Bruno sob suspeita da polícia e Wagner Love fugindo às pressas para a Rússia, além de Adriano da Chatuba, que já tirou o time de campo antes que a polícia terminasse a investigação da moto dada de presente a um traficante. Não é uma beleza? Poderia haver coisa melhor? É cada vez mais importante que a PM instale na Gávea uma unidade da UPP. Só assim, o banditismo que ocorre por lá poderia ter fim. Mesmo assim, é preciso ter cuidado. É preciso uma unidade da UPP na Gávea e outra no Ninho do Urubu da Carniça.

Como diz um leitor deste blog, termino com a frase: “Loco Abreu neles...”

terça-feira, 29 de junho de 2010

Maicosuel está de volta ao Glorioso


Por essa foto do Globo Esporte, batida ontem na Granja Comary, em Teresópolis, os leitores alvinegros percebem que o Botafogo não está brincando em serviço: Maicosuel já se apresentou ao técnico Papai Joel para começar seus treinamentos no Glorioso. Agora é que os problemas começaram, para o próprio Botafogo, campeão carioca de 2010, e para seus futuros adversários, principalmente o Tinhoso. Como o Botafogo armará sua equipe depois da Copa do Mundo, com a chegada do Mago Maicosuel e de Jobson? Sei muito bem que o problema é de Joel, que é pago para resolver esse tipo de problema. Mas que vai ser dureza, isso vai. Podem apostar.

Isso me faz lembrar o tempo em que General Severiano – o velho e saudoso estadinho demolido – em dias de treino. Era um desfile de craques e de jovens jogadores que iam surgindo, como Jairzinho, Roberto e Arlindo, para citar apenas os três, campeões da categoria de juvenis, e mais os cobras veteranos, como Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo, Zagallo, Gérson (chegou em 1963) e Paulo Catimba Valentim. Era uma festa e às vezes, quando Sandro Moreyra estava de folga, Oldemário Touguinhó, sabendo da minha paixão pelo clube, me escalava para cobrir o extraordinário Botafogo para nosso velho e querido Jornal do Brasil.

Outro dia mesmo, revirando meu arquivo de fotos do Botafogo, fiquei surpreso com a formação de um ataque da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1959. Lá estavam, com as camisas de titulares, Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Pelé e Zagallo. Mas a foto, que guardo com carinho, não supera a da Seleção Brasileira bicampeã mundial no Chile, em 1962, com Nílton Santos na defesa e um ataque com Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo, na final contra a então Tchecoslováquia. Mas não foi esse Botafogo que me fez um torcedor enlouquecido. Eu já era antes.

Mas a chegada de Maicosuel e de Jobson, somadas as permanências de Loco Abreu e Herrera, mais Caio Talismã, sem esquecer Lúcio Flávio – que está voltando à forma – me deixam ainda mais abestalhado com meu clube do coração. Só faço, a rigor, uma única observação: mesmo sem ser técnico, acho que Somália, com o fôlego e a audácia que tem, deveria ser titular da lateral direita. Mas estou certo, por outro lado, que Papai Joel terá um grave problema pela frente: como escalar o time todo?

Antes assim. Poderemos mudar a feição de uma partida assim que quisermos. Mandou bem a diretoria com o esforço terrível para trazer Maicosuel de volta. Ele é o talento que faltava, a inteligência que o Botafogo precisava. Hoje vou ficar por aqui, às voltas com a cobertura, pela TV, da Seleção Brasileira para a ESPN Brasil. Mas confesso: o Botafogo me perturba, talvez mais do que a Seleção. Por quê? Porque o Botafogo é mais ou menos meu. Já a Seleção é de todos os brasileiros.

Vamos à luta nas duas frentes...

sábado, 26 de junho de 2010

Botafogo lança revista


Foi lançada na noite da última quinta-feira, na sala de troféus de General Severiano, a revista oficial do Botafogo, que estará à disposição dos torcedores nas bancas a partir do dia 1º de julho. Bimestral e impressa em papel de alta qualidade, a revista é interativa e tem como objetivo principal o estreitamento dos laços entre clube e torcida. No coquetel que deu o pontapé inicial a este novo produto de marketing do clube, estiveram presentes o presidente Mauricio Assumpção, o vice-presidente Geral, Antônio Carlos Mantuano, o vice-presidente de Esportes Gerais, Caio Calumby, o vice-presidente de Patrimônio Francisco José S. Fonseca Filho e o Diretor-Executivo Sérgio Landau.

O vídeo que mostrou os bastidores da final do Campeonato Carioca abriu a solenidade, emocionando os convidados presentes. Em seguida, o presidente Mauricio Assumpção fez o uso da palavra e comentou a importância de abrir esse novo canal de contato com os alvinegros de norte a sul do país.

" Com a revista, queremos reforçar os laços entre clube e torcida. O botafoguense terá o prazer de ter o Botafogo dentro de casa. Vamos divulgar as melhorias, as novidades, contar a história dos ídolos e dar também um destaque aos esportes olímpicos. Queremos informar o torcedor que não pode vivenciar o cotidiano do clube. A primeira edição é sobre o título do Carioca 2010. É um projeto que já nasce campeão", afirmou o presidente.

(*) Este é o comunicado oficial do clube. De minha parte, espero que a revista tenha as informações precisas do velho boletim do clube, confeccionado com esmero e dedicação pela figura histórica de Alceu Mendes de Oliveira Castro.

(**) Quando o jogador de vôlei Bebeto de Freitas assumiu a presidência do Botafogo, sua primeira providência foi demitir o ainda jovem estatístico alvinegro apaixonado Pedro Varanda, meu amigo até hoje. Em seu lugar contratou a tricolor Mariúcha Moneró, jornalista de experiência zero, para chefiar o site oficial. Fui chamado por Jefferson Mello para ajudá-la. Trabalhei três meses e fui demitido pelos três. Mariúcha não entende lhufas de jornalismo. Vetou, de estalo, todas as idéia que lhe passei para revigorar o site do meu amado clube. Recebi apenas dois míseros salários. O terceiro, mandei que ela recebesse em meu nome e o destinasse aos humildes funcionários do clube com salários atrasados. Não sei se ela fez o que mandei. Ou se deu outro destino aos três mil reais de meu acordo verbal com o BFR, como PJ, jamais como funcionário do clube. O Botafogo jamais me deverá nada. Só a sua existência é para mim um amor incondicional e incomensurável.

(***) Agora temos Maurício na presidência e pergunto: Será que temos novas ‘mariúchas’ fazendo o site? Não sei responder. E fica a pergunta que não quer calar: Será que os confeccionadores da nova (e bonita revista) são alvinegros? Também não sei responder. Amanhã, eles poderão estar noutro clube, assim como Mariúcha sentou-se na chefia do site oficial do Fluminense. E detalhe: em certas ocasiões, Mariúcha – e sua companheira Márcia Loureiro – cantavam o hino do Botafogo. Toma atenção, Maurício. Ódio ao Botafogo é o que não falta. Cuidados com os gols contra que Mariúcha perpetrou ao longo de sua carreira no BFR, como protegida do jogador de vôlei.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O caso Rede Globo x Dunga


Blog da Leila Cordeiro (Miami)

O episódio Dunga versus TV Globo parece definitivamente explicado: A Globo resolveu atacar o técnico quando se sentiu prejudicada em seu negócio. A queda de braço entre o treinador e a emissora vem rolando há algum tempo. Dunga prioriza os treinamentos e a disputa do Mundial, enquanto a Globo quer preencher seus programas de jornalismo e variedades com reportagens e entrevistas exclusivas com os craques da seleção.

Para isso, pediu até a interferência de Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, a quem Dunga está subordinado, mas o treinador foi inflexível: ”eu sei o que é melhor para os jogadores, por isso eu faço as regras”. E colocou a Globo em seu devido lugar, com os mesmos direitos dos demais repórteres de outras emissoras.

As regras de Dunga desagradaram a emissora que se julga dona de seleção, pelo fato de ter os direitos de transmissão. Seus 300 profissionais na África do Sul ficaram perdidos, tudo que planejaram ruiu depois da linha dura adotada por Dunga. O incidente de domingo, na coletiva de imprensa, foi a gota d’água, quando Dunga interpelou o repórter Escobar que falava ao telefone movimentando a cabeça de forma negativa. O repórter do UOL, Mauricio Stycer, estava próximo de Alex Escobar e ouviu o que ele falava ao telefone:

“Insuportável, bicho, insuportável. O Rodrigo (Paiva) foi revoltado lá falar comigo, cara. O Dunga não deixou. Ninguém. Caraca, nem o Luís Fabiano. Infelizmente. Valeu, Tadeuzão”.

Alguém tem mais alguma dúvida sobre o episódio? Qualquer que seja o resultado do Brasil na Copa, Dunga está com seus dias contados à frente da seleção. Ele ousou desafiar o império e o império vai triturá-lo.

sábado, 19 de junho de 2010

Túlio Maravilha era o Botafogo


Em meu último blog, propositalmente, deixei de falar em Túlio Humberto Pereira da Costa, mais conhecido pelos torcedores como Túlio Maravilha (foto). Campeão brasileiro pelo Botafogo, em 1995, tenho a mais concreta e absoluta certeza de que ele foi o maior ídolo alvinegro dos últimos tempos. Irreverente, provocador, Túlio, em poucas temporadas com a camisa da estrela solitária, transformou-se no oitavo maior artilheiro da história do clube de General Severiano, com nada menos do que 155 gols, superado, claro, por jogadores como Quarentinha (308), o líder absoluto até os dias de hoje, e atrás, também, de Carvalho Leite, Garrincha, Heleno de Freitas, Jairzinho, Nilo Murtinho Braga e Otávio Sérgio de Moraes, que atuaram mais vezes.

Pode ser – vejam que escrevi pode ser – que Loco Abreu, Herrera ou Caio Talismã o superem em popularidade. Mas eu, como botafoguense apaixonado, acho difícil, muito difícil. Túlio Maravilha, no auge de sua primeira passagem pelo Botafogo, de 1994 a 1996, foi certamente responsável pelo surgimento de novos torcedores do Botafogo, que hoje, segundo o Ibope, é o 12º clube na preferência de todos os brasileiros (93 milhões de habitantes, segundo o último censo), superando, inclusive o Fluminense. Mas Túlio, apesar de ter todo o Botafogo na mão, decidiu tentar a sorte no Corinthians e, depois, no Tricolor das Laranjeiras. E lá se foi o ídolo.

Depois de Túlio, como maiores artilheiros, aparecem Roberto Miranda, Dino da Costa, Amarildo, Paulo Catimba Valentim, Nílson Dias, Mendonça, Geninho, Didi, Moisés Ferreira Alves, o Zezinho, Paschoal, Patesko e Gérson Canhotinha de Ouro. Orgulhosamente, posso dizer que só não vi envergar a gloriosa Carvalho Leite, Nilo, Paschoal e Patesko – que não foram do meu tempo. É verdade, também, que só vi Heleno de Freitas jogar duas vezes, contra América (Botafogo 3 a 2) e Fluminense (Botafogo 2 a 1), no distantíssimo Campeonato Carioca de 1947. Mas tive a sorte de assistir a todos os demais e gostava muitíssimo de Paulo Catimba Valentim.

Confesso que guardo por isso – pelo fato de deixar o Botafogo no dia da posse de José Luís Rolim – tentado por proposta do Banco Excel Econômico, certa mágoa de Túlio Maravilha. Sei que ele é (ainda joga atrás do milésimo gol, quase aos 40 anos) profissional e viu uma oportunidade de ouro pela frente. Mas o Botafogo perdeu o charme que tinha com ele em campo. Túlio era o Botafogo personificado, acreditem ou não meus leitores. A tal ponto que na Taça Guanabara de 1995, o Tinhoso escalou um zagueiro, um tal Aguinaldo, com o único intuito de provocar sua expulsão. O Glorioso perdeu o jogo (aquele da falha de Márcio Theodoro) e o árbitro, Léo Feldman, não percebeu a armação e expulsou Túlio e o idiota do Tinhoso.

A meu favor, tenho o depoimento do excelente radialista Waldir Luiz – ex-companheiro na Rádio Nacional – e que sabe tudo de Botafogo. Waldir concorda comigo que Túlio conquistou milhares de torcedores para o Glorioso, mas trocou a idolatria alvinegra pelo dinheiro do Excel Econômico e pela reserva no Corinthians.

Por isso, por tudo isso, não o incluí no blog onde falo na volta de Jobson. Mas não posso negar, de modo algum, que Túlio Maravilha foi, repito, o grande ídolo do Botafogo nos últimos tempos, mesmo comparando-o aos heróis da conquista de 1989, quando o alvinegro quebrou um jejum de 21 anos.

Por causa desses heróis, Casé e Paulo Marcelo escreveram um livro sensacional com o título ‘21 depois de 21’. Mas eu não podia, de maneira alguma, deixar de falar em Túlio e na importância que ele teve no Botafogo. Mesmo guardando certa mágoa em meu alvinegro coração.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Esse é o Botafogo que eu mereço


O atacante Jobson (foto Agência Estado) está de volta ao Botafogo. Ele fez sucesso nas últimas rodadas do Brasileiro de 2009 e pode ser apontado como um dos responsáveis pela manutenção do Glorioso no Brasileiro de 2010. Sem dúvida alguma é um belo reforço para Papai Joel. Mas fica uma dúvida: como o técnico armará o ataque alvinegro depois da Copa do Mundo? Herrera e Loco Abreu? Ou recuará Herrera e colocará Jobson e Loco Abreu na frente? E mais uma dúvida: e Caio, o Talismã Alvinegro? E mais outra: e se Maicosuel vier da Alemanha como quer o presidente Maurício Assumpção? De qualquer maneira é bom ter essas dúvidas.

Tudo isso, felizmente, me faz lembrar o Botafogo dos velhos tempos, quando os treinos em General Severiano eram uma atração à parte com tantos craques em campo. Já publiquei aqui em meu blog fotos de Garrincha jogando com Gérson e de Didi no mesmo ataque que o Canhotinha de Ouro. E mais: estavam surgindo, a todo vapor, com bola cheia, Jairzinho, Roberto e Arlindo, e ainda tínhamos, como reservas, Ronald, Paulistinha, Neivaldo e Édson Praça Mauá. E não se esqueçam de que pouco antes de 1959 lá estava com a camisa oito (não gostava da nove) Paulo ‘Catimba’ Valentim, para não falar em Quarentinha, o maior artilheiro da história do clube.

Não sou botafoguense apenas dessa época. Muito antes da Era Garrincha eu já me apaixonara pelo clube, na época de Heleno e de Paraguaio, Geninho, Pirillo, Otávio e Braguinha. Vivi também os melhores momentos de Dino da Costa e Vinícius – vendidos para o futebol italiano – mas a compra do passe de Didi, em 1956, foi uma cartada decisiva. Basta dizer que em 1962, na Copa do Mundo do Chile, o Botafogo tinha na equipe titular nada menos do que cinco jogadores: Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo e Zagallo, este último contratado ao Tinhoso logo após a Copa de 58.

Se tudo der certo – e já está dando – Maurício Assumpção trará de volta o Botafogo velho de guerra que se transformou, na época, no 12º maior clube do Século XX. Faço questão de não desmerecer outras equipes, como as das conquistas do bicampeonato de 1989-90 e do belo esquadrão de 1997, com jogadores como Paulo Criciúma, Mauro Galvão, Wilson Gottardo, Maurício, Carlos Alberto Santos, Carlos Alberto Dias e tantos outros que só fizeram aumentar ainda mais a minha paixão por esse clube tão diferente, que conseguia reunir torcedores como Sandro Moreyra, João Saldanha, Luiz Mendes, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino e Otto Lara Resende.

Meu amor pelo Botafogo é tão grande que cheguei a torcer para o Uruguai por causa do Loco Abreu na partida em que ele entrou na Copa do Mundo da África. E fiquei frustrado porque ficou no banco no segundo jogo. Que me perdoe Herrera, mas torcer para a Argentina, mesmo ele não estando lá, não dá. Com Maradona dizendo o que diz, afivelando uma máscara gigantesca (como diria o tricolor Nélson Rodrigues), é impossível. Mas mesmo numa Copa do Mundo, mesmo querendo o hexa, não consigo deixar de pensar no Botafogo, no título carioca de 2010 e na faixa de campeão que ilumina o meu escritório aqui no Recreio dos Bandeirantes. O Botafogo é quase meu. A Seleção Brasileira é de todos. Em poucas e resumidas palavras, como diria o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, repito que torço pelo hexa. Mas o meu amado Botafogo de Futebol e Regatas não me sai da cabeça. O que posso fazer?

(*) Não se esqueçam: na próxima segunda-feira será lançado, na sede de Venceslau Brás, o livro “21 de 21’, dos meus amigos Casé e Paulo Marcelo. Eu lá estarei, comemorando com eles e todos vocês, alvinegros, a vitória sobre o Tinhoso naquele dia 21 de junho de 1989. Infelizmente não fui ao Maracanã. Estava trabalhando, editando o esporte da Tribuna da Imprensa. Mas meu filho, Roby Porto, da Sportv, me representou. Eu só pude acompanhar a partida histórica pela TV.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma Seleção Brasileira azarada


Sei muito bem que serei contestado – inclusive pelo meu amigo Roberto Assaf – mas considero a Seleção Brasileira de 1982, dirigida por Telê Santana (1931-2006) uma das melhores que o país formou em campeonatos mundiais. Repleta de craques, à exceção de Valdir Peres e Serginho, o Brasil foi eliminado pela Itália, no Estádio Sarriá, na Copa da Espanha, mas esteve perto de entrar para a história do futebol brasileiro, que hoje não perseguiria o hexa e sim o hepta. Vejam a que escalação o inteligente (meu falecido amigo, apesar de tricolor apaixonado) Telê Santana montou: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior Capacete; Toninho Cerezzo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder Aleixo, este último em grande forma na época.

Como minha memória não é de ferro – assim como a do amigo José Inácio Werneck, hoje naturalizado americano – não me recordo onde trabalhava. Sei que aceitei de imediato o convite da CBF, para ser o assessor de imprensa do presidente Giulite Coutinho (1922-2009). Na época, ainda na Rua da Alfândega, a CBF vivia um momento agitado. A Seleção Brasileira perdera a Copa do Mundo e, pior, a Taça Jules Rimet havia sido roubada da vitrine do oitavo andar do prédio. Quando assumi o cargo, lá encontrei um ambiente quase fúnebre, mas fui em frente assim mesmo.

Como assessor de imprensa, coordenei o trabalho da Kodak alemã, que ofereceu à CBF uma réplica perfeita da Jules Rimet, inclusive com a base no mármore lápis-lazuli, só encontrado em montanhas do Chile. Os alemães, precavidos, haviam feito uma cópia do troféu, quando o conquistaram em 1954, na Suíça, e não lhes foi difícil arranjar uma réplica para o Brasil. Onde está guardada essa taça, não sei. Disseram, na época, que fora enclausurada num cofre forte do Banco do Estado da Guanabara, mas não posso ter certeza. A que existe na CBF de hoje – na Barra da Tijuca – é apenas uma cópia da cópia. A original fora derretida e vendida em tabletes de ouro pelos marginais que a roubaram. Uma tristeza para os heróis de 1970, no México.

Se Valdir Peres não era o goleiro ideal – tomou um frangaço diante da URSS – a defesa era ótima, com quatro zagueiros de categoria. E o meio de campo, em minha opinião, não poderia ser melhor, com destaque para Sócrates, Falcão e Zico. Infelizmente Paolo Rossi, com três gols estragou nossa festa, colocando um 3 a 2 no marcador final. Nossa única vingança é que o Estádio Sarriá, em Barcelona, foi demolido e dele não restou uma única e escassa recordação. Apenas a frustração brasileira, que caminhava a passos largos para a conquista da nova Taça FIFA.

Toda vez que me encontrava a sós com Giulite – uma pessoa de grande caráter – ele lamentava a derrota. E, diante de uma galeria de fotos nos corredores da CBF, comparava a Seleção de 82 com as que chegaram ao título em 1958, 1962 e 1970. Por uma questão de educação, não discordava dele. Mas as três equipes citadas também eram uma gigantesca força do futebol brasileiro. Hoje, com Dunga, já não posso dizer o mesmo. Não sou pessimista – e sim realista – e vejo com desconfiança o time de 2010, que está começando a participar da barulhenta Copa do Mundo da África. E, outro dia, ouvi de Sócrates a mesma opinião – ou seja, não estou sozinho nessa desconfiança. Sócrates pode ser um frustrado, pois perdeu em 1982 e 1986, no México, na cobrança de pênaltis diante da França. Mas que foi um grande jogador, isso não pode ser discutido. Vamos ver quem tem razão agora em 2010.

(*) O time de 1982, da foto, está assim identificado: de pé, Valdir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luisinho e Júnior; agachados, Sócrates, Toninho Cerezzo, Serginho Chulapa, Zico e Éder Aleixo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um time que sabia o que fazer


Minha máquina do tempo é infalível. E é a bordo dela, nesses tempos de um Botafogo que toma gols incríveis, que desembarco no Maracanã (145 mil pagantes), na tarde de 15 de dezembro de 1962, para assistir à final do Campeonato Carioca daquele ano entre Botafogo e Flamengo. Para os mais jovens, que não têm a obrigação de conhecer todos os jogadores do Glorioso – que precisava da vitória porque estava um ponto atrás do Tinhoso, também chamado de clube da beira da Lagoa – vamos à tradicional identificação, explicando, que o time, nessa tarde, tinha três desfalques.

Então vamos lá: da esquerda para a direita, de pé, Paulistinha (no lugar do titular Joel Martins), Manguinha, Jadir (no lugar de Zé Maria), Nílton dos Santos, Aírton Povil e Rildo da Costa Menezes; agachados, na mesma ordem, Manoel (Garrincha) dos Santos, Edson (Praça Mauá) de Assis Pinto (nos lugares de Didi ou Arlindo), Valdir (Quarentinha) Cardoso Lebrego, Amarildo Tavares da Silveira e Mário Jorge Lobo Zagallo. Apenas para começar nosso aquecimento, diria que esse era um time que sabia o que fazer para matar a pau seus adversários – principalmente o Tinhoso.

Como jogava essa equipe, mesmo desfalcada de jogadores como Joel Martins (lateral direito), Zé Maria e Didi ou Arlindo? Em campo, o técnico Marinho Rodrigues, que não inventava e que anos atrás fora um dos campeões de 1948, escalava Manguinha, Paulistinha, Jadir, Nílton dos Santos e Rildo (um verdadeiro carrapato); Aírton, Édson e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo. Em minha opinião, faço questão de dizer, nesse dia 15 de dezembro de 1962, Garrincha fez sua última exibição extraordinária, marcando dois gols e provocando o terceiro dos 3 a 0.

A estratégia de jogo era simples e foi aplicada inúmeras vezes. O Botafogo começava a atacar pela esquerda, trocando bolas entre Zagallo, Nílton Santos e Amarildo quando, de repente, invertia o jogo para o pivô Aírton. Este, sempre de meias arriadas, invertia o ataque para a direita, pegando Garrincha com um único e escasso marcador, no caso Jordan, ou Gérson Nunes. Aí, amigos, era o caos completo e absoluto. Mané engolia os dois, fez um gol logo de saída, obrigou Vanderlei a meter o nariz na bola e fazer o segundo e fechou o caixão rubro-negro no segundo tempo.

A jogada do terceiro gol foi fascinante. Como sempre atacando pela esquerda, Zagallo tocou para Amarildo (que estava atuando sem condições físicas, com início de distensão) e recebeu de volta. Fugindo às suas características, Zagallo foi até a linha de fundo e cruzou alto sobre a área, na altura da marca do pênalti. Foi aí que Quarentinha aplicou uma tesoura voadora avassaladora, fazendo a bola estourar no peito do goleiro Fernando. E aí, Garrincha, livre, quase em cima da linha do gol, só fez empurrar a bola para as redes. Botafogo bicampeão carioca de futebol.

E para os aficcionados, aí vão detalhes da partida: Botafogo – Manga, Paulistinha (já falecido), Jadir, Nílton Santos e Rildo; Aírton, Édson e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo; Flamengo – Fernando, Joubert, Vanderlei, Décio Crespo e Jordan; Carlinhos, Nelsinho e Gérson; Espanhol, Dida e Henrique. Juiz: Armandinho Marques, que expulsou de campo, no finalzinho, Paulistinha e Dida.

(*) Será que vale a pena cantar para o time atual do Botafogo o sucesso do conjunto ‘Calcinha Preta’? ‘Você não vale nada mas eu gosto de você...’

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Esse Botafogo não me engana

                 

Perpetrando um quase inacreditável esforço de memória, concluo que fui a General Severiano (foto) pela primeira vez no início da década de 40. Não era para futebol, que nem sabia do que se tratava. Foi para um baile de carnaval infantil. Mas era fevereiro, fazia um calor dos diabos no salão principal do clube e minha mãe achou por bem me conduzir ao terraço do clube, onde fiquei até terminar o forno que havia lá embaixo. Depois, lendo o livro de Alceu Mendes de Oliveira Castro, descobri que já era torcedor do futebol do Glorioso Botafogo em 1946 (botem tempo nisso). Foi uma época em que Braguinha sempre brilhava com uma marchinha de sucesso.

No dia 22 de setembro daquele ano, um domingo, em General Severiano, o Botafogo derrotou o Madureira por 7 a 1 (Heleno marcou três vezes na goleada) e ouvi o jogo pelo rádio, no apartamento onde minha família morava, em Laranjeiras. A cada gol do alvinegro, eu dava uma cambalhota na sala e saía correndo para dar o placar para nossa empregada, Isaura, que, pelo que me recordo, era torcedora do Tinhoso. Contei essa duas histórias para provar aos possíveis leitores do meu blog que conheço o Botafogo na palma da mão. Bem mais do que qualquer dirigente do clube.

Por isso, não me surpreendi – embora ficasse uma vez mais puto da vida – quando o Corinthians empatou em 2 a 2, no Engenhão, quando faltavam apenas 30 míseros segundos para terminar a partida. O Botafogo, com raríssimas e honrosíssimas exceções, é useiro e vezeiro em entregar o ouro ao bandido no finalzinho das partidas. Pior: o gol de empate surgiu de um escanteio. Será possível que o time – que não jogou bem – não pudesse ficar todo dentro de pequena área, talvez até em cima da linha fatal, para evitar o empate? É por isso que os inimigos dizem, rindo, que ‘há coisas que só acontecem ao Botafogo’. E tenho que aceitar.

Sem querer cometer qualquer injustiça até com outros times que vestiram a gloriosa, creio que só a equipe que conquistou o Campeonato Carioca de 1989 lutava até a última gota de suor – por isso terminou campeã invicta. Tem razão Papai Joel, que jogou sua prancheta no chão, tem razão Lúcio Flávio que custou mas teve uma boa atuação e, por fim, teve razão Leandro Guerreiro, que deixou o gramado como se tivesse perdido um título. Infelizmente, através de décadas, sou obrigado a aceitar esses resultados absurdos. Honestamente, o Botafogo me tirou o sono e o humor. Tomara que com essa parada no Brasileiro, o clube volte com mais disposição.

Hoje vou terminar por aqui. O Botafogo me colocou a nocaute.

(*) O time da Tanzânia, que perdeu do Brasil por 5 a 1, na África, apesar dos desfalques alvinegros, é melhor que o do Botafogo. Podem apostar.

(**) Não é possível que o Botafogo ignore a difícil situação de saúde em que se encontra o nosso herói Juvenal Francisco Dias, campeão carioca de 1948.