quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Um time meio mequetrefe


Em primeiríssimo lugar, devo desculpas a meus leitores pela rápida porém sentida ausência de meu blog. Mas confesso que aquele empate com o Flamengo, aos 48 minutos, ainda está atravessado em minha garganta. Não consigo entender como um time que está vencendo uma partida, não toque a bola e esfrie o adversário. Resultado: uma vez mais, a torcida do tão odiado Simpaticíssimo saiu do Maracanã dando pulos de alegria, enquanto a nossa teve que suportar gozações as mais torpes, bem ao estilo deles.

Mas deixa para lá. Prefiro contar a história do Glorioso como ela deve ser contada, entro na minha já conhecida máquina do tempo e desembarco em General Severiano, precisamente em 1955, em jogo do Campeonato Carioca. Duvido que meus jovens leitores identifiquem as figuras posadas antes da partida.

Mas vamos lá: de pé, da esquerda para a direita, Antônio Corrêa Thomé, Nílton dos Santos, Orlando Maia, Juvenal Francisco Dias, Robert (Bob) James Neil e Lugano (goleiro de los hermanitos).

Agachados, na mesma ordem, Manoel dos Santos (o Francisco é invenção daqueles que não têm o que fazer), Gato, Paulo Omena, Casnock e João Carlos (ex-ídolo do querido Ameriquinha).

Por que esse arremedo de equipe? É fácil.

O Botafogo, com os cofres vazios (para variar), cometeu o verdadeiro suicídio futebolístico ao vender para o futebol italiano de uma só tacada, seus dois maiores artilheiros: Dino da Costa (Roma) e Luiz Vinícius de Menezes (Nápoles). O resultado, imediato, é que o querido Glorioso não participou do terceiro turno do Carioca, conquistado por “eles”. É mole?

Como jogava esse arremedo de equipe com dois craques inexcedíveis, Nílton dos Santos e Manoel dos Santos? É fácil (pelo menos para este escriba alvinegro da cabeça aos sapatos): Lugano (que morreu tuberculoso ainda no Rio), Orlando Maia, Thomé e Nílton Santos; Bob, Juvenal e Paulo Omena; Garrincha, Gato, Casnock e João Carlos. Quando a coisa ficava preta, João Carlos recuava e o alvinegro jogava num 4-4-2 rígido.

É óbvio de que João Jobim Alves Saldanha (1917-1990) ficou fulo da vida com esse Botafogo meio de araque. E em 1956 simplesmente comprou Didi ao Fluminense por um milhão e meio de cruzeiros (não me perguntem o que essa quantia seria hoje porque não sou economista). E mais: Nílton dos Santos (gosto sempre de escrever o nome completo dele) tentou que Adhemar Bebiano comprasse o passe de Zizinho, que estava dando sopa. Bebiano, bem ao estilo alvinegro, só lhe deu uma resposta:

- Zizinho jamais vestirá a camisa do Botafogo. Ele tentou chutar o Biriba aqui em General Severiano num Botafogo x Flamengo...

Menos mal porque em 1956, na primeira temporada de Didi no alvinegro do meu coração, o Botafogo simplesmente colocou uma pedra de cal na aspiração rubro-negra de chegar ao tetra.

Ganhamos de 5 a 0 no turno (com 10 jogadores no segundo tempo porque Thomé quebrara o braço) e fechamos o caixão deles no returno, vencendo por 1 a 0, gol do paraguaio Cañete.
Esse resultado deu ao Vasco o título de campeão carioca por antecipação.
O Flamengo?
Ah, o Flamengo desatou num chororô de dar pena. Não para mim, mas para meu pai, Nélson Porto (1909-1994), sujeito democrata que viu três de seus quatro filhos homens vestirem a gloriosa camisa alvinegra.

Valeu, pai. Valeu pelo espírito democrático que nos ensinou e que não sigo com meu filho e meus netos. Veja se me entende....


5 comentários:

Christiano Nunes disse...

Porto, quando você demora mais de três dias para atualizar o blog, isto já me causa apreensão. rsrsrs

Entretanto, eu não consigo entender o porque de hoje em dia o Fogão não dar mais passeios na Flanela. Afinal, isto foi tão comum antigamente. O Glorioso sempre superior. Já vi o Carlos Roberto dizer que o "bicho" já era certo antes mesmo do jogo começar.

Este ano essa história hei de voltar a ser escrita como deve ser.

Avante Fogão!

Gil disse...

Mestre Porto,

Compartilho com o Christiano; como é difícil ficar sem os seus comentários, histórias e “causos” do nosso querido GLORIOSO BOTAFOGO.

Permita-me dizer que o Sr. Nélson, onde estiver, entende perfeitamente.

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Anônimo disse...

Amigo Roberto Porto, soube que o Vasco perdeu no Tapetão e não irá às semifinais. Posso estar exagerando mas, acho que esse time ridículo que pensa que é o melhor do Rio já está se movimentando para vencer o 1º turno. O adversário não poderia ser mais fácil, do jeito que eles queriam - e nós deixamos - para conquistar a taça GB. Se ninguém falar nada, eles levam "molinho molinho" este caneco. Nós iremos deixar isto acontecer, de novo? Saudações botafoguenses.

João Almeida disse...

Porto,
Contarei uma passagem pessoal que eu adoro e que tem muito em comum com o seu Pai.
Numa conversa com meu Pai, recentemente, onde ele via minha apreensão com o futuro do Botafogo, meu Pai me disse:
Filho, a nossa diferença é que eu nunca saberei quem foi o FDP que me fez ser Botafoguense, mas Vc nunca terá dúvidas de quem te fez ser Botafoguense.
Obrigado Pai.
Eu adoro ser Botafoguense, assim como Vc.
Mais ainda, adoro odiar o flamengo.

Camila Augusta disse...

Amigo Porto, com certeza desconheço os jogadores da foto, ainda bem que você disse que são eles! ehehe
Na minha casa também rola o espírito democrático e meu pai me liberou desse fardo (mas minha mãe exigiu que eu fosse alvinegra)!
Saudações!