segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma Seleção Brasileira azarada


Sei muito bem que serei contestado – inclusive pelo meu amigo Roberto Assaf – mas considero a Seleção Brasileira de 1982, dirigida por Telê Santana (1931-2006) uma das melhores que o país formou em campeonatos mundiais. Repleta de craques, à exceção de Valdir Peres e Serginho, o Brasil foi eliminado pela Itália, no Estádio Sarriá, na Copa da Espanha, mas esteve perto de entrar para a história do futebol brasileiro, que hoje não perseguiria o hexa e sim o hepta. Vejam a que escalação o inteligente (meu falecido amigo, apesar de tricolor apaixonado) Telê Santana montou: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior Capacete; Toninho Cerezzo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder Aleixo, este último em grande forma na época.

Como minha memória não é de ferro – assim como a do amigo José Inácio Werneck, hoje naturalizado americano – não me recordo onde trabalhava. Sei que aceitei de imediato o convite da CBF, para ser o assessor de imprensa do presidente Giulite Coutinho (1922-2009). Na época, ainda na Rua da Alfândega, a CBF vivia um momento agitado. A Seleção Brasileira perdera a Copa do Mundo e, pior, a Taça Jules Rimet havia sido roubada da vitrine do oitavo andar do prédio. Quando assumi o cargo, lá encontrei um ambiente quase fúnebre, mas fui em frente assim mesmo.

Como assessor de imprensa, coordenei o trabalho da Kodak alemã, que ofereceu à CBF uma réplica perfeita da Jules Rimet, inclusive com a base no mármore lápis-lazuli, só encontrado em montanhas do Chile. Os alemães, precavidos, haviam feito uma cópia do troféu, quando o conquistaram em 1954, na Suíça, e não lhes foi difícil arranjar uma réplica para o Brasil. Onde está guardada essa taça, não sei. Disseram, na época, que fora enclausurada num cofre forte do Banco do Estado da Guanabara, mas não posso ter certeza. A que existe na CBF de hoje – na Barra da Tijuca – é apenas uma cópia da cópia. A original fora derretida e vendida em tabletes de ouro pelos marginais que a roubaram. Uma tristeza para os heróis de 1970, no México.

Se Valdir Peres não era o goleiro ideal – tomou um frangaço diante da URSS – a defesa era ótima, com quatro zagueiros de categoria. E o meio de campo, em minha opinião, não poderia ser melhor, com destaque para Sócrates, Falcão e Zico. Infelizmente Paolo Rossi, com três gols estragou nossa festa, colocando um 3 a 2 no marcador final. Nossa única vingança é que o Estádio Sarriá, em Barcelona, foi demolido e dele não restou uma única e escassa recordação. Apenas a frustração brasileira, que caminhava a passos largos para a conquista da nova Taça FIFA.

Toda vez que me encontrava a sós com Giulite – uma pessoa de grande caráter – ele lamentava a derrota. E, diante de uma galeria de fotos nos corredores da CBF, comparava a Seleção de 82 com as que chegaram ao título em 1958, 1962 e 1970. Por uma questão de educação, não discordava dele. Mas as três equipes citadas também eram uma gigantesca força do futebol brasileiro. Hoje, com Dunga, já não posso dizer o mesmo. Não sou pessimista – e sim realista – e vejo com desconfiança o time de 2010, que está começando a participar da barulhenta Copa do Mundo da África. E, outro dia, ouvi de Sócrates a mesma opinião – ou seja, não estou sozinho nessa desconfiança. Sócrates pode ser um frustrado, pois perdeu em 1982 e 1986, no México, na cobrança de pênaltis diante da França. Mas que foi um grande jogador, isso não pode ser discutido. Vamos ver quem tem razão agora em 2010.

(*) O time de 1982, da foto, está assim identificado: de pé, Valdir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luisinho e Júnior; agachados, Sócrates, Toninho Cerezzo, Serginho Chulapa, Zico e Éder Aleixo.

3 comentários:

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Mestre,

Foi minha grande tristeza no Futebol (decepção foi aquilo de 1990). Na época eu fazia faculdade de Teologia (colégio interno) e foi um chororô terrível!

Abraços,

Chico da Kombi, disse...

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O que atrapalhou o Brasil-82 foi o pé de frieira do Zico.
:-)

Força URUGUAI!
Loco 13 neles!

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Gil disse...

Mestre Porto,

Como ocorreu com as seleções de 58,62 e 70, faltou um jogador do nosso amado Botafogo.
Para completar, tinha muito amarelo "mulambo"!

Abs e Sds, Botafoguenses!!!