quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Renato Sá, El Vingador

Em junho de 1979, há quase 31 anos, o Botafogo, em jogos oficiais e amistosos, conseguiu atingir a marca de 51 jogos sem perder. Para um clube, como o Glorioso, que havia perdido na época a sua histórica sede de General Severiano, remetido a Marechal Hermes, os tais 51 jogos invictos soavam praticamente como um título conquistado a duríssimas penas. Mas quis o destino – ou uma tabela proposital – que o Botafogo tivesse pela frente, na próxima rodada do Campeonato Carioca, nada menos do que o Simpaticíssimo clube da beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Repleto de craques consagrados, como Paulo César Carpeggiani, Adílio, Zico e Cláudio Adão – para citar apenas estes quatro – o Simpaticíssimo, pouco tempo antes, havia superado a marca do Botafogo, com 52 partidas sem perder. Não preciso dizer que foi uma festa na Gávea. Todos, do porteiro ao faxineiro mais modesto, tinham a mais absoluta e irretorquível certeza de que o Simpaticíssimo derrotaria o Botafogo e estabeleceria a marca recorde de 53 jogos invicto. O supervisor Domingo Bosco foi rigorosamente à loucura. E mandou cunhar medalhas de recordistas para os jogadores.

O Botafogo – presidido por Charles Borer – havia investido em jogadores como Ziza, Marcelo e Renato Sá, mas o restante do time, à exceção de Mendonça, era o mesmo que se arrastava pelos campos do Rio, tentando melhor sorte no Campeonato Carioca – o que demoraria mais 10 duros anos para acontecer. O time foi a campo com Borrachinha, Perivaldo, Nílson Andrade, Renê e China; Russo (Romero), Mendonça e Renato Sá; Marcelo e Ziza (Chiquinho). O Simpaticíssimo entrou com seu ‘escrete’, ou seja, Cantarelli, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior Capacete; Carpeggiani, Adílio (Luisinho das Arábias) e Zico; Reinaldo, Cláudio Adão e Júlio (‘Uri Geller’) César (Carlos Henrique). O juiz foi José Roberto Wright e o público, acreditem ou não, foi de 139 mil 098 pagantes – impossível nos dias de hoje.

Mas estava escrito que o Simpaticíssimo não concretizaria seu sonho. Aos 11 minutos do primeiro tempo, Renato Sá (vibrando na foto), da meia-lua, driblou dois adversários e fuzilou Cantarelli no gol à esquerda das tribunas, bem abaixo da torcida adversária. E resistiu heroicamente a todas as pressões sofridas e deixou o Maracanã com o recorde igualado de 52 jogos sem perder.
Não preciso dizer que foi um dia de luto na Gávea, não apenas para os jogadores – acostumados a vencer – mas principalmente para o supervisor Domingo Bosco. Até hoje, tantos anos depois, não se sabe com certeza o que Domingo Bosco fez com as medalhas (e escrevo isso sem segundas intenções).

Para uns, ele as teria atirado nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, que só agora deixaram de ser poluídas. Para outros, Domingo Bosco as teria enterrado num canto do gramado do Flamengo, como o macumbeiro Arubinha fez com um sapo vivo num passado distantérrimo, depois que seu clube, o Andaraí, perdeu de 12 a 0 para o Vasco no gramado do Fluminense. Infelizmente, Domingo Bosco se foi e jamais revelou o destino das medalhas do recorde que não ocorreu. Dizem – não posso apostar – que há um prêmio para o funcionário da Gávea que descobrir as medalhas.
Mas 31 anos depois, a tarefa parece impossível. Particularmente, acho que Domingo Bosco as atirou mesmo na Lagoa Rodrigo de Freitas, matando, de estalo, todos os peixinhos que estavam por perto. Para mim, é a mais viável das variadas hipóteses.

Resultado: o placar do recorde segue até hoje – 52 a 52, sem apelação.

5 comentários:

marciopadilha disse...

Meu caro Roberto ÄLVINEGRO" Porto, lembro que, apesar do empate em número de jogos, o gol que nós sofremos do Grêmio que acabou com nossa invencibilidade foi aos 22 min do 2o tempo e que o gol que o Renato Sá fez no "simpaticíssimo"clube da lagoa foi aos 11 min e, por isso, temos 11 min a mais de invencibilidade...hehehehe

Chico da Kombi, disse...

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FORÇA FOGÃO!

Loco 13
neles!

Gloriosas Saudações Alvinegras.

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Chico da Kombi, disse...

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O recorde de jogos sem derrota na história do Brasileirão pertence ao Glorioso Botafogo. Foram 42 jogos de invencibilidade. 25 vitórias e 17 empates. \o/

1976 00 Bota 0x1 Grêmio
1977 01 Bota 0x0 Vila Nova-GO
1977 02 Bota 1x0 Brasília-DF
1977 03 Bota 3x1 Goiás-GO
1977 04 Bota 1x1 Goytacaz-RJ
1977 05 Bota 3x1 Atlético-PR
1977 06 Bota 3x0 Americano-RJ
1977 07 Bota 0x0 Vasco-RJ
1977 08 Bota 3x0 Londrina-PR
1977 09 Bota 1x0 Goiânia-GO
1977 10 Bota 2x2 Botafogo-SP
1977 11 Bota 1x1 Operário-MS
1977 12 Bota 1x0 Fluminense-RJ
1977 13 Bota 3x1 CSA-AL
1977 14 Bota 0x0 Bahia-BA
1977 15 Bota 2x0 América-RN
1977 16 Bota 0x0 Atlético-MG
1977 17 Bota 3x0 Cruzeiro-MG
1977 18 Bota 3x1 Fast Club-AM
1978 19 Bota 2x0 Itabuna-BA
1978 20 Bota 1x1 Bahia-BA
1978 21 Bota 5x1 Sergipe-SE
1978 22 Bota 1x0 Volta Redonda-RJ
1978 23 Bota 1x0 Ponte Preta-SP
1978 24 Bota 0x0 Vasco-RJ
1978 25 Bota 3x0 Vitória-BA
1978 26 Bota 1x0 Confiança-SE
1978 27 Bota 0x0 CSA-AL
1978 28 Bota 1x0 CRB-AL
1978 29 Bota 1x1 Guarani-SP
1978 30 Bota 2x0 América-RJ
1978 31 Bota 1x1 Flamengo-RJ
1978 32 Bota 2x2 Botafogo-SP
1978 33 Bota 2x1 Corinthians-SP
1978 34 Bota 0x0 Operário-MS
1978 35 Bota 2x1 Sport-PE
1978 36 Bota 3x0 Comercial-SP
1978 37 Bota 3x0 Juventude-RS
1978 38 Bota 1x1 Flamengo-RJ
1978 39 Bota 3x1 América-RJ
1978 40 Bota 0x0 Coritiba-PR
1978 41 Bota 1x1 Noroeste-SP
1978 42 Bota 2x1 Palmeiras-SP
1978 00 Bota 0x3 Grêmio-RS

FORÇA FOGÃO!
Loco 13
neles!

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CARLOS ALBERTO disse...

JUSTIÇA SEJA FEITA...O BORRACHINHA FEZ UMA GRANDE PARTIDA...PEGOU TUDO.
CARLOS ALBERTO

Gil disse...

Mestre Porto,

Nesse tempo as vitórias valiam títulos!

Torço e acredito que nesse ano a nossa vingança chegará.
Imagino o ministério da propraganda (frapress), dando como certo o tetra inédito (detalhe que só Botafoguense conhece), e eles (escrevo com segundas intenções) saibam o que fazer com as medalhas e faixas.

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!