
Antes do início da partida, o Simpaticíssimo ofereceu uma salva de prata a Nílton Santos, como homenagem à sua vitoriosa carreira, iniciada em 1948, como lateral-esquerdo de um time que entrou para a história do Botafogo. O encarregado de entregar a salva de prata a Nílton Santos foi o jornalista-empresário Drault Ernani Filho, rubro-negro mais do que ferrenho. Drault, inclusive, foi de uma infelicidade à toda prova no momento em que ele e Nílton saíam juntos do gramado, pois o jogador iria entregar o troféu no túnel alvinegro. E, sabendo que o jogo seria decisivo para as pretensões de seu clube, disse uma frase que Nílton Santos considerou ofensiva:
— Veja lá o que você vai fazer em campo hoje, Nílton...
Nílton Santos foi curto e grosso em sua resposta:
— Vá lá para a tribuna que você vai ver...
O jogo, é bom que se diga, foi duro, com oportunidades de parte a parte. O Mais Querido – que ainda não tinha os 33 supostos milhões de torcedores que Zico hoje apregoa – lutava para ter possibilidades de conseguir o bi. O Botafogo, para variar em seus confrontos com o rubro-negro, apenas para arruinar a festa. Aos 23 minutos do segundo tempo, na baliza à direita das tribunas, houve uma falta na lateral-direita do ataque alvinegro. Mura apresentou-se para cobrar e levantou um centro alto sobre a área. Roberto Miranda, ao lado de Jairzinho, tocou de cabeça no cantinho direito de Marcial, sem chance de defesa. Botafogo 1 a 0.
Estava feita a maldade. O Mais Querido foi pro espaço.
Naquele lance, que provocou uma alegria incontida de dois então jovens atacantes – Roberto e Jairzinho (foto) – acabara definitivamente o sonho do bicampeonato. Se o Mais Querido ganhasse, seria campeão; se empatasse, iria para uma melhor de três, com Fluminense e Bandi. O título carioca ficou com o Fluminense, que contava, entre seus artilheiros, com José Amoroso Filho, cria do Botafogo e campeão carioca de 1961 pelo clube.
Mas a história não terminou aí, pelo menos para Nílton Santos, apesar de sua vitoriosa despedida. Carlito Rocha (1894-1981) deixou de falar com seu jogador preferido. Anos mais tarde, a bordo de um avião a caminho de São Paulo, Nílton me confessou o seguinte:
— Estou convencido de que seu Carlito parou de falar comigo só porque não avisei a ele que iria parar de jogar naquele dia. Não há outra explicação possível. Fiquei magoado, mas depois que ele morreu, sempre defendendo o seu Botafogo – referia-se à perda de General Severiano para a Vale do Rio Doce – consegui entender sua frustração. Afinal, se joguei 17 anos com a camisa alvinegra, ele foi o principal responsável.
Em 1965, já com o Mais Querido campeão carioca, o Glorioso tornou a pregar uma peça em seu adversário preferido. Venceu por 1 a 0 e, como dizem os torcedores, botou água no chope das comemorações. Mas essa história fica para um próximo blog, OK?
11 comentários:
O FLAMENGO FOI E SEMPRE SERA O MAIOR ADVERSARIO DOS RIVAIS NO RIO
PORQUE COM CERTEZA É O MAIS DIFICIL (QUASE IMPOSSIVEL) DE SER BATIDO.
É BOM LEMBRAR QUE ELE TEM SUPERIORIDADE DE VITORIAS SOBRE TODOS O FREGUESES.
E PRA NOSSA FELICIDADE NAO TEMOS QUE FICAR LEMBRANDO DE CONQUISTAS A 30,40 OU 50 ANOS ATRAS (92,2007,2008,2009)
SAUDAÇOES RUBRUNEGRAS
Essa história é fantástica! E vem bem a calhar com o jogo de amanhã.
E SEREMOS CAMPEÕES!!!
Porto não sai daqui e continua no Blogsport.
Beijo, Mestre!
abril 25. 2009 10:08
Grande Porto, Botafoguenses na imprensa estão em falta...
A luta é desigual, mas domingo irei ao maior do mundo com a certeza que pelo menos lutaremos e honraremos a gloriosa camisa alvinegra.
Queria que voce dissesse as suas impressões sobre o título perdido de 1969 e o Flamengo e Botafogo de 1968 do returno.
Meu pai dizia que foi um dos maiores shows de bola que Gerson e cia. deram no maracanã.
Abraços
MAM | mamwho@gmail.com | 201.29.162.161 | Apagar
abril 25. 2009 16:03
Mestre Porto,
Mais um belo espaço para você nos presentear com as histórias do GLORIOSO!
Parabéns!
Abs e SA!!!
rodrigo federman | rodrigo.federman@uol.com.br
Grande Porto, Botafoguenses na imprensa estão em falta...
A luta é desigual, mas domingo irei ao maior do mundo com a certeza que pelo menos lutaremos e honraremos a gloriosa camisa alvinegra.
Queria que voce dissesse as suas impressões sobre o título perdido de 1969 e o Flamengo e Botafogo de 1968 do returno.
Meu pai dizia que foi um dos maiores shows de bola que Gerson e cia. deram no maracanã.
Abraços
MAM
comecei a torcer com esse time - rogério, roberto, jair e paulo césar, o melhor ataque do mundo. tinha tambem gerson, ney conceição, leônidas, manga, cao, zequinha, carlos roberto, valtencir etc
O Anônimo disse "Rubru" negro. rsrs
se nem eles sabem escrever a forma carinhosa de chamar o timinho deles.
Aqui em casa todos são botafoguenses.
Uma Honra! Só tenho isso a dizer!
NAS ULTIMAS FINAIS COM CERTEZA NAO É O MAIS QUERIDO QUE TEM BEBIDO AGUA COM CHOOP
SRN
Porto,
Essas histórias são ótimas!
Valeu!!!!
* Não existem blogs dos torcedores do framengu?
Saudações Alvinegras!!!
... e ninguém cala!
Luiz Rogério
Amigo Roberto Porto, é muito bom poder participar deste blog - talvez seja o mais democrático pois foi utilizado até mesmo por um analfabeto flamenguista (veja como ele escreve sua "saudação") - de quando em vez escrevo algumas linhas neste espaço para os botafoguenses. Não tive mais coragem para ler o blog depois da decisão da taça rio. Foi muita desilusão para um dia só. Não quis nem assistir ao jogo de hoje (26/04). Só fiquei sabendo do resultado agora há pouco. Só queria lhe fazer uma pergunta, mas não precisa responder, se não quiser: Você acha que houve um acordo entre os dirigentes do Botafogo e os daquele outro time(?) para ter mais dois jogos, a fim de poder pagarem os salários dos "rubrunegros"? Foi nisto que pensei a semana toda. Um abraço.
Olha, moro em Sampa e percebo que a paulistada desdém do Campeonato Carioca pelo simples fato que a gatunagem corre solta e o framengu é sempre campeão com a ajuda do apito amigo. É um campeonato sempre decidido nos bastidores, criando uma atmosfera de desconfiança e perda de prestigio.
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