terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O canto do cisne de Garrincha


O ano de 1962 é, certamente, o ano de ouro de Garrincha (1933-1983). E começou logo na noite de 3 de janeiro, quando o Botafogo goleou o poderoso Santos de Pelé por 3 a 0 num amistoso de entrega das faixas dos campeões estaduais de 1961.

Naquela noite, com o Maracanã botando gente pelo ladrão, o Botafogo jogou com Manga, Rildo, Zé Maria, Nilton Santos e Chicão (que morreria baleado anos depois); Ayrton e Didi; Garrincha, Quarentinha (China), Amarildo e Zagallo. O Santos colocou em campo Laércio, Dalmo, Mauro Ramos (Olavo), Calvet e Lima; Zito e Tite; Dorval, Coutinho (Pagão), Pelé e Pepe.

Garrincha ganhou um Simca Chambord e, antes da partida, foi carregado em triunfo por seus companheiros por ter sido eleito o melhor jogador de 1961. Amarildo marcou dois gols e China, um, na etapa final.

Eu escapara da Faculdade Nacional de Direito e estava lá, de paletó e gravata, atrás da baliza à esquerda das tribunas.

Meses depois, em Viña Del Mar e Santiago, Garrincha foi obrigado a carregar nas costas a Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Chile. Com a contusão de Pelé logo no segundo jogo (Tchecoslováquia), ele assumiu o comando do time.

Jogou na ponta, atuou na meia-esquerda, cobrou faltas, fez gol de cabeça e, pasmem, marcou um golaço contra o Chile com um petardo de canhota. Por fim, cumpriu sua última, histórica e irretocável atuação no Botafogo, marcando praticamente os três gols alvinegros na finalíssima contra o Simpaticíssimo e dando ao alvinegro o bicampeonato carioca (1961-1962).

A partir de 1963, Garrincha, aos 30 anos, já não foi o mesmo, viveu atormentado pela artrose nos joelhos, acreditou em rezadeiras e submeteu-se a uma duvidosa operação de meniscos.

Durante mais dois anos ainda jogou pelo Botafogo até ser negociado com o Corinthians.

Estranhamente foi atingido no joelho numa jogada desleal de Zito, do Santos, seu companheiro de glórias na Suécia e no Chile. Mesmo assim, ainda foi convocado para a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e chegou a marcar um gol de falta na estréia, diante da Bulgária.

Mas o bom e velho Garrincha já não era o mesmo: gordo, lento, distraído e desligado das partidas. Passou pelo rubro-negro e terminou a carreira jogando por equipes de menor expressão.

E morreu quase esquecido, numa casa de saúde, com apenas 49 anos, em janeiro de 1983

Quem viu, viu. Quem não viu só pode imaginar.


Saudações Botafoguenses,
Roberto Porto

3 comentários:

Christiano Nunes disse...

Eu só posso imaginar...

Mas o que eu sei é que quando os jogadores que se projetam no alvinegro saem do clube, geralmente eles não tem o mesmo sucesso que tinham no Fogão. Pelo menos na história recente não faltam exemplos.

Sds!

Camila Augusta disse...

Amigo Porto, até que enfim consigo postar aqui! Não carrega o link de post nunca. Tentei em vários computadores.

Uma pena eu não ter visto o grande Mané das pernas tortas em campo! O Botafogo e seus torcedores precisam de novos ídolos como Garrincha.

Saudações e abraço!

Luiz Rogério disse...

Roberto,

Só de imaginar o Botafogo de 57/62 jogando depois de ler os feitos históricos desses esquadrões fantásticos fico emocionado, até porque me recordo das longas conversas sobre o Fogão, que tinha com meu saudoso pai.

Tomara que o Botafogo nas mãos da nova Diretoria retome o caminho dos louros e volte a conquistar os titulos, que a torcida tanto deseja.

Esse uniforme da foto é lindo!

Gostaria muito que os meiões cinzas voltassem, mas parece que só será possível no Campeonato Brasileiro.

Um abraço.

Saudações Alvinegras!!!

Luiz Rogério