quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Osvaldo Baliza ainda é lembrado



Os jovens botafoguenses – e há milhares deles pelo Brasil – não têm a menor idéia a respeito do time desta rara foto de 1950 de meu arquivo. Pois vamos lá:

de pé, da esquerda para a direita, Carlito Roberto, Oscar Basso (argentino), Osvaldo Baliza, Nílton dos Santos, Osvaldo Ávila e Rubinho;

agachados; Néca, Moisés Ferreira Alves (Zezinho), Ariosto Perlingeiro, Otávio Sérgio e Válter.
O time jogava com Osvaldo, Rubinho, Basso e Santos; Carlito e Ávila; Zezinho, Néca, Ariosto, Otávio Sérgio e Válter.

Até aí tudo bem, nenhuma novidade – pelo menos para os veteranos. Pois de repente, não mais do que de repente, recebo um e-mail da jovem Tati, neta do inesquecível Osvaldo (sorridente) Baliza. Ela diz que nada tem em casa sobre o avô e eu, de imediato, repassei algumas fotos para ela, inclusive a que ilustra este blogspot. Tati vibrou e disse que toda a família é botafoguense, creio eu, por causa da influência do velho Baliza.

Osvaldo Baliza foi integrante do time campeão de 1948, o único título que o Botafogo de Futebol e Regatas (anote aí, Pedro Varanda) conquistou em General Severiano. É claro que assisti ao Glorioso jogar com Osvaldo no gol e um detalhe me chamava atenção: a vibração dele.

A cada gol do Botafogo do meu coração, Baliza largava suas traves e ia comemorar com os companheiros, na área adversária. Eu, garoto, ficava morto de medo de ver nossa trave abandonada, mas Baliza voltava correndo para ela.

Quando o título de 1948 completou 50 anos, em 1998, houve uma festa em General Severiano, promovida pelo presidente Mauro Ney. Muita gente esteve ausente, mas Juvenal, Baliza e Otávio Sérgio compareceram.
Aproveitei para conversar um pouco com Osvaldo, que estava ao lado da avó de Tati. Quando chamaram o Baliza para receber uma medalha – pelo que me recordo – a senhora dele só fez um único e escasso comentário:

- Amanhã, ele vai esquecer tudo isso. A festa, os cumprimentos e a conversa que teve com o senhor...

Mas não dei importância. Para mim, o importante foi ter oportunidade de estar com o goleiro do meu Botafogo de tempos de infância.

Segundo Sandro Moreyra (1919-1987), Osvaldo Baliza (1923-1999) gostava de brincar com o reserva, nada menos do que Ermelino Matarazzo (não tenho datas de nascimento e morte), integrante da família rica de São Paulo. Certa vez, Matarazzo chegou para Baliza e disse:

- Puxa vida, Baliza. Eu daria tudo para ser você...

E Baliza, esperto, pensando na riqueza dos Matarazzo, respondeu:

- Quer trocar agora, eu topo...

Osvaldo Baliza, depois do Botafogo, passou uns tempos no Vasco. Mas foi ainda no Botafogo que foi convocado para a Seleção Brasileira para o Campeonato Sul-Americano de 1949 (no Rio) e o Pan-Americano de 1952 (no Chile).

Fica aqui a minha homenagem à jovem Tati, neta do grande e sorridente Osvaldo Baliza de meus tempos de garoto – sempre apaixonado pelo Botafogo.

9 comentários:

Pablo disse...

Que máximo nossos ídolos,tds eles se identificam com o Glorioso.Pena que não haja a devida homenagem que tds os nossos grandes ídolos merecem...Esse time de 48 deve ter sido maravilhoso.

Gil disse...

Mestre Porto,
Se ficamos felizes ao saber do nosso BOTAFOGO através do seu relato e fotos, imagino a FELICIDADE da Tati ao receber as lembranças do avô.
Não sei se é possível, mas cada vez que acesso seu blog fico mais apaixonado pelo nosso querido GLORIOSO.

Abs e Sds, BOTAFOGUENSES!!!

Danilo Julião disse...

Imagino como esse time deve ter dado muitas alegrias naquela época. E é bom através do seu blgo saber um pouquinho mais das hist´rias desse clube maravilhoso!!!Obrigado, Roberto Porto!

Abração e Saudações Botafoguenses!

Christiano Nunes disse...

Gostei! História mt boa!

Abraços, e saudações alvinegras!

Luiz Rogério disse...

Roberto,

Muito maneira a história relatada nest post! Concordo com o amigo, deve ter sido muito emocionante a neta do nosso goleirão histórico receber as fotos do avô com o manto sagrado, ainda mais ela sendo botafoguense.

Ao ler a sua história me lembrei do meu saudoso e amado pai, conhecido em Nova Friburgo como Dr. Chevrand (1938 - 2005), ao qual herdei o imensurável amor pelo Botafogo.

Bom, ele sempre contava que quando garoto ia ao Rio de Janeiro, gostava de ir aos treinos do Botafogo com seu padrinho botafoguense apaixonado no velho campo de General Severiano e um dos jogadores que ele mais gostava era o Oswaldo Baliza.

Só tenho a agradecer esses momentos de cultura botafoguense, que fomenta ainda mais o meu amor pela Estrela Solitária.

Um forte abraço.

Saudações Alvinegras!!!

Luiz Rogério

Anônimo disse...

Roberto ;

Mais uma vez vibro ao ler e conhecer um pouco mais a história do meu querido e amado avô.

Agradeço imensamente a alegria que está me proporcionado, não imaginas o quanto acalenta meu coração.

Bom saber que meu avô proporcionou alegria para tanta gente. (Uma delícia de sensação)

Quanto à comemoração do Título de 48, lembro como se fosse hoje da felicidade que meu avô estava quando recebeu o convite. Lembro também do comentário que minha avó repetiu para mim “pena que lê não lembrará...” mas o mais emocionante é que ele se lembrou pro alguns dias da festa... Contava para todos e mostrava as fotos que havia tirado no dia.

Mais uma vez agradeço com lágrima nos olhos a imensa felicidade que proporcionou...

Sem palavras...

Tati (Neta do grandeBalizão)

Osmar Assis disse...

Roberto achei esta história na coluna do Luiz Alfredo Malucelli no jornal Gazeta do Povo de Porto Alegre, acho.
Quem foi esse Adão?

"O Adão Plínio da Silva, ex-jogador e ex-técnico de futebol, era famoso por suas “tiradas”. Jogou no Botafogo e ficou amigo do Ermelino Matarazzo, então goleiro reserva do Alvinegro carioca..

Na Copa do Mundo de 1950, Ermelino era dono de um camarote do Maracanã. Levou uns 12 colegas para assistir à final contra o Uruguai. Como o camarote servia quatro, um deles voltava com o documento e levava mais três. Na última viagem foi a vez do Nego Adão voltar. O porteiro desconfiou e perguntou;

– Onde você vai?

– Vou apagar a luz do meu carro...

Eram três horas da tarde.

Essa o próprio Ermelino me contou em pleno Palácio Iguaçu, depois de uma entrevista com o governador Paulo Pimentel."

Lays disse...

oi Roberto, eu estou aqui pra agradecer a homenagem feita pro meu avô! também sou neta do graande Baliza, e com apenas 5 anos, tive a grande notícia que meu 'vovô baliza' havia falecido. Pra mim, apesar de ser bem jovem, foi muito duro chegar na casa da minha avó, e não poder ser levantada até o alto pelo meu grande vovô.. e hoje, sempre que tenho a oportunidade, mostro a todos, o meu grande herói! mostro as fotos, as medalhas, as reportagens e tudo mais. Quando tatá me disse que teria uma reportagem dele aqui, fiquei toda contente, e mostrei pra toda família, porque ele foi, e pra sempre vai ser meu herói!

eternas saudades vovô baliza ..

beiijos a todos..
- Lays Silva

Tati disse...

Roberto ;

Mais uma vez vibro ao ler e conhecer um pouco mais a história do meu querido e amado avô.

Agradeço imensamente a alegria que está me proporcionado, não imaginas o quanto acalenta meu coração.

Bom saber que meu avô proporcionou alegria para tanta gente. (Uma delícia de sensação)

Quanto à comemoração do Título de 48, lembro como se fosse hoje da felicidade que meu avô estava quando recebeu o convite. Lembro também do comentário que minha avó repetiu para mim “pena que lê não lembrará...” mas o mais emocionante é que ele se lembrou pro alguns dias da festa... Contava para todos e mostrava as fotos que havia tirado no dia.

Mais uma vez agradeço com lágrima nos olhos a imensa felicidade que proporcionou...

Sem palavras...

Tati (Neta do grande Balizão)