quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um Botafogo da pesada


Muitos torcedores do Botafogo me perguntam se Garrincha e Gérson chegaram a jogar juntos. E aí, nesta foto, tomada no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, está uma prova. O time é o de 64 – antes da despedida de Nílton e da venda de Garrincha ao Corinthians – e está assim formado: de pé, Joel Martins, Élton, Manga, Nílton Santos, Paulistinha e Rildo; agachados, Garrincha, Gérson (de cabeça abaixada e flâmula na mão), Barcímio Sicupira, Jairzinho e Zagallo.

Na prática, em campo, a equipe, que venceu o River Plate por 4 a 3, jogava com Manga, Joel Martins, Paulistinha (improvisado), Nílton Santos e Rildo; Élton, Gérson e Zagallo; Garrincha, Sicupira e Jairzinho. E Gérson, hoje consagrado comentarista da Rádio Globo, também atuou com Didi, quando este retornou de sua aventura no Real Madri, de Di Stéfano, em 1962, pouco antes do Mundial do Chile. Didi, por sinal, estava louco para enfrentar o argentino naturalizado espanhol, no Brasil x Espanha, mas, só teve o gostinho de derrotar o húngaro Ferenc Puskas, também naturalizado.

Puskas, por sinal, era um sujeito boa praça. Tive a rara oportunidade de conversar com ele, em Madri, em 1965, à porta do hotel onde estavam hospedadas as jogadoras de basquete do Brasil, que enfrentariam as da então Tchecoslováquia, numa exibição para os membros do Comitê Olímpico Internacional. Quem participou do bate-papo foi o ex-jogador do Clube da Beira da Lagoa, Espanhol, chamado de Ufarte, na Espanha. É óbvio que não pude deixar de falar com Espanhol sobre a final Botafogo 3 x 0 Flamengo, no Campeonato Carioca de 1962. Espanhol substituiu Joel.

Mas não há dúvida de que este time do Botafogo, mesmo com Paulistinha jogando de zagueiro-central, era forte, tanto que superou o River Plate. De estranho apenas a presença de Sicupira no ataque, num lugar que, no mesmo ano, no Campeonato Carioca de 1964, foi ocupado por Roberto, um verdadeiro guerreiro.

O ano de 1964, além de marcar a despedida de Nílton Santos do Maracanã, marcou também um fato na época corriqueiro. No jogo do returno, o Botafogo venceu o Urubu por 1 a 0 – gol de cabeça de Roberto, após um passe do lateral-direito Mura – e deixou o título para ser decidido apenas por Fluminense e Bangu. O Botafogo, por sinal, como fez agora em 2010, já havia evitado o desejado tetracampeonato do Clube da Beira da Lagoa, em 1956, vencendo no turno por 5 a 0 e, no returno, por 1 a 0, entregando de mão beijada o título máximo ao Vasco da Gama.

Na época, por sinal, Botafogo e Vasco estavam de relações rompidas, oficialmente, porque os dirigentes do alvinegro desconfiaram seriamente de que alguns jogadores do Glorioso fizeram corpo mole. Sei muito bem quais foram eles, mas não tenho provas. Sei apenas que foi feita uma tremenda injustiça com Bob (Robert James Neil), afastado do clube para sempre por Renato Estelita.

Bob, já falecido, me confessou certa vez, na redação do Jornal dos Sports, que foi acusado de ter sido subornado pelo então ator botafoguense Raul Roulien. E Estelita acreditou. Mas creiam, os leitores deste blog, que Bob era inocente. Os verdadeiros culpados (e sei seus nomes) nunca foram punidos. O Botafogo perdeu de 3 a 2.

3 comentários:

Chico da Kombi, disse...

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FORÇA FOGÃO!

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CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

É chato saber disso (suborno) fico feliz por saber que o Canhotinha de Ouro jogou ao lado do nosso famoso 7 (Mané Garrincha).

Abraços.

Eudão disse...

Bem eu já sabia que o Canhota tinha jogado com o "Gênio" Garrincha, foi em uma entrevista que ele deu na Radio GLobo.
Ele foi perguntado Como era jogar contra o "Gênio", Gerson respondeu:
- Bem eu tive o prazer de jogar com a favor e o disprazer de ter que te-lo marcado, quando comecei no... "clube que me recuso a escrever o nome neste blog"... me colocaram em um jogo para marca-lo, ora eu era apenas um garoto e queriam que eu joga-se na lateral esquerda, tudo bem lá fui eu, em certo momento do jogo o "gênio" pegou a bola proximo a linha do meio campo, pelo lado direito de ataque do Botafogo, e começou a vir em minha direção, eu olhei para traz e com a mão chamei o zagueiro, que no momento não me recordo o nome, para fazer a cobertura, õ Garincha vinha pra cima de nós, e nós indo para traz quando chegamos próximo a linha de fundo na lateral da grande área eu não sei o que aconteceu, mas estavamos eu e o zagueiro abraçados e caidos nas placas de publicidade fora do campo e Garrincha comemorando o gol com a torcida do Botafogo. Quando foi no ano seguinte eu falei vou jogar lá, numca mais quero marca-lo....rsrsrsrs.