
domingo, 27 de dezembro de 2009
Gigghia, o último vivo da façanha de 50

terça-feira, 22 de dezembro de 2009
As várias faces de João Saldanha
João Jobim Alves Saldanha (1917-1990) foi, inegavelmente, um sujeito inteligente. Recentemente, inclusive, virou estátua no Maracanã, com todo merecimento. Mas eu, que convivi com ele na redação do Jornal do Brasil, na Avenida Brasil, 500, nele descobri, somando fatos e conversas particulares, certa incongruência – se é que os leitores deste meu blog me entendem. E essa incongruência o levou a ser demitido da Seleção Brasileira que, nas mãos de Mário Jorge Lobo Zagallo, conquistou o tricampeonato mundial em 1970, no México. Vejamos dois exemplos típicos – que cheguei a debater com ele na redação. O Botafogo que esmagou o Fluminense por 6 a 2 na final do Campeonato Carioca de 1957, estava teoricamente escalado com Adalberto, Beto, Thomé, Servílio e Nílton Santos; Américo Pampolini e Didi; Garrincha, Édison Praça Mauá, Paulo Catimba Valentim e Quarentinha. Por sinal, Paulo Valentim jogou com a camisa oito porque afirmou que a nove não lhe dava sorte – talvez por isso marcou cinco gols.
Na prática, porém – eu lá estava com meu amigo Roberto Sant’Anna – o time jogou com Adalberto, Beto, Thomé, Servílio e Nílton Santos; Pampolini, Didi, Édison e Quarentinha; Garrincha e Paulo Valentim, ou seja, num 4-4-2 fechadíssimo. E mais: Quarentinha, artilheiro implacável, recebeu a missão de marcar Telê Santana (1931-2006) em cima, não permitindo que o número sete tricolor armasse um único e escasso ataque para Valdo, Escurinho ou Jair Francisco. Estratégia inteligente? Claro. O Fluminense era mais afinado e vencera o Botafogo no turno por 1 a 0, com Didi, de maneira mais do que displicente, chutando um pênalti nas mãos de Carlos Castilho.
Mas e na Seleção Brasileira, tantos anos depois?
João Saldanha escalou o time num 4-2-4. Na foto acima, em 1957, Thomé comanda uma abraço generalizado dos alvinegros na goleada histórica. Na foto abaixo, a cores, estão posados Carlos Alberto Torres, Félix, Djalma Dias, Joel, Wilson Piazza e Rildo; embaixo, agachados, Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Edu, ou seja, dois pontas abertos e apenas dois no meio-campo (Piazza e Gérson), às vezes auxiliados por Tostão, que não marcava ninguém. Em poucas e resumidas palavras, como diria Nélson Rodrigues (1912-1980), era um 4-3-3 mais para 4-2-4. Pode?
Em 1970, logo depois da Copa do Mundo, fui ao Chile com a Seleção Brasileira e fiquei temporariamente retido em Buenos Aires à espera de uma escala. Sabem com quem conversei por mais de uma hora? Com o presidente da então CBD João Havelange, também à espera de um avião para Santiago. E Havelange me disse que com aquele esquema de dois pontas abertos (Jair e Edu) e o meio-campo desprotegido o Brasil não iria a lugar nenhum. Daí a demissão de João Saldanha e a chegada de Mário Jorge Lobo Zagallo, com seu tradicional e eficiente (na época) 4-3-3.
O que fez Zagallo? Mudou o time. Montou uma equipe com Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Marco Antônio (depois Everaldo); Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Jair, Tostão e Pelé. E quando Gérson se machucou, valeu-se da primeira substituição permitida numa Copa do Mundo: colocou Paulo César Lima recuado e avançou um pouco Roberto Rivelino, ou seja, manteve o rígido 4-3-3 que aplicara no Botafogo, com Carlos Roberto, Gérson e Paulo César, mantendo à frente Rogério Ventilador, Jairzinho e Roberto Miranda.
Naquela tarde no Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, conversando animadamente com João Havelange, me convenci de que o comunismo de João Saldanha nada tivera a ver com sua demissão. E que a chamada ditadura militar não dera qualquer palpite, a não ser o pedido de Emílio Garrastazu Médici (1905-1985) para que desse uma chance a Dadá Maravilha – que, cá entre nós, de Maravilha não tinha nada. A rigor, Dario só fez correr em campo, após a final, tentando carregar a Taça Jules Rimet, infelizmente derretida por bandidos que invadiram a então CBF.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Qual o melhor time?
A equipe da primeira foto, posada em General Severiano, no início do vitorioso Campeonato Carioca de 1962, ou a da segunda, na vitória de 3 a 0 sobre o Flamengo? Na primeira, de acordo com a formação da foto, estão Joel Martins (homônimo do ponteiro rubro-negro campeão do mundo de 1958), Manguinha, Nílton ‘Mestre’ dos Santos, Zé Maria, Ayrton Povil e Rildo; Agachados, Garrincha, Arlindo, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Em campo, no 4-3-3, o time jogava com Manga, Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Ayrton, Arlindo e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo. No terceiro jogo, no Maracanã, Didi – torcedor do Fluminense, segundo me declarou em programa da Rádio Globo – voltou ao time mas foi embora para ser treinador do Peru, antes de passagem meteórica pelo São Paulo. Já a equipe da segunda foto, a da decisão na qual Garrincha literalmente engoliu o Flamengo com Carlinhos, Nelsinho e Gérson Nunes no meio-campo escalado por Flávio Costa, é a campeã carioca, formada com Paulistinha (já falecido), Manguinha, Jadir (ex-Flamengo), Nílton ‘Mestre’ dos Santos, Ayrton Povil e Rildo da Costa Menezes; agachados estão Garrincha, Édison Praça Mauá, Quarentinha Lebrego, Amarildo Silveira e Mário Jorge Lobo Zagallo. No gramado a equipe atuava com Manga, Paulistinha (expulso com Dida, no final), Jadir, Nílton Santos e Rildo; Ayrton, Praça Mauá e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo.
Particularmente – mas muito particularmente mesmo – acho a primeira equipe melhor do que a segunda. Afinal tinha três titulares, absolutos: Joel Martins, Zé Maria e Arlindo. Mas o Botafogo, que para mim tem a vocação do erro, vendeu Arlindo para o México e Joel e Zé Maria estavam contundidos. Assim, a segunda equipe pode se gabar de, mesmo sem três titulares (além da fuga de Didi) de ser a campeã carioca de 1962, com dois gols de Garrincha e um de Vanderlei, contra. Por sinal, o terceiro gol de Garrincha, logo aos três minutos do segundo tempo, foi uma obra prima.
Chutando para o lado da torcida rubro-negra, à esquerda das tribunas, Ayrton deu um passe a Amarildo (jogando com uma coxeira branca) e este, aproveitando-se que Murilo subia, já que Zagallo atuava recuado, tocou para o próprio Zagallo (torcedor declarado do Flamengo). Zagallo, então, centrou alto para a área. Foi então que Quarentinha, na marca do pênalti, acertou uma acrobática tesoura-voadora. A bola explodiu no peito de Fernando e Mané, sempre atento, só teve o trabalho de empurrá-la para as redes. Pronto: com 3 a 0 o Flamengo estava rigorosamente liquidado.
Nesse dia, um sábado, 15 de dezembro de 1962 (com Armandinho Marques no apito), Flávio Costa dispensou Joel Martins, no ônibus que levava o Flamengo para o Maracanã, justamente na Rua Silveira Martins, onde Joel morava, e preferiu Espanhol. Depois, para equilibrar o meio-campo, escalou Carlinhos, Nelsinho e Gérson, com a missão de vigiar Garrincha. Carlinhos e Nelsinho era o que se chamava de ‘tocadores de violino’ e não marcavam ninguém. E Gérson Nunes está procurando Garrincha até hoje, mesmo atuando como comentarista do garotinho José Carlos Araújo, na Rádio Globo. No ano seguinte, 1963, o Botafogo vendeu Amarildo ao Milan e imediatamente comprou Gérson do Flamengo. Mas em campeonatos cariocas, Gérson só pôde estrear em 1964, pois já tinha atuado pelo Flamengo. Só jogou em amistosos com a camisa alvinegra e na falecida Taça Brasil.
Hasta la próxima...
(*) Detalhe: O Botafogo não está fazendo 100 anos em 2010. O Botafogo Footbal Club é de 12 agosto de 1904. E o Club de Regatas Botafogo é de 1° de julho de 1894. O centenário de 2010 é do título de 1910, que valeu ao então Botafogo Footbal Club o título de ‘O Glorioso’, imortalizado no hino composto pelo torcedor do América Lamartine Babo (1904-1963). Não confundam as coisas, por favor Dose para dinossauro desmamado
Na saída do jogo Botafogo x Palmeiras, no Engenhão, fui abordado por um torcedor alvinegro e leitor de meu blog – dele não me recordo o nome porque, como diz José Inácio Werneck, meu amigo do peito, minha memória não é de ferro. Se não estou enganado, ele me acusou de reacionarismo em relação à torcida do Flamengo. E me provou, dias depois, publicando no meu computador a coluna (furtada por um site que desconheço), reproduzindo a dita cuja coluna. O tal torcedor, apesar da vitória do alvinegro, estava até um pouco agressivo em suas palavras e mal me cumprimentou. Na hora, saí pela tangente, mas quando veio o e-mail, me desculpei. Não gosto de ofender ninguém, a não ser árbitros e bandeirinhas (Ana Paula e Moutinho) que furtaram o Glorioso em partidas até certo ponto recentes.Mas eis que me chega às mãos uma foto inacreditável: torcedores rubro-negros, estendem uma faixa dizendo que o clube da beira da Lagoa é ‘équiça’ campeão brasileiro – mesma sequência do São Paulo Futebol Clube, este sim hexacampeão. Fico imaginando, apenas por acaso, se o rubro-negro conquistar o heptacampeonato. Como seus torcedores escreverão uma faixa? ‘Épita’ e, por hipótese – apenas por hipótese, octacampeão. Será que pintarão outra faixa com ‘óquita’?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Dois recuerdos del Glorioso
Este blog de hoje – verdadeiro presente de Natal – é para os rigorosamente viciados no Botafogo de Futebol e Regatas. São fotos do século passado, admito, mas tive um prazer enorme em recebê-las do amigo e companheiro eterno Ricardo Baresi, um alvinegro que não sossega atrás das coisas de seu clube.No ano seguinte, com alterações, seríamos donos do título do Campeonato Carioca.
Em 1966 e 1970, Baresi, Varanda e Malu não puderam ir ao Maracanã porque eram muito crianças, mas eu, já taludo e jornalista (trabalhava no Jornal do Brasil), estava lá na tribuna dos periodistas, torcendo para meu clube do coração. Aliás, no Jornal do Brasil, em meio à década de 70, conseguimos formar, na sede da Avenida Brasil, 500, 12 torcedores do Botafogo num grupo de cerca de 24 periodistas.
Embora apenas torcedor, lá estava eu, com meu amigo Roberto Sant’Anna, nas especiais. Detalhe: ficamos juntos do time de water-polo do Fluminense e do dirigente Benício Ferreira Filho. Quando Paulo Catimba Valentim marcou o quarto gol, eles se levantaram para ir embora. Eu os provoquei dizendo que ficassem porque vinha mais. E veio, com Garrincha e Paulo Valentim. No final, Valdo marcou o segundo gol do Fluminense, mas foi apenas para rimar a frase histórica: - Foi seis a dois no pó de arroz...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Um time meio sobre o esquisito
Mal havia terminado a Feira de Livros que o Botafogo promoveu em sua sede, na Avenida Venceslau Braz, surpreendi o companheiro Ricardo Baresi conversando com o Possesso Amarildo, no Salão Nobre. Baresi tentava identificar uma foto do Glorioso, batida num amistoso contra o América, em São Januário (o Botafogo venceu). Metido a saber tudo de Botafogo, me aproximei e comecei a ajudá-los. Baresi e Amarildo trocaram de óculos de aproximação, mas pouco progrediram. No final, Amarildo ia saindo com o par de óculos de Baresi e vice-versa. Por pouco, muito pouco, não trocaram os óculos. Parece que Baresi percebeu a confusão.Pelo que pude perceber, independente das identificações de Amarildo, o time, posado, era o seguinte: Adhemar, Manguinha, Paulistinha (?), Frazão e Chicão; Neivaldo, Édison Praça Mauá, Bruno, Amarildo e Zagallo. Esse time, pelo que deduzi, ajudado pela enciclopédia que leva o nome de Pedro Varanda, jogou assim: Manguinha, Adhemar, Zé Maria, Paulistinha (?) e Chicão; Frazão, Edison Praça Mauá e Zagallo; Neivaldo, Bruno e Amarildo. Minha dúvida é Paulistinha (já falecido, e, por isso, pedi a ajuda do dentista Ronald Alzuguir, mas não recebi resposta até hoje. Não acredito que a figura seja Paulistinha.
Bota fogo nisso, Maurício Assumpção...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O meu ser botafogo
Ser botafogo,
Ser botafogo,
Ser botafogo,
Ser botafogo,
Andrew Torres Fonseca
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Churrasco de Porco no Engenhão
Finalmente, a apaixonada e sofrida torcida do Botafogo teve o presente que merecia, às vésperas do aniversário de fusão do Club de Regatas Botafogo com o Botafogo Football Clube, em 1942. 
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Bruno Mazzeo sacaneia o Botafogo
Um dos quadros mais curiosos do ‘Fantástico’, da Rede Globo, é sem dúvida o ‘Bola Cheia’ e o ‘Bola Murcha’, apresentado por Tadeu Schmidt. Domingo passado, após a vitória do Botafogo sobre o São Paulo, Schmidt convidou três jurados para definir os vencedores (ou perdedores) do quadro: o jogador Carlos Alberto, a cantora Fernanda Abreu (do conjunto Blitz) e Bruno Mazzeo, todos torcedores do Vasco. Mazzeo, filho de Chico Anísio e da modelo Alcione Mazzeo, estava vestido com a camisa do clube da cruz de malta – exibindo ainda mais a sua preferência clubística.Seguiram-se as cenas habituais – ruins, pois são filmadas por amadores – Carlos Alberto fez suas escolhas, Fernandinha também, mas quando chegou a vez de Mazzeo, ele extrapolou. Disse que determinado peladeiro deveria servir para jogar no Botafogo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009
O novo livro está chegando

segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Um clube para a história do futebol
O glorioso Botafogo de Futebol e Regatas é realmente um clube surpreendente. Surpreendente até para mim, que o acompanho apaixonadamente há mais de 60 anos, pelos mais diversos estádios do Brasil. Na tarde de domingo, no Engenhão, derrotou o Coritiba por 2 a 0, gols de Renato (foto do site oficial alvinegro) e Lúcio Flávio, e em São João Nepomuceno, graças à iniciativa do fanático botafoguense Marcelo Alves de Mendonça, prestou uma emocionante homenagem aos 50 anos da morte do eterno ídolo Heleno de Freitas. Tão atarefado em coordenar os eventos, Marcelo mal pôde assistir à vitória de seu clube do coração sobre o Coritiba, afastando-se um pouco mais da zona de rebaixamento, já frequentada por clubes de expressão do Brasil.Às homenagens a Heleno de Freitas (1920-1959) foram prestadas, entre outros, por Luiz Eduardo de Freitas (filho único do craque), Bebeto de Freitas (primo) e ex-jogadores como Maurício, Mendonça, Nílson Dias e uma enorme presença de torcedores alvinegros que vivem na cidade.
Daqui deste espaço de meu blog, quero parabenizar Marcelo Alves de Mendonça pelo êxito obtido nas homenagens e pelo empenho que demonstrou para realizá-las com o maior êxito. Infelizmente, um compromisso cedo no Rio, na manhã de segunda-feira, dia nove, não pude estar presente. Mas guardo comigo, no fundo do coração, o fato de ser um dos raros botafoguenses que viu Heleno em ação em dois jogos do Campeonato de 1947.
Não há, podem apostar, clube no mundo que tenha as histórias do Botafogo de João Saldanha (1917-1990), Sandro Luciano Moreyra (1919-1987), Oldemário Touguinhó (1934-2002), Vinícius de Moraes (1913-1980), Augusto Frederico Shmidt (1906-1965), Santhiago Dantas (1911-1964) e do grande companheiro da Rádio Globo, Luiz Mendes, que simplesmente narrou a estréia de Heleno pelo Boca Juniors contra o Banfield em Buenos Aires, em 1948.
Eu, modestamente, sem o talento de todos que citei, tento manter a magia do Botafogo – o meu maior amor imaterial. Já escrevi (esgotado) ‘Botafogo – 101 anos de mitos e superstições’ e vou lançar agora, dia 24, na livraria Saraiva do Rio-Sul (só não sei a hora, ‘Botafogo – O Glorioso’, indicado para escrevê-lo pelo próprio presidente do clube, Maurício Assumpção, que escreve a contracapa. Quando souber a hora aviso a vocês todos, pois quero lotar a Saraiva com a torcida mais apaixonada de que se tem notícia.
Entre os que colaboraram no livro, com suas declarações de amor à estrela Solitária, estão Sérgio Augusto, Antônio Maria Filho, Nélson Paiva Paes Leme, Carlos Eduardo Novaes, Carlos Porto (meu irmão e projetista do Engenhão), Marcelo Anthony, Beth Carvalho e muitos outros dos quais, assim em cima da hora, não consigo me recordar.
Parabéns ao time, que soube superar o Coritiba, e a Marcelo Alves de Mendonça, organizador das homenagens a Heleno de Freitas que, amigo de João Saldanha, chegaram a alugar um quarto em cima de uma funerária em Copacabana. Existe um clube assim? Nunca, jamais em tempo algum, inclusive com campeões do mundo como Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo, Zagallo, Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César Lima.
(*) Na foto abaixo, em São João Nepomuceno estão, da esquerda para a direita, Bebeto de Freitas, Mendonça, Nílson Dias, Luiz Eduardo de Freitas, Maurício 89 e Marcelo Alves de Mendonça (coordenador)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O ‘Botafogo paraguaio’
(Créditos site do Botafogo Oficial)É óbvio ululante, como diria meu ex-companheiro de redação Nélson Rodrigues (1912-1980), que os leitores deste meu alvinegro blog conhecem as expressões ‘cavalo paraguaio’ e ‘uísque paraguaio’. Mas na calorenta noite da última quarta-feira, em pleno Engenhão, todos ficaram conhecendo o’Botafogo paraguaio’. Faz tempo – não muito, claro – que eu não via um Botafogo tão mequetrefe como o que perdeu de 3 a 1 para o Cerro Portenho, depois de também ser derrotado por 2 a 1 em Assunção e, por consequência, ser bisonhamente eliminado da Copa Sul-Americana.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
Seleção Brasileira de 50 dá adeus

Ademir adorou a lembrança.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Saudades de um grande ídolo

O cidadão que me segurou era simplesmente Nílton Santos.
Daí em diante foi uma festa. Encontramo-nos diversas vezes, dei carona a ele de uma solenidade na prefeitura (época de Luiz Paulo Conde) e chegamos a viajar juntos para São Paulo, onde ele seria entrevistado no programa ‘Bola da Vez’ da ESPN Brasil. Mas a mais emocionante de todas às vezes foi quando o Botafogo me chamou, em plena reunião do Conselho Deliberativo (do qual fiz parte por mais de 15 anos), para homenageá-lo. Veterano de tantas batalhas, com Nílton Santos sentado à minha frente, falei, recordei fatos de sua carreira, suas grandes vitórias no Botafogo e na Seleção Brasileira, mas acabei derrapando: como diria Nélson Rodrigues (1912-1980) chorei lágrimas de esguicho, o mesmo acontecendo com meu eterno ídolo e sua mulher, dona Célia. Foi rigorosamente impossível conter a emoção que me assaltou.
Não tive coragem de ir vê-lo no hospital. Tenho dois medos: a de tornar a me emocionar e a de Nílton Santos não me reconhecer. Por isso, foi com rigorosa surpresa que meu amigo e companheiro de profissão Maurício Thuswol, botafoguense como eu, me mandou a foto que ilustra este blog, de autoria do fotógrafo Rodrigo Queiroz (http://www.rodrigoqueiroz.art.br/) de um Nílton Santos, ainda com muita saúde, à beira de sua casa de praia, em Araruama. E não faz muito tempo que outro dos meus ídolos alvinegros, Otávio Sérgio de Moraes (1923-2009) me revelou que o apelido de Nílton Santos, entre eles, jogadores da época, era simplesmente ‘Caminhão’.
Nílton me contou a briga que teve com Heleno de Freitas (1920-1959), logo no primeiro coletivo do Glorioso, em 1948 (Heleno ainda ficaria uns meses em General Severiano e jogaria pelo menos oito partidas com Nílton Santos). Tudo aconteceu quando Nílton Santos, entre os reservas, deu seu famoso e lindo drible de corpo em Heleno e foi xingado pelo temperamental e fantástico centroavante (morto há 50 anos). Nílton Santos, sempre malandro, respondeu ao xingamento dizendo que quem sabia da vida de Heleno era Zizinho (1921-2002). Por pouco os dois não se atracaram. Quando Zizinho soube da discussão (sempre foi amigo de Nílton Santos), perguntou:
- Mas Nílton, por que você me colocou nessa história infeliz?
E Nílton respondeu de estalo:
- Porque você é meu amigo e foi o primeiro nome que veio à minha cabeça...
Dizer que não tenho gigantesca saudade de Nílton Santos seria uma mentira das grossas. Tenho sim, mais do que podia imaginar. Sinto até saudades do soco que ele deu em Armandinho Marques, em 1971, no Maracanã, trabalhando como supervisor do Botafogo. Nílton Santos atravessou o campo, depois de o Botafogo perder o título para o Atlético Mineiro (tinha que ganhar por três ou quatro a zero) e acertou Armando Marques numa foto feita por José Santos, de O Globo (foi Prêmio Esso).
Nílton Santos, hoje adoentado, pode ter certeza. Não mais precisa me segurar pelo braço nem gravar minha entrevista. Tenho certeza absoluta de que ele foi o maior jogador da história do meu tão amado Botafogo.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Os demolidores de estádios
Como os torcedores do Urubu são indivíduos de pouca leitura – com as raras e honrosas exceções de sempre – imaginam que o Engenhão seja propriedade particular do Botafogo de Futebol e Regatas, e não um bem público cedido ao alvinegro pelo prazo de 20 anos. Assim, desacostumados ao conforto e a instalações modernas, decidem quebrar tudo o que encontram pela frente. Foi assim que essa malta rubro-negra comportou-se no clássico Botafogo x Flamengo no último domingo. Esses bandidos, disfarçados de torcedores do Simpaticíssimo, quebraram tudo o que encontraram pela frente, como banheiros e cadeiras (foto). As latrinas, a que não estão acostumados, também foram quebradas, assim como torneiras e pias. Pessoalmente – posso estar completamente equivocado – não acho que o Botafogo deveria receber essa súcia (bela palavra, não?) de malfeitores em outra partida no Engenhão. Quando o mando de campo voltar a ser do Botafogo, o clube deveria propor um local neutro, como São Januário ou (quem sabe?) Volta Redonda. Como o Urubu não tem estádio – aliás, tem, mas está caindo aos pedaços – quando tiver o mando de campo, sugiro o Aterro do Flamengo ou a área gramada do Jóquei Clube Brasileiro. Por sinal, o Jóquei não é bem o local indicado pois esses bandidos, que brigam entre si (só por brigar porque dinheiro ninguém tem) não sabem exatamente para que serve o belíssimo Jóquei Clube Brasileiro.
Retido em casa por razões de trabalho, escutei o jogo pela sempre alegre transmissão de José Carlos Araújo. E seus repórteres, todos eles competentes, antes da partida, já chamavam a atenção para o confronto entre as quadrilhas que formam as torcidas organizadas do Flamengo. Impressionada com o quebra-quebra, a repórter Maria Chuteira – inteligente e sensível, além de engraçada – estava disposta a dar uma geral nos banheiros. Alertada por José Carlos, ela disse que entraria nos banheiros masculinos acompanhada por soldados da PM a fim de não ser agredida.
Aliás, não é de hoje que os vândalos agem. Mesmo no Maracanã – outro estádio que pertence ao poder público – eles, os vândalos já chegaram a roubar latrinas para colocá-las em suas ‘mansões’. E, na avalanche que formam à esquerda das tribunas, quebraram a cerca de proteção e muitos caíram lá de cima nas gerais, por coincidência num Botafogo x Flamengo do Campeonato Brasileiro de 1992. Eu mesmo, numa atitude desassombrada, caí na besteira de levar meninos vascaínos e rubro-negros num Flamengo x Vasco no Maracanã. No final da partida, tive que me proteger dos tiros atrás de uma Kombi que vendia cachorros-quentes.
Em poucas e resumidas palavras, em qualquer jogo do Flamengo (contra os demais grandes do Rio) a chapa esquenta. E na saída dos estádios (falo mais do Maracanã), eles, os supostos torcedores, sobem no teto dos ônibus como se estivessem pegando surfe. E não há polícia que dê jeito nessa algazarra que, inúmeras vezes, já terminou com mortos, feridos e aprisionados. É o destino e pouco se pode fazer para impedir depredações, tumultos (entre eles próprios), assaltos, tiros e o diabo a quatro. E vejam vocês, meus leitores deste blog, que já assisti a inúmeros jogos entre Botafogo x Flamengo, em tempos mais remotos. E sempre me lembro de meu pai, rubro-negro decente, após um jogo Botafogo 5 x 0 Flamengo. Na saída do Maracanã, entristecido, meu pai me disse a seguinte frase inesquecível:
- Roberto, o juiz roubou para o Botafogo...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Estou cansado desse Botafogo
Os meus amigos alvinegros haverão de me perdoar. Mas não posso guardar isso em meu coração. Estou cansado de perder para o Flamengo – mas muito cansado mesmo. Domingo, quando Lúcio Flávio perdeu aquele pênalti, diante do idiota microcéfalo do Bruno, quase tive um peripaque. Estou cansado de ver a maior paixão imaterial da minha vida – são mais de seis décadas de amor pelo clube – estar na rabeira do Campeonato Brasileiro, disputando palmo a palmo a sorte de escapar da segunda divisão. Em poucas e resumidas palavras, como diria Hélio Fernandes, dono da Tribuna da Imprensa, onde trabalhei com afinco e dedicação, estou cansado do Botafogo. Sinceramente, hoje me arrependo de ter influenciado tanta gente para torcer pelo Glorioso. Glorioso de quê? De ser saco de pancadas dos medíocres?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Boa viagem, meu ídolo de infância
Um dos meu maiores ídolos de infância e juventude, Otávio Sérgio de Moraes (1923-2009), morreu ontem, segunda-feira, num hospital do Rio. Pelo que estou informado, tudo começou quando, idade avançada, ele levou um tombo em casa e fraturou o fêmur. Daí em diante seu estado só fez piorar e, por mais que sua família se esforçasse, o capitulo final chegou.Infelizmente, só pude privar da intimidade dele, artilheiro e campeão de 1948, muito mais tarde, em festas e reuniões em Venceslau Brás. Sempre solícito e falastrão, jamais me escondeu nada. E me parabenizou por ter, em 1998, convencido o presidente Mauro Ney Palmeiro a organizar uma festa para comemorar os 50 anos da histórica conquista sobre o Vasco da Gama, em General Severiano. Paraguaio abriu o escore, Braguinha ampliou e no segundo tempo Otávio colocou 3 a 0 no placar. Numa jogada infeliz, Ávila, que aparece na foto, fixou o escore em 3 a 1. Foi o único título do Botafogo em General Severiano.
Numa entrevista que fiz com ele, ao lado do companheiro César Oliveira, em 2005, revelei que, garoto, desmaiei de emoção quando ele, de bicicleta, aos 37 minutos do segundo tempo, acertou uma bicicleta certeira no canto de Mão de Onça (no gol à direita das sociais), na suada vitória sobre o Bangu, em 1949. Otávio até me consolou. Disse que aquele gol matou do coração um torcedor alvinegro que estava atrás do gol e nem houve tempo para transportá-lo ao Hospital Rocha Maia, alí pertinho, atrás do gol à esquerda das tribunas sociais.
Conversamos dezenas de vezes. Falei até na Seleção Brasileira que, em 1949, conquistou o título do Campeonato Sul-Americano de 1949. Otávio, que era ponta-de-lança, me revelou que Flávio Costa – com seu habitual esquema ditatorial – o escalou de centroavante, posição que ele nunca jogara. O ataque jogava com Tesourinha, Zizinho, Otávio, Jair Rosa Pinto e Simão. Ora bolas, Otávio, com a camisa 10, era o ponta-lança que chegava para bater em gol as jogadas tramadas por Zizinho e Jair não tão criticada Diagonal. Não podia jogar com a camisa nove porque, definitivamente, ficava isolado entre os zagueiros adversários. Acabou barrado e irritado com Flávio Costa, que levou esse esquema furado até a Copa de 50.
Eu garoto, ainda tenho um botão com o nome Otávio, jogando na meia-esquerda, com Heleno avançado entre os zagueiros de meus adversários. E o meu Otávio era um de meus artilheiros, batendo em gol sempre que a bolinha sobrava na entrada da área. Otávio Sérgio foi titular do Botafogo até 1953 e me contou histórias incríveis. Uma delas, conhecida por poucos, era o apelido que eles deram a Nílton Santos: ‘Caminhão’. Outra, depois de Heleno provocar Osvaldo Baliza, que tomou um frango, Heleno virou-se para ele e perguntou na hora da nova saída do Botafogo:
-Tatá, estou de costas...O Baliza ainda está olhando para mim?
A foto que ilustra esta matéria é do Torneio Início de 1949, em Álvaro Chaves, que o Botafogo prestigiou, colocando seu time titular em campo. Lá estão, de pé, da esquerda para a direita, Juvenal Francisco Dias, Gérson dos Santos, Osvaldo Baliza, Nílton (Caminhão) dos Santos, Osvaldo Ávila e Rubinho; agachados, na mesma ordem: Edgídio (Paraguaio) Landolfi, Ephigênio (Geninho) Bahiense, Sílvio Pirillo, Otávio Sérgio de Moraes e Braguinha.
Que você faça boa viagem, Otávio, e que a terra lhe seja mais leve do que nunca.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Os que me ajudaram a escrever o livro
Antes de recomeçar a batalha do blog, faço a mais absoluta questão de agradecer àqueles que deram seu depoimento no meu livro, ‘Botafogo – O Glorioso’. São eles Carlos Porto (meu irmão e autor do projeto do Engenhão), Carlos Eduardo Novaes, Antônio Maria Filho,É um excelente time, é ou não é?
O prefácio só podia ser de César (vai com acento) Oliveira, meu parceiro eterno.
São depoimentos emocionantes, podem apostar.
(*) A foto? Bem a foto foi escolhida porque gosto dela e foi após o gol de Roberto, em 1964, eliminando o ‘Mais Querido’ do Campeonato Carioca. Está bem escolhida, não está?
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Finalmente, eis o livro

Passei meses sem escrever um único e escasso blog. Mas tive razão para isso. A Editora Leitura, de Belo Horizonte, me encomendou um novo livro sobre o Botafogo. Foi um trabalhão, escrevendo matérias e colhendo depoimentos dos mais famosos botafoguenses que pude encontrar. O resultado está aí. Quando será lançado, não sei. Mas valeu a pena. Foi uma espécie de reencontro com meu querido clube, que passa por uma fase difícil, juntamente com o Fluminense. Mas haveremos de sair dessa incômoda posição. O Botafogo jamais se deixou abater e não será agora que isso ocorrerá. Por enquanto, faço questão de que os leitores deste blog sintam o que foi o meu trabalho, ajudado, nas entrevistas, pela jovem Camila Justino, aluna da PUC
* clicando em cimada foto, ela ficará ampliada para que possam vê-la melhor.


