segunda-feira, 25 de maio de 2009

O perigo ronda General Severiano


Há poucos dias, escrevi aqui neste alvinegro blog, duas coisas que irritaram os botafoguenses que me acompanham (e que sempre me deram a maior força). Disse que o Botafogo só voltou à primeira divisão graças a ajuda gratuita do Palmeiras – que manteve o time principal mesmo classificado – e que, este ano, agora de 2009, está novamente a caminho de ser rebaixado. Foi uma espécie de briga de foice no escuro. Recebi raivosos e-mails, (creio que de jovens botafoguenses), mas não dei importância.

Pois muito que bem – como diria meu eterno amigo Marcos de Castro: eis que o Glorioso já está na zona de rebaixamento (ocupa a 17ª colocação) e, mais do que isso, recebi de Pedro Varanda – a maior autoridade em matéria de estatísticas botafoguenses – e do leitor que se assina Chico da Kombi a confirmação do auxílio do Verdão na volta do Botafogo à primeira divisão. O Palmeiras, com sua equipe titular, fuzilou Sport Recife e Marília que andavam caçando o Botafogo para pular para a divisão principal.

Modéstia à parte, conheço meu clube na palma da mão.

Agora, através da amiga e companheira Malu Cabral, fiquei sabendo que Victor Simões já está criticando Ney Franco (foto) por escalá-lo numa posição que não é a sua. Em poucas e resumidas palavras, a bronca já desembarcou em General Severiano e só uma vitória sobre o Sport trará mais calma ao futebol do clube. Mas aqui mesmo e agora faço a mais fechada e absoluta questão de absolver o novo presidente Maurício Assumpção, que já pegou o clube aos frangalhos, após a administração (?) Bebeto de Freitas, aquele que queria se atirar da ponte.

O Botafogo, verdade seja dita, não tem elenco. A saída de Maicosuel e a contusão de Reinaldo – que não se cura nunca – escancararam essa realidade. Na decisão do Campeonato Carioca, diante do Clube de Regatas do Urubu, eles, os da Beira da Lagoa, tinham nada menos do que sete jogadores que conquistaram o bicampeonato justamente sobre o alvinegro. Pior: agora, em 2009, o técnico deles era simplesmente Cuca, banido do Botafogo por não impedir que os urubus conquistassem o bicampeonato.

E vou lhes confessar uma coisa: domingo, já antevendo uma derrota, nem assisti ao jogo contra o Grêmio. Preferi refrescar a cabeça numa festa de aniversário e não estou nem um pouco arrependido. E agora, com o time caindo pelas tabelas, quero ver quem vai se aventurar a ir ao Engenhão assistir a Botafogo x Sport?

Quem leva público a estádio é clube ganhador, com jogadores de valor e que encantam a todos com suas manobras. Pode ser, mas duvido muito, que eu vá queimar a minha língua. Mas esse Botafogo que aí está tem é que lutar – e muito – para não despencar de novo para a série B, como aconteceu com o Vasco.

E não me venham dizer que sou pessimista porque não sou. Com seis décadas de Botafogo no meu currículo, conheço muito bem meu clube do coração. Não foi à toa que o Botafogo passou 20 anos sem ser campeão – ganhou na 21ª disputa – justamente por ser uma casa de negócios. Se os outros também são, estou me lixando para eles. Eu quero o meu Botafogo vitorioso de volta. Só isso.
*Botafogo 24 x 0. Maior goleada do futebol brasileiro completa 100 anos dia 30

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Torci para o Inter. Tem explicação?


Todos os meus companheiros de jornalismo, rádio e televisão estão cansados de saber que sou um ‘cronista neutro’, na mais pura expressão da palavra. Trabalhei com José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, com Luiz Penido, na Rádio Tupi, e com Haroldo de Andrade, na Rádio Globo.
Todos (a não ser Haroldo que já se foi) podem atestar a minha absoluta isenção. Essa história de que sou fervoroso torcedor do Botafogo é o que chamo de ‘intriga da oposição’. Sempre torço para Flamengo, Fluminense e Vasco quando estes três gloriosos clubes enfrentam adversários não cariocas.


O fato de ter sido amigo íntimo de João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó e Luiz Mendes – para citar apenas estes quatro – não significa que seja adepto das cores alvinegras.
Certa vez, Nélson Rodrigues, que ficou meu amigo quando de minha passagem por O Globo, queria que eu assumisse um clube do coração, mas me neguei peremptoriamente. E Celso Itiberê, o editor de esportes na época, é uma de minhas mais abalizadas testemunhas, assim como Fernando Calazans e Renato Maurício Prado. A rigor, torço sempre pela vitoriosa Seleção Brasileira.


Outro dia, liguei a televisão para assistir ao duelo entre Internacional e Flamengo. E, confesso, queria que o ‘Mais Querido’ superasse o seu rival do Rio Guaíba. Foi então que de repente, não mais do que de repente, me recordei da beleza da Lagoa dos Patos e de uns longínquos parentes que ainda vivem em Porto Alegre, inclusive uma senhora que é amiga de uma amiga de minha tia Philomena. Aí não houve jeito. Passei a torcer pelo Inter, não por raiva do Flamengo, coitado, mas por uma lógica familiar. E vibrei quando Juanito das Candongas errou e permitiu o primeiro gol gaúcho.


A essa altura, eu já estava embrulhado numa toalha vermelha, cantando a música do Inter que imita o ‘Pelados em Santos’, dos infelizmente mortos ‘Mamonas Assassinas’. E quando o Inter marcou o gol da vitória, numa falta muito bem cobrada, dei um berro medonho que assustou todo o edifício onde moro. Vibrei pelos parentes, pela amiga da amiga de minha tia e de todos os colorados que conheço.


Foi uma reação estapafúrdia, bem sei, mas fui dormir feliz da vida com a eliminação do ‘Mais Querido’ da Copa do Brasil. Hoje estou com pena dos rubro-negros, principalmente de Juanito, sujeito disciplinado, que não xinga ninguém quando é driblado.


Confesso que foi a primeira vez que desprezei um clube do Rio, justamente o mais popular e o mais marrento de todos. Mas as coisas vão melhorar. Petkovic, aos 36 anos, já deixou a cadeira de rodas e vai dar um novo tchan ao Mengão.


E o Imperador? Se conseguirem tirá-lo da comunidade onde vive, será um sucesso total. Fiquei apenas com pena de Obina, um craque desprezado até pela torcida do clube. Obina me lembra Berico, que Jorge Cury queria levar para a Seleção Brasileira...


Mas dias melhores virão. Enxuguem as lágrimas, rubro-negros...

Casa de negócios (parte II)



Quando terminou o Campeonato Carioca de 1956, o Bangu, por razões que desconheço, decidiu vender seu maior astro, Zizinho. Amigo de Zizinho desde tempos remotos, Nílton Santos – que completou dia 16 deste mês 84 anos (foto) – procurou o dirigente Adhemar Bebiano e lhe fez a proposta:

- Doutor Bebiano, por que o senhor não compra logo o passe de Zizinho? Já imaginou o ataque do Botafogo com Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Zizinho e Quarentinha (Zagallo ainda era do Flamengo).
Adhemar Bebiano olhou Nílton Santos de alto a baixo e respondeu:

- Olha, Nílton, Zizinho jamais vestirá a camisa do Botafogo...
Nílton Santos quis saber a razão e Bebiano lhe deu uma resposta digna de figurar na história – longa e gloriosa história – do Botafogo:

- Num jogo aqui em General Severiano, em 1948, ele tentou chutar o Biriba (diga-se que o Botafogo venceu o Flamengo por 5 a 3 num jogo emocionante, pois chegou a estar perdendo de 3 a 1).

Quer queiram ou não, principalmente os torcedores mais jovens, essa é a imagem típica do Botafogo, uma bela casa de negócios. Não estou preocupado se Zizinho foi vendido ao São Paulo (pelo qual foi campeão de 1957) ou outros desfalques em clubes do Rio. O Flamengo, por exemplo, expulsou Jair Rosa Pinto, vendeu Zizinho ao Bangu e Pirillo ao Botafogo. O Vasco negociou Vavá (Atlético de Madri) e Orlando (Boca Juniors), além do craque Válter Marciano para os espanhóis. O Fluminense comprou e vendeu Ademir, perdeu Didi e vendeu Valdo para a Espanha. Tudo isso faz parte do jogo, mas como disse aquele ‘político’ de Brasília, estou me lixando para o que nossos adversários fazem com seus craques.

Meu negócio é o Botafogo, clube de minha irrefreável paixão. Não posso me queixar da ida do temperamental Heleno para o Boca Juniors pois era um garoto de calças curtas. Mas depois, ah, depois, sofri com Gato, Casnock, Arlindo Baiaco, Orlando Pingo de Ouro, Rodrigues Tatu, além de Joel, ponta-esquerda do Fluminense. O Botafogo vendeu Dino, Vinícius, Amarildo, Gérson, Luisinho Quintanilha, Paulo Catimba Valentim e só não negociou Garrincha com o Juventus, da Itália, porque o médico Nélson Senise (pai do músico Mauro Senise e avô de meu casal de filhos) vetou. Após um sério diagnóstico, na Clínica Pio XII, disse que Mané tinha artroses irreversíveis. O Juventus já acertara o preço: Cr$ 2 milhões.

E quais foram as maiores contratações? Didi (feita por João Sem Medo), Gérson e Zagallo. Mas Didi cismou e foi embora para o Real Madri e Gérson brigou com um dirigente, ao final de 1969, e foi ser campeão no São Paulo. Ficou Zagallo, que sempre direi que deu forma ao time, fixando um 4-3-3 revolucionário para a época. Mas e Jairzinho e Paulo César Lima? Para onde foram? Para o Marselha, da França. E Roberto Guerreiro Miranda? Simplesmente para o Flamengo. E Túlio Maravilha? Para o Timão, no dia da posse de José Luiz Rolim. Assim, queiram ou não meus jovens leitores, teremos que ficar com nossos 19 títulos, atrás de todos os outros grandes do Rio. E boto banca porque sofri os diabos. Como sofri...

Até a sede de General Severiano nós vendemos...Fomos parar em Marechal, Caio Martins e na Ilha do Governador.
Só faço questão fechada e absoluta de isentar o atual presidente, Maurício Assumpção, que nada teve a ver com a saída do ex-futuro ídolo Maicosuel. Por isso, não me cobrem otimismo.
E para terminar por hoje, só por hoje, para onde foram Mauro Galvão, Gottardo e Paulo Criciúma? Reclamem, chorem, mas essa é a mais pura das verdades: é uma casa de negócios com certeza, é com certeza uma casa de negócios (tomando emprestado a canção ‘Casa Portuguesa’.)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma casa de bons negócios



Um dos meus leitores, que vive na Bahia e é botafoguense apaixonado, me passou um e-mail desesperado após a terceira derrota consecutiva do alvinegro numa decisão contra o Flamengo. Respondi a ele que o Botafogo – não o atual, de Maurício Assumpção – sempre foi uma casa de negócios, alienando seus melhores atletas, principalmente artilheiros.
E a foto que ilustra este blog é uma prova disso. Lá estão Djalma Bezerra, Zizinho, Heleno de Freitas, Ademir e Nívio, vestindo a camisa da Seleção Carioca, no tempo do Campeonato Brasileiro de Seleções, extinto faz tempo.

E desde que me entendo como torcedor do Botafogo, a venda de ídolos começou na gestão de Carlos Martins da Rocha (1894-1981) que mandou embora para o Boca Juniors o maior ídolo do clube, Heleno de Freitas, no início da temporada de 1948.
Depois, quase que seguidamente, foram negociados Dino da Costa (Roma), Luiz Vinícius de Menezes (Nápoles), Paulo Catimba Valentim (Boca Juniors), Amarildo da Silveira (Milan), Didi (Real Madri), Gérson (São Paulo), Jair Ventura Filho e Paulo César Lima (Marselha), Wilson Gottardo (Flamengo), Mauro Galvão (Vasco), isso para não contar o desmonte do time perpetrado (bela expressão, não?) por Emil Pinheiro (1923-1001), e, logo após a posse de José Luiz Rolim, o ídolo Túlio Maravilha (Corinthians), além de Donizete (Vasco) e muitos outros.

O desmonte efetuado antes de Maurício Assumpção foi terrível. Foram embora os dois zagueiros (não me recordo do nome deles), Diguinho, Túlio, Wellington Paulista, Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio e, a rigor, só ficou o heróico Leandro Guerreiro.
Basta dizer que o Flamengo, que nos derrotou três vezes seguidas em finalíssimas (duas por pênaltis) colocou em campo, agora em 2009, nada menos do que sete tricampeões pela terceira vez.
O que poderia fazer Assumpção diante da fuga de quase todo o elenco? Nada, rigorosamente nada. Assim como nada poderá fazer contra a saída de Maicosuel, diante da proposta miliardária recebida do exterior pela Traffic?
O Botafogo, que me perdoem os mais fanáticos, é uma casa de negócios, tanto é que até a sede já vendeu para a Vale do Rio Doce e só a recuperou por manobras políticas feitas por Carlos Augusto Montenegro e o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Caso contrário, ainda estaria escafedido para Marechal Hermes, na gestão Charles Borer (1929-2001), que ainda fez o favor de mandar para o Fluminense Marinho Chagas numa troca para lá de mal sucedida. Ou então Caio Martins.
O resultado? Todos sabem, o famoso e temido ‘Time do Camburão’, assim batizado por meu amigo Deni Menezes, formado na época de Charles Macedo Borer.

O que esperar agora nesse imenso Campeonato Brasileiro – que só dá lucro à CBF e às companhias de aviação? Eu, por mim, confesso, só torço para que o Botafogo não caia como o Vasco para a segunda divisão. Pois se cair, de lá não mais sairá.
Saiu daquela vez com a ajuda do Palmeiras. Mas e agora? Com esse time que aí está? Duvido.
E os que discordarem de mim o espaço está aberto para debater a famosa Casa de Negócios.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vida que segue’ (João Saldanha)



Se João Saldanha (1917-1990) estivesse vivo, comentando os jogos pelo rádio, não ficaria abalado com a terceira perda consecutiva do título estadual para o Flamengo (dois deles decididos nos pênaltis). Diria, simplesmente, uma de suas frases favoritas: “Vida que segue...” João realmente teria razão.
Nas cinco decisões do velho Campeonato Carioca, o Botafogo venceu duas (1962-1989) e perdeu três (2007-2008-2009). Uma coisa, porém, é absolutamente certa: jogando com um time mais do que improvisado, o Botafogo fez muito mais do que eu mesmo esperava. Sem dois de seus três tenores – Maicosuel e Reinaldo – o time por pouco na ganha a final, não fosse o tenor presente chutar tão mal o pênalti cometido pelo Flamengo.

Dei a mim mesmo um período de repouso, no blog, para não escrever algo que não fosse a verdade, somente a verdade, não mais do que a verdade. E a verdade, absoluta e irretocável, é que o Botafogo não tem banco, embora tenha feito um segundo tempo praticamente irretocável. Pena que as cobranças de pênaltis tenham sido tão bisonhas, lembrando a decisão do Fluminense contra a LDU, com Washington, Conca e Thiago Neves. Juninho e Leandro Guerreiro – o melhor jogador do Botafogo na competição – foram simplesmente ridículos na hora de decidir a partida.

Uma coisa faço a mais absoluta questão de ressaltar: em nenhum momento os jogadores do Botafogo provocaram o lateral rubro-negro Juan, que, além de cometer uma falta grosseira em Maicosuel, no jogo anterior, ainda o ameaçou verbalmente sem que o juiz, além do cartão amarelo, não lhe aplicasse um vermelho pelo gesto. Do início ao fim o Botafogo jogou lealmente e saiu de campo derrotado sem um único e escasso gesto de vingança contra Juan, o que certamente provocaria um conflito generalizado no gramado do Maracanã.
O Botafogo perdeu? Vida que segue. Outros campeonatos virão e as possibilidades de êxito serão rigorosamente iguais.

Faço, aqui, a mais absoluta questão de registrar o elegante e-mail que recebi do rubro-negro José Luiz – um dos raros a não se esconder sobre o pseudônimo de ‘anônimo’. Gostaria de dizer a José Luiz que os termos que utilizo em meu blog não representam exatamente o que sinto. São provocações que faço desde a década de 90 em minha coluna ‘Preto no Branco’ no praticamente falecido Jornal dos Sports.

Como filho de rubro-negro – que sempre respeitou minha escolha – escrevo frases e adjetivos para dar, digamos assim, uma espécie de polêmica no blog. Mas como lhe prometi, faço aqui o registro de seu e-mail educado e bem escrito. Aliás, diga-se de passagem, foi o único que se identificou e escreveu de maneira ponderada, explicando seu amor pelas cores rubro-negras.

Quanto à sequência de vice-campeonatos, o Flamengo tem quatro, a saber 22-23-24, 36-37-38, 82,83-84 e, por fim, 87-88-89, este último com o astro Zico em campo e dirigido pelo técnico Telê Santana da Silva (1931-2006), no jogo do gol de Maurício.

E para terminar por hoje, só por hoje, de acordo com Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol, o Botafogo aparece no 84º lugar, enquanto o Flamengo surge no 144º.
O primeiro clube brasileiro na lista é o São Paulo Futebol Clube.

Mas vem mais comentários por aí. Eu estava de férias forçadas.

sábado, 2 de maio de 2009

Botafogo desde 1904


Minha frase é: O BOTAFOGO, MINHA MAIOR PAIXÃO IMATERIAL.

Ele é que mantém vivo.


Vou então falar na totalidade de jogos do Botafogo de 1904 até 2008.


Só tenho estes números graças à dedicação de Pedro Varanda a quem chamo de Marechal Varanda e a quem considero a maior autoridade sobre o Botafogo – depois de Alceu Mendes de Oliveira Castro, autor do livro “O Futebol no Botafogo – 1904-1950”.


De 1904 até Novembro do ano passado, o Botafogo de Futebol e Regatas (nome que o clube adotou a oito de dezembro de 1942, ao fundirem-se o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo Futebol Clube) disputou 4.869 partidas no Brasil e no mundo. E seu aproveitamento, em percentuais, é o seguinte:

vitórias – 50,40%

empates – 24,17%

derrotas – 25,42%

Estatisticamente, o Botafogo sempre entra em campo com chances (de não perder) de

74,57%!

Vamos em frente?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Deuses do futebol com a palavra final

por Roberto Porto para o ESPN

Neste domingo, finalmente, o Rio de Janeiro ficará sabendo quem é o campeão estadual de 2009:

Flamengo ou Botafogo?

O Flamengo, apesar do bisonho empate de meio de semana com o Fortaleza, em Volta Redonda, é o favorito da crônica esportiva. Além de lutar pelo seu quinto tricampeonato estadual – superando o Fluminense na conquista de títulos no Rio – tem um time mais bem definido e uma coisa que o adversário não tem: banco. Além disso, sua equipe vem jogando junta há algum tempo e tem conjunto.

Já o Botafogo vive um drama: seu melhor jogador, Maicosuel, sofreu uma lesão muscular e está vetado. Outra dúvida é Reinaldo, que torceu o tornozelo no primeiro jogo da final (empate de 2 a 2) e se entrar em campo certamente atuará à meia-bomba – como se diz na gíria esportiva.

O técnico Ney Franco, como diria Nélson Rodrigues (1912-1980) vive um drama em 10 atos e 30 apoteoses. E mais: em 2007 e 2008 o alvinegro perdeu a final para o rubro-negro.

Só os deuses do futebol sabem quem será campeão.

O jogo terá uma espécie de faísca que poderá colocar fogo em tudo: a atitude irresponsável do lateral rubro-negro Juan, que depois de tomar um drible desconcertante de Maicosuel, cometeu uma falta desleal e o ameaçou verbalmente como provam fotos e teipes de televisão.

Se os jogadores do Botafogo mantiverem a cabeça no lugar, é possível que nada ocorra. Mas se o Flamengo estiver na frente do placar e a um passo do título, Juan poderá ser agredido e não haverá juiz que consiga interromper o tumulto.

Um detalhe surpreende os demais torcedores: por que Fluminense e Vasco estão como cartas fora do baralho há três anos? Difícil responder.

O Fluminense tem um excelente patrocinador e o Vasco, hoje de Roberto Dinamite – Eurico foi finalmente defenestrado – conseguiu cumprir uma boa campanha até ser goleado (4 a 0) pelo Botafogo numa das semifinais.

Apenas do ponto de vista de decisões do Campeonato Estadual, Botafogo e Flamengo estão empatados: o Botafogo venceu duas (1962 e 1989) e o Flamengo a mesma coisa (2007-2008).

Mas levando-se em consideração de outras competições, o Flamengo leva larga vantagem, desde 1991. É um jogo à feição para aqueles que gostam de apostas. Particularmente, porém, torço para que não haja expulsões e agressões.E torço, também, para que haja uma arbitragem limpa, sem favorecimentos para este ou aquele time.

Mas aí, como já frisei, a resposta estará nas mãos dos irrequietos e volúveis deuses do futebol.

Botafogo x Flamengo não é o clássico das multidões (Vasco x Flamengo) nem o de maior charme (Flamengo x Fluminense). Mas é, sem sombra de dúvida, o clássico de maior rivalidade no atual futebol do Rio de Janeiro.

Que o público possa apreciar um espetáculo para figurar na história.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O famoso Jogo do Senta


Meu tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) detestava o Mais Querido e eu custei a saber a razão. Esportista – aplaudia os adversários quando entravam em campo – não vaiava os jogadores do Botafogo e apenas ficava cabisbaixo nas derrotas. Militar, não podia admitir que um clube não soubesse perder.

Até que um dia – faz tempo isso – me relatou o verdadeiro mico que o Simpaticíssimo pagou em General Severiano, com seus jogadores sentando em campo aos 31 minutos do segundo tempo, para espanto e estupor (termo que aproveitei de um cruzmaltino) de jogadores, dirigentes e torcedores do Glorioso alvinegro.

Mas, afinal de contas, o que teria acontecido de tão marcante há tantos anos – mais de seis décadas – precisamente na tarde ensolarada de um domingo, 10 de setembro de 1944?

Em sua inexorável marcha para a conquista de seu primeiro tricampeonato, após o discutido gol de Valido, na Gávea, na decisão contra o Vasco, o Mais Querido, até aquele dia, que entrou para o folclore do futebol carioca, perdera apenas dois jogos: o primeiro, diante do América, e o do final do turno, para o Vasco. Mas, na segunda rodada do returno, a tabela marcara um Botafogo x Flamengo para General Severiano.

Para os alvinegros, seria a oportunidade de vingança dos 4 a 1 que sofrera na Gávea, no turno. Para os rubro-negros, a confiança era absoluta. O otimismo em relação à conquista do terceiro título seguido. E General Severiano pegou um público extraordinário.

Com arbitragem de Aristides Figueira – o popular Mossoró – os times entraram assim em campo:

Simpaticíssimo – Jurandir, Newton e Quirino; Biguá, Bria e Jaime de Almeida; Nilo, Zizinho, Pirillo, Sanz e Jarbas;

Botafogo – Ari, Laranjeira e Ladislau; Ivan, Papeti e Negrinhão; Lula, Geninho, Heleno de Freitas, Valsecchi e Valter.

O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Botafogo, gols de Heleno e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas) mas, aos 31 minutos, Geninho fez o quinto gol.

Começaram então as reclamações de jogadores e dirigentes rubro-negros. Para o “Esporte Ilustrado”, a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Para Mossoró, também.

Já os jogadores do Mais Querido, Jurandir à frente, garantiam que a bola se chocara contra o travessão e voltara ao gramado. Por incrível que pareça, para muitos torcedores do Botafogo, atrás da baliza à direita das sociais, onde mais tarde surgiriam a Avenida Pasteur e o Túnel do Pasmado, a bola explodira dentro do gol mas batera no ferro que sustentava a rede.

Formado o tumulto – com os alvinegros batendo bola à espera do reinício da partida – os jogadores do Simpaticíssimo, obedecendo ordens vindas do banco e dos dirigentes Marino Machado e Francisco Abreu, simplesmente sentaram-se em campo.

Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se para os vestiários. Na súmula, Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pela federação como 5 a 2 para o Botafogo.

Durante a semana, a reclamação dos responsáveis pelo departamento de futebol do Flamengo prosseguiu. E os jornais, ironicamente, passaram a chamar a partida de O Jogo do Senta.

É claro que com os recursos da televisão de hoje a dúvida seria tirada momentos após o chute de Geninho. Mas, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas captaram o lance.
O resultado é que durante muito tempo o debate seguiu acalorado.

Para o Mais Querido, porém, foi apenas um tropeço – inesperado, obviamente – na rota para o tricampeonato. Para os torcedores botafoguenses, porém, apesar da vitória de 5 a 2, ficou um travo amargo na garganta. Numa época romântica e cavalheiresca como aquela, era imperdoável o adversário não aceitar uma derrota, principalmente por tantos gols de diferença.

Talvez esteja aí a origem da rivalidade que atravessa gerações.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Botafogo 2 x 2 Flapito


Antes de comentar a partida que terminou com um 2 a 2 , no Maracanã, faço a mais absoluta e fechada questão de registrar a covardia e a canalhice do torcedores do Clube da Beira da Lagoa – refiro-me somente aos semi-alfabetizados – que, na falta do que fazer, escrevem comentários sobre meu blog, escondendo-se, escrotamente, sob nomes falsos ou anonimatos. Com raríssimas e honrosíssimas exceções – royalties para Helio Fernandes, da Tribuna da Imprensa – eles inventam pseudônimos e não colocam seus e-mails. Por quê? Por que têm medo de minhas respostas à altura? Pode ser.

Todos ironizam o Botafogo e a mim, valendo-se, quase sempre, de palavras de baixo calão, parecendo integrar um grupo que meu irmão Maurício Porto chama de patota de maria-vai-com-as-outras. Escrevem num português de pré-primário, cometendo erros ridículos, dignos de reprovação na pior das piores escolas públicas da cidade, se é que as frequentam. Querem um exemplo: outro dia um imbecil escreveu ‘esplicar’e seria reprovado de estalo no programa ‘Soletrando’ apresentado na Rede Globo no programa de Luciano Hulk. Em resumo, além de canalhas são burros.

Bem, vamos ao jogo apitado por Djalma Beltrami, aliás Rodrigo Sá, mais um soprador de apito escalado para dirigir um clássico decisivo do Campeonato Estadual do Rio. Beltrami, alías Rodrigo Sá, inventou um pênalti de Alessandro em Juan e deixou de marcar dois, ainda na primeira etapa, sobre Reinaldo e Maicosuel. E mais: não expulsou o marginalzinho Juan, que depois de levar um drible desmoralizante de Maicosuel ainda o ameaçou como provou a televisão e a foto publicada por O Globo, como se isso não fosse motivo de expulsão sumária. A atitude do lateral do Clube da Beira da Lagoa quase provoca um tumulto generalizado entre os jogadores.

Se Reinaldo e Maicosuel não tivessem sido tão perseguidos em campo, o Botafogo, de domingo, teria demolido o Clube da Beira da Lagoa. O que fez Beltrami, aliás, Rodrigo Sá? Nada, rigorosamente nada. Inventou dezenas de faltas cometidas por jogadores do Botafogo e ignorou todas as perpetradas (os leitores rubro-negros não conhecem o verbo perpetrar) pelos jogadores do Clube da Beira da Lagoa. Daqui deste espaço, adverti Maurício Assumpção sobre o que ocorreria no jogo. Se ele tomou providências, não posso dizer. Sei apenas que está tudo armado para que o Clube da Beira da Lagoa – onde ficava uma favela perigosa – para que o rubro-negro conquiste uma vez mais o título do Rio, roubando o Botafogo.

Se jogar completo – o que hoje parece impossível, de tanto que apanharam Reinaldo e Maicosuel – o Botafogo atropelará o Simpaticíssimo. Mas, desfalcado, tenho sérias dúvidas. De uma coisa tenho certeza: os comentários a respeito de meu blogspot continuaram com os nomes falsos e anônimos – com receio de que eu os responda e minha amiga e irmã Malu Cabral não consiga censurar. Quem sabe se Beltrami e Moutinho não se escondem por trás desses anonimatos? E, agora, estarão reforçados pelo soprador de apito Rodrigo Sá. Quem se protege atrás de anonimatos é no mínimo um baita de um calhorda, covarde e quase um bandido.

(*) O colunista de O Globo, Fernando Calazans, rubro-negro de quatro costados, foi, pelo menos até agora, o único que duvidou do suposto pênalti de Alessandro no cafajeste Juan, que gosta de ofender que está caído em campo.

sábado, 25 de abril de 2009

Roberto executa o Mais Querido

Naquele distante domingo, 13 de dezembro de 1964, o Botafogo, embora dono de um excelente elenco, pouco ou nada tinha que fazer diante do Mais Querido, campeão carioca do ano anterior. O Glorioso, a rigor, o mais que podia era derrotar o adversário e deixar o título para ser decidido apenas entre Bangu e Fluminense numa melhor de três. Havia, porém, um motivo sentimental à parte: Nílton Santos decidira que aquela seria sua última partida oficial pelo Botafogo no Maracanã, já que havia uma outra, amistosa, para cumprir na Bahia, por força contratual. Aos 39 anos, Nílton, atuando como quarto zagueiro, já não sentia motivação para seguir em sua jornada.

Antes do início da partida, o Simpaticíssimo ofereceu uma salva de prata a Nílton Santos, como homenagem à sua vitoriosa carreira, iniciada em 1948, como lateral-esquerdo de um time que entrou para a história do Botafogo. O encarregado de entregar a salva de prata a Nílton Santos foi o jornalista-empresário Drault Ernani Filho, rubro-negro mais do que ferrenho. Drault, inclusive, foi de uma infelicidade à toda prova no momento em que ele e Nílton saíam juntos do gramado, pois o jogador iria entregar o troféu no túnel alvinegro. E, sabendo que o jogo seria decisivo para as pretensões de seu clube, disse uma frase que Nílton Santos considerou ofensiva:

— Veja lá o que você vai fazer em campo hoje, Nílton...

Nílton Santos foi curto e grosso em sua resposta:

— Vá lá para a tribuna que você vai ver...

O jogo, é bom que se diga, foi duro, com oportunidades de parte a parte. O Mais Querido – que ainda não tinha os 33 supostos milhões de torcedores que Zico hoje apregoa – lutava para ter possibilidades de conseguir o bi. O Botafogo, para variar em seus confrontos com o rubro-negro, apenas para arruinar a festa. Aos 23 minutos do segundo tempo, na baliza à direita das tribunas, houve uma falta na lateral-direita do ataque alvinegro. Mura apresentou-se para cobrar e levantou um centro alto sobre a área. Roberto Miranda, ao lado de Jairzinho, tocou de cabeça no cantinho direito de Marcial, sem chance de defesa. Botafogo 1 a 0.

Estava feita a maldade. O Mais Querido foi pro espaço.

Naquele lance, que provocou uma alegria incontida de dois então jovens atacantes – Roberto e Jairzinho (foto) – acabara definitivamente o sonho do bicampeonato. Se o Mais Querido ganhasse, seria campeão; se empatasse, iria para uma melhor de três, com Fluminense e Bandi. O título carioca ficou com o Fluminense, que contava, entre seus artilheiros, com José Amoroso Filho, cria do Botafogo e campeão carioca de 1961 pelo clube.

Mas a história não terminou aí, pelo menos para Nílton Santos, apesar de sua vitoriosa despedida. Carlito Rocha (1894-1981) deixou de falar com seu jogador preferido. Anos mais tarde, a bordo de um avião a caminho de São Paulo, Nílton me confessou o seguinte:

— Estou convencido de que seu Carlito parou de falar comigo só porque não avisei a ele que iria parar de jogar naquele dia. Não há outra explicação possível. Fiquei magoado, mas depois que ele morreu, sempre defendendo o seu Botafogo – referia-se à perda de General Severiano para a Vale do Rio Doce – consegui entender sua frustração. Afinal, se joguei 17 anos com a camisa alvinegra, ele foi o principal responsável.

Em 1965, já com o Mais Querido campeão carioca, o Glorioso tornou a pregar uma peça em seu adversário preferido. Venceu por 1 a 0 e, como dizem os torcedores, botou água no chope das comemorações. Mas essa história fica para um próximo blog, OK?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

No caminho das Índias


Em 1972, em razão de impedimento de força maior do eterno amigo Marcos Alexandre de Souza Aranha Mello Matos de Castro, fui chamado pela Rio Gráfica Editora – hoje Editora Globo, na Rua Itapiru – para concluir o projeto ‘Grandes Clubes Brasileiros’. Quis o destino que eu já pegasse andando o meu Botafogo do coração, na época com Xisto Toniato como vice-presidente de futebol. Tive muita ajuda dele e de dona Madalena, secretária do clube desde fevereiro de 1942, antes, portanto da fusão entre o Club de Regatas Botafogo (1894) e o Botafogo Football Club (1904).

Você não vale nada mas eu gosto de você...’

Na época, por razões que não precisam ser explicadas, além de uma lista com todos os jogos no exterior feitos pelo Botafogo, decidi incluir o retrospecto de Botafogo e Flamengo. Na ocasião, mesmo distante do título desde 1968 – foram cinco, com duas Taças Guanabara e dois Campeonatos Cariocas, além de uma Taça Brasil – o Botafogo ainda tinha vantagem de 10 vitórias sobre o Clube da Beira da Lagoa, conhecido como Flamengo.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Os leitores deste blogspot sabem, por acaso como anda a estatística? Não? Pois segurem a pemba: Em 327 jogos, desde 1913 (que o Botafogo ganhou por 1 a 0), o Flamengo tem 119 vitórias contra 103 empates e 105 êxitos do Glorioso, ou seja, o Clube da Beira da Lagoa – cujo futebol surgiu de uma briga entre jogadores e dirigentes do Fluminense – não apenas ultrapassou o Botafogo como tem hoje 16 vitórias de vantagem.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Em poucas e resumidas palavras, o Botafogo faz tempo que não pode chamar o Flamengo de freguês de caderno. Pior, nas últimas sete decisões, a partir da cabeçada de Gaúcho, no Campeonato Carioca de 1991, o Botafogo não ganhou uma decisão contra o Flamengo. E agora, a partir de domingo, vai para a sua oitava tentativa após jogar pela janela a Taça Rio, com aquele gol contra do Emerson.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Muitos – creio que a maioria – dos leitores de meu blogspot acham que sou pessimista. Tudo bem, não discuto. Mas talvez eles não saibam fazer a diferença entre pessimismo e realismo. E o real é que o Botafogo do meu coração não entrou em campo domingo passado, deixando-se dominar totalmente pelo adversário, até surgir o gol acidental que nos derrotou. Se o Botafogo não voltar a campo com garra, coragem e disposição, não apenas sofrerá nova derrota como aproximará o Clube da Beira da Lagoa de seu quinto tricampeonato na Era do Profissionalismo, o que será de amargar.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Há muitos anos, no século passado, o Botafogo impediu que o Flamengo conquistasse o seu tetracampeonato. No jogo do turno, mesmo com 10 homens (Thomé quebrou o braço), o Glorioso meteu 5 a 0. E no returno, quando o Flamengo precisava ganhar, nosso ponteiro-esquerdo paraguaio, Cañete, fixou o placar em 1 a 0 e deu de presente o título ao Vasco, cujos dirigentes comemoraram o título nas cadeiras especiais.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Mas hoje é hoje. E se Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões repetirem a bisonha atuação de domingo passado, e Ney Franco não encontrar uma solução para o apático Botafogo, serei obrigado, uma vez mais, a cantar a música engraçada da novela ‘Caminho das Índias’, que retrata a excelente Norminha (Dira Paes), que não vale nada mas o guarda Abel a adora, tanto quanto eu ao Botafogo imortal da estrela solitária.

Estou certo ou não? Deixo as respostas para meus agradáveis leitores.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

terça-feira, 21 de abril de 2009

Esse Botafogo tinha pelo menos raça


Vocês, meus leitores habituais – como a jovem radialista Thayssa Roberta, da Rádio Globo, certamente não conhecem esse time do Botafogo de 1955. Apesar das presenças de Nílton Santos e Garrincha, foi uma das piores equipes que o Glorioso armou em muitos anos. Basta dizer que não se classificou para o terceiro turno, sendo superado pelo modesto Bonsucesso.

Mas vamos às identificações do grupo.

De pé, da esquerda para a direita, estão Thomé, Nílton Santos, Orlando Maia, Juvenal, Bob (Robert James Neil) e Lugano.

Agachados, na mesma ordem: Garrincha, Gato, Paulo Omena, Casnock e João Carlos (que foi um astro no América).

Como jogava esse time? Lugano, Orlando Maia, Antônio Correia Thomé e Nílton dos Santos (seu verdadeiro nome); Bob, Juvenal e Paulo Omena; João Carlos, Gato e Casnock. Pois bem. Tenho a mais absoluta e concreta das certezas de que esse projeto de time – depois que o clube vendeu Dino e Vinícius para a Itália – teria um comportamento mais profissional e corajoso daquele bando que perdeu a Taça Rio, para o Flamengo, assistindo ao Clube da Beira da Lagoa dar uma exibição de gala.

O time, repito, era ruim, sem entrosamento, mas seus jogadores botavam a alma pela boca em defesa da camisa da estrela solitária, como faziam Juvenal Francisco Dias e o já citado Bob – banido do Botafogo de maneira escrota e que não permitiu que o atleta se defendesse, na temporada de 1956. Digo isso porque conversei longamente com Bob, na redação do Jornal dos Sports – um jornal inadimplente com seus inúmeros ex-funcionários, como eu, por exemplo. Mas isso não vem ao caso. O JS está fecha-não-fecha e já sei que minha indenização foi para o espaço sideral.

Mas nunca esse time – que acompanhei com meu saudoso tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) – foi covarde diante de qualquer adversário. Jamais medrou para Flamengo, Vasco, Fluminense ou América. Perdia, claro, mas seus jogadores deixavam o gramado orgulhosos da luta que demonstravam na partida. Foi o que o Botafogo de Ney Franco fez domingo. Assistiu de maneira privilegiada – pois que estavam em campo – ao passeio que o Flamengo deu, mesmo levando-se em conta o gol contra.

Sei muito bem que sou considerado pessimista. Mas vejo futebol há mais de seis décadas e sei quando um time entrega o ouro ao bandido. Foi o que o Botafogo fez. Não jogou rigorosamente nada e nem demonstrou vontade de jogar. Como sou mordido de cobra, nem penso em pintar no Maracanã – Maurício Assumpção que me desculpe. Mas para ver uma equipe covarde, amedrontada, assustada com os gritos da torcida do Clube da Beira da Lagoa, eu não vou.

Não vou para não ficar mais puto (perdoem a expressão, mas é a que cabe) com esse Botafogo covarde e sem personalidade. Estou pensando seriamente em dar um tempo ao Botafogo.
E fazer como meu amigo Luiz Carlos Albuquerque, apaixonado com eu, torcer para o Botafogo não disputar mais finais. A última vitoriosa vai completar 20 anos. Mas aquele time era um time de machos. Não um time de frouxos – exceção que faço a um único jogador: Leandro Guerreiro.
Seja o que os deuses do futebol quiserem. Assim espero.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Que decepção, Botafogo do meu coração...

Que decepção, Botafogo do meu coração...

Quero esclarecer aos leitores deste blogspot – gentilmente postado pela minha irmã-camarada Malu Cabral – que não sou infalível. São mais de 60 anos de Botafogo na cabeça (meu maior e inexcedível amor imaterial) e, vez por outra, recorro a meu amigo do peito Pedro Varanda, demitido arbitrariamente do Glorioso pelo senhor (?) Bebeto de Freitas. Pedro Varanda é o sucessor de Alceu Mendes de Oliveira Castro, autor do livro raro ‘O Futebol no Botafogo – 1904-1950’. Por pura sorte, tenho um exemplar deste livro que está cotado no mercado paralelo a R$ 4 mil.

Assim, depois do vexame de domingo, recorri a Varanda para saber quando foi a última vitória do Botafogo sobre o Flamengo em partidas decisivas. E ele, para minha decepção, informou-me que foi a 21 de junho de 1989, com o mais que famoso gol de Maurício. Em poucas e resumidas palavras, o Botafogo não vence aquele Clube da Beira da Lagoa há quase 20 anos, (1989-2009)
ao longo de sete inexoráveis anos de decisões.

Como diria meu amigo tricolor Nélson Rodrigues (1912-1980), é caso de sentar no meio-fio e chorar lágrimas de esguicho. E haja esguicho para chorar por 20 anos.

Não vou listar os desastres porque não sou sofredor de nascença.

Seja com a ajuda dos árbitros – não foi falta aquela sobre Juan que terminou com o gol contra de Emerson – ou não, o fato é que viramos o que a gentalha chama de fregueses de caderno. E domingo que vem, podem esperar. A torcida do Botafogo não vai ao Maracanã. Seremos espremidos como ocorreu em 1992, depois que o Clube da Beira da Lagoa nos meteu 3 a 0 no primeiro jogo decisivo do Campeonato Brasileiro. Foi um vexame. Fui ao jogo e fiquei num cantinho da arquibancada porque a massa rubro-negra tomou, literalmente todo o estádio. Uma vergonha daquelas.

O que mais me emocionou nessa derrota foi saber que meu neto, Rafael Porto (que ainda vai fazer 10 anos) perguntava a toda hora ao pai, Roby Porto, se ainda havia tempo de empatar ou virar o jogo. Este Botafogo que aí está decepcionou meu neto querido (tem uma irmã menor que não foi, felizmente). Este Botafogo, desarrumado e sem um mínimo de garra, conseguiu o feito de entristecer meu neto para sempre. Isso eu não perdôo. Vá ser desmotivado assim (perdoem a expressão) na puta que o pariu.

À noite, meu amigo de infância, o engenheiro Luiz Carlos Albuquerque, me fez uma confissão triste. Disse ele que não quer mais que o Glorioso vá à decisões. Que fique pelo caminho, fazendo número, vencendo o Resende e o Canto do Rio. Até porque já perdeu para Americano, Boavista, Volta Redonda e outros que apaguei da memória. Bonsucesso, Madureira e São Cristóvão nem se fala, tantas decepções provocou em sua torcida.

Por isso, sem querer ser pessimista – ao contrário da amiga Malu Cabral – não tenho a menor vontade de assistir a esse time desmotivado, sem garra, molenga e que ainda faz gol contra. Estou sendo pessimista? Estou, sim. O Botafogo mobilizou o Brasil inteiro – até um iugoslavo e um húngaro, que amam o Botafogo. Mas eles amam o Botafogo de Garrincha, Nílton Santos, Didi, Quarentinha, Zagallo, Amarildo Possesso e outros craques do Glorioso.

Juro que estou envergonhado com esse timeco do Ney Franco.

domingo, 19 de abril de 2009

Botafogo jogou pedra em santo


É possível que os verdadeiros botafoguenses que acompanham meu blog – carinhosamente postado pela amiga do peito Malu Cabral – parem de ler o que escrevo. Mas quero alertar a todos que não minto nunca. O Botafogo de domingo, contra o Flamengo, jogou o que em minha época se chamava de ‘pedra em santo’ – ou seja, porra nenhuma. No primeiro tempo, ainda teve oportunidade de marcar com Victor Simões (nulo em campo) e com Maicosuel que acertou a trave direita de Bruno. Mas, na etapa final, foi literalmente engolido pelo Clube da Beira da Lagoa.

O gol contra de Emerson, naquela confusão dentro da área, foi apenas um acidente de percurso. O Flamengo, para minha decepção, deu um verdadeiro baile no Botafogo, assim como o Americano fizera no Engenhão na quarta-feira à noite. O Botafogo de Ney Franco não conseguiu acertar um único e mísero passe e o êxito do Flamengo na Taça Rio foi mais do que merecido – ressalto que apesar do gol contra. O Botafogo, infelizmente, está no caminho exato para permitir mais um tricampeonato do Clube da Beira da Lagoa, pois não percebi no time nenhuma vontade de vencer.

O Flamengo, apesar de minhas advertências, que assisti a Flamengo x Fluminense, deu um passeio em campo, sem que nosso meio-campo acertasse um mísero contra-ataque mortal. Pelo que assisti ontem, pela Rede Globo – não tenho mais coração para ir ao Maracanã – o Clube de Beira da Lagoa não tomou conhecimento do Botafogo e tampouco de seus famosos três tenores – Maicosuel, Victor Simões e Reinaldo. Para variar, um único que jogou com alma e desejo de vencer foi o já manjado Leandro Guerreiro. O resto foi o resto e ainda tivemos um jogador importante expulso.

Como não minto – repito – e não falseio a verdade, espero que os rubro-negros que me escrevam coloquem seus e-mail para que eu os responda. Estou cansado de ver comentários anônimos, inclusive de um ‘adevogado’, que trabalha num escritório do tamanho do Maracanã e que tem a intenção de me processar. Processe, meu querido ‘adevogado’, o Renato Gaúcho que tem uma entrevista incrível ao Sportv. Quanto aos outros anônimos, tomem vergonha na cara e coloquem seu e-mail e não o covarde ‘anônimo’. Não disse aqui que o jogo foi roubado, falei que o Flamengo deu um banho do Botafogo e não ofendi ninguém. Então, tomem coragem.

E parabéns ao Flamengo pela conquista da Taça Rio. Mas lembrem-se todos que há mais dois jogos para definir o campeão de 2009. E o Botafogo não está morto, apesar da derrota medonha que sofreu

É isso aí. Vamos que vamos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Surpresa apenas para os incautos


Vocês, torcedores do Botafogo como eu, estranharam as suspensões de Juninho e Alessandro para a decisão do título contra aquele clube da Beira da Lagoa? Eu, não. Vocês estranharam também a escalação de Djalma Beltrami para apitar o jogo Botafogo x Americano? Eu, não.
O esquema de há muito está montado para que o Simpaticíssimo conquiste o tricampeonato carioca e o STJD-RJ tem parte nisso, assim como esse Beltrami, de triste passado. Minha única e escassa surpresa foi que o bandeira Wilson Moutinho – que chega de carro ao Maracanã vestido com a camisa rubro-negra, tenha escapado desse sorteio fajuto feito pela Federação.

A verdade é que o Botafogo, graças à pífia arbitragem de Djalma Beltrami, não jogou rigorosamente nada e o Americano – com todas as suas deficiências – botou a alma pela boca para derrotar o alvinegro nos pênaltis.
Ironia do destino foi Maicosuel marcar o gol da vitória, aos 47 minutos do segundo tempo, e, depois, tentar aquela cobrança maldita com uma paradinha da qual sou contra, chutou na trave e o Glorioso foi eliminado da Copa do Brasil, perdendo por 5 a 4.
O goleiro Renan – revelação do Botafogo nos últimos tempos, não teve chance nas cobranças do Americano.

Em pouca e resumidas palavras, o circo está armado para que aquele clube da Beira da Lagoa – que ficou a semana em repouso – chegue a mais um tricampeonato. Não há dúvida de que o Botafogo, com a derrota para um time de segunda categoria – mesmo nos pênaltis – chegará domingo ao Maracanã de cabeça baixa pela eliminação que podia tê-lo levado à Taça Libertadores da América.
Mas como há coisas que só acontecem ao Botafogo, quem sabe se a equipe poderá se recuperar do vexame que passou? A verdade, verdadeira, foi que nas duas partidas o Americano jogou com alma e o Botafogo desprezou o adversário. Azar o nosso.

O que me espanta é que o novo presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, não tenha impedido o larápio Beltrami de sequer pisar as dependências do Engenhão. E olha que passei e-mails para Assumpção, alertando-o de esquemas armados – e bem armados – para desmotivar o Botafogo e, uma vez mais, motivar o adversário da final da Taça Rio.
E os advogados do Botafogo? Permitiram que Juninho e Alessandro fossem punidos por causa de um jogo contra o Fluminense, sem terem sido expulsos de campo? Também não posso culpá-los de todo. Esse STJD é venal.

Preocupa-me, também, a contusão de Reinaldo, que deixou o gramado do Engenhão sentindo uma contusão. Ou seja, além de perder Juninho e Alexandro – por obra e graça desse STJD – o Glorioso pode ficar sem um de seus três tenores – Reinaldo, Maicosuel e Victor Simões.
Mas deixar Beltrami pisar o Engenhão foi de uma burrice incorrigível. Ele era capaz até de marcar um gol a favor do Americano, de tanta raiva que tem do Botafogo e amor pelo clube da Beira da Lagoa. Essa eu não vou engolir jamais.

Mas como a esperança é a última que morre, vamos que vamos. Pelo menos não teremos Moutinho e Beltrami em campo. Eles fazem parte da Raça Rubro-Negra e estarão nas arquibancadas torcendo.

Há coisas...bem, é melhor não dizer porra nenhuma...

domingo, 12 de abril de 2009

Estranhas reações à goleada de sábado


O futebol tem realmente coisas extremamente curiosas e inexplicáveis. Na tarde de sábado, a partir do momento em que o Botafogo começou a despachar o Vasco, com um verdadeiro chocolate de Páscoa, passei a receber, em meu computador, uma série de ameaças, ofensas e xingamentos vindos de torcedores do Flamengo. Confesso que não entendi bulhufas. Teria o simpaticíssimo clube da Beira da Lagoa receio de enfrentar o Glorioso na decisão da Taça Rio?

Estariam os rubro-negros preferindo medir forças com o Vasco e ficaram revoltados com a goleada alvinegra?

Volto a confessar que não compreendi nada. Até porque, na tarde de domingo, com o Maracanã novamente lotado, O simpaticíssimo deu um verdadeiro baile no Fluminense, cumprindo uma atuação rigorosamente irrepreensível, do início do fim. E só não conseguiu um placar mais elevado por uma questão de sorte do Tricolor. A vitória do Flamengo sobre o Fluminense – candidatando-se ao tricampeonato estadual – foi de uma clareza única e insofismável.

Assim, se o clube da Beira da Lagoa está tão preparado, como demonstrou, por que as ofensas contra o Botafogo?

Agora, pelo terceiro ano consecutivo, o Botafogo terá a dura missão de superar o Flamengo e evitar as duas partidas decisivas da competição. Uma vez mais, Vasco e Fluminense foram remetidos ao limbo do esquecimento. E mais: a facilidade com que o clube da Beira da Lagoa dominou o Fluminense me deixou um ponto de interrogação: que time foi esse que o simpático e sempre afável Carlos Alberto Parreira armou para chegar aonde chegou? Thiago Neves, Conca e Fred não viram a cor da bola. E se fosse no turfe, eu diria que o Flamengo venceu com vários corpos de vantagem.

Quanto ao Glorioso, não tenho dúvidas. Cumpriu, contra o Vasco, a sua melhor atuação desde a conquistada Taça Guanabara, devolvendo, com juros baixos – determinação do Banco Central – a goleada que sofrera por 4 a 1. Os 4 a 0, admito, foram inesperados para mim. O Botafogo vinha de uma atuação bisonha diante do Americano, em Campos, e, de repente, os já chamados três tenores – Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões – atropelaram o Vasco da Gama, que vinha de uma excelente campanha na Taça Rio. Mas o Vasco, ao contrário do Tricolor, não foi uma decepção. Lutou como pôde.

Se sábado, num Botafogo x Vasco, meu computador quase estourou de xingamentos – e vejam que o Fla-Flu não tinha se realizado – fico imaginando o que vem agora. Um torcedor rubro-negro, dizendo-se advogado, quer me levar à justiça para esclarecer o suposto suborno praticado por alguém do Flamengo na decisão do Brasileiro de 1992. Ora, bolas, eu sou a pessoa menos indicada para isso. E só toquei no assunto porque Renato Gaúcho, em longa e simpática entrevista ao Sportv, revelou que algo de estranho ocorreu em General Severiano naquele domingo.

Se Renato Gaúcho, que participou dos 3 a 0 que o Botafogo tomou, disse na televisão que houve coisas estranhas no clube, às vésperas da decisão, então ele que confirme ou desminta o que disse. O outro personagem que me revelou a história no Mourisco, Emil Pinheiro, já não está entre nós. E eu, modestamente, nunca fui dirigente do meu clube.

sábado, 11 de abril de 2009

Obrigado, Botafogo!


Nós temos que agradecer ao Botafogo, minha eterna, gigantesca e insuperável paixão imaterial.

Esses 4 x 0 foram demais! Confesso que me nocautearam de emoção.
É muito chocolate para uma Páscoa só....


Saudações Botafoguenses
Roberto Porto

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Esse era o meu Botafogo inesquecível


Eu já devia estar mais do que acostumado com as peças e peripécias do meu Botafogo do coração. Mas a partida contra o modesto Madureira, no Engenhão foi dura de roer. Hoje, depois do título da Taça Guanabara, apesar da derrota para o Volta Redonda, estou convencido de que o Glorioso amadureceu antes do tempo. Ou seja, no momento, é claramente o pior dos quatro grandes que lutam pelo título de 2009. O Botafogo vibrante daqueles momentos sumiu na poeira deste Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

E agora, através do Blog-Clipping da amiga Malu Cabral fico sabendo que Victor Simões pode pegar um gancho deslumbrante por causa da sua expulsão idiota contra o Americano. Se já jogando pedras com o time completo, imagino o que não jogará sem a presença de Victor Simões? Que os leitores deste meu blogspot me perdoem, mas já estou ficando pessimista, depois de um curto período de alegria com a conquista da Taça Guanabara. Por isso, hoje, mudo de assunto e escrevo sobre um período de alegrias.

A foto de hoje, com dedicatória, veio do ponteiro-direito Rogério Hetmanek, também conhecido como Rogério Ventilador, pelo movimento que fazia com os braços quando iniciava seus dribles. A foto é histórica. Foi tirada momentos antes de o Botafogo golear o Vasco por 4 a 0 na final do Campeonato Carioca de 1968 (eu estava lá na arquibancada). O ataque era, pela ordem, Rogério Hetmanek, Gérson Nunes, Roberto Miranda, Jair Ventura Filho e Paulo César Lima. Que ataque deslumbrante, heim?

Infelizmente, de acordo com o ditado que diz que há coisas que só acontecem ao Botafogo, o clube, em 1969, não conseguiu chegar ao tricampeonato, jogando fora uma oportunidade de ouro, já que tinha conquistado o bi da Taça Guanabara e o bi nesse jogo diante do Vasco. Sei de muitas coisas ocorridas em General Severiano em 1969, mas prefiro deixar para outra ocasião. A derrota para o Flamengo no famoso ‘Jogo do Urubu’ (2 a 1) é uma das histórias tristes daquele ano em que o tri sumiu.

Por acaso, naquela época, eu estava me recuperando de um rompimento dos ligamentos do tornozelo direito e o doutor Lídio Toledo, numa gentileza fora do comum, me permitiu fazer tratamento médico ao lado dos jogadores, em General Severiano. O detalhe é que, apaixonado pelo clube, arranquei a bota de gesso na véspera do ´Jogo do Urubu’, e fui ao Maracanã acompanhado do meu amigo botafoguense Luiz Carlos Mello. Quando deixei o estádio, meu tornozelo havia virado uma bola de tão inchado – tão inchado como estava minha cabeça após a derrota. Voltei para casa com o pé direito no acelerador – para isso dava – mas fazia os outros movimentos com o pé esquerdo, que não me servia nem para subir num lotação da época.
Mas um dia, prometo, vou falar dessa partida que, literalmente, tirou nossas esperanças no tricampeonato. Mas guardem a foto que é boa. E agradeço a Rogério Ventilador tê-la me enviado de São Paulo com uma dedicatória carinhosa. Valeu, garoto. Já está escaneada e guardada.

terça-feira, 31 de março de 2009

Botafogo 24 x 0 Mangueira


Minha amiga, irmã, camarada, Camila Augusta da Silva, botafoguense da mais alta estirpe – de um Carlito Rocha, certamente – só tem um único e escasso defeito: é noiva de um cruzmaltino. Mas como ninguém é perfeito, nem eu, que tenho uma filha que torce para aquele clube da Beira da Lagoa, vamos deixar para lá. Pois Camila foi ao Museu do Futebol, no Pacaembu, em São Paulo, e fez questão absoluta de posar ao lado do cartaz que indica a maior goleada da história do futebol brasileiro: Botafogo 24 x 0 Mangueira.
E como ainda é uma menina, me pergunta o que sei sobre esse jogo, disputado exatamente a 30 de maio de 1909, no campo do então Botafogo Football Club. Na preliminar o Botafogo foi mais modesto: venceu apenas por 12 a 1. Mas os 24 a 0 estão no Museu do Futebol. Não sei muito, Camila, mas vamos lá se consigo liquidar com sua curiosidade.

Para começo de conversa, Camila, é preciso esclarecer que a partida foi realizada antes que o escritor Euclides da Cunha (1866-1909), invadisse a casa dos militares Dilermando Cândido de Assis (1889-1952) e Dinorah Cândido de Assis (1890-1921), em Piedade, por causa da traição de sua mulher Ana de Assis (1875-1951).

Na manhã de 15 de agosto de 1909, Euclides saiu atirando, atingindo seu rival, Dilermando, mas ferindo na nuca quem nada tinha a ver com o caso, o zagueiro alvinegro Dinorah. Assim, pois, foi em plena forma física e técnica que Dinorah participou da goleada que entrou para a história do futebol brasileiro, tendo marcado um gol. Não havia tomado o tiro.

Naquela mais do gloriosa tarde, o Botafogo – ainda sem a inacreditável estrela solitária ao peito, o que só ocorreria em 1942 – jogou com Coggin, Pullen e Dinorah; Rolando, Lulú e Pullen; Henrique, Flávio Ramos, Monk, Gilbert e Emanuel Sodré Viveiros de Castro. Os gols, Camila? Pois bem: Gilbert (9), Flávio (7), Monk (2), Lulu (2), Raul (1), Dinorah (1) e Henrique e Emanuel (1 cada). Que tal? Coisas que só acontecem ao Glorioso.

O que ocorre, Camila, é que no dia 15 de agosto Dinorah levou o tal tiro de Euclides – morto de ciúmes. Mas nosso heróico zagueiro, tão esquecido pelo Botafogo de hoje – devia ter um busto em General Severiano – mesmo com a bala encravada no pescoço, entrou em campo para enfrentar o Fluminense, no dia 22 de agosto de 1909.
Com os movimentos prejudicados, não foi o zagueiro categórico de sempre e perdemos por 2 a 1. Mas assim mesmo, Dinorah, amando o nosso imortal Botafogo, seguiu jogando e sagrou-se campeão de 1910, fazendo com que nosso time ganhasse para sempre o apelido de ‘O Glorioso’.

Mas a bala de Euclides foi fazendo efeito e Dinorah ficou paraplégico. Triste, acabrunhado, suicidou-se nas águas do Rio Guaíba, em Porto Alegre, mas foi enterrado no Rio. Ele é um símbolo, Camila. Um símbolo da maior goleada que o futebol brasileiro registra em mais de 100 anos de história. Sou fã de Dinorah, Camila, e Maurício Assumpção também deveria ser. Nosso herói merece as maiores homenagens do Botafogo de Futebol e Regatas, legítimo sucessor do
Botafogo Football Club, certo?

(*) Um último detalhe: o escudo com a estrela solitária, apontado como o mais belo do mundo pelos japoneses, fez sua estréia num simples treino coletivo, em General Severiano, a 19 de janeiro de 1943. O autor do desenho? Basílio Viana Júnior. É mole ou quer mais, Camila?

domingo, 29 de março de 2009

Uma emissora 100% tricolor


Por absoluta falta de sorte, fui obrigado a acompanhar a partida Botafogo x Fluminense, disputada no Maracanã, exclusivamente pela Rádio Globo. À exceção do Garotinho José Carlos Araújo, que é tricolor, mas narra o jogo com a mais irresoluta e absoluta isenção, seus comentaristas Gérson Nunes e Felipe Cardoso parecem que vão ao estádio com a camisa do Fluminense e só falam, durante os 90 minutos, no que deve ou não deve fazer o time dirigido pelo hoje aposentado Carlos Alberto Parreira. Faço idéia do que a dupla de tricolas não deve perpetrar em outras partidas.

Não quero justificar com isso a pífia atuação do Botafogo, que tomou um vareio do Vasco, empatou com o Americano e agora conseguiu perder do não mais que mediano time do Fluminense no último minuto, depois de estar vencendo de 1 a 0 até os 35 minutos do segundo tempo. De nada adiantaram as palestras da psicóloga em General Severiano – deve ser tricolor, também – tentando motivar os jogadores. E, Francamente. Victor Simões ser expulso de campo contra o Americano é dose para mamute desmamado. Caso não tenha levado uma advertência da diretoria, é erro.

Honestamente, tinha dado um tempo para meu blog depois do empate contra o Americano. Mas depois da derrota para o Fru-Fru, coisa que não ocorria há anos, fiquei revoltado. O Botafogo, como aconteceu nos dois últimos anos, caminha celeremente para fazer o papelão que cumpriu diante daquele time da Beira da Lagoa. Só se fizer agora, o Simpaticíssimo será tricampeão uma vez mais. E se cair diante de Vasco e Fluminense será uma vergonha que não tem mais tamanho.

Hoje, pedi a Malu Cabral para colocar a foto do blog algo que significasse o que estou sentindo. É uma espécie de luto que demonstro pela queda vertiginosa do alvinegro. Aliás, estou exausto desse tipo de descalabro. E não há diretoria que resolva o problema. De volta à Globo – sempre com respeito à Zé Carlos, tricolor mais do que moderado, Gérson só falta entrar em campo para cobrar a faltas próximas à área e Felipe, por incrível que pareça, chega a superar Nélson Rodrigues (1912-1980) na sua angústia pelo seu time.

Eu, que fui aluno de Zé Carlos, na Nacional, que me ensinou o pouco que sei de rádio, fico puto com comentários tão parciais. Não vou deixar de ouvir meu mestre, que é o melhor na latinha. Mas Gérson, que obteve suas maiores glórias no alvinegro, deveria ter um pouco mais de carinho com o clube que o projetou para a Seleção Brasileira. Até porque foi banido do Simpaticíssimo e já chegou ao tricola às vias da aposentadoria.
Fui.