segunda-feira, 29 de junho de 2009

Seleção salvou meu final de semana

A essa altura do Campeonato Brasileiro, ocupando o último lugar e com dois jogos fora para fazer, o que eu vou dizer a respeito do outrora glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. A surra que o time tomou do Goiás em pleno Engenhão (4 a 1) me colocou a nocaute. O clube, como havia previsto em blogs anteriores, está no fundo do poço e – me parece – sem qualquer chance de reagir.

A segunda divisão está à vista e, dessa vez, pelo que percebo, o Botafogo não terá uma espécie de Palmeiras para ajudá-lo a recuperar sua posição entre os 20 da primeira divisão. Uma lástima.

Prefiro escrever sobre a Seleção Brasileira (foto) que conquistou uma vez mais, agora na África do Sul, o título de campeã da Copa das Confederações. É claro que os Estados Unidos não representam um adversário de respeito e tradição. Mas, em razão do andamento da partida, foi uma vitória heróica.

Perdendo de 2 a 0 no primeiro tempo, chegar aos 3 a 2 foi um feito espetacular. Particularmente, fiquei satisfeito que o gol da vitória foi de Lúcio, o capitão do time, um dos que envergam a camisa verde e amarela com maior empenho, coragem, dedicação e amor.

É verdade que o primeiro gol de Luís Fabiano, antes do primeiro minuto do segundo tempo, ajudou muito. Os americanos tomaram um susto e a partir daí o Brasil tomou conta da partida. Quase ao final, eu já estava esperando pela prorrogação – o que já seria um feito – mas Lúcio, após a cobrança de escanteio, foi preciso na cabeçada fatal.
E vejam que o goleiro americano, para surpresa minha, esteve muito bem o tempo todo, inclusive usando de malandragem na bola que entrou e ele enganou juiz e bandeirinha. Os jornais esportivos do mundo devem estar boquiabertos com o surgimento dos pentacampeões mundiais e tricampeões da Confederação.

A vitória sobre os Estados Unidos, da maneira como ocorreu, salvou meu final de semana, que estava liquidado com a goleada que o Botafogo tomou. E agora, o que fazer? Honestamente, não sei. Fico imaginando o jogo do returno, quando o Botafogo terá que ir ao Serra Dourada, carregando em seu currículo o espancamento que tomou em casa.

E digo a vocês, leitores, que de agora em diante não mais falo do alvinegro no Brasileiro. Não terei o que dizer. Prefiro voltar às minhas histórias de tempos mais gloriosos, que muitos gostam de ler para saber do verdadeiro e autêntico Botafogo – que não é esse que se arrasta na lanterna.

Hoje, especialmente, hoje, em razão das circunstâncias, meu blog é menor. Estou chocado com o placar de 4 a 1. Pode ser – não acredito – que o time reaja, mas acho isso muito difícil. Depois tentam negar a frase de que há coisas que só acontecem ao Botafogo. Mas ela é rigorosamente autêntica.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O novo selo contra roubo de carros

O número de roubos, furtos e depredações de automóveis no Rio de Janeiro aumenta a cada mês. Ou o carro é transportado para um desmonte – no qual suas peças são vendidas à bangu, ou simplesmente ele é clonado, com nova placa, e dá um trabalho gigantesco à Polícia Militar.

Por isso, um grupo de especialistas do Detran, após longos meses de estudos, chegou à conclusão de que o selo (acima estampado) pode reduzir em 95% as queixas de proprietários nas delegacias espalhadas por toda a cidade.

Trata-se de um selo que, colado no vidro dos automóveis, deve diminuir brutalmente essas ocorrências policiais. O selo – ou plástico – ainda não está disponível, mas a partir do mês que vem fará parte integrante da vistoria dos automóveis que forem renovar seu IPVA. Mesmo que o proprietário do veículo não goste das cores – inspiradas em rituais do candomblé – ele será de uma utilidade inestimável na proteção contra roubos.

Vou encomendar dois: um para o meu carro, outro para minha bicicleta. O selo, digamos assim, funciona como uma espécie de salvo-conduto contra a bandidagem que anda solta pelas ruas e vielas da cidade, que já foi Maravilhosa.

Há alguns anos, o Kharman Ghia do comentarista Sérgio Noronha, hoje na Rede Bandeirantes, obviamente não era portador do novo selo que será obrigatório. Mas o carro foi logo encontrado, intacto, graças a um gigantesco escudo do clube da cruz de malta que trazia em seu vidro traseiro.

Mas os tempos agora são outros, principalmente para aqueles que vão comprar um veículo zero quilômetro, aproveitando os últimos dias da ausência do IPI. Não se trata de preferência por esse ou aquele clube. Trata-se de uma espécie de seguro obrigatório que todo proprietário deve colar no vidro traseiro – de preferência – pois será logo identificado.

Muito mais útil do que o já tradicional bafômetro – com conseqüências imprevisíveis –o novo selo permitirá ao proprietário do veículo que ultrapasse, incólume, a qualquer das batidas policiais espalhadas pela cidade. Mas o selo não pode ser pequeno: tem que ser enorme, para ser visto não só pela bandidagem como, também pelos policiais.

Particularmente, considero a invenção do Detran algo de inacreditável. Até porque levou anos para ser aprovada. Muitos elementos da comissão não o queriam aceitar, mas concluíram que era a melhor solução. Grande sacada.

Por fim, se for dirigir – à noite, principalmente – pode beber à vontade mas jamais se esqueça do selo de segurança. É uma advertência especial e deve ser obedecida por gregos e troianos. Eu, como já disse, aprovo a idéia.

domingo, 21 de junho de 2009

A ficha custou a cair


Para começo de conversa, confesso que sou supersticioso, especialmente em relação ao Botafogo. Mas jamais aceitei a história dos 21 anos sem ganhar um título. Se o Glorioso fora campeão em 1968, naquele 21 de junho de 1989 ele estava há 20 exatos anos sem levantar o Campeonato Carioca. Fecharia 21 se perdesse para seu grande rival no Rio. Aí sim, completaria o número que se transformou em cabalístico para os alvinegros. Mas naquela noite de quarta-feira, estava confiante, embora tivesse pela frente a tarefa de editar as páginas de esporte da Tribuna da Imprensa, na Rua do Lavradio.

À tarde, recebi um telefonema do amigo Márcio Guedes, na época comentarista da TV Manchete. Márcio estava pessimista e me disse que estava com vontade de não ir ao jogo. Disse a ele que fosse por dois motivos: primeiro, porque o Botafogo seria campeão; e, segundo, porque estava obrigado a comentar a partida ao lado do narrador Paulo Stein. Creio que Márcio, ainda no Leme, onde mora até hoje, ganhou certo estímulo, tanto é que estava ao microfone quando a decisão começou. Valeu a pena.

Preso ao trabalho – como ocorreu no Brasileiro de 1995 – assisti ao jogo pela televisão na sala do diretor do jornal Hélio Fernandes Filho e deixei com o companheiro Arthur Parahyba (1920-2004) a tarefa de redigir o que estava acontecendo no Maracanã. Ou porque estava trabalhando ou porque tinha um horário rígido para fechar a página, não me recordo de grandes emoções na hora em que Maurício, aproveitando o cruzamento de Mazolinha, marcou o gol de vitória aos 12 minutos do segundo tempo. Creio que achei cedo demais para comemorar a vitória e o título de campeão.

A ficha só foi cair quando cheguei em casa e queria, de todo o jeito, ir a General Severiano comemorar o fim de um jejum tão longo. Mas já era tarde e minha mulher me convenceu a ficar sossegado, assistindo aos teipes pela televisão. Só dias depois, fui a algumas comemorações, uma delas, no domingo seguinte, num bar em Copacabana e outra num restaurante, com os jogadores, em um jantar numa churrascaria. O Botafogo, finalmente, me tirara das costas um peso que carregava há duas décadas e me dera ânimo para que o clube seguisse no caminho das vitórias, como ocorreu em 1990.

Hoje, tanto tempo depois, aquela minha alegria arrefeceu. Não me conformo, de jeito algum, em aceitar a perda, três vezes seguidas, do título carioca para o mesmo Flamengo, em 2007, 2008 e agora em 2009. O Botafogo do meu tempo era mais Botafogo, carregava uma multidão ao Maracanã e rivalizava com o Santos, apontado como o melhor time do Brasil. E não posso me queixar da década de 90, quando o clube mantinha uma equipe forte, vencedora e conquistava novos torcedores.

Serei Botafogo até o apito final de minha vida, nos estádios, na televisão e até pelo rádio. Fui Botafogo até mesmo na segunda divisão, marcando presença no Caio Martins. Mas as três sucessivas derrotas justamente para o Flamengo fizeram com que o ano de 1989 ficasse um pouco escondido no meu coração. Jamais me conformarei com isso. Por quê? Porque o Botafogo, há mais de seis décadas, é o meu maior amor imaterial.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O ‘Forró de Curitiba’


Domingo, quando liguei a televisão, juro pela minha mãe mortinha – até porque ela já se foi – que pretendia torcer pelo Clube da Beira da Lagoa, aliás, Flamengo. Estava empolgado com a escalação do Imperador no ataque rubro-negro, ele que manda e desmanda em todas as comunidades cariocas. Torcia, também, pelo Juanito das Candongas, aquele lateralzinho que gosta de meter medo em seus adversários. E, também, pela camisa vermelha e preta, embora os ‘inimigos’ achem que ela parece pano de macumba. Mas tudo bem. Ajustei a TV Fla no Canal 4 e fiquei à espera de uma surra naquele time de Curitiba, que seus torcedores apelidaram de ‘Coxa’.

De repente me lembrei que tenho, na capital do Paraná, um amigo de um amigo de um tio meu – gente finíssima, que torce pelo Coritiba. Aí, mesmo contra a vontade, passei a querer que o Coritiba aplicasse no Flamengo um novo forró, desta vez o ‘Forró de Curitiba’, Afinal estamos em junho e os paranaenses – como todo o povo brasileiro – comemoram as datas juninas. E aconteceu o que todo mundo viu. O Coritiba esculachou o time do Urubu, metendo 5 a 0 nos peitos da turma da Praia do Pinto.

Fui dormir contente, imaginando a alegria do amigo do amigo do meu tio. Mas confesso que, da próxima vez – juro pelo meu pai mortinho – até porque ele já se foi também – que darei mais uma oportunidade ao Flamengo, que está sempre na TV Globo. Aliás, O Globo, na segunda-feira, abriu em manchete ‘Derrota inaceitável’.

E eu pergunto por quê? O Globo quis dizer que o Flamengo – também chamado de Simpaticíssimo e Mais Querido – não pode ser esculachado? Fiquei sem entender a manchete.
O Flamengo, por acaso, é inderrotável? O Bruno não é o melhor goleiro do Brasil? O Imperador de Vila Cruzeiro não é o tal – que não treina de manhã porque tem atividades noturnas? Tenham paciência. Ele tem compromissos.

O ‘Forró de Fortaleza’ já está longe no calendário esportivo e foi aplicado pelo Botafogo no Castelão no time de Romário, o ‘Marrentinho’. Por que o Coritiba não poderia repetir a façanha? A cada gol do ‘Coxa’, esquecido de que pretendia torcer pelo Mais Querido, dei gritos medonhos, que assustaram todo o condomínio e que me valeram uma advertência do síndico, que, por falta se sorte minha, frequenta a Praia do Pinto.

Mas, como diria João Saldanha, vida que segue. Outros forrós virão por aí, pois o Brasileiro está só começando. Mas, pelo menos a princípio – desde que não tenha amigos de amigos de meus parentes – sempre estarei disposto a dar uma força àquela camisa de umbanda. Tenho pelo Flamengo um carinho incomensurável. E não haverá de ser a reedição de um forró curitibano que afetará essa minha atitude – tomada de repente.

Mas que os 5 a 0 foram demais, isso foi. E por pouco o Mengão não toma de mais. Pena que a Globo tenha abaixado o som do olé – nem mesmo se referiu a isso – e que Júnior Capacete tenha comentado a partida. O gol contra, então, foi espetacular. Jamais havia presenciado uma jogada daquelas. E estou certo de que vascaínos e tricolores também ficaram com pena do rubro-negro.

Mas o importante foi a nova edição do forró, desta vez no Paraná.

domingo, 14 de junho de 2009

Que bandeira é essa, gente?


O Botafogo de Futebol e Regatas completará este ano 67 anos de fusão entre o Botafogo Football Club (1904) e o Club de Regatas Botafogo (1894). E, hoje em dia, carrega frases curiosas, como ‘Há coisas que só acontecem ao Botafogo’, ‘O Botafogo tem a vocação do erro’ e, bem mais recentemente, ‘Você não vale nada mas eu gosto de você’.

Particularmente, acho todas elas engraçadas e bem perto de verdadeiras, mas aprecio especialmente a que o poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) disse certa vez ao ex-ministro Santhiago Dantas (1911-1964) sobre a vocação do erro (ambos botafoguenses na época da fusão dos dois clubes).

Os leitores que me acompanham aqui neste blog haverão de perguntar: por quê? Logo agora que o Glorioso conquistou sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro, sobre o Santos? E eu, modestamente, como um apaixonado pelo clube há mais de seis décadas – desde os tempos de Heleno de Freitas e Tovar – trato logo de explicar. Por que o site do clube publica uma foto de nossa linda bandeira ao contrário? Ao que me consta, o quadrilátero negro com a belíssima estrela solitária fica à esquerda e não à direita como o site exibe, na visita de proprietários ao belo Engenhão.

Honestamente, não consigo entender como ninguém percebeu o grosseiro equívoco, até porque não tenho idéia de quem bolou a foto que ilustra meu blog. Conheço alguns integrantes do departamento de marketing, como Paloma e Vivian, além do assessor de imprensa, meu ex-companheiro José Antônio Gerheim, botafoguense de coração, e não a antiga assessora, Mariúcha Moneró, declaradamente tricolor, que mandava e desmandava no site que, à época, levava o nome de ‘Botafogo no Coração’.

Recentemente, uma pesquisa no Brasil e uma revista japonesa elegeram o escudo do Botafogo como o mais bonito do mundo, pela sua simplicidade e comunicação imediata. Aliás, a estrela solitária (que vem do Club de Regatas Botafogo) não é bem uma estrela e sim o planeta Vênus, que brilhava no céu quando os remadores saíam para treinar em seus barcos. Creio que o erro seria o mesmo se os escudos da camisa alvinegra – inspirada na do Juventus de Turim – fossem entregues pelo fabricante no lado direito dos uniformes, ou seja, do lado oposto.

E é bom que se diga, para não dizer que fantasio fatos alvinegros, que a camisa com o novo escudo da estrela solitária apareceu pela primeira vez num simples treino em General Severiano. Querem saber quando? Pois muito que bem: a 19 de janeiro de 1943, pouco mais de um mês depois da fusão.

Que o fotógrafo ignorasse a posição correta da bandeira, ainda admito. Mas será que ninguém percebeu o erro entre todos que pisavam o gramado do Engenhão? Depois alguns torcedores reclamam da frase de que ‘há coisas que só acontecem ao Botafogo’. Pois é, mas aconteceu. E vai acontecer sempre que não estiver na hora um botafoguense de coração, daqueles que sabem de tudo, até dos 100 anos dos 24 a 0 sobre o Mangueira, recorde absoluto e praticamente inigualável no futebol brasileiro.

Ainda bem que vencemos o Santos. Pelo menos surgiu uma luz no final do túnel. E, sinceramente, espero que não seja o farol de uma locomotiva que vem em sentido contrário.



quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nílton e o irmão Nílson dos Santos



Vocês, que têm o costume de frequentar o meu blog querem que eu fale do Botafogo atual? Pois muito que bem: o Botafogo atual não existe e caminha a passos largos para retornar à segunda divisão. E de lá, se São Carlito Rocha das Gemadas não ajudar, ressuscitar o Biriba e o Neném Prancha, vai ser uma parada dura de roer para retornar à elite. Por isso, embora o Botafogo não preste mas eu gosto dele, vou retornar algumas décadas para falar num assunto que poucos sabem – a não ser Pedro Varanda, a verdadeira enciclopédia viva do Botafogo de Futebol e Regatas.

Vocês sabiam que Nílton dos Santos teve um irmão, Nílson Luiz dos Santos, que chegou a jogar com ele no time principal? Não? Pois saibam que teve (foto no Maracanã), no curto período de 1956 e pouco antes do Campeonato Carioca de 1966. A estréia de Nílson dos Santos (sem o irmão) ocorreu a cinco de agosto de 1956, num amistoso em Minas diante do Social e venceu por 6 a 2. O time? Lá vai: Amauri, Orlando Maia, Thomé e Rubens Bimba (Nílson Santos); Bob e Bauer (Pampolini); Garrincha, João Carlos, Mário Mimi, Paulo Catimba Valentim (estreando também), Alarcón e Hélio Boca de Sandália (apelido que Sandro Moreyra (1919-1987) deu ao nosso ponteiro-esquerdo durante uma excursão à Europa em 1955.

Mas Nílton e Nílson, por exemplo, jogaram juntos no time que derrotou o Bonsucesso por 2 a 0, no Maracanã, a oito de dezembro de 1956. Querem a escalação? Lá vai: Amauri, Nílson Santos, Abigail e Nílton Santos; Pampolini e Juvenal; Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Gato e Neivaldo, meu amigo que se foi tão cedo. Mas Nílson Santos também viajou com outrora Glorioso – não esse bando que se arrasta por este ano de 2009 – numa excursão à Venezuela (ainda sem Hugo Chávez). O Botafogo superou o Sevilha da Espanha por 2 a 0 e formou com Amauri, Beto, Domício e Nílson Santos; Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Édson Praça Mauá e Quarentinha (que tinha regressado do imbecil empréstimo ao Bonsucesso).

Mas Nílson Santos ainda resistiu até 1956, quando o Botafogo venceu o Ferroviário de Fortaleza (3 a 0), com a seguinte equipe: Cao, Joel Martins, Nagel, Adevaldo e Paulistinha (Nílson Santos); Élton e Luiz Carlos Theodoro (Eliseu); Dagoberto (Jorge), Humberto, Sicupira e Jerônimo.

Como se vê, Nílson Santos tentou seguir os passos do irmão (hoje com 84 anos completados a 16 de maio passado), mas não teve sorte ou futebol para isso. De qualquer jeito, é sempre bom lembrar o Botafogo era um time – hoje é um aglomerado – que jogava e excursionava pelo Brasil e exterior. E que a Enciclopédia do Futebol Brasileiro teve um irmão que jogava a seu lado, tentando uma carreira. Vocês sabiam disso? Eu tive a sorte de ver Nílson jogar nos aspirantes em General Severiano. E vocês?

Só lhes restou esse Botafogo à beira do abismo. E que abismo, leitores...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Polícia eficiente em Recife



É óbvio ululante, como diria meu amigo Nélson Rodrigues (1912-1990) que os leitores desse alvinegro blog esperam que eu fale do Botafogo. Mas que Botafogo? Esse bando que além de perder três vezes do Flamengo (2007-2008-2009) no Campeonato Carioca anda a beira do abismo da segunda divisão do Campeonato Brasileiro? Se falo mal, como já falei mil vezes, os ‘anônimos’ da vida, covardes e sem peito de colocar seus e-mails, vão me esculachar. Se fico em cima do muro, dizem que estou protegendo Maurício Assumpção e a nova diretoria. Falar bem, é claro, não posso. Então vamos deixar o Botafogo cair tal qual um balão apagado e fica o dito pelo não dito. Perder do Fluminense foi demais para minha paciência.

No jogo do Mais Querido em Recife – o Sport passou por cima da urubolândia – quatro torcedores do Simpaticíssimo dirigiam-se ao estádio, acompanhados por um cachorro, quando a polícia pernambucana decidiu dar uma geral na rapaziada. Todos foram encostados à parede e revistados, pois pareciam armados. O pobre do cachorro, acostumado às estripulias de seus proprietários, também se enquadrou e ficou à espera da revista. Por sorte, todos foram liberados e puderam assistir ao baile que o Sport promoveu em seu estádio, virando um placar de 2 a 0 contra para 4 a 2 a favor.

Mas que a atitude do cão rubro-negro foi elogiosa, isso foi.

Quanto à Seleção Brasileira – sigo recusando-me a tocar no assunto Botafogo – deu um belo passeio em Montevidéu, no Estádio Centenário. Mesmo com a catimba de sempre, os uruguaios acabaram perdendo, com sobras, uma invencibilidade diante do Brasil que chegava a três décadas. Estive certa vez no Centenário e é realmente um alçapão. Mesmo com times inferiores à Seleção Brasileira, eles, os uruguaios, sempre foram marrentos e brigões, sustentando resultados durante tanto tempo. Agora teremos pela frente o Paraguai – velho freguês de caderno – em Recife. Tomara que o time brasileiro torne a mostrar coragem e disposição, como ocorreu diante do Uruguai. Aí estaremos próximos da classificação.

Não se esqueçam, porém, que teremos que encarar a Argentina de Maradona em Buenos Aires. E lá, com aquele povão todo aos gritos, será um osso duro de roer. Mas haveremos de conseguir um bom resultado.


(*) Em tempo: o famoso Imperador Adriano – Imperador da Vila Cruzeiro – jogou em Recife? Eu não o vi em campo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

À beira do abismo abissal


Acredito piamente que os leitores alvinegros que me acompanham aqui neste blog estão estranhando o meu silêncio em relação ao Botafogo. Pois eu lhes digo, sinceramente, que tudo o que tinha a dizer sobre o Glorioso já foi escrito aqui. Recebi mais de uma dezena de críticas de torcedores alvinegros me chamando de derrotista e pessimista. E eu, então, lhes pergunto: o que falar mais do Botafogo, beirando a zona do rebaixamento, depois do bisonho empate de 2 a 2 com o Sport Recife no Engenhão? Nada, rigorosamente nada. E, repito, não é responsabilidade do novo presidente, que encontrou o Botafogo demolido com a saída de vários jogadores importantes, que formaram, durante pelo menos dois anos a base do time.

Com o elenco que tem – apesar dos retornos de Juninho e Lúcio Flávio – o Botafogo do meu coração não tem elenco para disputar um Campeonato Brasileiro tão difícil com jogos de ida e volta. O que vocês, leitores, queriam que eu escrevesse? Que o Botafogo vai reagir? Não acredito. Que lutará com todas as armas possíveis e impossíveis para escapar da segunda divisão? Afirmo que sim. Não me recordo – e olha que tenho mais de seis décadas de Botafogo nas costas – de uma equipe ser desfeita de uma hora para outra, às vésperas do Brasileiro. Fora Leandro Guerreiro, que tem sempre a minha admiração, não vejo nada de positivo no time.

Pode ser – vejam que escrevi pode ser – que com o retorno de Reinaldo as coisas melhorem um pouco. Mas é apenas uma hipótese. Aquele Botafogo do Campeonato Carioca, com Maicosuel e Reinaldo era um. Esse de agora é outro, embora os jogadores suem a camisa e se esforcem. Por ironia, Fahel (foto) empatou o jogo no final e deixamos de perder mais três pontos. Ser otimista numa hora dessas é ser mentiroso e enganador. E isso eu não sou. Agora o adversário é o Fluminense de Parreira. Teremos esperanças? Não sei. Acho que não. E, se tudo continuar como dante no quartel de abrantes, a segundona do Vasco nos espera mais uma vez.

Por fim, faço a mais fechada e absoluta questão de deixar claro que não respondo a anônimos. Nem adianta me remeter comentários. Anônimo é coisa de rubro-negro que quer destroçar o Botafogo. Os que me mandarem e-mail, responderei na medida do possível. Anônimos, não, em hipótese alguma. Anônimo é falta de coragem de assinar a crítica ou, vez por outra, elogio – para não se comprometer.

Vou ficar por aqui, gol a vibração de Fahel, pois o clube alvinegro não me ajuda. E não gosto de falar mal do clube que escolhi para torcer até o apito final.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O perigo ronda General Severiano


Há poucos dias, escrevi aqui neste alvinegro blog, duas coisas que irritaram os botafoguenses que me acompanham (e que sempre me deram a maior força). Disse que o Botafogo só voltou à primeira divisão graças a ajuda gratuita do Palmeiras – que manteve o time principal mesmo classificado – e que, este ano, agora de 2009, está novamente a caminho de ser rebaixado. Foi uma espécie de briga de foice no escuro. Recebi raivosos e-mails, (creio que de jovens botafoguenses), mas não dei importância.

Pois muito que bem – como diria meu eterno amigo Marcos de Castro: eis que o Glorioso já está na zona de rebaixamento (ocupa a 17ª colocação) e, mais do que isso, recebi de Pedro Varanda – a maior autoridade em matéria de estatísticas botafoguenses – e do leitor que se assina Chico da Kombi a confirmação do auxílio do Verdão na volta do Botafogo à primeira divisão. O Palmeiras, com sua equipe titular, fuzilou Sport Recife e Marília que andavam caçando o Botafogo para pular para a divisão principal.

Modéstia à parte, conheço meu clube na palma da mão.

Agora, através da amiga e companheira Malu Cabral, fiquei sabendo que Victor Simões já está criticando Ney Franco (foto) por escalá-lo numa posição que não é a sua. Em poucas e resumidas palavras, a bronca já desembarcou em General Severiano e só uma vitória sobre o Sport trará mais calma ao futebol do clube. Mas aqui mesmo e agora faço a mais fechada e absoluta questão de absolver o novo presidente Maurício Assumpção, que já pegou o clube aos frangalhos, após a administração (?) Bebeto de Freitas, aquele que queria se atirar da ponte.

O Botafogo, verdade seja dita, não tem elenco. A saída de Maicosuel e a contusão de Reinaldo – que não se cura nunca – escancararam essa realidade. Na decisão do Campeonato Carioca, diante do Clube de Regatas do Urubu, eles, os da Beira da Lagoa, tinham nada menos do que sete jogadores que conquistaram o bicampeonato justamente sobre o alvinegro. Pior: agora, em 2009, o técnico deles era simplesmente Cuca, banido do Botafogo por não impedir que os urubus conquistassem o bicampeonato.

E vou lhes confessar uma coisa: domingo, já antevendo uma derrota, nem assisti ao jogo contra o Grêmio. Preferi refrescar a cabeça numa festa de aniversário e não estou nem um pouco arrependido. E agora, com o time caindo pelas tabelas, quero ver quem vai se aventurar a ir ao Engenhão assistir a Botafogo x Sport?

Quem leva público a estádio é clube ganhador, com jogadores de valor e que encantam a todos com suas manobras. Pode ser, mas duvido muito, que eu vá queimar a minha língua. Mas esse Botafogo que aí está tem é que lutar – e muito – para não despencar de novo para a série B, como aconteceu com o Vasco.

E não me venham dizer que sou pessimista porque não sou. Com seis décadas de Botafogo no meu currículo, conheço muito bem meu clube do coração. Não foi à toa que o Botafogo passou 20 anos sem ser campeão – ganhou na 21ª disputa – justamente por ser uma casa de negócios. Se os outros também são, estou me lixando para eles. Eu quero o meu Botafogo vitorioso de volta. Só isso.
*Botafogo 24 x 0. Maior goleada do futebol brasileiro completa 100 anos dia 30

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Torci para o Inter. Tem explicação?


Todos os meus companheiros de jornalismo, rádio e televisão estão cansados de saber que sou um ‘cronista neutro’, na mais pura expressão da palavra. Trabalhei com José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, com Luiz Penido, na Rádio Tupi, e com Haroldo de Andrade, na Rádio Globo.
Todos (a não ser Haroldo que já se foi) podem atestar a minha absoluta isenção. Essa história de que sou fervoroso torcedor do Botafogo é o que chamo de ‘intriga da oposição’. Sempre torço para Flamengo, Fluminense e Vasco quando estes três gloriosos clubes enfrentam adversários não cariocas.


O fato de ter sido amigo íntimo de João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó e Luiz Mendes – para citar apenas estes quatro – não significa que seja adepto das cores alvinegras.
Certa vez, Nélson Rodrigues, que ficou meu amigo quando de minha passagem por O Globo, queria que eu assumisse um clube do coração, mas me neguei peremptoriamente. E Celso Itiberê, o editor de esportes na época, é uma de minhas mais abalizadas testemunhas, assim como Fernando Calazans e Renato Maurício Prado. A rigor, torço sempre pela vitoriosa Seleção Brasileira.


Outro dia, liguei a televisão para assistir ao duelo entre Internacional e Flamengo. E, confesso, queria que o ‘Mais Querido’ superasse o seu rival do Rio Guaíba. Foi então que de repente, não mais do que de repente, me recordei da beleza da Lagoa dos Patos e de uns longínquos parentes que ainda vivem em Porto Alegre, inclusive uma senhora que é amiga de uma amiga de minha tia Philomena. Aí não houve jeito. Passei a torcer pelo Inter, não por raiva do Flamengo, coitado, mas por uma lógica familiar. E vibrei quando Juanito das Candongas errou e permitiu o primeiro gol gaúcho.


A essa altura, eu já estava embrulhado numa toalha vermelha, cantando a música do Inter que imita o ‘Pelados em Santos’, dos infelizmente mortos ‘Mamonas Assassinas’. E quando o Inter marcou o gol da vitória, numa falta muito bem cobrada, dei um berro medonho que assustou todo o edifício onde moro. Vibrei pelos parentes, pela amiga da amiga de minha tia e de todos os colorados que conheço.


Foi uma reação estapafúrdia, bem sei, mas fui dormir feliz da vida com a eliminação do ‘Mais Querido’ da Copa do Brasil. Hoje estou com pena dos rubro-negros, principalmente de Juanito, sujeito disciplinado, que não xinga ninguém quando é driblado.


Confesso que foi a primeira vez que desprezei um clube do Rio, justamente o mais popular e o mais marrento de todos. Mas as coisas vão melhorar. Petkovic, aos 36 anos, já deixou a cadeira de rodas e vai dar um novo tchan ao Mengão.


E o Imperador? Se conseguirem tirá-lo da comunidade onde vive, será um sucesso total. Fiquei apenas com pena de Obina, um craque desprezado até pela torcida do clube. Obina me lembra Berico, que Jorge Cury queria levar para a Seleção Brasileira...


Mas dias melhores virão. Enxuguem as lágrimas, rubro-negros...

Casa de negócios (parte II)



Quando terminou o Campeonato Carioca de 1956, o Bangu, por razões que desconheço, decidiu vender seu maior astro, Zizinho. Amigo de Zizinho desde tempos remotos, Nílton Santos – que completou dia 16 deste mês 84 anos (foto) – procurou o dirigente Adhemar Bebiano e lhe fez a proposta:

- Doutor Bebiano, por que o senhor não compra logo o passe de Zizinho? Já imaginou o ataque do Botafogo com Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Zizinho e Quarentinha (Zagallo ainda era do Flamengo).
Adhemar Bebiano olhou Nílton Santos de alto a baixo e respondeu:

- Olha, Nílton, Zizinho jamais vestirá a camisa do Botafogo...
Nílton Santos quis saber a razão e Bebiano lhe deu uma resposta digna de figurar na história – longa e gloriosa história – do Botafogo:

- Num jogo aqui em General Severiano, em 1948, ele tentou chutar o Biriba (diga-se que o Botafogo venceu o Flamengo por 5 a 3 num jogo emocionante, pois chegou a estar perdendo de 3 a 1).

Quer queiram ou não, principalmente os torcedores mais jovens, essa é a imagem típica do Botafogo, uma bela casa de negócios. Não estou preocupado se Zizinho foi vendido ao São Paulo (pelo qual foi campeão de 1957) ou outros desfalques em clubes do Rio. O Flamengo, por exemplo, expulsou Jair Rosa Pinto, vendeu Zizinho ao Bangu e Pirillo ao Botafogo. O Vasco negociou Vavá (Atlético de Madri) e Orlando (Boca Juniors), além do craque Válter Marciano para os espanhóis. O Fluminense comprou e vendeu Ademir, perdeu Didi e vendeu Valdo para a Espanha. Tudo isso faz parte do jogo, mas como disse aquele ‘político’ de Brasília, estou me lixando para o que nossos adversários fazem com seus craques.

Meu negócio é o Botafogo, clube de minha irrefreável paixão. Não posso me queixar da ida do temperamental Heleno para o Boca Juniors pois era um garoto de calças curtas. Mas depois, ah, depois, sofri com Gato, Casnock, Arlindo Baiaco, Orlando Pingo de Ouro, Rodrigues Tatu, além de Joel, ponta-esquerda do Fluminense. O Botafogo vendeu Dino, Vinícius, Amarildo, Gérson, Luisinho Quintanilha, Paulo Catimba Valentim e só não negociou Garrincha com o Juventus, da Itália, porque o médico Nélson Senise (pai do músico Mauro Senise e avô de meu casal de filhos) vetou. Após um sério diagnóstico, na Clínica Pio XII, disse que Mané tinha artroses irreversíveis. O Juventus já acertara o preço: Cr$ 2 milhões.

E quais foram as maiores contratações? Didi (feita por João Sem Medo), Gérson e Zagallo. Mas Didi cismou e foi embora para o Real Madri e Gérson brigou com um dirigente, ao final de 1969, e foi ser campeão no São Paulo. Ficou Zagallo, que sempre direi que deu forma ao time, fixando um 4-3-3 revolucionário para a época. Mas e Jairzinho e Paulo César Lima? Para onde foram? Para o Marselha, da França. E Roberto Guerreiro Miranda? Simplesmente para o Flamengo. E Túlio Maravilha? Para o Timão, no dia da posse de José Luiz Rolim. Assim, queiram ou não meus jovens leitores, teremos que ficar com nossos 19 títulos, atrás de todos os outros grandes do Rio. E boto banca porque sofri os diabos. Como sofri...

Até a sede de General Severiano nós vendemos...Fomos parar em Marechal, Caio Martins e na Ilha do Governador.
Só faço questão fechada e absoluta de isentar o atual presidente, Maurício Assumpção, que nada teve a ver com a saída do ex-futuro ídolo Maicosuel. Por isso, não me cobrem otimismo.
E para terminar por hoje, só por hoje, para onde foram Mauro Galvão, Gottardo e Paulo Criciúma? Reclamem, chorem, mas essa é a mais pura das verdades: é uma casa de negócios com certeza, é com certeza uma casa de negócios (tomando emprestado a canção ‘Casa Portuguesa’.)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma casa de bons negócios



Um dos meus leitores, que vive na Bahia e é botafoguense apaixonado, me passou um e-mail desesperado após a terceira derrota consecutiva do alvinegro numa decisão contra o Flamengo. Respondi a ele que o Botafogo – não o atual, de Maurício Assumpção – sempre foi uma casa de negócios, alienando seus melhores atletas, principalmente artilheiros.
E a foto que ilustra este blog é uma prova disso. Lá estão Djalma Bezerra, Zizinho, Heleno de Freitas, Ademir e Nívio, vestindo a camisa da Seleção Carioca, no tempo do Campeonato Brasileiro de Seleções, extinto faz tempo.

E desde que me entendo como torcedor do Botafogo, a venda de ídolos começou na gestão de Carlos Martins da Rocha (1894-1981) que mandou embora para o Boca Juniors o maior ídolo do clube, Heleno de Freitas, no início da temporada de 1948.
Depois, quase que seguidamente, foram negociados Dino da Costa (Roma), Luiz Vinícius de Menezes (Nápoles), Paulo Catimba Valentim (Boca Juniors), Amarildo da Silveira (Milan), Didi (Real Madri), Gérson (São Paulo), Jair Ventura Filho e Paulo César Lima (Marselha), Wilson Gottardo (Flamengo), Mauro Galvão (Vasco), isso para não contar o desmonte do time perpetrado (bela expressão, não?) por Emil Pinheiro (1923-1001), e, logo após a posse de José Luiz Rolim, o ídolo Túlio Maravilha (Corinthians), além de Donizete (Vasco) e muitos outros.

O desmonte efetuado antes de Maurício Assumpção foi terrível. Foram embora os dois zagueiros (não me recordo do nome deles), Diguinho, Túlio, Wellington Paulista, Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio e, a rigor, só ficou o heróico Leandro Guerreiro.
Basta dizer que o Flamengo, que nos derrotou três vezes seguidas em finalíssimas (duas por pênaltis) colocou em campo, agora em 2009, nada menos do que sete tricampeões pela terceira vez.
O que poderia fazer Assumpção diante da fuga de quase todo o elenco? Nada, rigorosamente nada. Assim como nada poderá fazer contra a saída de Maicosuel, diante da proposta miliardária recebida do exterior pela Traffic?
O Botafogo, que me perdoem os mais fanáticos, é uma casa de negócios, tanto é que até a sede já vendeu para a Vale do Rio Doce e só a recuperou por manobras políticas feitas por Carlos Augusto Montenegro e o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Caso contrário, ainda estaria escafedido para Marechal Hermes, na gestão Charles Borer (1929-2001), que ainda fez o favor de mandar para o Fluminense Marinho Chagas numa troca para lá de mal sucedida. Ou então Caio Martins.
O resultado? Todos sabem, o famoso e temido ‘Time do Camburão’, assim batizado por meu amigo Deni Menezes, formado na época de Charles Macedo Borer.

O que esperar agora nesse imenso Campeonato Brasileiro – que só dá lucro à CBF e às companhias de aviação? Eu, por mim, confesso, só torço para que o Botafogo não caia como o Vasco para a segunda divisão. Pois se cair, de lá não mais sairá.
Saiu daquela vez com a ajuda do Palmeiras. Mas e agora? Com esse time que aí está? Duvido.
E os que discordarem de mim o espaço está aberto para debater a famosa Casa de Negócios.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vida que segue’ (João Saldanha)



Se João Saldanha (1917-1990) estivesse vivo, comentando os jogos pelo rádio, não ficaria abalado com a terceira perda consecutiva do título estadual para o Flamengo (dois deles decididos nos pênaltis). Diria, simplesmente, uma de suas frases favoritas: “Vida que segue...” João realmente teria razão.
Nas cinco decisões do velho Campeonato Carioca, o Botafogo venceu duas (1962-1989) e perdeu três (2007-2008-2009). Uma coisa, porém, é absolutamente certa: jogando com um time mais do que improvisado, o Botafogo fez muito mais do que eu mesmo esperava. Sem dois de seus três tenores – Maicosuel e Reinaldo – o time por pouco na ganha a final, não fosse o tenor presente chutar tão mal o pênalti cometido pelo Flamengo.

Dei a mim mesmo um período de repouso, no blog, para não escrever algo que não fosse a verdade, somente a verdade, não mais do que a verdade. E a verdade, absoluta e irretocável, é que o Botafogo não tem banco, embora tenha feito um segundo tempo praticamente irretocável. Pena que as cobranças de pênaltis tenham sido tão bisonhas, lembrando a decisão do Fluminense contra a LDU, com Washington, Conca e Thiago Neves. Juninho e Leandro Guerreiro – o melhor jogador do Botafogo na competição – foram simplesmente ridículos na hora de decidir a partida.

Uma coisa faço a mais absoluta questão de ressaltar: em nenhum momento os jogadores do Botafogo provocaram o lateral rubro-negro Juan, que, além de cometer uma falta grosseira em Maicosuel, no jogo anterior, ainda o ameaçou verbalmente sem que o juiz, além do cartão amarelo, não lhe aplicasse um vermelho pelo gesto. Do início ao fim o Botafogo jogou lealmente e saiu de campo derrotado sem um único e escasso gesto de vingança contra Juan, o que certamente provocaria um conflito generalizado no gramado do Maracanã.
O Botafogo perdeu? Vida que segue. Outros campeonatos virão e as possibilidades de êxito serão rigorosamente iguais.

Faço, aqui, a mais absoluta questão de registrar o elegante e-mail que recebi do rubro-negro José Luiz – um dos raros a não se esconder sobre o pseudônimo de ‘anônimo’. Gostaria de dizer a José Luiz que os termos que utilizo em meu blog não representam exatamente o que sinto. São provocações que faço desde a década de 90 em minha coluna ‘Preto no Branco’ no praticamente falecido Jornal dos Sports.

Como filho de rubro-negro – que sempre respeitou minha escolha – escrevo frases e adjetivos para dar, digamos assim, uma espécie de polêmica no blog. Mas como lhe prometi, faço aqui o registro de seu e-mail educado e bem escrito. Aliás, diga-se de passagem, foi o único que se identificou e escreveu de maneira ponderada, explicando seu amor pelas cores rubro-negras.

Quanto à sequência de vice-campeonatos, o Flamengo tem quatro, a saber 22-23-24, 36-37-38, 82,83-84 e, por fim, 87-88-89, este último com o astro Zico em campo e dirigido pelo técnico Telê Santana da Silva (1931-2006), no jogo do gol de Maurício.

E para terminar por hoje, só por hoje, de acordo com Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol, o Botafogo aparece no 84º lugar, enquanto o Flamengo surge no 144º.
O primeiro clube brasileiro na lista é o São Paulo Futebol Clube.

Mas vem mais comentários por aí. Eu estava de férias forçadas.

sábado, 2 de maio de 2009

Botafogo desde 1904


Minha frase é: O BOTAFOGO, MINHA MAIOR PAIXÃO IMATERIAL.

Ele é que mantém vivo.


Vou então falar na totalidade de jogos do Botafogo de 1904 até 2008.


Só tenho estes números graças à dedicação de Pedro Varanda a quem chamo de Marechal Varanda e a quem considero a maior autoridade sobre o Botafogo – depois de Alceu Mendes de Oliveira Castro, autor do livro “O Futebol no Botafogo – 1904-1950”.


De 1904 até Novembro do ano passado, o Botafogo de Futebol e Regatas (nome que o clube adotou a oito de dezembro de 1942, ao fundirem-se o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo Futebol Clube) disputou 4.869 partidas no Brasil e no mundo. E seu aproveitamento, em percentuais, é o seguinte:

vitórias – 50,40%

empates – 24,17%

derrotas – 25,42%

Estatisticamente, o Botafogo sempre entra em campo com chances (de não perder) de

74,57%!

Vamos em frente?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Deuses do futebol com a palavra final

por Roberto Porto para o ESPN

Neste domingo, finalmente, o Rio de Janeiro ficará sabendo quem é o campeão estadual de 2009:

Flamengo ou Botafogo?

O Flamengo, apesar do bisonho empate de meio de semana com o Fortaleza, em Volta Redonda, é o favorito da crônica esportiva. Além de lutar pelo seu quinto tricampeonato estadual – superando o Fluminense na conquista de títulos no Rio – tem um time mais bem definido e uma coisa que o adversário não tem: banco. Além disso, sua equipe vem jogando junta há algum tempo e tem conjunto.

Já o Botafogo vive um drama: seu melhor jogador, Maicosuel, sofreu uma lesão muscular e está vetado. Outra dúvida é Reinaldo, que torceu o tornozelo no primeiro jogo da final (empate de 2 a 2) e se entrar em campo certamente atuará à meia-bomba – como se diz na gíria esportiva.

O técnico Ney Franco, como diria Nélson Rodrigues (1912-1980) vive um drama em 10 atos e 30 apoteoses. E mais: em 2007 e 2008 o alvinegro perdeu a final para o rubro-negro.

Só os deuses do futebol sabem quem será campeão.

O jogo terá uma espécie de faísca que poderá colocar fogo em tudo: a atitude irresponsável do lateral rubro-negro Juan, que depois de tomar um drible desconcertante de Maicosuel, cometeu uma falta desleal e o ameaçou verbalmente como provam fotos e teipes de televisão.

Se os jogadores do Botafogo mantiverem a cabeça no lugar, é possível que nada ocorra. Mas se o Flamengo estiver na frente do placar e a um passo do título, Juan poderá ser agredido e não haverá juiz que consiga interromper o tumulto.

Um detalhe surpreende os demais torcedores: por que Fluminense e Vasco estão como cartas fora do baralho há três anos? Difícil responder.

O Fluminense tem um excelente patrocinador e o Vasco, hoje de Roberto Dinamite – Eurico foi finalmente defenestrado – conseguiu cumprir uma boa campanha até ser goleado (4 a 0) pelo Botafogo numa das semifinais.

Apenas do ponto de vista de decisões do Campeonato Estadual, Botafogo e Flamengo estão empatados: o Botafogo venceu duas (1962 e 1989) e o Flamengo a mesma coisa (2007-2008).

Mas levando-se em consideração de outras competições, o Flamengo leva larga vantagem, desde 1991. É um jogo à feição para aqueles que gostam de apostas. Particularmente, porém, torço para que não haja expulsões e agressões.E torço, também, para que haja uma arbitragem limpa, sem favorecimentos para este ou aquele time.

Mas aí, como já frisei, a resposta estará nas mãos dos irrequietos e volúveis deuses do futebol.

Botafogo x Flamengo não é o clássico das multidões (Vasco x Flamengo) nem o de maior charme (Flamengo x Fluminense). Mas é, sem sombra de dúvida, o clássico de maior rivalidade no atual futebol do Rio de Janeiro.

Que o público possa apreciar um espetáculo para figurar na história.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O famoso Jogo do Senta


Meu tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) detestava o Mais Querido e eu custei a saber a razão. Esportista – aplaudia os adversários quando entravam em campo – não vaiava os jogadores do Botafogo e apenas ficava cabisbaixo nas derrotas. Militar, não podia admitir que um clube não soubesse perder.

Até que um dia – faz tempo isso – me relatou o verdadeiro mico que o Simpaticíssimo pagou em General Severiano, com seus jogadores sentando em campo aos 31 minutos do segundo tempo, para espanto e estupor (termo que aproveitei de um cruzmaltino) de jogadores, dirigentes e torcedores do Glorioso alvinegro.

Mas, afinal de contas, o que teria acontecido de tão marcante há tantos anos – mais de seis décadas – precisamente na tarde ensolarada de um domingo, 10 de setembro de 1944?

Em sua inexorável marcha para a conquista de seu primeiro tricampeonato, após o discutido gol de Valido, na Gávea, na decisão contra o Vasco, o Mais Querido, até aquele dia, que entrou para o folclore do futebol carioca, perdera apenas dois jogos: o primeiro, diante do América, e o do final do turno, para o Vasco. Mas, na segunda rodada do returno, a tabela marcara um Botafogo x Flamengo para General Severiano.

Para os alvinegros, seria a oportunidade de vingança dos 4 a 1 que sofrera na Gávea, no turno. Para os rubro-negros, a confiança era absoluta. O otimismo em relação à conquista do terceiro título seguido. E General Severiano pegou um público extraordinário.

Com arbitragem de Aristides Figueira – o popular Mossoró – os times entraram assim em campo:

Simpaticíssimo – Jurandir, Newton e Quirino; Biguá, Bria e Jaime de Almeida; Nilo, Zizinho, Pirillo, Sanz e Jarbas;

Botafogo – Ari, Laranjeira e Ladislau; Ivan, Papeti e Negrinhão; Lula, Geninho, Heleno de Freitas, Valsecchi e Valter.

O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Botafogo, gols de Heleno e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas) mas, aos 31 minutos, Geninho fez o quinto gol.

Começaram então as reclamações de jogadores e dirigentes rubro-negros. Para o “Esporte Ilustrado”, a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Para Mossoró, também.

Já os jogadores do Mais Querido, Jurandir à frente, garantiam que a bola se chocara contra o travessão e voltara ao gramado. Por incrível que pareça, para muitos torcedores do Botafogo, atrás da baliza à direita das sociais, onde mais tarde surgiriam a Avenida Pasteur e o Túnel do Pasmado, a bola explodira dentro do gol mas batera no ferro que sustentava a rede.

Formado o tumulto – com os alvinegros batendo bola à espera do reinício da partida – os jogadores do Simpaticíssimo, obedecendo ordens vindas do banco e dos dirigentes Marino Machado e Francisco Abreu, simplesmente sentaram-se em campo.

Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se para os vestiários. Na súmula, Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pela federação como 5 a 2 para o Botafogo.

Durante a semana, a reclamação dos responsáveis pelo departamento de futebol do Flamengo prosseguiu. E os jornais, ironicamente, passaram a chamar a partida de O Jogo do Senta.

É claro que com os recursos da televisão de hoje a dúvida seria tirada momentos após o chute de Geninho. Mas, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas captaram o lance.
O resultado é que durante muito tempo o debate seguiu acalorado.

Para o Mais Querido, porém, foi apenas um tropeço – inesperado, obviamente – na rota para o tricampeonato. Para os torcedores botafoguenses, porém, apesar da vitória de 5 a 2, ficou um travo amargo na garganta. Numa época romântica e cavalheiresca como aquela, era imperdoável o adversário não aceitar uma derrota, principalmente por tantos gols de diferença.

Talvez esteja aí a origem da rivalidade que atravessa gerações.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Botafogo 2 x 2 Flapito


Antes de comentar a partida que terminou com um 2 a 2 , no Maracanã, faço a mais absoluta e fechada questão de registrar a covardia e a canalhice do torcedores do Clube da Beira da Lagoa – refiro-me somente aos semi-alfabetizados – que, na falta do que fazer, escrevem comentários sobre meu blog, escondendo-se, escrotamente, sob nomes falsos ou anonimatos. Com raríssimas e honrosíssimas exceções – royalties para Helio Fernandes, da Tribuna da Imprensa – eles inventam pseudônimos e não colocam seus e-mails. Por quê? Por que têm medo de minhas respostas à altura? Pode ser.

Todos ironizam o Botafogo e a mim, valendo-se, quase sempre, de palavras de baixo calão, parecendo integrar um grupo que meu irmão Maurício Porto chama de patota de maria-vai-com-as-outras. Escrevem num português de pré-primário, cometendo erros ridículos, dignos de reprovação na pior das piores escolas públicas da cidade, se é que as frequentam. Querem um exemplo: outro dia um imbecil escreveu ‘esplicar’e seria reprovado de estalo no programa ‘Soletrando’ apresentado na Rede Globo no programa de Luciano Hulk. Em resumo, além de canalhas são burros.

Bem, vamos ao jogo apitado por Djalma Beltrami, aliás Rodrigo Sá, mais um soprador de apito escalado para dirigir um clássico decisivo do Campeonato Estadual do Rio. Beltrami, alías Rodrigo Sá, inventou um pênalti de Alessandro em Juan e deixou de marcar dois, ainda na primeira etapa, sobre Reinaldo e Maicosuel. E mais: não expulsou o marginalzinho Juan, que depois de levar um drible desmoralizante de Maicosuel ainda o ameaçou como provou a televisão e a foto publicada por O Globo, como se isso não fosse motivo de expulsão sumária. A atitude do lateral do Clube da Beira da Lagoa quase provoca um tumulto generalizado entre os jogadores.

Se Reinaldo e Maicosuel não tivessem sido tão perseguidos em campo, o Botafogo, de domingo, teria demolido o Clube da Beira da Lagoa. O que fez Beltrami, aliás, Rodrigo Sá? Nada, rigorosamente nada. Inventou dezenas de faltas cometidas por jogadores do Botafogo e ignorou todas as perpetradas (os leitores rubro-negros não conhecem o verbo perpetrar) pelos jogadores do Clube da Beira da Lagoa. Daqui deste espaço, adverti Maurício Assumpção sobre o que ocorreria no jogo. Se ele tomou providências, não posso dizer. Sei apenas que está tudo armado para que o Clube da Beira da Lagoa – onde ficava uma favela perigosa – para que o rubro-negro conquiste uma vez mais o título do Rio, roubando o Botafogo.

Se jogar completo – o que hoje parece impossível, de tanto que apanharam Reinaldo e Maicosuel – o Botafogo atropelará o Simpaticíssimo. Mas, desfalcado, tenho sérias dúvidas. De uma coisa tenho certeza: os comentários a respeito de meu blogspot continuaram com os nomes falsos e anônimos – com receio de que eu os responda e minha amiga e irmã Malu Cabral não consiga censurar. Quem sabe se Beltrami e Moutinho não se escondem por trás desses anonimatos? E, agora, estarão reforçados pelo soprador de apito Rodrigo Sá. Quem se protege atrás de anonimatos é no mínimo um baita de um calhorda, covarde e quase um bandido.

(*) O colunista de O Globo, Fernando Calazans, rubro-negro de quatro costados, foi, pelo menos até agora, o único que duvidou do suposto pênalti de Alessandro no cafajeste Juan, que gosta de ofender que está caído em campo.

sábado, 25 de abril de 2009

Roberto executa o Mais Querido

Naquele distante domingo, 13 de dezembro de 1964, o Botafogo, embora dono de um excelente elenco, pouco ou nada tinha que fazer diante do Mais Querido, campeão carioca do ano anterior. O Glorioso, a rigor, o mais que podia era derrotar o adversário e deixar o título para ser decidido apenas entre Bangu e Fluminense numa melhor de três. Havia, porém, um motivo sentimental à parte: Nílton Santos decidira que aquela seria sua última partida oficial pelo Botafogo no Maracanã, já que havia uma outra, amistosa, para cumprir na Bahia, por força contratual. Aos 39 anos, Nílton, atuando como quarto zagueiro, já não sentia motivação para seguir em sua jornada.

Antes do início da partida, o Simpaticíssimo ofereceu uma salva de prata a Nílton Santos, como homenagem à sua vitoriosa carreira, iniciada em 1948, como lateral-esquerdo de um time que entrou para a história do Botafogo. O encarregado de entregar a salva de prata a Nílton Santos foi o jornalista-empresário Drault Ernani Filho, rubro-negro mais do que ferrenho. Drault, inclusive, foi de uma infelicidade à toda prova no momento em que ele e Nílton saíam juntos do gramado, pois o jogador iria entregar o troféu no túnel alvinegro. E, sabendo que o jogo seria decisivo para as pretensões de seu clube, disse uma frase que Nílton Santos considerou ofensiva:

— Veja lá o que você vai fazer em campo hoje, Nílton...

Nílton Santos foi curto e grosso em sua resposta:

— Vá lá para a tribuna que você vai ver...

O jogo, é bom que se diga, foi duro, com oportunidades de parte a parte. O Mais Querido – que ainda não tinha os 33 supostos milhões de torcedores que Zico hoje apregoa – lutava para ter possibilidades de conseguir o bi. O Botafogo, para variar em seus confrontos com o rubro-negro, apenas para arruinar a festa. Aos 23 minutos do segundo tempo, na baliza à direita das tribunas, houve uma falta na lateral-direita do ataque alvinegro. Mura apresentou-se para cobrar e levantou um centro alto sobre a área. Roberto Miranda, ao lado de Jairzinho, tocou de cabeça no cantinho direito de Marcial, sem chance de defesa. Botafogo 1 a 0.

Estava feita a maldade. O Mais Querido foi pro espaço.

Naquele lance, que provocou uma alegria incontida de dois então jovens atacantes – Roberto e Jairzinho (foto) – acabara definitivamente o sonho do bicampeonato. Se o Mais Querido ganhasse, seria campeão; se empatasse, iria para uma melhor de três, com Fluminense e Bandi. O título carioca ficou com o Fluminense, que contava, entre seus artilheiros, com José Amoroso Filho, cria do Botafogo e campeão carioca de 1961 pelo clube.

Mas a história não terminou aí, pelo menos para Nílton Santos, apesar de sua vitoriosa despedida. Carlito Rocha (1894-1981) deixou de falar com seu jogador preferido. Anos mais tarde, a bordo de um avião a caminho de São Paulo, Nílton me confessou o seguinte:

— Estou convencido de que seu Carlito parou de falar comigo só porque não avisei a ele que iria parar de jogar naquele dia. Não há outra explicação possível. Fiquei magoado, mas depois que ele morreu, sempre defendendo o seu Botafogo – referia-se à perda de General Severiano para a Vale do Rio Doce – consegui entender sua frustração. Afinal, se joguei 17 anos com a camisa alvinegra, ele foi o principal responsável.

Em 1965, já com o Mais Querido campeão carioca, o Glorioso tornou a pregar uma peça em seu adversário preferido. Venceu por 1 a 0 e, como dizem os torcedores, botou água no chope das comemorações. Mas essa história fica para um próximo blog, OK?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

No caminho das Índias


Em 1972, em razão de impedimento de força maior do eterno amigo Marcos Alexandre de Souza Aranha Mello Matos de Castro, fui chamado pela Rio Gráfica Editora – hoje Editora Globo, na Rua Itapiru – para concluir o projeto ‘Grandes Clubes Brasileiros’. Quis o destino que eu já pegasse andando o meu Botafogo do coração, na época com Xisto Toniato como vice-presidente de futebol. Tive muita ajuda dele e de dona Madalena, secretária do clube desde fevereiro de 1942, antes, portanto da fusão entre o Club de Regatas Botafogo (1894) e o Botafogo Football Club (1904).

Você não vale nada mas eu gosto de você...’

Na época, por razões que não precisam ser explicadas, além de uma lista com todos os jogos no exterior feitos pelo Botafogo, decidi incluir o retrospecto de Botafogo e Flamengo. Na ocasião, mesmo distante do título desde 1968 – foram cinco, com duas Taças Guanabara e dois Campeonatos Cariocas, além de uma Taça Brasil – o Botafogo ainda tinha vantagem de 10 vitórias sobre o Clube da Beira da Lagoa, conhecido como Flamengo.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Os leitores deste blogspot sabem, por acaso como anda a estatística? Não? Pois segurem a pemba: Em 327 jogos, desde 1913 (que o Botafogo ganhou por 1 a 0), o Flamengo tem 119 vitórias contra 103 empates e 105 êxitos do Glorioso, ou seja, o Clube da Beira da Lagoa – cujo futebol surgiu de uma briga entre jogadores e dirigentes do Fluminense – não apenas ultrapassou o Botafogo como tem hoje 16 vitórias de vantagem.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Em poucas e resumidas palavras, o Botafogo faz tempo que não pode chamar o Flamengo de freguês de caderno. Pior, nas últimas sete decisões, a partir da cabeçada de Gaúcho, no Campeonato Carioca de 1991, o Botafogo não ganhou uma decisão contra o Flamengo. E agora, a partir de domingo, vai para a sua oitava tentativa após jogar pela janela a Taça Rio, com aquele gol contra do Emerson.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Muitos – creio que a maioria – dos leitores de meu blogspot acham que sou pessimista. Tudo bem, não discuto. Mas talvez eles não saibam fazer a diferença entre pessimismo e realismo. E o real é que o Botafogo do meu coração não entrou em campo domingo passado, deixando-se dominar totalmente pelo adversário, até surgir o gol acidental que nos derrotou. Se o Botafogo não voltar a campo com garra, coragem e disposição, não apenas sofrerá nova derrota como aproximará o Clube da Beira da Lagoa de seu quinto tricampeonato na Era do Profissionalismo, o que será de amargar.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Há muitos anos, no século passado, o Botafogo impediu que o Flamengo conquistasse o seu tetracampeonato. No jogo do turno, mesmo com 10 homens (Thomé quebrou o braço), o Glorioso meteu 5 a 0. E no returno, quando o Flamengo precisava ganhar, nosso ponteiro-esquerdo paraguaio, Cañete, fixou o placar em 1 a 0 e deu de presente o título ao Vasco, cujos dirigentes comemoraram o título nas cadeiras especiais.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Mas hoje é hoje. E se Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões repetirem a bisonha atuação de domingo passado, e Ney Franco não encontrar uma solução para o apático Botafogo, serei obrigado, uma vez mais, a cantar a música engraçada da novela ‘Caminho das Índias’, que retrata a excelente Norminha (Dira Paes), que não vale nada mas o guarda Abel a adora, tanto quanto eu ao Botafogo imortal da estrela solitária.

Estou certo ou não? Deixo as respostas para meus agradáveis leitores.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

terça-feira, 21 de abril de 2009

Esse Botafogo tinha pelo menos raça


Vocês, meus leitores habituais – como a jovem radialista Thayssa Roberta, da Rádio Globo, certamente não conhecem esse time do Botafogo de 1955. Apesar das presenças de Nílton Santos e Garrincha, foi uma das piores equipes que o Glorioso armou em muitos anos. Basta dizer que não se classificou para o terceiro turno, sendo superado pelo modesto Bonsucesso.

Mas vamos às identificações do grupo.

De pé, da esquerda para a direita, estão Thomé, Nílton Santos, Orlando Maia, Juvenal, Bob (Robert James Neil) e Lugano.

Agachados, na mesma ordem: Garrincha, Gato, Paulo Omena, Casnock e João Carlos (que foi um astro no América).

Como jogava esse time? Lugano, Orlando Maia, Antônio Correia Thomé e Nílton dos Santos (seu verdadeiro nome); Bob, Juvenal e Paulo Omena; João Carlos, Gato e Casnock. Pois bem. Tenho a mais absoluta e concreta das certezas de que esse projeto de time – depois que o clube vendeu Dino e Vinícius para a Itália – teria um comportamento mais profissional e corajoso daquele bando que perdeu a Taça Rio, para o Flamengo, assistindo ao Clube da Beira da Lagoa dar uma exibição de gala.

O time, repito, era ruim, sem entrosamento, mas seus jogadores botavam a alma pela boca em defesa da camisa da estrela solitária, como faziam Juvenal Francisco Dias e o já citado Bob – banido do Botafogo de maneira escrota e que não permitiu que o atleta se defendesse, na temporada de 1956. Digo isso porque conversei longamente com Bob, na redação do Jornal dos Sports – um jornal inadimplente com seus inúmeros ex-funcionários, como eu, por exemplo. Mas isso não vem ao caso. O JS está fecha-não-fecha e já sei que minha indenização foi para o espaço sideral.

Mas nunca esse time – que acompanhei com meu saudoso tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) – foi covarde diante de qualquer adversário. Jamais medrou para Flamengo, Vasco, Fluminense ou América. Perdia, claro, mas seus jogadores deixavam o gramado orgulhosos da luta que demonstravam na partida. Foi o que o Botafogo de Ney Franco fez domingo. Assistiu de maneira privilegiada – pois que estavam em campo – ao passeio que o Flamengo deu, mesmo levando-se em conta o gol contra.

Sei muito bem que sou considerado pessimista. Mas vejo futebol há mais de seis décadas e sei quando um time entrega o ouro ao bandido. Foi o que o Botafogo fez. Não jogou rigorosamente nada e nem demonstrou vontade de jogar. Como sou mordido de cobra, nem penso em pintar no Maracanã – Maurício Assumpção que me desculpe. Mas para ver uma equipe covarde, amedrontada, assustada com os gritos da torcida do Clube da Beira da Lagoa, eu não vou.

Não vou para não ficar mais puto (perdoem a expressão, mas é a que cabe) com esse Botafogo covarde e sem personalidade. Estou pensando seriamente em dar um tempo ao Botafogo.
E fazer como meu amigo Luiz Carlos Albuquerque, apaixonado com eu, torcer para o Botafogo não disputar mais finais. A última vitoriosa vai completar 20 anos. Mas aquele time era um time de machos. Não um time de frouxos – exceção que faço a um único jogador: Leandro Guerreiro.
Seja o que os deuses do futebol quiserem. Assim espero.