quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Pausa para mais um livro
Trata-se de uma encomenda da Editora Leitura, de Belo Horizonte, e segundo de lá me informaram fui indicado pelo presidente alvinegro Maurício Assumpção.
O livro resume os caminhos do Botafogo de 1904 aos dias de hoje e tem depoimento de torcedores famosos, entre atores, escritores e jornalistas consagrados.
Pelo que sei, o livro fará parte de um kit, que terá um livreto infantil e outro chamado ‘Meu clube do coração’. Por isso, para completar o livro principal do Glorioso, voltarei com o blog assim que enviar os originais à editora.
domingo, 12 de julho de 2009
Botafogo e Roberto Carlos

O dia de sábado, pode-se dizer, foi feliz. À tarde-noite, o Botafogo, mesmo sem jogar a bola que todos nós gostamos, derrotou o Avaí e escapou, pelo menos momentaneamente, da lista dos quatro que serão rebaixados em 2010. E à noite, apesar da chuva, Roberto Carlos – não o jogador mas o cantor – empolgou o Maracanã com um belo show em homenagem a seus 50 anos de carreira. Não me considero um fã de Roberto Carlos, mas suas músicas sempre me remetem a tempos mais felizes e de menos responsabilidades. Foi, em sua maioria, o período em que trabalhei em Bloch Editores, trabalhando em diversas revistas e ganhando um dinheiro que me permitiu comprar meu primeiro carro, um Volkswagen.
É verdade que o Botafogo ganhou a partida em jogadas de bola parada e que, no segundo tempo, deixou um buraco na defesa, pelo lado direito, por onde um tal de Roberto deitou em rolou. Não sei como Ney Franco não percebeu a estratégia adversária. Graças a ela, tomamos um gol e não fosse a segura atuação do goleiro uruguaio Castillo, tomaríamos outros.
Particularmente, não gostei da dupla de ataque Victor Simões e André Lima. A rigor, os dois não levaram o menor perigo à defesa adversária. E Reinaldo, que entrou quase no final, não fez rigorosamente nada. É verdade que era sua primeira partida, após muito tempo. Mas está fora de forma.
Falta muito para que o Campeonato Brasileiro termine. Mas confesso que esse Botafogo está muito longe do Botafogo do Campeonato Carioca, mesmo derrotado nos pênaltis pelo Simpaticíssimo. Mas uma vitória – a segunda, apenas – não pode ser contestada.
Vamos ver o que o treinador vai fazer nos próximos jogos, até porque Victor Simões e André Lima não corresponderam como dupla de ataque. Um detalhe: gostei do uniforme preto (detesto o branco), até porque é ele que figura nos estatutos como segunda opção. Ou então o Botafogo cria um novo, cinza, talvez, para não repetir aquele branco medonho que usou no jogo contra o Atlético Mineiro.
Hoje, domingo, vou ficar por aqui. Estou na expectativa de escrever um novo livro sobre o Botafogo e isso tem me preocupado muito.
domingo, 5 de julho de 2009
Stallone está sendo sondado

Não seria uma operação cara, até porque Stallone teria, também, que vigiar Adriano, logicamente adentrando armado até os dentes na Vila Cruzeiro, reduto do famoso imperador daquele clube da Beira da Lagoa. As despesas seriam divididas e Zé Roberto e Adriano ficariam quietinhos.
Parece, porém, que Zé Roberto está fazendo um milhão de exigências. Num clube como o da Gávea, faltar aos treinos – alegando as mais variadas indisposições – não dá em nada. Se isso for verdade, o Simpaticíssimo terá que arcar com todas as despesas de Rambo em sua estada no Rio. Mas que Rambo já foi contatado, isso foi.
E como está um pouco fora de moda, ficou de estudar a proposta, primeiro a do Botafogo, depois a do clube da Gávea. Mas que seria curioso e interessante, isso seria. Imaginem Silvester Stallone, armado até os dentes, no túnel do Botafogo ou do Flamengo?
Outro clube que está interessado em Stallone é o São Paulo. Ronaldo Fenômeno não está suportando o clima de prisão a ele imposto pelo clube paulistano e ninguém se espantará se ele, Ronalducho, não aprontar uma das suas, fugindo da concentração e se instalando na night.
Por sorte, pura sorte, Stallone não pegou Garrincha em plena forma de escapar das concentrações. Pelo que sei, através de depoimentos de seus companheiros, ele só se segurava na Seleção Brasileira. Mesmo assim, conseguiu o feito de fazer um filho numa sueca – o rapaz é a cara dele. No Botafogo, então, era uma festa.
Hoje vou ficar por aqui depois do empate de 1 a 1 com o Galo. O Botafogo até que jogou bem, mas não tem ataque. E sem ataque, tem que contar com as faltas cobradas por Juninho, como aconteceu no Mineirão. Mas o resultado não foi de todo ruim, diante de uma multidão no Mineirão.
Agora, um detalhe: durante todo o jogo – a que assisti pela televisão – toda hora confundia os jogadores do Atlético, com a camisa alvinegra, com os do Botafogo, com um bisonho uniforme branco. Será que vai ser sempre assim? E o uniforme cinza que estava sendo bolado?
O Botafogo tem que ter um terceiro uniforme. Todo de branco confunde seus já sofridos torcedores. Estou ou não com a razão?
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Seleção salvou meu final de semana
A essa altura do Campeonato Brasileiro, ocupando o último lugar e com dois jogos fora para fazer, o que eu vou dizer a respeito do outrora glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. A surra que o time tomou do Goiás em pleno Engenhão (4 a 1) me colocou a nocaute. O clube, como havia previsto em blogs anteriores, está no fundo do poço e – me parece – sem qualquer chance de reagir.A segunda divisão está à vista e, dessa vez, pelo que percebo, o Botafogo não terá uma espécie de Palmeiras para ajudá-lo a recuperar sua posição entre os 20 da primeira divisão. Uma lástima.
Prefiro escrever sobre a Seleção Brasileira (foto) que conquistou uma vez mais, agora na África do Sul, o título de campeã da Copa das Confederações. É claro que os Estados Unidos não representam um adversário de respeito e tradição. Mas, em razão do andamento da partida, foi uma vitória heróica.
Perdendo de 2 a 0 no primeiro tempo, chegar aos 3 a 2 foi um feito espetacular. Particularmente, fiquei satisfeito que o gol da vitória foi de Lúcio, o capitão do time, um dos que envergam a camisa verde e amarela com maior empenho, coragem, dedicação e amor.
É verdade que o primeiro gol de Luís Fabiano, antes do primeiro minuto do segundo tempo, ajudou muito. Os americanos tomaram um susto e a partir daí o Brasil tomou conta da partida. Quase ao final, eu já estava esperando pela prorrogação – o que já seria um feito – mas Lúcio, após a cobrança de escanteio, foi preciso na cabeçada fatal.
A vitória sobre os Estados Unidos, da maneira como ocorreu, salvou meu final de semana, que estava liquidado com a goleada que o Botafogo tomou. E agora, o que fazer? Honestamente, não sei. Fico imaginando o jogo do returno, quando o Botafogo terá que ir ao Serra Dourada, carregando em seu currículo o espancamento que tomou em casa.
E digo a vocês, leitores, que de agora em diante não mais falo do alvinegro no Brasileiro. Não terei o que dizer. Prefiro voltar às minhas histórias de tempos mais gloriosos, que muitos gostam de ler para saber do verdadeiro e autêntico Botafogo – que não é esse que se arrasta na lanterna.
Hoje, especialmente, hoje, em razão das circunstâncias, meu blog é menor. Estou chocado com o placar de 4 a 1. Pode ser – não acredito – que o time reaja, mas acho isso muito difícil. Depois tentam negar a frase de que há coisas que só acontecem ao Botafogo. Mas ela é rigorosamente autêntica.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
O novo selo contra roubo de carros
O número de roubos, furtos e depredações de automóveis no Rio de Janeiro aumenta a cada mês. Ou o carro é transportado para um desmonte – no qual suas peças são vendidas à bangu, ou simplesmente ele é clonado, com nova placa, e dá um trabalho gigantesco à Polícia Militar.Trata-se de um selo que, colado no vidro dos automóveis, deve diminuir brutalmente essas ocorrências policiais. O selo – ou plástico – ainda não está disponível, mas a partir do mês que vem fará parte integrante da vistoria dos automóveis que forem renovar seu IPVA. Mesmo que o proprietário do veículo não goste das cores – inspiradas em rituais do candomblé – ele será de uma utilidade inestimável na proteção contra roubos.
Vou encomendar dois: um para o meu carro, outro para minha bicicleta. O selo, digamos assim, funciona como uma espécie de salvo-conduto contra a bandidagem que anda solta pelas ruas e vielas da cidade, que já foi Maravilhosa.
Há alguns anos, o Kharman Ghia do comentarista Sérgio Noronha, hoje na Rede Bandeirantes, obviamente não era portador do novo selo que será obrigatório. Mas o carro foi logo encontrado, intacto, graças a um gigantesco escudo do clube da cruz de malta que trazia em seu vidro traseiro.
Mas os tempos agora são outros, principalmente para aqueles que vão comprar um veículo zero quilômetro, aproveitando os últimos dias da ausência do IPI. Não se trata de preferência por esse ou aquele clube. Trata-se de uma espécie de seguro obrigatório que todo proprietário deve colar no vidro traseiro – de preferência – pois será logo identificado.
Muito mais útil do que o já tradicional bafômetro – com conseqüências imprevisíveis –o novo selo permitirá ao proprietário do veículo que ultrapasse, incólume, a qualquer das batidas policiais espalhadas pela cidade. Mas o selo não pode ser pequeno: tem que ser enorme, para ser visto não só pela bandidagem como, também pelos policiais.
Particularmente, considero a invenção do Detran algo de inacreditável. Até porque levou anos para ser aprovada. Muitos elementos da comissão não o queriam aceitar, mas concluíram que era a melhor solução. Grande sacada.
Por fim, se for dirigir – à noite, principalmente – pode beber à vontade mas jamais se esqueça do selo de segurança. É uma advertência especial e deve ser obedecida por gregos e troianos. Eu, como já disse, aprovo a idéia.
domingo, 21 de junho de 2009
A ficha custou a cair
Para começo de conversa, confesso que sou supersticioso, especialmente em relação ao Botafogo. Mas jamais aceitei a história dos 21 anos sem ganhar um título. Se o Glorioso fora campeão em 1968, naquele 21 de junho de 1989 ele estava há 20 exatos anos sem levantar o Campeonato Carioca. Fecharia 21 se perdesse para seu grande rival no Rio. Aí sim, completaria o número que se transformou em cabalístico para os alvinegros. Mas naquela noite de quarta-feira, estava confiante, embora tivesse pela frente a tarefa de editar as páginas de esporte da Tribuna da Imprensa, na Rua do Lavradio.
À tarde, recebi um telefonema do amigo Márcio Guedes, na época comentarista da TV Manchete. Márcio estava pessimista e me disse que estava com vontade de não ir ao jogo. Disse a ele que fosse por dois motivos: primeiro, porque o Botafogo seria campeão; e, segundo, porque estava obrigado a comentar a partida ao lado do narrador Paulo Stein. Creio que Márcio, ainda no Leme, onde mora até hoje, ganhou certo estímulo, tanto é que estava ao microfone quando a decisão começou. Valeu a pena.
Preso ao trabalho – como ocorreu no Brasileiro de 1995 – assisti ao jogo pela televisão na sala do diretor do jornal Hélio Fernandes Filho e deixei com o companheiro Arthur Parahyba (1920-2004) a tarefa de redigir o que estava acontecendo no Maracanã. Ou porque estava trabalhando ou porque tinha um horário rígido para fechar a página, não me recordo de grandes emoções na hora em que Maurício, aproveitando o cruzamento de Mazolinha, marcou o gol de vitória aos 12 minutos do segundo tempo. Creio que achei cedo demais para comemorar a vitória e o título de campeão.
A ficha só foi cair quando cheguei em casa e queria, de todo o jeito, ir a General Severiano comemorar o fim de um jejum tão longo. Mas já era tarde e minha mulher me convenceu a ficar sossegado, assistindo aos teipes pela televisão. Só dias depois, fui a algumas comemorações, uma delas, no domingo seguinte, num bar em Copacabana e outra num restaurante, com os jogadores, em um jantar numa churrascaria. O Botafogo, finalmente, me tirara das costas um peso que carregava há duas décadas e me dera ânimo para que o clube seguisse no caminho das vitórias, como ocorreu em 1990.
Hoje, tanto tempo depois, aquela minha alegria arrefeceu. Não me conformo, de jeito algum, em aceitar a perda, três vezes seguidas, do título carioca para o mesmo Flamengo, em 2007, 2008 e agora em 2009. O Botafogo do meu tempo era mais Botafogo, carregava uma multidão ao Maracanã e rivalizava com o Santos, apontado como o melhor time do Brasil. E não posso me queixar da década de 90, quando o clube mantinha uma equipe forte, vencedora e conquistava novos torcedores.
Serei Botafogo até o apito final de minha vida, nos estádios, na televisão e até pelo rádio. Fui Botafogo até mesmo na segunda divisão, marcando presença no Caio Martins. Mas as três sucessivas derrotas justamente para o Flamengo fizeram com que o ano de 1989 ficasse um pouco escondido no meu coração. Jamais me conformarei com isso. Por quê? Porque o Botafogo, há mais de seis décadas, é o meu maior amor imaterial.
terça-feira, 16 de junho de 2009
O ‘Forró de Curitiba’
Domingo, quando liguei a televisão, juro pela minha mãe mortinha – até porque ela já se foi – que pretendia torcer pelo Clube da Beira da Lagoa, aliás, Flamengo. Estava empolgado com a escalação do Imperador no ataque rubro-negro, ele que manda e desmanda em todas as comunidades cariocas. Torcia, também, pelo Juanito das Candongas, aquele lateralzinho que gosta de meter medo em seus adversários. E, também, pela camisa vermelha e preta, embora os ‘inimigos’ achem que ela parece pano de macumba. Mas tudo bem. Ajustei a TV Fla no Canal 4 e fiquei à espera de uma surra naquele time de Curitiba, que seus torcedores apelidaram de ‘Coxa’.
De repente me lembrei que tenho, na capital do Paraná, um amigo de um amigo de um tio meu – gente finíssima, que torce pelo Coritiba. Aí, mesmo contra a vontade, passei a querer que o Coritiba aplicasse no Flamengo um novo forró, desta vez o ‘Forró de Curitiba’, Afinal estamos em junho e os paranaenses – como todo o povo brasileiro – comemoram as datas juninas. E aconteceu o que todo mundo viu. O Coritiba esculachou o time do Urubu, metendo 5 a 0 nos peitos da turma da Praia do Pinto.
Fui dormir contente, imaginando a alegria do amigo do amigo do meu tio. Mas confesso que, da próxima vez – juro pelo meu pai mortinho – até porque ele já se foi também – que darei mais uma oportunidade ao Flamengo, que está sempre na TV Globo. Aliás, O Globo, na segunda-feira, abriu em manchete ‘Derrota inaceitável’.
E eu pergunto por quê? O Globo quis dizer que o Flamengo – também chamado de Simpaticíssimo e Mais Querido – não pode ser esculachado? Fiquei sem entender a manchete.
O Flamengo, por acaso, é inderrotável? O Bruno não é o melhor goleiro do Brasil? O Imperador de Vila Cruzeiro não é o tal – que não treina de manhã porque tem atividades noturnas? Tenham paciência. Ele tem compromissos.
O ‘Forró de Fortaleza’ já está longe no calendário esportivo e foi aplicado pelo Botafogo no Castelão no time de Romário, o ‘Marrentinho’. Por que o Coritiba não poderia repetir a façanha? A cada gol do ‘Coxa’, esquecido de que pretendia torcer pelo Mais Querido, dei gritos medonhos, que assustaram todo o condomínio e que me valeram uma advertência do síndico, que, por falta se sorte minha, frequenta a Praia do Pinto.
Mas, como diria João Saldanha, vida que segue. Outros forrós virão por aí, pois o Brasileiro está só começando. Mas, pelo menos a princípio – desde que não tenha amigos de amigos de meus parentes – sempre estarei disposto a dar uma força àquela camisa de umbanda. Tenho pelo Flamengo um carinho incomensurável. E não haverá de ser a reedição de um forró curitibano que afetará essa minha atitude – tomada de repente.
Mas que os 5 a 0 foram demais, isso foi. E por pouco o Mengão não toma de mais. Pena que a Globo tenha abaixado o som do olé – nem mesmo se referiu a isso – e que Júnior Capacete tenha comentado a partida. O gol contra, então, foi espetacular. Jamais havia presenciado uma jogada daquelas. E estou certo de que vascaínos e tricolores também ficaram com pena do rubro-negro.
Mas o importante foi a nova edição do forró, desta vez no Paraná.
domingo, 14 de junho de 2009
Que bandeira é essa, gente?

Particularmente, acho todas elas engraçadas e bem perto de verdadeiras, mas aprecio especialmente a que o poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) disse certa vez ao ex-ministro Santhiago Dantas (1911-1964) sobre a vocação do erro (ambos botafoguenses na época da fusão dos dois clubes).
Os leitores que me acompanham aqui neste blog haverão de perguntar: por quê? Logo agora que o Glorioso conquistou sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro, sobre o Santos? E eu, modestamente, como um apaixonado pelo clube há mais de seis décadas – desde os tempos de Heleno de Freitas e Tovar – trato logo de explicar. Por que o site do clube publica uma foto de nossa linda bandeira ao contrário? Ao que me consta, o quadrilátero negro com a belíssima estrela solitária fica à esquerda e não à direita como o site exibe, na visita de proprietários ao belo Engenhão.
Honestamente, não consigo entender como ninguém percebeu o grosseiro equívoco, até porque não tenho idéia de quem bolou a foto que ilustra meu blog. Conheço alguns integrantes do departamento de marketing, como Paloma e Vivian, além do assessor de imprensa, meu ex-companheiro José Antônio Gerheim, botafoguense de coração, e não a antiga assessora, Mariúcha Moneró, declaradamente tricolor, que mandava e desmandava no site que, à época, levava o nome de ‘Botafogo no Coração’.
Recentemente, uma pesquisa no Brasil e uma revista japonesa elegeram o escudo do Botafogo como o mais bonito do mundo, pela sua simplicidade e comunicação imediata. Aliás, a estrela solitária (que vem do Club de Regatas Botafogo) não é bem uma estrela e sim o planeta Vênus, que brilhava no céu quando os remadores saíam para treinar em seus barcos. Creio que o erro seria o mesmo se os escudos da camisa alvinegra – inspirada na do Juventus de Turim – fossem entregues pelo fabricante no lado direito dos uniformes, ou seja, do lado oposto.
E é bom que se diga, para não dizer que fantasio fatos alvinegros, que a camisa com o novo escudo da estrela solitária apareceu pela primeira vez num simples treino em General Severiano. Querem saber quando? Pois muito que bem: a 19 de janeiro de 1943, pouco mais de um mês depois da fusão.
Que o fotógrafo ignorasse a posição correta da bandeira, ainda admito. Mas será que ninguém percebeu o erro entre todos que pisavam o gramado do Engenhão? Depois alguns torcedores reclamam da frase de que ‘há coisas que só acontecem ao Botafogo’. Pois é, mas aconteceu. E vai acontecer sempre que não estiver na hora um botafoguense de coração, daqueles que sabem de tudo, até dos 100 anos dos 24 a 0 sobre o Mangueira, recorde absoluto e praticamente inigualável no futebol brasileiro.
Ainda bem que vencemos o Santos. Pelo menos surgiu uma luz no final do túnel. E, sinceramente, espero que não seja o farol de uma locomotiva que vem em sentido contrário.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Nílton e o irmão Nílson dos Santos

Vocês, que têm o costume de frequentar o meu blog querem que eu fale do Botafogo atual? Pois muito que bem: o Botafogo atual não existe e caminha a passos largos para retornar à segunda divisão. E de lá, se São Carlito Rocha das Gemadas não ajudar, ressuscitar o Biriba e o Neném Prancha, vai ser uma parada dura de roer para retornar à elite. Por isso, embora o Botafogo não preste mas eu gosto dele, vou retornar algumas décadas para falar num assunto que poucos sabem – a não ser Pedro Varanda, a verdadeira enciclopédia viva do Botafogo de Futebol e Regatas.
Vocês sabiam que Nílton dos Santos teve um irmão, Nílson Luiz dos Santos, que chegou a jogar com ele no time principal? Não? Pois saibam que teve (foto no Maracanã), no curto período de 1956 e pouco antes do Campeonato Carioca de 1966. A estréia de Nílson dos Santos (sem o irmão) ocorreu a cinco de agosto de 1956, num amistoso em Minas diante do Social e venceu por 6 a 2. O time? Lá vai: Amauri, Orlando Maia, Thomé e Rubens Bimba (Nílson Santos); Bob e Bauer (Pampolini); Garrincha, João Carlos, Mário Mimi, Paulo Catimba Valentim (estreando também), Alarcón e Hélio Boca de Sandália (apelido que Sandro Moreyra (1919-1987) deu ao nosso ponteiro-esquerdo durante uma excursão à Europa em 1955.
Mas Nílton e Nílson, por exemplo, jogaram juntos no time que derrotou o Bonsucesso por 2 a 0, no Maracanã, a oito de dezembro de 1956. Querem a escalação? Lá vai: Amauri, Nílson Santos, Abigail e Nílton Santos; Pampolini e Juvenal; Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Gato e Neivaldo, meu amigo que se foi tão cedo. Mas Nílson Santos também viajou com outrora Glorioso – não esse bando que se arrasta por este ano de 2009 – numa excursão à Venezuela (ainda sem Hugo Chávez). O Botafogo superou o Sevilha da Espanha por 2 a 0 e formou com Amauri, Beto, Domício e Nílson Santos; Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Édson Praça Mauá e Quarentinha (que tinha regressado do imbecil empréstimo ao Bonsucesso).
Mas Nílson Santos ainda resistiu até 1956, quando o Botafogo venceu o Ferroviário de Fortaleza (3 a 0), com a seguinte equipe: Cao, Joel Martins, Nagel, Adevaldo e Paulistinha (Nílson Santos); Élton e Luiz Carlos Theodoro (Eliseu); Dagoberto (Jorge), Humberto, Sicupira e Jerônimo.
Como se vê, Nílson Santos tentou seguir os passos do irmão (hoje com 84 anos completados a 16 de maio passado), mas não teve sorte ou futebol para isso. De qualquer jeito, é sempre bom lembrar o Botafogo era um time – hoje é um aglomerado – que jogava e excursionava pelo Brasil e exterior. E que a Enciclopédia do Futebol Brasileiro teve um irmão que jogava a seu lado, tentando uma carreira. Vocês sabiam disso? Eu tive a sorte de ver Nílson jogar nos aspirantes em General Severiano. E vocês?
Só lhes restou esse Botafogo à beira do abismo. E que abismo, leitores...
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Polícia eficiente em Recife

É óbvio ululante, como diria meu amigo Nélson Rodrigues (1912-1990) que os leitores desse alvinegro blog esperam que eu fale do Botafogo. Mas que Botafogo? Esse bando que além de perder três vezes do Flamengo (2007-2008-2009) no Campeonato Carioca anda a beira do abismo da segunda divisão do Campeonato Brasileiro? Se falo mal, como já falei mil vezes, os ‘anônimos’ da vida, covardes e sem peito de colocar seus e-mails, vão me esculachar. Se fico em cima do muro, dizem que estou protegendo Maurício Assumpção e a nova diretoria. Falar bem, é claro, não posso. Então vamos deixar o Botafogo cair tal qual um balão apagado e fica o dito pelo não dito. Perder do Fluminense foi demais para minha paciência.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
À beira do abismo abissal

segunda-feira, 25 de maio de 2009
O perigo ronda General Severiano

quinta-feira, 21 de maio de 2009
Torci para o Inter. Tem explicação?
Todos os meus companheiros de jornalismo, rádio e televisão estão cansados de saber que sou um ‘cronista neutro’, na mais pura expressão da palavra. Trabalhei com José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, com Luiz Penido, na Rádio Tupi, e com Haroldo de Andrade, na Rádio Globo.
Todos (a não ser Haroldo que já se foi) podem atestar a minha absoluta isenção. Essa história de que sou fervoroso torcedor do Botafogo é o que chamo de ‘intriga da oposição’. Sempre torço para Flamengo, Fluminense e Vasco quando estes três gloriosos clubes enfrentam adversários não cariocas.
O fato de ter sido amigo íntimo de João Saldanha, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó e Luiz Mendes – para citar apenas estes quatro – não significa que seja adepto das cores alvinegras.
Certa vez, Nélson Rodrigues, que ficou meu amigo quando de minha passagem por O Globo, queria que eu assumisse um clube do coração, mas me neguei peremptoriamente. E Celso Itiberê, o editor de esportes na época, é uma de minhas mais abalizadas testemunhas, assim como Fernando Calazans e Renato Maurício Prado. A rigor, torço sempre pela vitoriosa Seleção Brasileira.
Outro dia, liguei a televisão para assistir ao duelo entre Internacional e Flamengo. E, confesso, queria que o ‘Mais Querido’ superasse o seu rival do Rio Guaíba. Foi então que de repente, não mais do que de repente, me recordei da beleza da Lagoa dos Patos e de uns longínquos parentes que ainda vivem em Porto Alegre, inclusive uma senhora que é amiga de uma amiga de minha tia Philomena. Aí não houve jeito. Passei a torcer pelo Inter, não por raiva do Flamengo, coitado, mas por uma lógica familiar. E vibrei quando Juanito das Candongas errou e permitiu o primeiro gol gaúcho.
A essa altura, eu já estava embrulhado numa toalha vermelha, cantando a música do Inter que imita o ‘Pelados em Santos’, dos infelizmente mortos ‘Mamonas Assassinas’. E quando o Inter marcou o gol da vitória, numa falta muito bem cobrada, dei um berro medonho que assustou todo o edifício onde moro. Vibrei pelos parentes, pela amiga da amiga de minha tia e de todos os colorados que conheço.
Foi uma reação estapafúrdia, bem sei, mas fui dormir feliz da vida com a eliminação do ‘Mais Querido’ da Copa do Brasil. Hoje estou com pena dos rubro-negros, principalmente de Juanito, sujeito disciplinado, que não xinga ninguém quando é driblado.
Confesso que foi a primeira vez que desprezei um clube do Rio, justamente o mais popular e o mais marrento de todos. Mas as coisas vão melhorar. Petkovic, aos 36 anos, já deixou a cadeira de rodas e vai dar um novo tchan ao Mengão.
E o Imperador? Se conseguirem tirá-lo da comunidade onde vive, será um sucesso total. Fiquei apenas com pena de Obina, um craque desprezado até pela torcida do clube. Obina me lembra Berico, que Jorge Cury queria levar para a Seleção Brasileira...
Mas dias melhores virão. Enxuguem as lágrimas, rubro-negros...
Casa de negócios (parte II)

Quando terminou o Campeonato Carioca de 1956, o Bangu, por razões que desconheço, decidiu vender seu maior astro, Zizinho. Amigo de Zizinho desde tempos remotos, Nílton Santos – que completou dia 16 deste mês 84 anos (foto) – procurou o dirigente Adhemar Bebiano e lhe fez a proposta:
- Doutor Bebiano, por que o senhor não compra logo o passe de Zizinho? Já imaginou o ataque do Botafogo com Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Zizinho e Quarentinha (Zagallo ainda era do Flamengo).
Adhemar Bebiano olhou Nílton Santos de alto a baixo e respondeu:
- Olha, Nílton, Zizinho jamais vestirá a camisa do Botafogo...
Nílton Santos quis saber a razão e Bebiano lhe deu uma resposta digna de figurar na história – longa e gloriosa história – do Botafogo:
- Num jogo aqui em General Severiano, em 1948, ele tentou chutar o Biriba (diga-se que o Botafogo venceu o Flamengo por 5 a 3 num jogo emocionante, pois chegou a estar perdendo de 3 a 1).
Quer queiram ou não, principalmente os torcedores mais jovens, essa é a imagem típica do Botafogo, uma bela casa de negócios. Não estou preocupado se Zizinho foi vendido ao São Paulo (pelo qual foi campeão de 1957) ou outros desfalques em clubes do Rio. O Flamengo, por exemplo, expulsou Jair Rosa Pinto, vendeu Zizinho ao Bangu e Pirillo ao Botafogo. O Vasco negociou Vavá (Atlético de Madri) e Orlando (Boca Juniors), além do craque Válter Marciano para os espanhóis. O Fluminense comprou e vendeu Ademir, perdeu Didi e vendeu Valdo para a Espanha. Tudo isso faz parte do jogo, mas como disse aquele ‘político’ de Brasília, estou me lixando para o que nossos adversários fazem com seus craques.
Meu negócio é o Botafogo, clube de minha irrefreável paixão. Não posso me queixar da ida do temperamental Heleno para o Boca Juniors pois era um garoto de calças curtas. Mas depois, ah, depois, sofri com Gato, Casnock, Arlindo Baiaco, Orlando Pingo de Ouro, Rodrigues Tatu, além de Joel, ponta-esquerda do Fluminense. O Botafogo vendeu Dino, Vinícius, Amarildo, Gérson, Luisinho Quintanilha, Paulo Catimba Valentim e só não negociou Garrincha com o Juventus, da Itália, porque o médico Nélson Senise (pai do músico Mauro Senise e avô de meu casal de filhos) vetou. Após um sério diagnóstico, na Clínica Pio XII, disse que Mané tinha artroses irreversíveis. O Juventus já acertara o preço: Cr$ 2 milhões.
E quais foram as maiores contratações? Didi (feita por João Sem Medo), Gérson e Zagallo. Mas Didi cismou e foi embora para o Real Madri e Gérson brigou com um dirigente, ao final de 1969, e foi ser campeão no São Paulo. Ficou Zagallo, que sempre direi que deu forma ao time, fixando um 4-3-3 revolucionário para a época. Mas e Jairzinho e Paulo César Lima? Para onde foram? Para o Marselha, da França. E Roberto Guerreiro Miranda? Simplesmente para o Flamengo. E Túlio Maravilha? Para o Timão, no dia da posse de José Luiz Rolim. Assim, queiram ou não meus jovens leitores, teremos que ficar com nossos 19 títulos, atrás de todos os outros grandes do Rio. E boto banca porque sofri os diabos. Como sofri...
Até a sede de General Severiano nós vendemos...Fomos parar em Marechal, Caio Martins e na Ilha do Governador.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Uma casa de bons negócios

Um dos meus leitores, que vive na Bahia e é botafoguense apaixonado, me passou um e-mail desesperado após a terceira derrota consecutiva do alvinegro numa decisão contra o Flamengo. Respondi a ele que o Botafogo – não o atual, de Maurício Assumpção – sempre foi uma casa de negócios, alienando seus melhores atletas, principalmente artilheiros.
E desde que me entendo como torcedor do Botafogo, a venda de ídolos começou na gestão de Carlos Martins da Rocha (1894-1981) que mandou embora para o Boca Juniors o maior ídolo do clube, Heleno de Freitas, no início da temporada de 1948.
O desmonte efetuado antes de Maurício Assumpção foi terrível. Foram embora os dois zagueiros (não me recordo do nome deles), Diguinho, Túlio, Wellington Paulista, Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio e, a rigor, só ficou o heróico Leandro Guerreiro.
O que esperar agora nesse imenso Campeonato Brasileiro – que só dá lucro à CBF e às companhias de aviação? Eu, por mim, confesso, só torço para que o Botafogo não caia como o Vasco para a segunda divisão. Pois se cair, de lá não mais sairá.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Vida que segue’ (João Saldanha)

Se João Saldanha (1917-1990) estivesse vivo, comentando os jogos pelo rádio, não ficaria abalado com a terceira perda consecutiva do título estadual para o Flamengo (dois deles decididos nos pênaltis). Diria, simplesmente, uma de suas frases favoritas: “Vida que segue...” João realmente teria razão.
Dei a mim mesmo um período de repouso, no blog, para não escrever algo que não fosse a verdade, somente a verdade, não mais do que a verdade. E a verdade, absoluta e irretocável, é que o Botafogo não tem banco, embora tenha feito um segundo tempo praticamente irretocável. Pena que as cobranças de pênaltis tenham sido tão bisonhas, lembrando a decisão do Fluminense contra a LDU, com Washington, Conca e Thiago Neves. Juninho e Leandro Guerreiro – o melhor jogador do Botafogo na competição – foram simplesmente ridículos na hora de decidir a partida.
Uma coisa faço a mais absoluta questão de ressaltar: em nenhum momento os jogadores do Botafogo provocaram o lateral rubro-negro Juan, que, além de cometer uma falta grosseira em Maicosuel, no jogo anterior, ainda o ameaçou verbalmente sem que o juiz, além do cartão amarelo, não lhe aplicasse um vermelho pelo gesto. Do início ao fim o Botafogo jogou lealmente e saiu de campo derrotado sem um único e escasso gesto de vingança contra Juan, o que certamente provocaria um conflito generalizado no gramado do Maracanã.
sábado, 2 de maio de 2009
Botafogo desde 1904

Ele é que mantém vivo.
Vou então falar na totalidade de jogos do Botafogo de 1904 até 2008.
Só tenho estes números graças à dedicação de Pedro Varanda a quem chamo de Marechal Varanda e a quem considero a maior autoridade sobre o Botafogo – depois de Alceu Mendes de Oliveira Castro, autor do livro “O Futebol no Botafogo – 1904-1950”.
De 1904 até Novembro do ano passado, o Botafogo de Futebol e Regatas (nome que o clube adotou a oito de dezembro de 1942, ao fundirem-se o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo Futebol Clube) disputou 4.869 partidas no Brasil e no mundo. E seu aproveitamento, em percentuais, é o seguinte:
vitórias – 50,40%
empates – 24,17%
derrotas – 25,42%
Estatisticamente, o Botafogo sempre entra em campo com chances (de não perder) de
74,57%!
Vamos em frente?
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Deuses do futebol com a palavra final
por Roberto Porto para o ESPN
Neste domingo, finalmente, o Rio de Janeiro ficará sabendo quem é o campeão estadual de 2009:
Flamengo ou Botafogo?O Flamengo, apesar do bisonho empate de meio de semana com o Fortaleza, em Volta Redonda, é o favorito da crônica esportiva. Além de lutar pelo seu quinto tricampeonato estadual – superando o Fluminense na conquista de títulos no Rio – tem um time mais bem definido e uma coisa que o adversário não tem: banco. Além disso, sua equipe vem jogando junta há algum tempo e tem conjunto.
Já o Botafogo vive um drama: seu melhor jogador, Maicosuel, sofreu uma lesão muscular e está vetado. Outra dúvida é Reinaldo, que torceu o tornozelo no primeiro jogo da final (empate de 2 a 2) e se entrar em campo certamente atuará à meia-bomba – como se diz na gíria esportiva.
O técnico Ney Franco, como diria Nélson Rodrigues (1912-1980) vive um drama em 10 atos e 30 apoteoses. E mais: em 2007 e 2008 o alvinegro perdeu a final para o rubro-negro.
Só os deuses do futebol sabem quem será campeão.
O jogo terá uma espécie de faísca que poderá colocar fogo em tudo: a atitude irresponsável do lateral rubro-negro Juan, que depois de tomar um drible desconcertante de Maicosuel, cometeu uma falta desleal e o ameaçou verbalmente como provam fotos e teipes de televisão.
Se os jogadores do Botafogo mantiverem a cabeça no lugar, é possível que nada ocorra. Mas se o Flamengo estiver na frente do placar e a um passo do título, Juan poderá ser agredido e não haverá juiz que consiga interromper o tumulto.
Um detalhe surpreende os demais torcedores: por que Fluminense e Vasco estão como cartas fora do baralho há três anos? Difícil responder.
O Fluminense tem um excelente patrocinador e o Vasco, hoje de Roberto Dinamite – Eurico foi finalmente defenestrado – conseguiu cumprir uma boa campanha até ser goleado (4 a 0) pelo Botafogo numa das semifinais.
Apenas do ponto de vista de decisões do Campeonato Estadual, Botafogo e Flamengo estão empatados: o Botafogo venceu duas (1962 e 1989) e o Flamengo a mesma coisa (2007-2008).
Mas levando-se em consideração de outras competições, o Flamengo leva larga vantagem, desde 1991. É um jogo à feição para aqueles que gostam de apostas. Particularmente, porém, torço para que não haja expulsões e agressões.E torço, também, para que haja uma arbitragem limpa, sem favorecimentos para este ou aquele time.
Mas aí, como já frisei, a resposta estará nas mãos dos irrequietos e volúveis deuses do futebol.
Botafogo x Flamengo não é o clássico das multidões (Vasco x Flamengo) nem o de maior charme (Flamengo x Fluminense). Mas é, sem sombra de dúvida, o clássico de maior rivalidade no atual futebol do Rio de Janeiro.
Que o público possa apreciar um espetáculo para figurar na história.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
O famoso Jogo do Senta
Meu tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) detestava o Mais Querido e eu custei a saber a razão. Esportista – aplaudia os adversários quando entravam em campo – não vaiava os jogadores do Botafogo e apenas ficava cabisbaixo nas derrotas. Militar, não podia admitir que um clube não soubesse perder.
Até que um dia – faz tempo isso – me relatou o verdadeiro mico que o Simpaticíssimo pagou em General Severiano, com seus jogadores sentando em campo aos 31 minutos do segundo tempo, para espanto e estupor (termo que aproveitei de um cruzmaltino) de jogadores, dirigentes e torcedores do Glorioso alvinegro.
Mas, afinal de contas, o que teria acontecido de tão marcante há tantos anos – mais de seis décadas – precisamente na tarde ensolarada de um domingo, 10 de setembro de 1944?
Em sua inexorável marcha para a conquista de seu primeiro tricampeonato, após o discutido gol de Valido, na Gávea, na decisão contra o Vasco, o Mais Querido, até aquele dia, que entrou para o folclore do futebol carioca, perdera apenas dois jogos: o primeiro, diante do América, e o do final do turno, para o Vasco. Mas, na segunda rodada do returno, a tabela marcara um Botafogo x Flamengo para General Severiano.
Para os alvinegros, seria a oportunidade de vingança dos 4 a 1 que sofrera na Gávea, no turno. Para os rubro-negros, a confiança era absoluta. O otimismo em relação à conquista do terceiro título seguido. E General Severiano pegou um público extraordinário.
Com arbitragem de Aristides Figueira – o popular Mossoró – os times entraram assim em campo:
Simpaticíssimo – Jurandir, Newton e Quirino; Biguá, Bria e Jaime de Almeida; Nilo, Zizinho, Pirillo, Sanz e Jarbas;
Botafogo – Ari, Laranjeira e Ladislau; Ivan, Papeti e Negrinhão; Lula, Geninho, Heleno de Freitas, Valsecchi e Valter.
O primeiro tempo foi duro e terminou com vantagem de 2 a 1 para o Botafogo, gols de Heleno e Valsecchi. Na etapa final, animado por sua torcida, o Botafogo chegou a colocar 4 a 1 (Valter e Heleno), o Flamengo diminuiu para 4 a 2 (Jarbas) mas, aos 31 minutos, Geninho fez o quinto gol.
Começaram então as reclamações de jogadores e dirigentes rubro-negros. Para o “Esporte Ilustrado”, a bola chutada por Geninho batera na parte inferior do travessão e quicara dentro do gol para depois sair. Para Mossoró, também.
Já os jogadores do Mais Querido, Jurandir à frente, garantiam que a bola se chocara contra o travessão e voltara ao gramado. Por incrível que pareça, para muitos torcedores do Botafogo, atrás da baliza à direita das sociais, onde mais tarde surgiriam a Avenida Pasteur e o Túnel do Pasmado, a bola explodira dentro do gol mas batera no ferro que sustentava a rede.
Formado o tumulto – com os alvinegros batendo bola à espera do reinício da partida – os jogadores do Simpaticíssimo, obedecendo ordens vindas do banco e dos dirigentes Marino Machado e Francisco Abreu, simplesmente sentaram-se em campo.
Quando o tempo se escoou, levantaram-se e retiraram-se para os vestiários. Na súmula, Mossoró anotou o gol de Geninho, exatamente aos 31 minutos, e o resultado da partida foi homologado pela federação como 5 a 2 para o Botafogo.
Durante a semana, a reclamação dos responsáveis pelo departamento de futebol do Flamengo prosseguiu. E os jornais, ironicamente, passaram a chamar a partida de O Jogo do Senta.
É claro que com os recursos da televisão de hoje a dúvida seria tirada momentos após o chute de Geninho. Mas, na época, nem mesmo as mais velozes máquinas fotográficas captaram o lance.
O resultado é que durante muito tempo o debate seguiu acalorado.
Para o Mais Querido, porém, foi apenas um tropeço – inesperado, obviamente – na rota para o tricampeonato. Para os torcedores botafoguenses, porém, apesar da vitória de 5 a 2, ficou um travo amargo na garganta. Numa época romântica e cavalheiresca como aquela, era imperdoável o adversário não aceitar uma derrota, principalmente por tantos gols de diferença.
Talvez esteja aí a origem da rivalidade que atravessa gerações.

