quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Bruno Mazzeo sacaneia o Botafogo

Um dos quadros mais curiosos do ‘Fantástico’, da Rede Globo, é sem dúvida o ‘Bola Cheia’ e o ‘Bola Murcha’, apresentado por Tadeu Schmidt. Domingo passado, após a vitória do Botafogo sobre o São Paulo, Schmidt convidou três jurados para definir os vencedores (ou perdedores) do quadro: o jogador Carlos Alberto, a cantora Fernanda Abreu (do conjunto Blitz) e Bruno Mazzeo, todos torcedores do Vasco. Mazzeo, filho de Chico Anísio e da modelo Alcione Mazzeo, estava vestido com a camisa do clube da cruz de malta – exibindo ainda mais a sua preferência clubística.

Seguiram-se as cenas habituais – ruins, pois são filmadas por amadores – Carlos Alberto fez suas escolhas, Fernandinha também, mas quando chegou a vez de Mazzeo, ele extrapolou. Disse que determinado peladeiro deveria servir para jogar no Botafogo.

Ora, bolas: desde quando o supostamente cômico Mazzeo pode ser considerado um ‘expert’ em futebol? E por que citar o Botafogo? Será que ele não sabe que o Vasco vem da segunda divisão do Campeonato Brasileiro? E mais: por que o Botafogo e não o Fluminense, Flamengo ou seu próprio clube, o Vasco? Com sua manifestação idiota, sob todos os aspectos, Mazzeo foi o ‘Bola Murcha’ do domingo.

Quanto ao lançamento de meu livro ‘Botafogo – O Glorioso’, da Editora Leitura, na última segunda-feira, não posso me queixar. Todos os exemplares colocados à venda se esgotaram e só pude deixar a Livraria Saraiva às 23 horas. Muita gente ficou sem o livro – que já está à venda na própria Saraiva – mas o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, está em entendimentos com a Editora Leitura para um segundo lançamento, na renovada e reformada sede de General Severiano, no dia oito de dezembro, mais um aniversário da fusão entre o Botafogo Football Club com o Club de Regatas Botafogo, em 1942, há 67 anos portanto. Daí surgiu o imbatível Botafogo de Futebol e Regatas de hoje, o clube da maravilhosa estrela solitária.

Daqui deste espaço quero agradecer a todos que compareceram ao lançamento, mesmo deixando a Saraiva de mãos abanando por falta de livros. Mas foi um prazer inexcedível rever velhos amigos de tantas batalhas e conhecer novos torcedores do alvinegro de General Severiano. Se realmente houver um relançamento a oito de dezembro, torço para que Bruno Mazzeo compareça, nem que seja para tomar uns corretivos e deixar de menosprezar o imortal Botafogo. Tome coragem e vá lá, Mazzeo. Mas não vá com a camisa do Vasco porque será barrado na porta.








terça-feira, 10 de novembro de 2009

O novo livro está chegando


Finalmente, a Editora Leitura de Belo Horizonte fixou data, hora e local para o lançamento de meu segundo livro sobre o alvinegro da estrela solitária – ‘Botafogo – O Glorioso’. Será na segunda-feira, dia 23 deste mês de novembro, a partir das 19 horas, na Livraria Saraiva do Rio-Sul.

Particularmente, faço absoluta e fechada questão que os torcedores compareçam em massa, dando uma prova da paixão e envolvimento que todos têm com o Botafogo de Futebol e Regatas, principalmente os que me acompanham neste blog – às vezes vibrante, às vezes mal humorado, admito. Agora fiz um livro diferente.

Além das 40 histórias que conto, tenho a presença de José Inácio Werneck escrevendo a orelha do livro, a contracapa do presidente do clube Maurício Assumpção e o prefácio de meu parceiro César Oliveira.
Fora isso, abri o livro para depoimentos de torcedores famosos, como Carlos Porto (meu irmão e autor do projeto do Engenhão), Carlos Eduardo Novaes, Antônio Maria Filho, Maurício Thuswohl, Gabriel Góes Barreira, Luiz Fernando Maia, Bruno Porto (meu sobrinho que, de Xangai, explica porque o escudo do Botafogo foi escolhido como o mais bonito do mundo), Sérgio Augusto, Sylvio Back, Leonel de Jesus (escrevendo de Lisboa), Luiz Carlos Melo, Nélson Paiva Paes Leme, Sérgio Cavalcanti, Maurício Fonseca, Ricardo Baresi, Haroldo Habib, Jorge Aurélio Dominguez, João Ignácio Muller, Marcos Sperli Garcia, Marcello Antony, Beth Carvalho, Rafael Almeida (jovem ator da Rede Globo) e, por fim, Stepan Nercesian.

Vou tentar, por telefone, convidar vários outros torcedores, como Washington Hope, João Pedro Paes Leme, meu filho Roby Porto, Luiz ‘Gauchinho’ Fernando Lima, Malu Cabral, Marcelo Fonseca, todo o pessoal do marketing do Botafogo, além de secretárias da diretoria, como Patrícia e Roberta, como também os funcionários da Fogão Shop e até mesmo os mais aplicados funcionários do clube, como Machado, por exemplo, e os porteiros. Como o Rio-Sul fica diante da sede de Venceslau Brás, quero que na segunda-feira, 23, o Botafogo fique deserto.

Temos, todos, que dar uma demonstração que nosso clube é rigorosamente o único a possuir as mais incríveis histórias desde a sua fundação, a 12 de agosto de 1904 – em plena época da vacinação obrigatória promovida por Osvaldo Cruz (1872-1917) e o bota-abaixo do prefeito Pereira Passos (1836-1913). Isso para não citar também a fusão com o Club de Regatas Botafogo, a oito de dezembro de 1942.

E para os botafoguenses mais apaixonados, uma última informação: o Botafogo de Futebol e Regatas, informal como sempre, usou pela primeira vez o escudo da estrela solitária a 19 de janeiro de 1943, num simples treino em General Severiano. Não é a cara do Botafogo? Claro que é.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um clube para a história do futebol

O glorioso Botafogo de Futebol e Regatas é realmente um clube surpreendente. Surpreendente até para mim, que o acompanho apaixonadamente há mais de 60 anos, pelos mais diversos estádios do Brasil. Na tarde de domingo, no Engenhão, derrotou o Coritiba por 2 a 0, gols de Renato (foto do site oficial alvinegro) e Lúcio Flávio, e em São João Nepomuceno, graças à iniciativa do fanático botafoguense Marcelo Alves de Mendonça, prestou uma emocionante homenagem aos 50 anos da morte do eterno ídolo Heleno de Freitas. Tão atarefado em coordenar os eventos, Marcelo mal pôde assistir à vitória de seu clube do coração sobre o Coritiba, afastando-se um pouco mais da zona de rebaixamento, já frequentada por clubes de expressão do Brasil.

Às homenagens a Heleno de Freitas (1920-1959) foram prestadas, entre outros, por Luiz Eduardo de Freitas (filho único do craque), Bebeto de Freitas (primo) e ex-jogadores como Maurício, Mendonça, Nílson Dias e uma enorme presença de torcedores alvinegros que vivem na cidade.

Daqui deste espaço de meu blog, quero parabenizar Marcelo Alves de Mendonça pelo êxito obtido nas homenagens e pelo empenho que demonstrou para realizá-las com o maior êxito. Infelizmente, um compromisso cedo no Rio, na manhã de segunda-feira, dia nove, não pude estar presente. Mas guardo comigo, no fundo do coração, o fato de ser um dos raros botafoguenses que viu Heleno em ação em dois jogos do Campeonato de 1947.

Fora isso, no dia sete, à noite, pela ESPN Brasil, tracei um perfil do chamado ‘Craque Galã’, integrante moderado do famoso Clube dos Cafajestes e afilhado de casamento de Edu da Panair, morto prematuramente em 1950 pilotando seu Constellation na chegada a Porto Alegre.

Não há, podem apostar, clube no mundo que tenha as histórias do Botafogo de João Saldanha (1917-1990), Sandro Luciano Moreyra (1919-1987), Oldemário Touguinhó (1934-2002), Vinícius de Moraes (1913-1980), Augusto Frederico Shmidt (1906-1965), Santhiago Dantas (1911-1964) e do grande companheiro da Rádio Globo, Luiz Mendes, que simplesmente narrou a estréia de Heleno pelo Boca Juniors contra o Banfield em Buenos Aires, em 1948.

Eu, modestamente, sem o talento de todos que citei, tento manter a magia do Botafogo – o meu maior amor imaterial. Já escrevi (esgotado) ‘Botafogo – 101 anos de mitos e superstições’ e vou lançar agora, dia 24, na livraria Saraiva do Rio-Sul (só não sei a hora, ‘Botafogo – O Glorioso’, indicado para escrevê-lo pelo próprio presidente do clube, Maurício Assumpção, que escreve a contracapa. Quando souber a hora aviso a vocês todos, pois quero lotar a Saraiva com a torcida mais apaixonada de que se tem notícia.

Entre os que colaboraram no livro, com suas declarações de amor à estrela Solitária, estão Sérgio Augusto, Antônio Maria Filho, Nélson Paiva Paes Leme, Carlos Eduardo Novaes, Carlos Porto (meu irmão e projetista do Engenhão), Marcelo Anthony, Beth Carvalho e muitos outros dos quais, assim em cima da hora, não consigo me recordar.

Parabéns ao time, que soube superar o Coritiba, e a Marcelo Alves de Mendonça, organizador das homenagens a Heleno de Freitas que, amigo de João Saldanha, chegaram a alugar um quarto em cima de uma funerária em Copacabana. Existe um clube assim? Nunca, jamais em tempo algum, inclusive com campeões do mundo como Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo, Zagallo, Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César Lima.


(*) Na foto abaixo, em São João Nepomuceno estão, da esquerda para a direita, Bebeto de Freitas, Mendonça, Nílson Dias, Luiz Eduardo de Freitas, Maurício 89 e Marcelo Alves de Mendonça (coordenador)




quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O ‘Botafogo paraguaio’

(Créditos site do Botafogo Oficial)


É óbvio ululante, como diria meu ex-companheiro de redação Nélson Rodrigues (1912-1980), que os leitores deste meu alvinegro blog conhecem as expressões ‘cavalo paraguaio’ e ‘uísque paraguaio’. Mas na calorenta noite da última quarta-feira, em pleno Engenhão, todos ficaram conhecendo o’Botafogo paraguaio’. Faz tempo – não muito, claro – que eu não via um Botafogo tão mequetrefe como o que perdeu de 3 a 1 para o Cerro Portenho, depois de também ser derrotado por 2 a 1 em Assunção e, por consequência, ser bisonhamente eliminado da Copa Sul-Americana.

Agora eu pergunto: quantos de vocês, meus amigos e companheiros botafoguenses, terão coragem e disposição para ir novamente ao Engenhão estimular esse time – à beira de mais um rebaixamento – na partida contra o Coritiba? Eu, como diria o intelectual Kleber Leite, me incluo fora dessa. Não mais suporto ver o Botafogo pagar micos medonhos como o que pagou diante do não mais que modesto Cerro Portenho. E digo mais: logo após os primeiros minutos de jogo, sentado diante da televisão, percebi que o Botafogo não conseguiria vencer, jogando como jogou. Mas tomar um sacode de 3 a 1 foi demais para o meu visual, como costuma dizer o garotinho José Carlos Araújo. Não foi apenas uma derrota: foi um nocaute.

Ao invés de fingir-se de morto, fazendo com que o Cerro gostasse do jogo e abrisse espaços para contra-ataques, o Botafogo partiu para cima dos paraguaios desde o primeiro minuto, cometendo o erro primário de atacar sempre pelo meio, deixando André Lima cercado por pelo menos quatro zagueiros adversários. Não fosse a entrada (tardia) do garoto Jobson, pela extrema-direita, e não faríamos, com André Lima, um único e chorado escasso gol. Mas tomamos dois logo depois.

Eu me recordei do tempo em que Zagallo era jogador e, depois, técnico do time. Zagallo era matreiro, principalmente em jogos contra o Flamengo. O Botafogo ficava atrás, fingindo ser dominado e, de repente, com a massa rubro-negra empurrando o Simpaticíssimo, vinha o contra-ataque mortal, com Garrincha ou sem Garrincha. Não vou listar aqui as partidas a que assisti, diante do ‘Mais Querido’. Mas o Botafogo de Zagallo – jogador ou técnico, repito – não partia desesperadamente para cima do adversário, mesmo precisando da vitória a qualquer custo. É claro que sofreu uma ou duas derrotas, pois futebol não é matemática e nem sempre dois mais dois são quatro.

Mas o Botafogo de quarta-feira, pelo amor de meus netinhos, jogou pedra em santo e só não tomou de mais porque o goleiro Jefferson andou fazendo umas defesas milagrosas nos contra-ataques paraguaios. Agora, depois dos 15 mil pagantes de quarta-feira, fico imaginando como será nossa torcida num jogo de vida e de morte contra o Coritiba. Ninguém suporta tomar tantas porradas (perdoem o termo) seguidas.

Leandro Guerreiro fez falta? Claro que fez. Mas no esquema que o técnico (?) armou, não sei se faria diferença. Agora, confesso, espero pelo pior. E se voltarmos a desabar para a segunda divisão, não teremos, como já tivemos, o Palmeiras para nos ajudar. Com o elenco que tem, o Botafogo está mais perdido do que cego em tiroteio. E por mais que ame esse clube, há mais de seis décadas, meu pequeno otimismo foi para o espaço sideral.

O Botafogo, realmente, merece o apelido de ‘time paraguaio’, aquele que parece verdadeiro mas não é.

sábado, 31 de outubro de 2009

Seleção Brasileira de 50 dá adeus


Com a morte, ontem em Salvador, do zagueiro Juvenal Amarijo, não sobrou ninguém entre os titulares da amaldiçoada Seleção Brasileira que perdeu do Uruguai (2 a 1) a final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã. O time, escolhido pelo técnico-ditador Flávio Costa (1906-1999), que orientava o Vasco da Gama, era Moacir Barbosa (1921-2000), Augusto da Costa (1922-2004), Juvenal Amarijo (1923-2009) e João ‘Bigode’ Ferreira (1922-2003); Danilo Alvim (1921-1996) e José Carlos Bauer (1925-2007); Manoel ‘Maneca’ Marinho (1926-1961) ou Albino Friaça (1924-2008), Thomaz ‘Zizinho’ Soares da Silva (1921-2002), Ademir Menezes (1922-1996), Jair Rosa Pinto (1921-2006) e Francisco (‘Chico’) Aramburu (1923-1997).

Que todos descansem em paz é o que desejo sinceramente.

A foto que ilustra este triste blog mostra, pela ordem, no Maracanã lotado, de pé, da esquerda para a direita, Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo, Bigode; agachados, na mesma ordem, Friaça (substituto de Maneca), Zizinho, Ademir, Jair e Chico. De todos eles, guardo na lembrança a figura risonha e sempre alegre de Ademir, que tinha uma coluna no jornal ‘O Dia’. Como não sabia escrever do ponto de vista jornalístico, Ademir contava um de seus casos para o excelente jornalista Hideki Takizawa, que verdadeiramente redigia a coluna – muito lida por sinal.

Eu não trabalhava na Editoria de Esportes de ‘O Dia’, mas me sentava ao lado, como responsável pelo noticiário nacional (política de Brasília) e internacional. E foi assim que fiz amizade com Ademir. O ‘Queixada’ logo percebeu que eu conhecia futebol e quando sua memória falhava, para relatar um fato novo a Hideki, apelava para mim, sem a menor cerimônia mas com uma incomensurável simpatia:

- Roberto, hoje estou com a memória fraca. Me conte uma história vivida por mim...

Nunca fui Vasco nem tampouco Fluminense (clube pela qual Ademir jogou em 1946 e 1947). Mas Ademir era um de meus ídolos pelo futebol e pelos gols que marcava. E muitas vezes o salvei relatando um de seus feitos, sempre afugentando a maldita derrota de 1950. Me recordo de que, certa ocasião, fiz com que Ademir passasse a Hideki uma história na concentração do Vasco, quando ele, de molecagem, encheu o prato de Heleno de Freitas (1920-1959) de cebolas. Heleno detestava cebolas e fez um pequeno escândalo, atirando o prato na parede.
Ademir adorou a lembrança.

Hoje, 59 anos depois da Copa de 1950, percebo que o Brasil jogou sempre errado. Não vou criticar os três zagueiros – Augusto, Juvenal e Bigode – porque era assim que se jogava na época. Mas os homens de meio-campo, Bauer, Danilo, Zizinho e Jair não marcavam rigorosamente ninguém. E tem mais: no esquema do ‘Professor’ Flávio Costa, o Brasil jogava com dois pontas abertos (Maneca ou Friaça) e um centroavante, Ademir, enfiado entre os zagueiros adversários. Resultado: ficava um enorme buraco entre Juvenal e Augusto e Juvenal e Bigode.

E vejam que Flávio Costa teve três oportunidades seguidas de enfrentar o mesmo Uruguai pela Copa Rio Branco. Perdeu o primeiro jogo no Pacaembu por 4 a 3, venceu apertado por 3 a 2 em São Januário e levantou o troféu com a magérrima vitória por 1 a 0, também em São Januário, tudo isso às vésperas da Copa do Mundo, já em 1950. Em poucas e resumidas palavras, Flávio sabia como o Uruguai jogava.

Por tudo isso, num curso que dei na UniverCidade sobre Jornalismo Esportivo, com o já falecido companheiro Fernando Horácio da Matta, custei a entender a frase de Zizinho aos alunos. Usando de rigorosa autenticidade, Zizinho disse o seguinte:

- Naquele 16 de julho de 1950, se eu pudesse escolher um time para jogar, optaria pelo do Uruguai...

Vida que segue. Sob as vistas de Mário Jorge Lobo Zagallo, que, soldado, fazia segurança do Exército nas tribunas do Maracanã, a Seleção Brasileira de 1950 já não mais existe.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Saudades de um grande ídolo


Infelizmente, só conheci Nílton Santos pessoalmente algum tempo depois dele encerrar sua brilhante carreira. Como homem de redação do meu sempre querido Jornal do Brasil, a cobertura do Botafogo pertencia ao repórter Sandro Luciano Moreyra (1910-1987) e, mais tarde, já no time bicampeão carioca (1967-1968) ao também repórter João Areosa Duarte. Ficamos amigos quase que por acaso. Numa resenha da antiga TV-E (hoje TV Brasil), declarei que o melhor jogador do Botafogo que vi jogar era ele, Nílton Santos. Certa vez, num jogo do Botafogo à noite, na saída do Maracanã, alguém me agarrou pelo braço e disse a seguinte frase:

- Agora, você não pode desmentir. Gravei tudo o que disse a meu respeito...

O cidadão que me segurou era simplesmente Nílton Santos.

Daí em diante foi uma festa. Encontramo-nos diversas vezes, dei carona a ele de uma solenidade na prefeitura (época de Luiz Paulo Conde) e chegamos a viajar juntos para São Paulo, onde ele seria entrevistado no programa ‘Bola da Vez’ da ESPN Brasil. Mas a mais emocionante de todas às vezes foi quando o Botafogo me chamou, em plena reunião do Conselho Deliberativo (do qual fiz parte por mais de 15 anos), para homenageá-lo. Veterano de tantas batalhas, com Nílton Santos sentado à minha frente, falei, recordei fatos de sua carreira, suas grandes vitórias no Botafogo e na Seleção Brasileira, mas acabei derrapando: como diria Nélson Rodrigues (1912-1980) chorei lágrimas de esguicho, o mesmo acontecendo com meu eterno ídolo e sua mulher, dona Célia. Foi rigorosamente impossível conter a emoção que me assaltou.

Não tive coragem de ir vê-lo no hospital. Tenho dois medos: a de tornar a me emocionar e a de Nílton Santos não me reconhecer. Por isso, foi com rigorosa surpresa que meu amigo e companheiro de profissão Maurício Thuswol, botafoguense como eu, me mandou a foto que ilustra este blog, de autoria do fotógrafo Rodrigo Queiroz (http://www.rodrigoqueiroz.art.br/) de um Nílton Santos, ainda com muita saúde, à beira de sua casa de praia, em Araruama. E não faz muito tempo que outro dos meus ídolos alvinegros, Otávio Sérgio de Moraes (1923-2009) me revelou que o apelido de Nílton Santos, entre eles, jogadores da época, era simplesmente ‘Caminhão’.

Nílton me contou a briga que teve com Heleno de Freitas (1920-1959), logo no primeiro coletivo do Glorioso, em 1948 (Heleno ainda ficaria uns meses em General Severiano e jogaria pelo menos oito partidas com Nílton Santos). Tudo aconteceu quando Nílton Santos, entre os reservas, deu seu famoso e lindo drible de corpo em Heleno e foi xingado pelo temperamental e fantástico centroavante (morto há 50 anos). Nílton Santos, sempre malandro, respondeu ao xingamento dizendo que quem sabia da vida de Heleno era Zizinho (1921-2002). Por pouco os dois não se atracaram. Quando Zizinho soube da discussão (sempre foi amigo de Nílton Santos), perguntou:

- Mas Nílton, por que você me colocou nessa história infeliz?

E Nílton respondeu de estalo:

- Porque você é meu amigo e foi o primeiro nome que veio à minha cabeça...

Dizer que não tenho gigantesca saudade de Nílton Santos seria uma mentira das grossas. Tenho sim, mais do que podia imaginar. Sinto até saudades do soco que ele deu em Armandinho Marques, em 1971, no Maracanã, trabalhando como supervisor do Botafogo. Nílton Santos atravessou o campo, depois de o Botafogo perder o título para o Atlético Mineiro (tinha que ganhar por três ou quatro a zero) e acertou Armando Marques numa foto feita por José Santos, de O Globo (foi Prêmio Esso).

Nílton Santos, hoje adoentado, pode ter certeza. Não mais precisa me segurar pelo braço nem gravar minha entrevista. Tenho certeza absoluta de que ele foi o maior jogador da história do meu tão amado Botafogo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os demolidores de estádios

Como os torcedores do Urubu são indivíduos de pouca leitura – com as raras e honrosas exceções de sempre – imaginam que o Engenhão seja propriedade particular do Botafogo de Futebol e Regatas, e não um bem público cedido ao alvinegro pelo prazo de 20 anos. Assim, desacostumados ao conforto e a instalações modernas, decidem quebrar tudo o que encontram pela frente. Foi assim que essa malta rubro-negra comportou-se no clássico Botafogo x Flamengo no último domingo. Esses bandidos, disfarçados de torcedores do Simpaticíssimo, quebraram tudo o que encontraram pela frente, como banheiros e cadeiras (foto). As latrinas, a que não estão acostumados, também foram quebradas, assim como torneiras e pias.

Pessoalmente – posso estar completamente equivocado – não acho que o Botafogo deveria receber essa súcia (bela palavra, não?) de malfeitores em outra partida no Engenhão. Quando o mando de campo voltar a ser do Botafogo, o clube deveria propor um local neutro, como São Januário ou (quem sabe?) Volta Redonda. Como o Urubu não tem estádio – aliás, tem, mas está caindo aos pedaços – quando tiver o mando de campo, sugiro o Aterro do Flamengo ou a área gramada do Jóquei Clube Brasileiro. Por sinal, o Jóquei não é bem o local indicado pois esses bandidos, que brigam entre si (só por brigar porque dinheiro ninguém tem) não sabem exatamente para que serve o belíssimo Jóquei Clube Brasileiro.

Retido em casa por razões de trabalho, escutei o jogo pela sempre alegre transmissão de José Carlos Araújo. E seus repórteres, todos eles competentes, antes da partida, já chamavam a atenção para o confronto entre as quadrilhas que formam as torcidas organizadas do Flamengo. Impressionada com o quebra-quebra, a repórter Maria Chuteira – inteligente e sensível, além de engraçada – estava disposta a dar uma geral nos banheiros. Alertada por José Carlos, ela disse que entraria nos banheiros masculinos acompanhada por soldados da PM a fim de não ser agredida.

Aliás, não é de hoje que os vândalos agem. Mesmo no Maracanã – outro estádio que pertence ao poder público – eles, os vândalos já chegaram a roubar latrinas para colocá-las em suas ‘mansões’. E, na avalanche que formam à esquerda das tribunas, quebraram a cerca de proteção e muitos caíram lá de cima nas gerais, por coincidência num Botafogo x Flamengo do Campeonato Brasileiro de 1992. Eu mesmo, numa atitude desassombrada, caí na besteira de levar meninos vascaínos e rubro-negros num Flamengo x Vasco no Maracanã. No final da partida, tive que me proteger dos tiros atrás de uma Kombi que vendia cachorros-quentes.

Em poucas e resumidas palavras, em qualquer jogo do Flamengo (contra os demais grandes do Rio) a chapa esquenta. E na saída dos estádios (falo mais do Maracanã), eles, os supostos torcedores, sobem no teto dos ônibus como se estivessem pegando surfe. E não há polícia que dê jeito nessa algazarra que, inúmeras vezes, já terminou com mortos, feridos e aprisionados. É o destino e pouco se pode fazer para impedir depredações, tumultos (entre eles próprios), assaltos, tiros e o diabo a quatro. E vejam vocês, meus leitores deste blog, que já assisti a inúmeros jogos entre Botafogo x Flamengo, em tempos mais remotos. E sempre me lembro de meu pai, rubro-negro decente, após um jogo Botafogo 5 x 0 Flamengo. Na saída do Maracanã, entristecido, meu pai me disse a seguinte frase inesquecível:

- Roberto, o juiz roubou para o Botafogo...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Estou cansado desse Botafogo

( crédito: site Oficial do Botafogo)


Os meus amigos alvinegros haverão de me perdoar. Mas não posso guardar isso em meu coração. Estou cansado de perder para o Flamengo – mas muito cansado mesmo. Domingo, quando Lúcio Flávio perdeu aquele pênalti, diante do idiota microcéfalo do Bruno, quase tive um peripaque. Estou cansado de ver a maior paixão imaterial da minha vida – são mais de seis décadas de amor pelo clube – estar na rabeira do Campeonato Brasileiro, disputando palmo a palmo a sorte de escapar da segunda divisão. Em poucas e resumidas palavras, como diria Hélio Fernandes, dono da Tribuna da Imprensa, onde trabalhei com afinco e dedicação, estou cansado do Botafogo. Sinceramente, hoje me arrependo de ter influenciado tanta gente para torcer pelo Glorioso. Glorioso de quê? De ser saco de pancadas dos medíocres?

Em anos brilhantes, cooptei o hoje saxofonista Mauro Senise (na época meu cunhado), meu filho Roby Porto e meus netos, João Jorge Vargas, meus primos Luiz Eduardo Couto Ribeiro e Maria Carmem Couto Ribeiro, e mais uma dezena de amigos e amigas até porque minha memória não é de ferro e não me recordo de todos eles. O fato, indiscutível é que estou cansado. Estou cansado de tomar goleadas de clubes medíocres, de ter permitido que o Urubu tenha conquistado o pentatri em cima do Botafogo e de sentir a tristeza de companheiros de jornalismo como Sérgio Cavalcanti, Luís Carlos Mello, Washington Rope, Haroldo Habib, Maurício Fonseca, Sérgio Augusto, Carlos Eduardo Novaes, Antônio Maria Filho, João Pedro Paes Leme, Luiz Fernando Lima, Mara Bentes, Eloir Maciel (felizmente este mora na Argentina) e meu amigo de infância, o engenheiro Luís Carlos Albuquerque.

Estou cansado de ver o meu Botafogo perder justamente no estádio (Engenhão) projetado pelo meu irmão Carlos Porto, botafoguense como eu, e de meu outro irmão, Maurício Porto, alvinegro roxo, mas tão roxo que só ouve jogo pelo rádio. Estou cansado de ver a tristeza da amiga Malu Cabral – sempre tão fiel e que coloca meus blogs na Internet – o abatimento de meu eterno companheiro César Oliveira e fico imaginando a sorte de outros que já se foram e já não podem ver esse Botafogo fajuto, como Sandro Moreira, João Saldanha, Otávio Name, Neivaldo Carvalho, Américo Pampolini Filho, Borjallo (o homem que inventou o plim-plim da Globo), Oldemário Vieira Touguinhó e tantos outros que cruzaram minha vida ao longo de tanto tempo.

Estou cansado dessa imitação que se denomina Botafogo.

Isso não quer dizer que vou abandonar o barco. Nada disso. A essa altura do campeonato, se o Botafogo afundar de vez, afundarei com ele. Mas de agora em diante não vou mais ao Engenhão (já que o Maracanã será fechado) e não mais escutarei jogos pelo rádio. Televisão? Nem pensar. Para assistir o quê? As roubalheiras? Os gols perdidos por atacantes que vestem a alvinegra linda? Sem chance. Esse Botafogo que aí está não é o meu Botafogo de outrora, quando Manga, às vésperas de jogos contra o Flamengo, gastava o dinheiro na feira dizendo que adversário era ‘bicho certo’.

Por favor, não me chamem de pessimista. Sou apenas realista. O Botafogo, na minha imaginação fértil, é uma espécie de mulher que amo de montão e que só me dá foras seguidos. Não tenho sangue da barata para viver assim. Serei Botafogo, repito, até o apito final, mas que estou cansado, isso estou. Cansado de montão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Boa viagem, meu ídolo de infância

Um dos meu maiores ídolos de infância e juventude, Otávio Sérgio de Moraes (1923-2009), morreu ontem, segunda-feira, num hospital do Rio. Pelo que estou informado, tudo começou quando, idade avançada, ele levou um tombo em casa e fraturou o fêmur. Daí em diante seu estado só fez piorar e, por mais que sua família se esforçasse, o capitulo final chegou.

Infelizmente, só pude privar da intimidade dele, artilheiro e campeão de 1948, muito mais tarde, em festas e reuniões em Venceslau Brás. Sempre solícito e falastrão, jamais me escondeu nada. E me parabenizou por ter, em 1998, convencido o presidente Mauro Ney Palmeiro a organizar uma festa para comemorar os 50 anos da histórica conquista sobre o Vasco da Gama, em General Severiano. Paraguaio abriu o escore, Braguinha ampliou e no segundo tempo Otávio colocou 3 a 0 no placar. Numa jogada infeliz, Ávila, que aparece na foto, fixou o escore em 3 a 1. Foi o único título do Botafogo em General Severiano.

Numa entrevista que fiz com ele, ao lado do companheiro César Oliveira, em 2005, revelei que, garoto, desmaiei de emoção quando ele, de bicicleta, aos 37 minutos do segundo tempo, acertou uma bicicleta certeira no canto de Mão de Onça (no gol à direita das sociais), na suada vitória sobre o Bangu, em 1949. Otávio até me consolou. Disse que aquele gol matou do coração um torcedor alvinegro que estava atrás do gol e nem houve tempo para transportá-lo ao Hospital Rocha Maia, alí pertinho, atrás do gol à esquerda das tribunas sociais.

Conversamos dezenas de vezes. Falei até na Seleção Brasileira que, em 1949, conquistou o título do Campeonato Sul-Americano de 1949. Otávio, que era ponta-de-lança, me revelou que Flávio Costa – com seu habitual esquema ditatorial – o escalou de centroavante, posição que ele nunca jogara. O ataque jogava com Tesourinha, Zizinho, Otávio, Jair Rosa Pinto e Simão. Ora bolas, Otávio, com a camisa 10, era o ponta-lança que chegava para bater em gol as jogadas tramadas por Zizinho e Jair não tão criticada Diagonal. Não podia jogar com a camisa nove porque, definitivamente, ficava isolado entre os zagueiros adversários. Acabou barrado e irritado com Flávio Costa, que levou esse esquema furado até a Copa de 50.

Eu garoto, ainda tenho um botão com o nome Otávio, jogando na meia-esquerda, com Heleno avançado entre os zagueiros de meus adversários. E o meu Otávio era um de meus artilheiros, batendo em gol sempre que a bolinha sobrava na entrada da área. Otávio Sérgio foi titular do Botafogo até 1953 e me contou histórias incríveis. Uma delas, conhecida por poucos, era o apelido que eles deram a Nílton Santos: ‘Caminhão’. Outra, depois de Heleno provocar Osvaldo Baliza, que tomou um frango, Heleno virou-se para ele e perguntou na hora da nova saída do Botafogo:

-Tatá, estou de costas...O Baliza ainda está olhando para mim?

A foto que ilustra esta matéria é do Torneio Início de 1949, em Álvaro Chaves, que o Botafogo prestigiou, colocando seu time titular em campo. Lá estão, de pé, da esquerda para a direita, Juvenal Francisco Dias, Gérson dos Santos, Osvaldo Baliza, Nílton (Caminhão) dos Santos, Osvaldo Ávila e Rubinho; agachados, na mesma ordem: Edgídio (Paraguaio) Landolfi, Ephigênio (Geninho) Bahiense, Sílvio Pirillo, Otávio Sérgio de Moraes e Braguinha.

Que você faça boa viagem, Otávio, e que a terra lhe seja mais leve do que nunca.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os que me ajudaram a escrever o livro

Antes de recomeçar a batalha do blog, faço a mais absoluta questão de agradecer àqueles que deram seu depoimento no meu livro, ‘Botafogo – O Glorioso’. São eles Carlos Porto (meu irmão e autor do projeto do Engenhão), Carlos Eduardo Novaes, Antônio Maria Filho,
Maurício Thuswohl, Bruno Porto (meu sobrinho atualmente em Xangai e analisando o escudo da estrela solitária como o melhor do mundo), Sérgio Augusto, Gabriel Góes Barreira, Luiz Fernando Maia, Sylvio Back, Leonel Ventorim de Jesus (direto de Lisboa), Luiz Carlos Melo, Nélson Paes Leme, Sérgio Cavalcanti, Roberto Sant’Anna, Maurício Fonseca, Ricardo Baresi, Haroldo Habib, Jorge Aurélio Dominguez, João Ignácio Muller, Marcos Penido, Marcos Sperli Garcia, Marcello Antony, Beth Carvalho, Rafael Almeida e Stepan Nercesian. Isso para não falar na orelha do livro, escrita por José Inácio Werneck, e a contracapa, pelo presidente do Botafogo, Maurício Assumpção.

É um excelente time, é ou não é?

O prefácio só podia ser de César (vai com acento) Oliveira, meu parceiro eterno.
São depoimentos emocionantes, podem apostar.

(*) A foto? Bem a foto foi escolhida porque gosto dela e foi após o gol de Roberto, em 1964, eliminando o ‘Mais Querido’ do Campeonato Carioca. Está bem escolhida, não está?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Finalmente, eis o livro


Passei meses sem escrever um único e escasso blog. Mas tive razão para isso. A Editora Leitura, de Belo Horizonte, me encomendou um novo livro sobre o Botafogo. Foi um trabalhão, escrevendo matérias e colhendo depoimentos dos mais famosos botafoguenses que pude encontrar. O resultado está aí. Quando será lançado, não sei. Mas valeu a pena. Foi uma espécie de reencontro com meu querido clube, que passa por uma fase difícil, juntamente com o Fluminense. Mas haveremos de sair dessa incômoda posição. O Botafogo jamais se deixou abater e não será agora que isso ocorrerá. Por enquanto, faço questão de que os leitores deste blog sintam o que foi o meu trabalho, ajudado, nas entrevistas, pela jovem Camila Justino, aluna da PUC


* clicando em cimada foto, ela ficará ampliada para que possam vê-la melhor.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Este homem faz falta


Sigo batalhando o livro para a editora de BH. Estou concluindo.
Segurem mais um pouco que volto com força total. Mas que tal fazer uma homenagem a João Sem Medo (1917-1990), do sensacional Ique, botafoguense como nós e que ilustrou meu primeiro livro. Ique é sensacional
Roberto Porto

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pausa para mais um livro

* Meu blog está momentaneamente estacionado – à Rua General Severiano, é claro – pois estou terminando de escrever mais um livro sobre a gloriosa história do Botafogo.

Trata-se de uma encomenda da Editora Leitura, de Belo Horizonte, e segundo de lá me informaram fui indicado pelo presidente alvinegro Maurício Assumpção.

O livro resume os caminhos do Botafogo de 1904 aos dias de hoje e tem depoimento de torcedores famosos, entre atores, escritores e jornalistas consagrados.

Pelo que sei, o livro fará parte de um kit, que terá um livreto infantil e outro chamado ‘Meu clube do coração’. Por isso, para completar o livro principal do Glorioso, voltarei com o blog assim que enviar os originais à editora.

domingo, 12 de julho de 2009

Botafogo e Roberto Carlos


O dia de sábado, pode-se dizer, foi feliz. À tarde-noite, o Botafogo, mesmo sem jogar a bola que todos nós gostamos, derrotou o Avaí e escapou, pelo menos momentaneamente, da lista dos quatro que serão rebaixados em 2010. E à noite, apesar da chuva, Roberto Carlos – não o jogador mas o cantor – empolgou o Maracanã com um belo show em homenagem a seus 50 anos de carreira. Não me considero um fã de Roberto Carlos, mas suas músicas sempre me remetem a tempos mais felizes e de menos responsabilidades. Foi, em sua maioria, o período em que trabalhei em Bloch Editores, trabalhando em diversas revistas e ganhando um dinheiro que me permitiu comprar meu primeiro carro, um Volkswagen.

É verdade que o Botafogo ganhou a partida em jogadas de bola parada e que, no segundo tempo, deixou um buraco na defesa, pelo lado direito, por onde um tal de Roberto deitou em rolou. Não sei como Ney Franco não percebeu a estratégia adversária. Graças a ela, tomamos um gol e não fosse a segura atuação do goleiro uruguaio Castillo, tomaríamos outros.

Particularmente, não gostei da dupla de ataque Victor Simões e André Lima. A rigor, os dois não levaram o menor perigo à defesa adversária. E Reinaldo, que entrou quase no final, não fez rigorosamente nada. É verdade que era sua primeira partida, após muito tempo. Mas está fora de forma.

Falta muito para que o Campeonato Brasileiro termine. Mas confesso que esse Botafogo está muito longe do Botafogo do Campeonato Carioca, mesmo derrotado nos pênaltis pelo Simpaticíssimo. Mas uma vitória – a segunda, apenas – não pode ser contestada.

Vamos ver o que o treinador vai fazer nos próximos jogos, até porque Victor Simões e André Lima não corresponderam como dupla de ataque. Um detalhe: gostei do uniforme preto (detesto o branco), até porque é ele que figura nos estatutos como segunda opção. Ou então o Botafogo cria um novo, cinza, talvez, para não repetir aquele branco medonho que usou no jogo contra o Atlético Mineiro.

Hoje, domingo, vou ficar por aqui. Estou na expectativa de escrever um novo livro sobre o Botafogo e isso tem me preocupado muito.

domingo, 5 de julho de 2009

Stallone está sendo sondado


Assim que soube da possibilidade da volta de Zé Roberto ao Botafogo, um dirigente do clube – não estou autorizado a revelar seu nome – telefonou para Hollywood e mandou chamar nada menos do que Silvester Stallone, o famoso Rambo. Por quê? Numa função remunerada, em reais, Stallone ficaria encarregado de tomar conta de Zé Roberto de manhã à noite.

Não seria uma operação cara, até porque Stallone teria, também, que vigiar Adriano, logicamente adentrando armado até os dentes na Vila Cruzeiro, reduto do famoso imperador daquele clube da Beira da Lagoa. As despesas seriam divididas e Zé Roberto e Adriano ficariam quietinhos.

Parece, porém, que Zé Roberto está fazendo um milhão de exigências. Num clube como o da Gávea, faltar aos treinos – alegando as mais variadas indisposições – não dá em nada. Se isso for verdade, o Simpaticíssimo terá que arcar com todas as despesas de Rambo em sua estada no Rio. Mas que Rambo já foi contatado, isso foi.

E como está um pouco fora de moda, ficou de estudar a proposta, primeiro a do Botafogo, depois a do clube da Gávea. Mas que seria curioso e interessante, isso seria. Imaginem Silvester Stallone, armado até os dentes, no túnel do Botafogo ou do Flamengo?

Outro clube que está interessado em Stallone é o São Paulo. Ronaldo Fenômeno não está suportando o clima de prisão a ele imposto pelo clube paulistano e ninguém se espantará se ele, Ronalducho, não aprontar uma das suas, fugindo da concentração e se instalando na night.

Por sorte, pura sorte, Stallone não pegou Garrincha em plena forma de escapar das concentrações. Pelo que sei, através de depoimentos de seus companheiros, ele só se segurava na Seleção Brasileira. Mesmo assim, conseguiu o feito de fazer um filho numa sueca – o rapaz é a cara dele. No Botafogo, então, era uma festa.

Hoje vou ficar por aqui depois do empate de 1 a 1 com o Galo. O Botafogo até que jogou bem, mas não tem ataque. E sem ataque, tem que contar com as faltas cobradas por Juninho, como aconteceu no Mineirão. Mas o resultado não foi de todo ruim, diante de uma multidão no Mineirão.

Agora, um detalhe: durante todo o jogo – a que assisti pela televisão – toda hora confundia os jogadores do Atlético, com a camisa alvinegra, com os do Botafogo, com um bisonho uniforme branco. Será que vai ser sempre assim? E o uniforme cinza que estava sendo bolado?

O Botafogo tem que ter um terceiro uniforme. Todo de branco confunde seus já sofridos torcedores. Estou ou não com a razão?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Seleção salvou meu final de semana

A essa altura do Campeonato Brasileiro, ocupando o último lugar e com dois jogos fora para fazer, o que eu vou dizer a respeito do outrora glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. A surra que o time tomou do Goiás em pleno Engenhão (4 a 1) me colocou a nocaute. O clube, como havia previsto em blogs anteriores, está no fundo do poço e – me parece – sem qualquer chance de reagir.

A segunda divisão está à vista e, dessa vez, pelo que percebo, o Botafogo não terá uma espécie de Palmeiras para ajudá-lo a recuperar sua posição entre os 20 da primeira divisão. Uma lástima.

Prefiro escrever sobre a Seleção Brasileira (foto) que conquistou uma vez mais, agora na África do Sul, o título de campeã da Copa das Confederações. É claro que os Estados Unidos não representam um adversário de respeito e tradição. Mas, em razão do andamento da partida, foi uma vitória heróica.

Perdendo de 2 a 0 no primeiro tempo, chegar aos 3 a 2 foi um feito espetacular. Particularmente, fiquei satisfeito que o gol da vitória foi de Lúcio, o capitão do time, um dos que envergam a camisa verde e amarela com maior empenho, coragem, dedicação e amor.

É verdade que o primeiro gol de Luís Fabiano, antes do primeiro minuto do segundo tempo, ajudou muito. Os americanos tomaram um susto e a partir daí o Brasil tomou conta da partida. Quase ao final, eu já estava esperando pela prorrogação – o que já seria um feito – mas Lúcio, após a cobrança de escanteio, foi preciso na cabeçada fatal.
E vejam que o goleiro americano, para surpresa minha, esteve muito bem o tempo todo, inclusive usando de malandragem na bola que entrou e ele enganou juiz e bandeirinha. Os jornais esportivos do mundo devem estar boquiabertos com o surgimento dos pentacampeões mundiais e tricampeões da Confederação.

A vitória sobre os Estados Unidos, da maneira como ocorreu, salvou meu final de semana, que estava liquidado com a goleada que o Botafogo tomou. E agora, o que fazer? Honestamente, não sei. Fico imaginando o jogo do returno, quando o Botafogo terá que ir ao Serra Dourada, carregando em seu currículo o espancamento que tomou em casa.

E digo a vocês, leitores, que de agora em diante não mais falo do alvinegro no Brasileiro. Não terei o que dizer. Prefiro voltar às minhas histórias de tempos mais gloriosos, que muitos gostam de ler para saber do verdadeiro e autêntico Botafogo – que não é esse que se arrasta na lanterna.

Hoje, especialmente, hoje, em razão das circunstâncias, meu blog é menor. Estou chocado com o placar de 4 a 1. Pode ser – não acredito – que o time reaja, mas acho isso muito difícil. Depois tentam negar a frase de que há coisas que só acontecem ao Botafogo. Mas ela é rigorosamente autêntica.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O novo selo contra roubo de carros

O número de roubos, furtos e depredações de automóveis no Rio de Janeiro aumenta a cada mês. Ou o carro é transportado para um desmonte – no qual suas peças são vendidas à bangu, ou simplesmente ele é clonado, com nova placa, e dá um trabalho gigantesco à Polícia Militar.

Por isso, um grupo de especialistas do Detran, após longos meses de estudos, chegou à conclusão de que o selo (acima estampado) pode reduzir em 95% as queixas de proprietários nas delegacias espalhadas por toda a cidade.

Trata-se de um selo que, colado no vidro dos automóveis, deve diminuir brutalmente essas ocorrências policiais. O selo – ou plástico – ainda não está disponível, mas a partir do mês que vem fará parte integrante da vistoria dos automóveis que forem renovar seu IPVA. Mesmo que o proprietário do veículo não goste das cores – inspiradas em rituais do candomblé – ele será de uma utilidade inestimável na proteção contra roubos.

Vou encomendar dois: um para o meu carro, outro para minha bicicleta. O selo, digamos assim, funciona como uma espécie de salvo-conduto contra a bandidagem que anda solta pelas ruas e vielas da cidade, que já foi Maravilhosa.

Há alguns anos, o Kharman Ghia do comentarista Sérgio Noronha, hoje na Rede Bandeirantes, obviamente não era portador do novo selo que será obrigatório. Mas o carro foi logo encontrado, intacto, graças a um gigantesco escudo do clube da cruz de malta que trazia em seu vidro traseiro.

Mas os tempos agora são outros, principalmente para aqueles que vão comprar um veículo zero quilômetro, aproveitando os últimos dias da ausência do IPI. Não se trata de preferência por esse ou aquele clube. Trata-se de uma espécie de seguro obrigatório que todo proprietário deve colar no vidro traseiro – de preferência – pois será logo identificado.

Muito mais útil do que o já tradicional bafômetro – com conseqüências imprevisíveis –o novo selo permitirá ao proprietário do veículo que ultrapasse, incólume, a qualquer das batidas policiais espalhadas pela cidade. Mas o selo não pode ser pequeno: tem que ser enorme, para ser visto não só pela bandidagem como, também pelos policiais.

Particularmente, considero a invenção do Detran algo de inacreditável. Até porque levou anos para ser aprovada. Muitos elementos da comissão não o queriam aceitar, mas concluíram que era a melhor solução. Grande sacada.

Por fim, se for dirigir – à noite, principalmente – pode beber à vontade mas jamais se esqueça do selo de segurança. É uma advertência especial e deve ser obedecida por gregos e troianos. Eu, como já disse, aprovo a idéia.

domingo, 21 de junho de 2009

A ficha custou a cair


Para começo de conversa, confesso que sou supersticioso, especialmente em relação ao Botafogo. Mas jamais aceitei a história dos 21 anos sem ganhar um título. Se o Glorioso fora campeão em 1968, naquele 21 de junho de 1989 ele estava há 20 exatos anos sem levantar o Campeonato Carioca. Fecharia 21 se perdesse para seu grande rival no Rio. Aí sim, completaria o número que se transformou em cabalístico para os alvinegros. Mas naquela noite de quarta-feira, estava confiante, embora tivesse pela frente a tarefa de editar as páginas de esporte da Tribuna da Imprensa, na Rua do Lavradio.

À tarde, recebi um telefonema do amigo Márcio Guedes, na época comentarista da TV Manchete. Márcio estava pessimista e me disse que estava com vontade de não ir ao jogo. Disse a ele que fosse por dois motivos: primeiro, porque o Botafogo seria campeão; e, segundo, porque estava obrigado a comentar a partida ao lado do narrador Paulo Stein. Creio que Márcio, ainda no Leme, onde mora até hoje, ganhou certo estímulo, tanto é que estava ao microfone quando a decisão começou. Valeu a pena.

Preso ao trabalho – como ocorreu no Brasileiro de 1995 – assisti ao jogo pela televisão na sala do diretor do jornal Hélio Fernandes Filho e deixei com o companheiro Arthur Parahyba (1920-2004) a tarefa de redigir o que estava acontecendo no Maracanã. Ou porque estava trabalhando ou porque tinha um horário rígido para fechar a página, não me recordo de grandes emoções na hora em que Maurício, aproveitando o cruzamento de Mazolinha, marcou o gol de vitória aos 12 minutos do segundo tempo. Creio que achei cedo demais para comemorar a vitória e o título de campeão.

A ficha só foi cair quando cheguei em casa e queria, de todo o jeito, ir a General Severiano comemorar o fim de um jejum tão longo. Mas já era tarde e minha mulher me convenceu a ficar sossegado, assistindo aos teipes pela televisão. Só dias depois, fui a algumas comemorações, uma delas, no domingo seguinte, num bar em Copacabana e outra num restaurante, com os jogadores, em um jantar numa churrascaria. O Botafogo, finalmente, me tirara das costas um peso que carregava há duas décadas e me dera ânimo para que o clube seguisse no caminho das vitórias, como ocorreu em 1990.

Hoje, tanto tempo depois, aquela minha alegria arrefeceu. Não me conformo, de jeito algum, em aceitar a perda, três vezes seguidas, do título carioca para o mesmo Flamengo, em 2007, 2008 e agora em 2009. O Botafogo do meu tempo era mais Botafogo, carregava uma multidão ao Maracanã e rivalizava com o Santos, apontado como o melhor time do Brasil. E não posso me queixar da década de 90, quando o clube mantinha uma equipe forte, vencedora e conquistava novos torcedores.

Serei Botafogo até o apito final de minha vida, nos estádios, na televisão e até pelo rádio. Fui Botafogo até mesmo na segunda divisão, marcando presença no Caio Martins. Mas as três sucessivas derrotas justamente para o Flamengo fizeram com que o ano de 1989 ficasse um pouco escondido no meu coração. Jamais me conformarei com isso. Por quê? Porque o Botafogo, há mais de seis décadas, é o meu maior amor imaterial.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O ‘Forró de Curitiba’


Domingo, quando liguei a televisão, juro pela minha mãe mortinha – até porque ela já se foi – que pretendia torcer pelo Clube da Beira da Lagoa, aliás, Flamengo. Estava empolgado com a escalação do Imperador no ataque rubro-negro, ele que manda e desmanda em todas as comunidades cariocas. Torcia, também, pelo Juanito das Candongas, aquele lateralzinho que gosta de meter medo em seus adversários. E, também, pela camisa vermelha e preta, embora os ‘inimigos’ achem que ela parece pano de macumba. Mas tudo bem. Ajustei a TV Fla no Canal 4 e fiquei à espera de uma surra naquele time de Curitiba, que seus torcedores apelidaram de ‘Coxa’.

De repente me lembrei que tenho, na capital do Paraná, um amigo de um amigo de um tio meu – gente finíssima, que torce pelo Coritiba. Aí, mesmo contra a vontade, passei a querer que o Coritiba aplicasse no Flamengo um novo forró, desta vez o ‘Forró de Curitiba’, Afinal estamos em junho e os paranaenses – como todo o povo brasileiro – comemoram as datas juninas. E aconteceu o que todo mundo viu. O Coritiba esculachou o time do Urubu, metendo 5 a 0 nos peitos da turma da Praia do Pinto.

Fui dormir contente, imaginando a alegria do amigo do amigo do meu tio. Mas confesso que, da próxima vez – juro pelo meu pai mortinho – até porque ele já se foi também – que darei mais uma oportunidade ao Flamengo, que está sempre na TV Globo. Aliás, O Globo, na segunda-feira, abriu em manchete ‘Derrota inaceitável’.

E eu pergunto por quê? O Globo quis dizer que o Flamengo – também chamado de Simpaticíssimo e Mais Querido – não pode ser esculachado? Fiquei sem entender a manchete.
O Flamengo, por acaso, é inderrotável? O Bruno não é o melhor goleiro do Brasil? O Imperador de Vila Cruzeiro não é o tal – que não treina de manhã porque tem atividades noturnas? Tenham paciência. Ele tem compromissos.

O ‘Forró de Fortaleza’ já está longe no calendário esportivo e foi aplicado pelo Botafogo no Castelão no time de Romário, o ‘Marrentinho’. Por que o Coritiba não poderia repetir a façanha? A cada gol do ‘Coxa’, esquecido de que pretendia torcer pelo Mais Querido, dei gritos medonhos, que assustaram todo o condomínio e que me valeram uma advertência do síndico, que, por falta se sorte minha, frequenta a Praia do Pinto.

Mas, como diria João Saldanha, vida que segue. Outros forrós virão por aí, pois o Brasileiro está só começando. Mas, pelo menos a princípio – desde que não tenha amigos de amigos de meus parentes – sempre estarei disposto a dar uma força àquela camisa de umbanda. Tenho pelo Flamengo um carinho incomensurável. E não haverá de ser a reedição de um forró curitibano que afetará essa minha atitude – tomada de repente.

Mas que os 5 a 0 foram demais, isso foi. E por pouco o Mengão não toma de mais. Pena que a Globo tenha abaixado o som do olé – nem mesmo se referiu a isso – e que Júnior Capacete tenha comentado a partida. O gol contra, então, foi espetacular. Jamais havia presenciado uma jogada daquelas. E estou certo de que vascaínos e tricolores também ficaram com pena do rubro-negro.

Mas o importante foi a nova edição do forró, desta vez no Paraná.