quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Botafogo decreta luto e lamenta morte do benemérito Roberto Porto
Com imenso pesar, o Botafogo de Futebol e Regatas lamenta o falecimento
do benemérito, jornalista, escritor e historiador botafoguense Luiz
Roberto Ribeiro Porto, ou Roberto Porto, como era conhecido. Com a saúde
fragilizada, ele morreu, aos 74 anos, na manhã desta quinta-feira no
Hospital do Andaraí, onde estava internado.
O Botafogo decreta luto oficial de três dias e hasteia sua bandeira a
meio mastro, em honra e agradecimento a este grande botafoguense, que
durante anos representou o clube com efusivas demonstrações de carinho,
além de crônicas e livros memoráveis sobre o Glorioso.
O clube manifesta solidariedade e força a amigos, familiares e fãs de
Roberto Porto, jornalista de carreira brilhante. O velório será
realizado a partir das 16h30 desta quinta, na Sala de Imprensa Armando
Nogueira, em General Severiano. O enterro será às 11h de sexta, no
Cemitério São João Batista.
Botafogo de Futebol e Regatas
Botafogo de Futebol e Regatas
Morre, aos 74 anos, o jornalista e escritor Luiz Roberto Porto
Robertão, como era chamado, era pai do narrador Roby Porto, sofria de complicações da diabetes e nutria paixão especial pelo Botafogo
Por SporTV.com
Rio de Janeiro
O Brasil perdeu mais um craque do jornalismo esportivo. Morreu na manhã desta quinta-feira, aos 74 anos, o jornalista Luiz Roberto Porto, vítima de complicações provocadas pelo diabetes. Robertão, como era conhecido, era pai do narrador Roby Porto, do SporTV, e foi um dos profissionais de imprensa mais atuantes entre as décadas de 60 e 90.
Nascido em 22/2/1940, Roberto Porto foi editor de esportes do “Jornal
do Brasil”, do jornal “O Globo” e do "Jornal dos Sports", estando à
frente de coberturas de diferentes Copas do Mundo, Jogos Olímpicos e
Pan Americanos. Formado em Direito, sua carreira acabou voltada para o
jornalismo esportivo. Robertão mantinha um blog e participava do
programa “Loucos por Futebol”, do canal ESPN Brasil.
Torcedor do Botafogo, eleito benemérito do clube este ano, Porto
escreveu vários livros, entre eles “História Ilustrada do Futebol
Brasileiro”, ao lado de João Máximo e Salomão Scliar, e “Gírias e
Verbetes Futebolísticos”, com Carlos Leonam e Manoela Pena, além de
“Dicionário Popular de Futebol – o ABC das Arquibancadas” e “Botafogo,
101 Anos de Histórias, Mitos e Superstições”.
O jornalista deixa dois filhos - Roby e Cristiana -, além do enteado Mario Henrique Bittencourt.
Site oficial do Botafogo homenageia Luiz Roberto Porto, apaixonado pelo clube (Foto: Reprodução)
Homenagem do Botafogo
O site oficial do Botafogo informa que o clube decretou luto oficial de
três dias pela morte do grande jornalista, apaixonado pelo Alvinegro, e
publicou nota lamentando o ocorrido.
"Com imenso pesar, o Botafogo de Futebol e Regatas lamenta o
falecimento do benemérito, jornalista, escritor e historiador
botafoguense Luiz Roberto Ribeiro Porto, ou Roberto Porto, como era
conhecido. Com a saúde fragilizada e vítima de complicações provocadas
pela diabetes, ele morreu, aos 74 anos, na manhã desta quinta-feira no
Hospital do Andaraí, onde estava internado.
O Botafogo decreta luto oficial de três dias e hasteia sua bandeira
a meio mastro, em honra e agradecimento a este grande botafoguense, que
durante anos representou o clube com efusivas demonstrações de carinho,
além de crônicas e livros memoráveis sobre o Glorioso.
O clube manifesta solidariedade e força a amigos, familiares e fãs
de Roberto Porto, jornalista de carreira brilhante. As informações sobre
velório e enterro ainda serão divulgadas."
O velório será realizado a partir das 16h30 desta quinta, na Sala de Imprensa Armando Nogueira, em General Severiano. O enterro será às 11h de sexta, no Cemitério São João Batista.
Botafogo de Futebol e Regatas
O velório será realizado a partir das 16h30 desta quinta, na Sala de Imprensa Armando Nogueira, em General Severiano. O enterro será às 11h de sexta, no Cemitério São João Batista.
Botafogo de Futebol e Regatas
Roberto Porto faleceu aos 74 anos (Foto: Reprodução SporTV)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Botafogo, bicampeão brasileiro
Para mim – e para muitos outros alvinegros – o Botafogo de Futebol e Regatas e apenas campeão brasileiro de 1995, em memoráveis duas partidas contra o Santos. Mas a CBF, que tudo muda de uma hora para outra – baseada em relatórios estranhos, deu ao Glorioso o título de campeão brasileiro de 1968, como campeão da Taça Brasil. No infeliz Natal que tive, com a morte de minha companheira de 22 anos, Ada Regina Guimarães, foi o único presente que recebi – e amainou minha tristeza.
Agora, quer queiram ou não, o Botafogo do meu coração é bicampeão brasileiro de 1968-1995. Por que vou discutir? Por que vou negar? A CBF quis assim e eu aceito, até porque não estou em condições psicológicas de recusar rigorosamente nada. O que vier para amainar a minha dor será recebido de bom grado. E o Botafogo, já disse mil vezes, é o maior amor imaterial de minha vida. E assim será até que o árbitro soe o meu apito final. Levarei comigo estes e (quem sabe?) outros títulos.
E aí está o Botafogo campeão brasileiro de 1968, ligeiramente desfalcado, mas sempre o famoso alvinegro de General Severiano: de pé, de esquerda para a direita, Moreira, Cáo, Zé Carlos, Dimas, Carlos Roberto e Valtencir; agachados, na mesma ordem, Zequinha, Afonsinho, Ferretaço, Humberto Redes e Paulo César Lima. E quem não gostar da idéia, é só mandar uma reclamação para a CBF. O Simpaticíssimo já disse que vai mandar. Ele, Simpaticíssimo, e o Tabajara Futebol Clube.
O chororô agora é na Gávea, onde havia a Favela do Pinto.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Um Natal de tristeza
Estou passando, com a mais absoluta das certezas, o Natal mais infeliz de minha existência. Perdi, há 24 dias, a grande companheira de minha vida, Ada Regina Guimarães. Nós nos conhecemos a 23 anos na redação da Tribuna da Imprensa, eu como editor de esportes, ela como estagiária de diagramação. Começamos a namorar e em 1988 fomos viver juntos em Vila Isabel, com o filho dela, Mário Henrique Bittencourt – hoje advogado do Fluminense – quando ele tinha apenas nove anos. Foi um período maravilhoso, repleto de alegrias, sorrisos e, inclusive, ainda com a presença de meus pais, que já se foram faz tempo.
Poucos anos depois, graças a meu trabalho, já como editor nacional e internacional de O Dia, pude realizar um de seus sonhos: uma viagem ao exterior. Profunda conhecedora de inglês, ela queria conhecer os Estados Unidos. E fomos nós três para Nova York, em fevereiro, onde fomos recebidos por meu filho Roby Porto que nem sonhava em trabalhar como narrador de televisão – na ESPN de lá, no início e na Sportv hoje em dia. Ela tinha tanto medo de avião (jamais havia embarcado num deles) que, enquanto o Boeing taxiava na pista, no Galeão, ela me perguntou aflita:
- Já decolamos?
Quando desembarcamos no Aeroporto Kennedy, meu filho estava nos esperando. Fazia um frio, acreditem, de 17 graus abaixo de zero. Pelas ruas desertas de Nova York só circulavam uns poucos táxis, com correntes nos pneus. Ficamos num hotel modesto, pertíssimo do Central Park – totalmente coberto pela neve – e perto, também do sinistro Edifício Dakota, onde John Lenon (1940-1980) foi assassinado a tiros e também foi rodado o filme de terror de Roman Polanski, em 1968, ‘O bebê de Rosemary’, com Mia Farrow e John Cassavetes nos papéis principais.
Na segunda semana o tempo melhorou. Chegou a 12 graus acima de zero e pudemos aproveitar algumas das atrações daquela que é considerada a capital do mundo. Chegamos a visitar o famoso Empire State, a Broadway, o Lincoln Center e outros lugares que minha memória não está ajudando. Passei meu aniversário lá, dia 22 de fevereiro, num restaurante português que levava o nome de ‘Cabana Carioca’. Para mim, especificamente, não foi uma aventura. Como jornalista, viajei quase o mundo todo – inclusive a Arábia Saudita – e estive quatro vezes nos Estados Unidos. Mas para Ada Regina, foi um sonho. O único que realizou em vida.
Hoje, sozinho em casa, tento relembrar aqueles momentos de muita neve e de raros raios de sol. E sinto uma dor profunda no peito. Nem o fato de o meu Botafogo ter sido agraciado com o bicampeonato brasileiro me alegra. Ela me faz uma falta incomensurável. Jamais esquecerei sua ausência e de seu jeito de caminhar na neve nas calçadas novaiorquinas. Não acredito em outras vidas. Mas a que ela me proporcionou irá comigo até o meu apito final.
Obrigado por ter existido, Ada Regina. Obrigado, mesmo.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Nota de falecimento
Morreu ontem, dia 30, no Rio, na Oncoclínica da Barra da Tijuca, a querida Ada Regina Guimarães, esposa de meu querido amigo Roberto Porto.
Os amigos que quiserem mandar uma mensagem de apoio nessa hora de dor, o e-mail dele é portoroberto@uol.com.br
Atenciosamente
Malu Cabral
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Obrigado, Loco Abreu!!!
O tempo passa, os campeonatos se sucedem e eu fico ainda mais apaixonado pelo Botafogo. Não sei, sinceramente, até onde esse meu amor irá. Antigamente não ficava tão nervoso e ansioso. Hoje, com mais de seis décadas de Botafogo nas costas, estou cada vez pior. Minha vida – alegria e tristeza – passa a depender dos resultados do Botafogo. Ainda mais agora com jogos no meio de semana. Confesso aos leitores desse blog – se é que ainda me seguem – que fico desorientado no dia em que o Botafogo vai enfrentar qualquer adversário. Só consigo pensar no jogo e como o Botafogo do meu coração vai se comportar em campo, no Engenhão ou fora dele.
Na noite de quarta-feira foi assim, diante do Vasco. O placar do primeiro tempo quase me desmontou. Mas no segundo tempo, os dois gringos, Herrera (que gol lindo) e Loco Abreu se encarregaram de evitar uma derrota que parecia certa. E como há coisas que só acontecem ao Botafogo, Loco Abreu (foto) empatou a partida em 2 a 2 quando faltavam poucos minutos para o final da partida. Vibrei como se fosse um gol de vitória e pude dormir em paz, embora os três pontos não tenham vindo.
Aproveito esse espaço para pedir aos torcedores do Glorioso – campeão de 1910 e 2010 – que não vaiem os jogadores que não estão bem. Não exijo que os aplaudam. Mas não vaiem. Jamais em minha vida vaiei um jogador alvinegro. Aquela camisa para mim é um símbolo. E vaiar um jogador que a está vestindo, acho eu, é um ato inominável. Por isso a reação grosseira de Caio – que já nos salvou várias vezes – reagindo à torcida. O Botafogo não merece isso. A gloriosa camisa alvinegra não pode ser enxovalhada por quem a veste. Ela é linda e é um símbolo para nós todos.
Obrigado, Loco Abreu – uruguaio gelado – pela cobrança do pênalti sem cavadinha, matando a pau o goleiro do Vasco. Para um time que perdia por 2 a 0 e teve Herrera expulso, foi um bom resultado. Podia ser melhor, claro, mas com 10 homens ficou de bom tamanho. O importante era evitar a derrota. E Loco Abreu nos deu esse presente no finalzinho. Agora posso dormir mais ou menos em paz.
O Botafogo, em poucas e resumidas palavras, é uma de minhas razões de viver. E como digo no alto do blog. É a minha indubitável e gigantesca paixão imaterial. Obrigado, uruguaio, pela frieza e pela categoria. Siga sempre assim.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O desfalque que é reforço
A periodista Mariúcha Moneró (foto de Leopardo da Vinte) reinou no marketing do Glorioso durante o período do presidente Bebeto de Freitas – cujas contas ainda não foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo. Sempre soube que Mariucha era apaixonada pelo Tricolor das Laranjeiras, mas como ela cantava o hino Alvinegro, nos jogos do Botafogo, imaginei que tinha virado a casaca. O tempo passou e através de Jefferson Mello, aliado de Bebeto, fui convidado a escrever para o site uma vez por semana. Disse a ele que uma vez era pouco e passei a colocar três colunas no site.
Autoritária, aparentando saber mais do que sabia, Mariúcha jamais atendeu uma única, escassa e miserável sugestão minha para melhorar o site. Uma delas era a de entrevistar, com fotos, semanalmente, botafoguenses famosos como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Marcelo Antony, Murilo Benício, Dira Paes, Léo Baptista, Luiz Penido, Eraldo Leite, Luiz Mendes, Lúcio Mauro, Otávio Augusto, Glória Menezes, José Augusto Branco e tantos outros globais e não globais.
Ela, Mariúcha, cheia de marra, vetou. E eu também acabei vetado três meses depois.
Não me considero um sujeito que tudo sabe sobre o Glorioso. Há muita gente que sabe mais do que eu. Mas sei um pouco, tenho fotos antigas no computador, sou sócio proprietário, pertenci ao Conselho Deliberativo por 15 anos e tenho este blog. Mas o Botafogo e Mariúcha, não me pagaram os três meses de colaboração (com nota fiscal). Deixei meu último salário para ser distribuído entre os funcionários mais humildes, que viviam com seus ganhos mensais atrasados e tirei meu time de campo de cabeça erguida. Fiz o que me permitiram fazer, embora me proibissem de colocar as centenas de fotos que possuo. Foi uma pena. Meu arquivo estava à disposição.
Ao todo, escrevi três livros sobre o Botafogo: ‘Didi – Treino é Treino, Jogo é Jogo’, ‘Botafogo – 101 anos de Histórias, Mitos e Superstições’ e por último, agora em 2010, ‘Botafogo – O Glorioso’. Os dois primeiros estão esgotados. O terceiro, impresso em Belo Horizonte, ainda pode ser encontrado em poucas livrarias. Jamais pedi um tostão ao Botafogo para escrevê-los, até porque passei batido por nomes de dirigentes ou pseudo-dirigentes. Contei sempre histórias, passadas a mim por Didi – com quem trabalhei na Rádio Globo – Neivaldo Carvalho e Américo Pampolini, todos falecidos, Robert James Neil, o Bob, Nílton Santos, Luiz Mendes e, hoje em dia, o talentoso dentista Ronald ‘Marretinha’ Alzuguyr. Isso para não falar em colegas de redação como João Saldanha e Sandro Luciano Moreyra e Oldemário Vieira Touguinhó, os três também mortos prematuramente.
Em poucas e resumidas palavras, repito, conhecia e conheço mais sobre o Glorioso do que todos os que integravam o marketing na época de Mariúcha, a tricolor. Mas tudo isso é passado. O que tinha que escrever sobre meu clube do coração já escrevi. Aí, veio Maurício Assumpção e afastou Mariúcha, que foi acolhida no marketing do Tricolor. E lá ela também mandava e desmandava. Segundo informações de cocheira, soube por interpostas pessoas, que lá também ela foi colocada para escanteio, ou seja, detonada. Para mim, Mariúcha, no Fluminense, é um desfalque que é um reforço. O marketing tricolor só tem a ganhar com sua ausência. Pode ser que agora, sem a ditadura de Mariúcha, o marketing tricolor ganhe destaque, até porque o clube vem fazendo boa campanha no Brasileiro deste ano.
Boa sorte, Mariúcha. Quem sabe o Beira da Lagoa não a chame para conturbar mais o clube?
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Um time retrancado
Depois de várias semanas de folga – em razão de compromissos particulares e de trabalho – retorno ao blog para fazer duas perguntas aos botafoguenses velhos de guerra: por que o Glorioso jogou em seu campo (General Severiano), em 1964, valendo-se de um esquema 4-4-2? Haveria alguma explicação para isso?
Por fim, um desafio: quem são os jogadores desta foto histórica?
(*) Será que o Botafogo conseguirá superar tantos desfalques no Brasileiro de 2010? No próximo sábado à noite, pela ESPN Brasil, no ‘Loucos por Futebol’ falo sobre as conquistas de 1910 e 2010 – números que formam um século de diferença e que só poderiam acontecer ao Botafogo de Futebol e Regatas.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Botafogo está nas cabeças
Depois de alguns dias de descanso – afinal somente o amor pelo Botafogo me sustenta aqui neste blog – para parabenizar o clube pelo avanço que conquistou neste Campeonato Brasileiro de 2010, ocupando agora a terceira posição, atrás apenas de Fluminense e Corinthians. Faço questão, também, de cumprimentar a torcida alvinegra que compareceu em peso à partida de sábado, contra o Avaí, pois está ganhando novamente confiança no time. Trinta e cinco mil presentes – com 30 mil pagantes – é uma prova disso. Se passarmos pelo Ceará (alvinegro como nós), aí, sim, o Botafogo poderá pensar pelo menos em disputar a Taça Libertadores.
Aproveito também para saudar a inauguração da estátua de Jairzinho, um dos ídolos co clube, como já foram homenageados Nílton Santos e Garrincha. E faço questão de esclarecer, com as fotos que Malu Cabral postará para mim, que a demonstração de alegria demonstrada por Jair Ventura Filho na estátua foi inspirada num dos gols que ele marcou a 15 de novembro de 1972, quando o Glorioso espancou o Tabajara Futebol Clube (ou Urubu, como quiserem) por 6 a 0 no Maracanã. É uma vitória inesquecível, como tantas que o alvinegro conquistou sobre seu inimigo.
No momento, a única coisa que me preocupa é a escalação do ataque do Botafogo, com Jóbson e Herrera, pois três jogadores de peso ficam no banco a maior parte dos jogos: Loco Abreu (herói da decisão contra o Tabajara no Campeonato Carioca deste ano), Caio Talismã e Édino. Concordo que é uma bela opção tática de Papai Joel, mas deixo a pergunta no ar: será que Loco Abreu concordará em ser banco por muito tempo? Temo que ele queira sair, logo agora que se tornou um ídolo da torcida. Mas ficarei torcendo para que ele volte logo à forma, pois é uma estrela.
A nota triste me foi passada por Felipe Perlingeiro, neto de Ariosto (1928-2010), centroavante do Botafogo na década de 50. Ariosto morreu dia primeiro deste mês, de infecção pulmonar, no Hospital Santa Marta, em Niterói. Por coincidência, num dos meus últimos blogs publiquei uma foto de um time daquela época, cujo ataque era Zezinho, Néca, Ariosto, Otávio Sérgio e Válter (na foto, Néca e Zezinho estão em posições trocadas). Só três leitores conseguiram identificar todos os jogadores no desafio que fiz e que gosto de fazer para ver quantos acompanharam o time.
Não faz muito tempo, conversei com Ariosto pelo telefone (não sei como consegui o número dele). Chegamos a marcar um encontro em Caio Martins (ele sempre morou em Niterói), mas ele me advertiu: ‘Você vai custar a me reconhecer... Engordei muito mesmo...’ Ariosto foi um dos meus artilheiros preferidos e uma vez, em General Severiano, chegou a ser escalado com os braços protegidos por talas, pois não queria ser barrado. Ele, certa vez, fez um gol incrível contra o Urubu (Botafogo 2 a 1), chutado uma bola no ângulo. Creio que terá sido em 1952, mas isso só o Pedro Varanda – a nova Enciclopédia do Botafogo – pode dizer com certeza.
Que a terra lhe seja leve, artilheiro de minha infância...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Urubu agora é Tabajara F.C

Os torcedores do Glorioso aprovaram, com louvor, a adoção pelo Urubu da Gávea do uniforme do Tabajara Futebol Clube, em lugar da camisa de macumba utilizada até hoje. Fui informado, também, que o Beira da Lagoa pode mudar de nome, em razão das peripécias criminais perpetradas nos últimos tempos por Bruno da Samudio, Adriano da Chatuba e Wagner Love da Rocinha. Sendo assim, os adeptos do Urubu fariam uma homenagem aos atores e protagonistas do programa Casseta & Planeta, da Rede Globo de Televisão, tentando angariar alguma simpatia.
O novo uniforme – como o antigamente oficial – é medonho, nas cores amarelo e azul, mas, em todo caso, já é uma tentativa de mudar a má fama do clube. O problema é que nem todos os torcedores do Urubu são aquinhoados e custarão a comprar as novas camisas. Mas desde já, mesmo sendo horroroso, aprovo a mudança, não apenas para algumas partidas, mas para todas. De qualquer maneira, acho que os atores do Casseta & Planeta poderiam entrar com uma ação judicial contra o Urubu por usurpação de cores – o que fatalmente levaria o velho Urubu à falência completa.
(*) No desafio do último blog, apenas tive três acertadores: Roberto Sobral, César Nardin e Humberto Cottas. Na foto de 50 estão, pela ordem, Carlito Roberto, Oscar Basso, Oswaldo Baliza, Nílton Santos, Ávila e Rubinho, de pé; agachados, Neca, Moisés (Zezinho) Ferreira Alves, Ariosto Perlingeiro, Otávio Sérgio e Walter. Na prática, o time jogava assim: Oswaldo, Rubinho, Basso e Nílton Santos; Ávila e Neca; Zezinho, Ariosto, Otávio Sérgio e Walter. Este último voltava um pouco para compor o meio-campo, enquanto Ávila, às vezes, fazia o papel de quarto- zagueiro. Mas o 4-2-4 só viria a aparecer a partir de 1956, com o mineiro Martim Francisco, no Vasco.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Que Botafogo é este, gente?

O Botafogo desta foto de hoje tem, simplesmente, 60 anos. Eu, ainda garoto, o vi jogar. Mas a grande maioria dos meus leitores, não. Lanço, portanto, o desafio: quem são, um a um os jogadores da foto, no Maracanã e não apenas isso: como jogava na prática este lindo e inesquecível Glorioso (para mim pelo menos)? Malu Cabral, minha amiga, não sabe. César Oliveira, idem. Quem conseguirá acertar estes 11 jogadores, numa época em que não havia substituições nem cartões amarelos e vermelhos? Acrescento que, na época, mesmo de calças curtas, eu já era alvinegro apaixonado – paixão que foi aumentando e hoje transformou-se numa loucura total.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Amarildo chega aos 70 anos
Este blog é em homenagem ao campista Amarildo Tavares Silveira, que no último dia 29 de julho completou 70 anos. Mas fica a pergunta: que time é o da foto em General Severiano? Simplesmente é o da formação básica que levou o Botafogo ao bicampeonato carioca de 1962, derrotando o Urubu, com ligeiras alterações, por 3 a 0. Aí estão pela ordem: de pé, Joel Martins, Manga, Nílton Santos, Zé Maria, Ayrton Povil e Rildo; agachados, Garrincha, Arlindo, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Na prática, dirigido por Marinho Rodrigues, jogava com Manga, Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Ayrton, Arlindo e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo, que já conquistara no Chile o bicampeonato mundial em lugar de Pelé.
Como realmente há coisas que só acontecem ao Glorioso, o clube, gradativamente, foi se desfazendo de jogadores importantes, como Paulo Valentim, o guerreiro de 1957, vendido ao Boca Juniors; Didi, o mestre, transferido ao Real Madri (no qual não se deu bem) no início de 1962; Amarildo, negociado com o Milan, em 1963 e, por fim, Arlindo, que ainda jogou em 1963 mas acabou no México pouco depois. O sonho de João Jobim Alves Saldanha, de transformar o Botafogo num verdadeiro escrete, com a compra do passe de Didi, em 1956, foi por água abaixo.
Só não escoou pelo ralo porque com o dinheiro da venda de Amarildo (150 milhões de cruzeiros), o Botafogo comprou o passe de Gérson ao Urubu em 1963 (ele só pôde jogar em 1964) e promoveu duas autênticas revelações do juvenil: nada menos do que Jairzinho e Roberto Miranda, além de promover Rogério Ventilador, Carlos Roberto e Paulo César. Por isso, o Alvinegro conquistou o bicampeonato de 1967-1968 e, depois, amargou um longo jejum até 1989. Mas a venda de Amarildo, com apenas 23 anos para a Itália, foi um desastre, mesmo levando-se em conta que a negociação permitiu a vinda de Gérson, incompatibilizado no Urubu de Flávio Costa.
Como veterano torcedor apaixonado pelo Botafogo, guardo de Amarildo grandes recordações, no Alvinegro de General Severiano e na Seleção Brasileira. No Chile há pelo menos quatro momentos preciosos de Amarildo, a quem Nélson Rodrigues deu o apelido de Possesso. Os dois gols da vitória sobre a Espanha, em passes de Garrincha, o gol sem ângulo contra a então Tchecoslováquia na final e, no mesmo jogo, o drible desconcertante em seu marcador – que se esparramou pelo gramado – e o centro preciso para Zito, do Santos, marcar de cabeça o segundo gol do Brasil. Vavá, que já jogava no Atlético de Madri, marcou o terceiro dos 3 a 1, numa falha do goleiro.
Pelo Botafogo, a 15 de dezembro de 1962, tenho na memória uma grande jogada de Amarildo. Jogando com uma coxeira – deve ter sentido algo no músculo – ele, de maneira esperta, lançou Zagallo livre, nas costas de Murilo, zagueiro-direito do Urubu. Zagallo foi à linha de fundo e centrou para a área. Foi então que Quarentinha, numa tesoura voadora espetacular, da marca do pênalti, acertou um balaço que Fernando não segurou. Garrincha, malandro, vinha chegando e só tocou para dentro do gol, marcando os 3 a 0 que matou o Urubu de raiva e deu ao Glorioso o bicampeonato carioca. Naquele dia, no Maracanã, 145 mil pessoas pagaram ingressos.
Parabéns pelos 70 anos, Amarildo. E obrigado pelas alegrias que me deu.
(*) Correção: no último blog, falei nos dois goleiros afro-descendentes que foram convocados para a Seleção Brasileira: Osvaldo Baliza e Jefferson. Mas há mais dois brancos: Manguinha, desastroso em 1966, além de Paulo Sérgio, que não chegou a ser titular.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Dois goleiros de Seleção

Conheci pessoalmente Oswaldo Alfredo da Silva (1923-1999), o Oswaldo Baliza, exatamente na noite de 12 de dezembro de 1998, no salão nobre da sede de Venceslau Brás (ou General Severiano, como quiserem os leitores). Por quê? Porque naquela data estavam sendo completados 50 anos da conquista de 1948, sobre o Vasco da Gama. Tive a idéia da festa, apoiada pelo presidente Mauro Ney Palmeiro, mas poucos foram os campeões que compareceram além de Oswaldo. Rubinho havia morrido, Gérson dos Santos estava em Minas e Nílton Santos, em Brasília; Ávila morava em Resende; Paraguaio morrera pouco antes, assim como ocorrera com Geninho, Pirillo e Braguinha. Além de Baliza, só lá estavam Juvenal e Otávio Sérgio.
Conversei um bom tempo com Oswaldo, que estava acompanhado da mulher, e me assustei com a altura dele. Ou eu crescera muito (1m86) ou Baliza, com o tempo, diminuíra um pouco. Foi um bate-papo meio estranho, pois Baliza parecia meio ausente. Pouco tempo depois, ele foi cumprimentar alguns amigos e a mulher dele me disse que o marido, no dia seguinte, já não se lembraria de nada. Sofria do Mal de Alzheimer, como Nílton Santos sofre hoje. Como não conhecia pessoalmente Juvenal, gastei o tempo conversando com o artilheiro Otávio Sérgio de Moraes.
Na época, pelo que me recordo (não tenho Alzheimer), lamentei muito a ausência de Nílton Santos, Gérson e Ávila. E não me conformava com a morte de Egídio Landolfi, o Paraguaio, dias antes. Curiosamente, conversei com Paraguaio na varanda da sede e ele estava muito bem. Tão bem que me revelou que estava cobrando uns atrasados do Botafogo, na época em que exerceu o cargo de técnico. Mas sequer houve tempo para que o Glorioso saldasse seus compromissos com ele. Pouco depois, ele morreu sem receber o dinheirinho a que tinha direito. Fiquei triste com a história.
Hoje, pelo que estou informado, apenas Juvenal (com um problema na próstata) e Nílton Santos (Alzheimer) estão vivos, como os únicos heróis daquela histórica campanha, quando o Botafogo perdeu na estréia para o São Cristóvão (sem Nílton Santos, substituído por José Sarno) e só empatou mais duas vezes: uma com o Fluminense (2 a 2), em General Severiano, e outra com o Bangu (zero a zero) em Moça Bonita. As demais partidas o Botafogo Venceu-as todas, inclusive duas vezes diante do Urubu e mais duas enfrentando o Vasco, mesmo em São Januário (2 a 1).
Mas o blog de hoje não é para recordar vitórias e ao mesmo tempo tristezas. É para comemorar a convocação do goleiro Jefferson por Mano Meneses, transformando-o no 47º jogador do Botafogo chamado para a Seleção Brasileira, o que dá ao Alvinegro a liderança absoluta em termos de jogadores chamados para defender o Brasil. E Osvaldo? Por quê? Simplesmente porque Oswaldo Baliza foi campeão Pan-Americano pela Seleção Brasileira em 1952, entrando na decisão contra o Chile no Estádio Nacional. Zezé Moreyra, o técnico de Baliza no Campeonato Carioca de 1948, viu que Carlos Castilho (Fluminense) não estava bem e não vacilou: lançou Oswaldo Baliza em seu lugar para conquistar o primeiro título internacional do Brasil em terras estrangeiras.
Daqui deste espaço, faço uma homenagem aos nossos dois goleiros, ambos afro-descendentes (fotos), os únicos do Glorioso (fora Manga) a serem convocados para a Seleção Brasileira que, desastres à parte, na África do Sul, há pouco tempo, é a única pentacampeã mundial. Sorte para Jefferson, nosso goleiro e paz para Oswaldo Baliza, o único de quem Heleno de Freitas tinha medo.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Urubus torcem para Bruno
Como já esperava, alguns dos dirigentes do Urubu agourento estão na expectativa de mais um inquérito policial que não dará em nada, rigorosamente em nada. Desobedecendo as ordens da presidente do clube, Patrícia Amorim – que queria a demissão de Bruno da Samudia por justa causa – esperam que mais um bandido da Gávea escape sem punição da esfera judicial, como ocorreu com Adriano da Chatuba e Wagner Love da Rocinha, que fugiram do Brasil. Eles, os tais dirigentes (que aparecem na ilustração apreciando um treino na Gávea), aguardam que o julgamento do bando de bandidos que cerca Bruno da Samudia termine sem culpados do crime.
Eu, que estudei Direito Penal – além de Processo Penal – na Faculdade Nacional de Direito, sei muito bem como funciona a suposta justiça criminal. O matador pelas costas de uma jovem jornalista do Estado de São Paulo, o tal Pimenta da Veiga, segue em liberdade pelas ruas paulistanas. O mesmo acontece com os assassinos da jovem atriz Daniella Perez – filha da novelista Glória Perez, da Rede Globo – e podem apostar: dentro de pouco tempo, os Nardoni, que atiraram uma menina pela janela em São Paulo, também terão a maldição chamada ‘progressão da pena.
O Direito Penal brasileiro, em poucas e resumidas palavras, é um nojo. Nem mesmo serve para punir bandidos e traficantes assassinos. Querem um exemplo? Pois muito que bem: um dos matadores do jornalista Tim Lopes, sujeito bom, que estudou e conquistou emprego na Rede Globo, ganhou liberdade condicional e nunca mais deu as caras no merecido cárcere. Os advogados de criminosos fazem a festa, proíbem depoimentos, testes de DNA, acareações e o diabo a quatro. As brechas das leis penais permitem isso. Sujo como o Direito Penal, só mesmo o Direito Trabalhista, criado unicamente para defender os patrões inadimplentes, como já ocorreu comigo.
Larguei o Direito justamente por isso e me tornei jornalista, antes mesmo de me formar em 1965. E não me arrependo. No Brasil, a pena maior é de 30 anos, sem contar o incrível recurso de progressão. Nos Estados Unidos, há a prisão perpétua. Por que não imitarmos os americanos? Não sei responder. E isso vem de longe, desde a época em que Pero Vaz de Caminha – que não era escrivão da corte lusitana – escreveu a carta ao rei de Portugal. Com a carta, Caminha conseguiu a libertação do irmão, que furtara obras de arte de uma igreja de Lisboa. Hoje as coisas pioraram, e não há lei de ‘ficha limpa’ que impeça ladrões do tesouro de concorreram às eleições.
Outro dia mesmo, assisti na televisão – canal de assinatura – a história de um nazista que mandou fuzilar 300 italianos (escolhidos a esmo) em Roma. Ele foi preso por agentes israelenses em Bariloche, Argentina, e repatriado à Itália. Imaginei que acabasse fuzilado pelo crime hediondo que cometeu. Errei feio. A justiça italiana, tal qual a brasileira, decretou prisão domiciliar para ele. Foi ou não foi um prêmio? Detalhe: a prisão domiciliar que ele cumpre – se é que cumpre – é num belo prédio em Roma, num bonito edifício, pago pelo poder público, ou seja, pelos impostos que o bilionário Berloscuni cobra do povo. Um absurdo tipicamente ao estilo brasileiro.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Só me resta seguir batendo
Na véspera de mais uma trágica partida do Botafogo contra o Flamengo (perdoem a má palavra) pelo Campeonato Brasileiro, assisti pela televisão a uma rápida entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano (completará 70 anos agora em três de setembro). Galeano, como todos sabem (ou deviam saber) comparou Garrincha (1933-1982) a nada mais nada menos do que a Charlie Spencer Chaplin (1889-1977), o genial Carlitos que encantou muitas gerações de cinéfilos. Veio a quarta-feira chuvosa e fatídica e o Glorioso, supostamente em vantagem psicológica sobre seu mais temível rival, perdeu bisonhamente por 1 a 0 no Brasileiro.
Em 15 jogos pelo citado Campeonato Brasileiro, desde 2000, o Botafogo sofreu oito derrotas e conseguiu apenas sete empates. A última vitória alvinegra, por 3 a 1, ainda nos tempos de retorno de Donizete, ocorreu a sete de outubro de 2000, já na era do sérvio Petkovic envergando a pavorosa camisa rubro-negra. Aí eu pergunto: de que valeu nossa vitória no Campeonato Carioca, com gols de Herrera e Loco Abreu, se pouco tempo depois entregamos o ouro ao bandido? Quem vai se recordar dela agora, depois da nota zero que o Glorioso tomou diante de um clube que ainda é um caso de polícia, com os feitos de Adriano da Chatuba, Wagner Love da Rocinha e, agora, de Bruno da Samudio – e outros integrantes parceiros de Bruno da Samudio?
Sou botafoguense apaixonado – mais do que devia, estou certo – mas não alivio atuações pífias, sem alma e empenho. A rigor, o ‘Botafogo não vale nada mas eu gosto de você’, como na música do conjunto ‘Calcinha Preta’, que tanto sucesso fez. Depois a diretoria do clube fica se perguntando por que razão a torcida alvinegra está envelhecendo. Por causa dessas derrapagens constantes – e irritantes – que só afastam os jovens da camisa alvinegra. Quem quer ser Botafogo? Poucos, muito poucos, embora, segundo o Ibope, o Alvinegro seja o 12º colocado na preferência de torcedores do clube em todo o Brasil (193 milhões de habitantes), na frente do carioca Fluminense, que é o 14º. Mas uma derrota dessas é um pontapé no saco de todos.
O Botafogo – quanto mais velho fico – segue sendo o maior amor imaterial de minha vida. Mas isso não quer dizer que me conformo com vergonhas desse tipo. O Botafogo, como Jesus Cristo fez, em sua época, simplesmente ressuscitou um morto, como Lázaro, que depois, mostrando serviço, virou São Lázaro. E o que me resta fazer aqui em meu blog, postado gentilmente pela alvinegra apaixonada Malu Cabral? Continuar batendo no Tinhoso, que, na prisão, irá formar uma dupla sertaneja com o assassino da filha, o monstro Nardoni. Ou então dizer que surgiu um advogado japonês, especialista em Direito Penal Brasileiro, para defender Bruno da Samudio. O nome dele? É simplesmente Sugiro Kifuja. Será que vai conseguir alguma coisa?
Eu, apesar de tudo, das gozações com o Tinhoso, alvo de várias polícias, continuo puto da vida. Como é se que atira pela janela uma vitória que virou livro (21 depois de 21), de Rafael Casé e Paulo Marcelo Sampaio? E A conquista espetacular do Campeonato Carioca de 2010 – homenagem aos campeões de 1910? Quem irá ao Engenhão ver o Botafogo jogar a bola quadrada que jogou com o Tinhoso? Eu não vou nem de graça, nem que me arrastem à força. Sou daqueles torcedores que não vaiam time nem jogadores, por uma única e escassa razão: eles estão vestindo a camisa mais bonita do mundo, ilustrada ainda pelo mais belo escudo de um clube, eleito por uma revista japonesa. E desse jeito, que o Botafogo tome cuidado para não cair uma vez mais para a segunda divisão. Seria simplesmente o apocalipse.
Botafogo ressuscita um morto
Creio que já escrevi aqui que não sou muito chegado a religiões. Conheço um pouco da história delas todas, mas minha grande e única paixão imaterial é o Botafogo de Futebol e Regatas. Mas como estudei em colégio católico (Instituto São Fernando, no Rio), sei muito bem que Jesus Cristo ressuscitou Lázaro. Em poucas e resumidas palavras, para chegar aonde quero chegar, O Glorioso ressuscitou o Tinhoso, que estava literalmente morto, na noite da última quarta-feira no Maracanã. Abatido pelos casos de Adriano da Chatuba, Wagner Love da Rocinha e Bruno Samudio, o Urubu, para ser enterrado, só precisava de sete palmos de terra.
Pois o Botafogo me fez o favor de perder para um time bisonho, abatido moralmente, ridicularizado por todas as demais torcidas, reforçando a história de que ‘há coisas que só acontecem a ele, Botafogo’. Pior: mesmo desfalcado de Loco Abreu, há 10 anos o Botafogo não supera o medonho Urubu em campeonatos Brasileiros. Depois da sensacional vitória no Campeonato Carioca deste ano, o alvinegro de General Severiano pagou um mico que lhe será caro no futuro para resgatar. Como botafoguense, não posso admitir que meu clube reerga um clube no fundo do poço, lá atirado por seus ídolos. Nota zero para os que usaram nossa camisa.
A foto que ilustra este blog é de uma conferência minha na Casa de Cultura Banco do Brasil. E os que estão perto de mim na ocasião riem das histórias curiosas que não posso esconder de meu clube. E ririam muito mais depois da derrota humilhante no Maracanã, com um gol de um jogador do qual nunca ouvi falar. Honestamente, estou envergonhado. Tanto esforço, tanto treino – até em Teresópolis – para fazer o papel de ressuscitar um clube mortinho da silva. Assim, com derrotas desse tipo, não há torcedor que aguente. Não há torcedor que se anime e sair na rua vestindo a camisa gloriosa de seu clube. Eu, confesso, estou possesso. E Maurício Assumpção deveria multar todos os que participaram de mais uma tenebrosa derrota do Botafogo – justamente para o nosso maior e mais odiado rival.
Como diria o rubro-negro Kleber Leite, me incluam fora desse vexame.
sábado, 10 de julho de 2010
Fla toma providências enérgicas
Faz tempo que sugiro aqui neste meu blog, a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no que restou da sede da Gávea, perigoso reduto de jogadores, torcedores e auxiliares do departamento de futebol do Tinhoso, em tempos idos vizinho da famosa Favela do Pinto. Hoje, através de meu SSI (Serviço Secreto de Informações) tomei conhecimento do projeto que será erguido em breve na Beira da Lagoa (foto acima). Trata-se de uma nova sede que não precisará de UPPs e que servirá para abrigar atletas e adeptos do rubro-negro. Uns ficarão em seu interior cumprindo uma espécie de recolhimento perpétuo. Outros, poderão sair, vez por outra, desde que vigiados por elementos da PM.
Para desenhar o projeto da nova e ‘espetacular’ sede, o arquiteto (que não pode ser citado pois já passou anos no Complexo de Bangu), fez um estudo profundo sobre as teses do médico, cirurgião e cientista italiano Cesare Lombroso (1835-1909), que escreveu a obra prima da criminologia denominada ‘O Homem Delinquente’. Pessoalmente tive contato com a história de Lombroso quando estudei Direito Penal na Faculdade Nacional de Direito, na Praça da República. Para escrever sua monumental obra, Lombroso, como médico, perpetrou 400 autópsias e fez, de maneira paciente e profunda, a análise de seis mil delinqüentes vivos e presos, claro.
O projeto, pelo que pude verificar, é magnífico, tendo, inclusive, um campo de futebol (de terra batida mas de dimensões oficiais) para treinos dos atletas. Estes ficarão, digamos assim, concentrados em celas isoladas e o controle da entrada de telefones celulares será terminantemente proibido. Os torcedores que quiserem assistir aos treinos serão todos revistados e posteriormente acomodados em arquibancadas gradeadas para evitar tumultos. Em dias de jogos, na projetada reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, as torcidas organizadas ficarão acomodadas à esquerda das tribunas especiais – como sempre ocorreu no passado – mas, por uma questão de segurança, serão vigiados por 10 mil homens armados da Polícia Militar.
Para estimular o time, os torcedores rubro-negros poderão levar cópias empalhadas de urubus. O que ainda está em estudo – e talvez demore a ser decidido – é a questão de uniforme dos jogadores. Não se sabe até agora se os jogadores poderão usar a camisa oficial ou se ela será substituída – como já foi – pela do Tabajara Futebol Clube. Tudo depende de uma especial autorização dos protagonistas do programa ‘Casseta & Planeta’, da Rede Globo. Na saída do Maracanã, os jogadores serão acomodados (com conforto) em camburões especiais até a nova sede, onde serão devidamente trancafiados até o próximo compromisso. As viagens de avião, para o Campeonato Brasileiro, serão proibidas. Os craques seguirão em ônibus especiais, mesmo para os mais distantes locais – como Fortaleza, por exemplo.
Particularmente, acho que as medidas tomadas pelo Tinhoso da Gávea são exageradas. Não na sede, que está realmente muito bem bolada. Mas nas viagens longas. Os jogadores, por uma questão de respeito ao ser humano, poderiam viajar de avião, desde que algemados, para não ameaçar a segurança dos demais passageiros. Através deste blog farei (prometo) uma campanha a favor dos aviões e das algemas, já que as viagens de ônibus serão extremamente cansativas e desgastantes. Por fim, nas divisões de base, aqueles que pretenderem jogar pelo Tinhoso terão que apresentar o que já existe nas eleições, ou seja, uma ‘ficha limpa’. Acredito que em 20 ou 30 anos o Tinhoso possa se recuperar do trauma porque passa nos dias de hoje.
Este é o meu desejo: liberdade condicional para os jogadores bem comportados.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Apenas um caso de polícia
Há alguns anos, um jornalista rubro-negro – certamente ressentido pelas derrotas sofridas no gramado – escreveu um livro de quase 500 páginas abordando o alcoolismo de Garrincha (1933-1982) e sua morte prematura aos 49 anos. Não me recordo de um só trecho em que falasse do gênio que foi Manoel dos Santos, não apenas no Botafogo como na conquista do bicampeonato mundial no Chile em 1962.
Eu sou Botafogo apaixonado, não gosto do Flamengo (vejam que não escrevi o adjetivo pejorativo ‘Tinhoso’) mas não vou escrever uma única e escassa palavra sobre o caso do goleiro Bruno no desaparecimento da jovem Elisa Samúdio. Já basta o que o clube da Gávea sofreu com Adriano da Chatuba e Vágner Love da Rocinha, o que me levou, ironicamente, a sugerir que fosse implantada na Gávea uma UPP.
Mas o caso de Bruno me parece gravíssimo. Trata-se de um caso de polícia, da Divisão de Homicídios. Mesmo detestando o Flamengo, como adversário nos campos de futebol da vida, me recuso a tratar do assunto. Sou um cronista esportivo e não um repórter policial. Não vou repetir aqui, em meu blog, a sacanagem sofrida por Garrincha, sua doença provocada pelo álcool e suas estripulias fora de campo.
O caso do goleiro Bruno é um caso de polícia, repito. O de Garrincha era um caso de doença, de dependência física com o álcool – para não citar os problemas vividos por ele com as artroses incuráveis que sofria nos joelhos. Para mim, a carreira de Garrincha terminou a 15 de dezembro de 1962, quando ele, pelo alvinegro, liquidou o Flamengo na final do Campeonato Carioca de 1962, marcando dois gols e provocando o terceiro, contra, de um zagueiro rubro-negro. O Flamengo, como clube de futebol, com a torcida que tem, não merece que eu deste caso me aproveite.
Por uma questão de ética profissional, não escreverei sobre o assunto. Não sei se jornalistas rubro-negros (como o que colocou Garrincha abaixo de zero) fariam o mesmo. Creio que não, principalmente se o alvo fosse o Glorioso.
Como diria o rubro-negro Kleber Leite, me incluam fora dessa.
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