segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um presente à nossa torcida


Em primeiro lugar, quero agradecer aos leitores deste alvinegro blog o fato de me ajudarem a ultrapassar a marca de 100 mil acessos, número que jamais imaginei a que pudesse chegar, escrevendo apenas nas poucas horas de folga que consigo. Mas, sem qualquer sombra de dúvida, o que mais pesou nessa marca fantástica foi a incrível conquista do Campeonato Carioca de 2010 pelo nosso glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. Superstições e numerologias à parte, confesso que não esperava um presente tão significativo este ano, depois de tantas roubalheiras que sofremos nos três últimos anos, diante do medonho Clube da Beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde num passado distante havia a vergonhosa e perigosa favela do Pinto, afinal removida.

A quem dedicar essa incrível conquista? À nossa torcida, claro, que, num determinado momento chegou a desanimar depois de tantos furtos acintosos no gramado do Maracanã, principalmente diante do já citado Urubu agourento. E mais: não foi apenas a vitória na partida decisiva. Uma vez mais, nós, botafoguenses, conseguimos impedir que o Clube da Beira da Lagoa chegasse ao seu tão desejado tetracampeonato carioca, feito que só nós conquistamos em 32-33-34-35. Ainda adolescente, nas arquibancadas do Maracanã, assisti em 1956 a um episódio parecido. Por quê? Por que se vencesse o Botafogo, naquela tarde, o Urubu ainda poderia lutar pelo tetra. Mas vencemos e demos, de bandeja, o título ao Vasco da Gama.

É verdade que já neste Século 21 (olha o 21 aí, gente), já havíamos conquistado o título do Carioca de 2006. Mas faltava este de 2010, quando eliminamos Fluminense, Vasco e o Urubu. Foi um belíssimo presente para a torcida, para os jovens botafoguenses que, num futuro próximo, irão me substituir nesse amor incontido pelo alvinegro de General Severiano. Derrotamos nossos inimigos permanentes, como a Fla-Prensa, e podemos comemorar, com elegância e respeito, a homenagem aos campeões de 1910 que entraram para nosso hino. E foi justamente 100 anos depois que conquistamos essa glória, mais uma em nossa iluminada estrada dos louros.

Confesso a vocês todos – principalmente aos que me acompanham neste modesto mas apaixonado blog – que minha ficha ainda não caiu. Mas cairá, claro que cairá cada vez que ouvir o hino do Botafogo ou a cantoria do ‘Ninguém Cala Esse Nosso Amor’. Há muitos anos, quando fui a um jogo com meu filho Roby, ouvi o hino ainda nos corredores do estádio. Comecei a ficar emocionado e ele, de temperamento mais frio, ameaçou me levar de volta para casa. É óbvio que me controlei e fui adiante, torcer pelo maior amor imaterial de minha vida. Hoje, junto a meus irmãos Carlos e Maurício, só posso agradecer a meu falecido tio Júlio Lopes Fernandes o fato de me conduzir ao brilho da estrela solitária, desde que éramos meninos de calças curtas.

E nunca vou esquecer que meu querido tio, pouco antes de morrer, pediu a mim que intercedesse junto ao Botafogo para que dele cobrasse a mensalidade devida (era apenas sócio contribuinte desde o Botafogo Football Club). Infelizmente, não deu tempo. Ele morreu inadimplente. Mas foi um botafoguense de coração, desde o Pará, onde nasceu no final do Século 19. Não sei onde ele foi sepultado ou se já removeram sua sepultura. Mas juro que tinha vontade de cobrir o seu jazigo com a nossa bandeira gloriosa e agradecer a ele – certamente em lágrimas – o presente que nos deu, a mim e meus irmãos, de torcer por esse inacreditável Botafogo de Futebol e Regatas.

Você também é campeão de 2010, meu tio Júlio..

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Botafogo supersticioso? Quem disse?


Estimulado pelos leitores Stene Nílton e Ygor, eu, que sou supersticioso ao extremo mas não sou adepto da numerologia, vou hoje atacar com os números 12 e 21, que entraram para o já gigantesco folclore do Botafogo desde a vitória sobre o Flamengo, em 1989. Então vamos lá: o Botafogo Football Clube foi fundado por jovens rapazes a 12 de agosto (mês do desgosto) de 1904. Mas levou o nome de Electro Club durante mais de um mês. A 18 de setembro, dona Chiquitota, avó de Flávio Ramos, obrigou a garotada a mudar o nome para Botafogo. Quantos meses faltavam para o final do ano de 1904? Três (outubro, novembro e dezembro). Somem 18 com três e resulta em 21. Estou certo ou errado? Os números 12 e 21 já começaram a dar o sinal de sua graça e, pelo que Stene e Ygor dizem, são mágicos.

Mas seguimos adiante: em 1910, ano em que o Botafogo foi campeão, a companhia britânica White Star (estrela branca) lançou ao mar o ‘insubmergível’ Titanic. O transatlântico afundou, perto do Canadá, após colidir com um iceberg em 1912, outro ano de título alvinegro numa liga especial. O tempo passou e, no mesmo ano de 1912, o Botafogo – mal de finanças – recebeu por aforamento o terreno de General Severiano. Mas voltando um pouco ao passado, no dia 12 de agosto de 1904, o quartel de bombeiros do Humaitá (está lá até hoje) recebeu o aviso de um incêndio justamente na Rua General Severiano. Uma guarnição foi até lá e verificou que o alarme tinha sido falso. Não tão falso, a meu ver, porque em 1912 haveria um Botafogo por lá. E no Rio, naquele dia 12 de agosto de 1904, circulavam pela cidade, de 800 mil habitantes, apenas 12 automóveis. Mas vamos adiante.

No dia 12 de dezembro (mês 12) de 1948 (oito mais quatro) o Botafogo, em seu estadinho (capacidade de 12 mil espectadores) derrotou o poderoso Vasco da Gama, que havia conquistado no Chile, no mesmo ano de 1948, o título de campeão dos campeões sul-americanos. Por causa de Carlito Rocha, o Botafogo trocou seu calção negro por um branco, que vigorou até 1957 (sete mais cinco é igual a 12). E derrotou o Fluminense, já de calções negros, na final por 6 a 2. O dia da goleada? 22 de dezembro (12), um domingo. Mas anos antes, a oito de dezembro (12) de 1942, o Botafogo se uniu ao Club de Regatas Botafogo, formando o Botafogo de Futebol e Regatas. E adotou a estrela branca (que não é estrela, é Vênus) em seu escudo.

O tempo passou e veio o Botafogo x Flamengo de 1989, com uma enxurrada de números 12 e 21 (vai virar livro, dia 21 de junho, escrito por Casé e Paulo Marcelo). Foi então que a FIFA, em eleição interna, apontou o Botafogo como um dos 12 maiores clubes do Século 20 (o Botafogo chegou a usar um escudeto mas a FIFA proibiu). Até que 21 anos depois, o Botafogo fez contra o Flamengo uma nova final, desde 1989, e vence por 2 a 1 (21), conquistando o título de 2010 (olha o 21 aí disfarçado). Como curiosidade, o Glorioso aproveitou dois pênaltis e o Flamengo perdeu um (21 outra vez). E detalhe: havia 12 anos que um clube não vencia os dois turnos. Coincidência? Sei lá. Para terminar, uma previsão dos Maias descoberta por Stene assistindo a um programa do History Channel, a estrela Vênus (é planeta, por favor) mandou avisar que o mundo acabará a 12 de dezembro de 1912.

(*) Quais foram os melhores números sete do Botafogo? Garrincha, Jairzinho e Túlio Maravilha, totalizando 21. E se Túlio marcar o milésimo gol em 2012 (se o mundo não acabar, claro, pela previsão dos Maias?) Aí, sinceramente, tiro meu time de campo e vou estudar numerologia e predestinações. Logo eu que nasci num dia 22 do 2, tenho dois filhos, dois netos e meu primeiro carro tinha a placa 11-00-22.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Botafogo coloca a mão na taça de 2010

                                      Créditos Globo.com

Finalmente, depois de tanto tempo, o Botafogo pôde colocar as mãos na taça de campeão carioca de 2010, numa solenidade à noite, depois de jogadores e dirigentes serem recebidos pela manhã no Palácio Guanabara pelo governador Sérgio Cabral Filho, vascaíno como o pai, meu colega de profissão. Infelizmente, em minha mais do que modesta opinião, a entrega do troféu não pôde ser presenciada pela torcida alvinegra, que só pôde comemorar no Maracanã a entrega das taças Guanabara e Rio após vencer o Clube da Beira da Lagoa na partida final. Agora é preparar o time para o difícil e gigantesco Campeonato Brasileiro, com viagens por nosso imenso país.

Como havia prometido, coloquei no ar, no quadro que apresento no programa ‘Loucos por Futebol’, da ESPN Brasil, a homenagem, numerológica apenas, que o time de 2010 prestou aos inesquecíveis campeões de 1910, que de tanto heroísmo entraram para o hino do clube, composto em 1949 pelo compositor e torcedor do América Lamartine Babo. E já acertei com a ESPN Brasil que, no próximo programa, dia 15 de maio (horário noturno), vou abordar os grandes duelos entre Santos e Botafogo, no final da década de 50 e durante toda a década de 60. Foi uma época que vivi intensamente, quando Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo enfrentavam Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Foram jogos inesquecíveis.

Eu me recordo de uma noite de três de janeiro de 1962, quando Botafogo e Santos fizeram no Maracanã o jogo da entrega das faixas de campeões de 1961. Pelo Santos, Mengálvio não pôde jogar e foi substituído por Lima. Pelo Glorioso, marcou a volta, após mais de ano, do artilheiro Quarentinha, contundido em 1960 numa excursão da Seleção Brasileira à Europa. Mesmo assim, Quarentinha só jogou o primeiro tempo, sendo substituído depois por China. Diante de uma multidão no Maracanã, o Botafogo venceu por 3 a 0 e Garrincha, por ter sido o melhor jogador do Campeonato Carioca de 1961, ganhou de presente um carro Simca Chambord.

O jogo foi numa noite de quarta-feira e saí de paletó e gravata do escritório de advocacia de meu pai (estava de férias da Faculdade Nacional de Direito) e fui de ônibus direto para o estádio. Pelo que me recordo, foi uma terrível dificuldade para pegar uma condução de volta para Laranjeiras, onde morava. Mas a alegria pela vitória sobre o esquadrão santista foi demais. Muitos anos depois, já como jornalista, fui obrigado a assistir pela televisão à decisão do Campeonato Brasileiro de 1995, já que era domingo e eu era editor-chefe da Tribuna da Imprensa. Os jogadores do Santos, certos da conquista do troféu, pintaram os cabelos de vermelho, mas o empate de 1 a 1 (gol de Túlio Maravilha) nos garantiu o título inédito na história do clube.

Na volta ao Rio, num avião da TAM – segundo me relatou Carlos Augusto Montenegro – veio gente até em pé. E o jato da TAM, por uma questão de segurança do comandante, parou no final da pista do Santos Dumont, tamanho era o número de torcedores aguardando a delegação. Mas a torcida estava tão eufórica que invadiu a pista e chegou a subir nas asas do jato, querendo ver os jogadores de qualquer maneira. Felizmente, tudo terminou bem e, como dizem por aí, entre mortos e feridos todos se salvaram. Na segunda-feira, a Tribuna da Imprensa publicou na primeira página uma charge de um peixe embrulhado numa folha de jornal. Uma glória.

(*) As coincidências numerológicas do leitor Stene Nílton (algumas impressionantes) virão no próximo blog. Uma delas, só para dar um toque sutil, fala do afundamento do Titanic, em 1912 (olha o 12 aí), que pertencia à companhia inglesa White Star (estrela branca). E em 1912 o Botafogo conquistou um título carioca por uma outra federação. Coincidências? Não sei. É muita coisa junta.

domingo, 2 de maio de 2010

Mitos e superstições em torno de um clube


Confesso aos leitores deste blog – que se aproxima de 100 mil visitas, o que é um grande orgulho para mim – que não sou chegado a crenças, descrenças, numerologias, horóscopos e outras coisas mais. O fato concreto, porém, é que o imortal Glorioso muitas vezes nos prega peças inexplicáveis, daí o ditado que diz que ‘há coisas que só acontecem ao Botafogo’. Eu acrescentaria que há muitas coisas ruins e outras tantas boas ou ótimas, como esta última decisão diante do Clube da Beira da Lagoa. Exatamente 21 anos depois daquela final contra o mesmíssimo Urubu, voltamos ao Maracanã para enfrentá-lo uma vez mais. E aí o tal do 21 aparece uma vez mais.

Confesso, também, que tenho lá minhas superstições – mas não as revelo nem sob tortura. Mas no dia da decisão, meu irmão Maurício Porto (botafoguense como eu) me ligou para dizer que aquele era o jogo de número cinco mil do Glorioso (hoje já estamos com 5002). E Maurício, que adora números, afirmou que o número cinco mil não era bom para nós. Explicou que cinco é um número não mais do que intermediário, com tendência para subir ou descer. E isso não era legal para o Botafogo do nosso coração. Não liguei muito para o fato, até porque como os árabes inventaram o zero, o cinco está mais para cima do que para baixo. E fui em frente.

E só ontem à noite, graças a um e-mail do médico Marcus Vinícius Minucci, me dei conta de que nossa vitória por 2 a 1 (olha o 21 aí outra vez) sobre o Urubu, com aquele gol incrível de Loco Abreu e a defesa de Jefferson, estava completando 21 anos da partida de 1989 sobre o mesmíssimo Urubu Medonho, apelido que o botafoguense Tarzã (Otacílio Batista do Nascimento), já falecido, deu ao rubro-negro ainda na década de 50. E a torcida do Beira da Lagoa, sem opções, acabou adotando como mascote, através do cartunista Henfil (também falecido), nas páginas do outrora famoso Jornal dos Sports (que me deve dinheiro há anos) e hoje troca de donos.

Por isso, por uma questão de justiça – e de bom gosto, também – publico hoje, em meu blog, a crônica que ele escreveu e que faz questão de que seu filho, de sete anos, possa ler e guardar. Eu, particularmente, e revelo isso ao doutor Marcus, também tive o imenso prazer (olha a letra do hino aí...) de saber que meu neto, Rafael Porto, que caminha para completar 11 anos, também estava lá nas arquibancadas, acompanhado de meu filho Roby Porto (Sportv). E Rafael já havia assistido à conquistas de outros troféus (taças Guanabara e Rio) mas não vira ainda a conquista de um título como este de 2010. Fiquei muito feliz por isso. Mas muito mesmo.

E aí, com todas as letras, vai a crônica de Marcus Vinicius. Aproveitem todos. Mas não se esqueçam de que não acredito nos chamados ‘deuses do futebol’ e estou certo, mas absolutamente convencido e repito que há realmente coisas que só acontecem ao meu querido Botafogo. Mas volto a acrescentar: há coisas más, mas há também muito boas, como esta de agora, inesquecível sobre nosso mais feroz inimigo no futebol.


21 depois de 21

Marcus Vinicius Minucci


 No dia 21 de Junho de 1989 o Botafogo foi campeão, após uma peregrinação que parecia interminável. Cresci ouvindo dos mais velhos que o Botafogo ia acabar, ia fechar as portas porque não ganhava nada há 21 anos. Mas o amor pelo Botafogo era o legado de meu pai, que, ao mesmo tempo, me contava as glórias de Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo. E eu, embalado por essas histórias de heróis do passado, resisti, e vi meu amor por esta singular Instituição crescer na vicissitude.

Passaram-se 21 anos do dia em que eu não estava lá, pois na época era estudante de Medicina e no dia seguinte iniciaria uma sucessão de provas de final de período.

Na tarde ensolarada 21 anos depois, enfim, comemorei meu titulo de menino. No dia seguinte, também haveria uma sucessão de provas, mas agora como professor da Faculdade de Medicina.

Estive presente nas três decisões anteriores contra o Flamengo. Eu, eu meu filho Mateus, de 7 anos, e meu amigo Humberto. Na ultima decisão, quando o Flamengo começou a massacrar o Botafogo, chamei meu filho e saímos mais cedo. Na saída, ao passarmos pela Avenida Radial Oeste, fomos xingados e aviltados pelos flamenguistas. Então olhei para meu filho, que, assustado, ameaçava chorar, e prometi que um dia estaríamos saindo felizes do Maracanã. Ressalto que Mateus, de apenas 7 anos, já havia presenciado todas as duas derrotas anteriores do Botafogo para o mesmo Flamengo. Fomos a uma pizzaria, e, novamente, flamenguistas por todos os lados...

Passou o tempo, que tudo corrige e torna ao seu lugar, e, face a perspectiva concreta de um titulo naquela tarde, voltamos ao Maracanã. Ao chegar ao “maior do mundo”, primeira surpresa: Estávamos dividindo o estádio com a torcida do Flamengo! Algo diferente pairava no ar... sentíamos, todos nós, e até os flamenguistas, que estávamos escrevendo a história naquela tarde.

E vieram os gols e a festa incrível da torcida, até que aos 33 minutos um pênalti para o Flamengo... Olhei para meu filho e, confesso, as lagrimas, desta vez, vieram aos meus olhos. Eu não acreditava que aquela historia de derrotas fosse se repetir pela quarta vez consecutiva, e, pior, que eu estava expondo meu próprio filho a tudo aquilo outra vez. Foram segundos intermináveis da tênue fronteira que separa o pranto do riso, a dor da alegria, as trevas da luz, numa fusão quase metafísica de tudo que simboliza o Botafogo....Mas, veio a defesa de uma bola que não podia encontrar as redes, e finalmente a explosão em lagrimas pelo feito de nosso herói...

Os minutos finais foram extraídos de uma Epopéia Grega, como são as grandes decisões envolvendo o místico Botafogo. Não conseguíamos mais gritar. Estávamos, eu e Mateus, de mãos dadas, e nos olhávamos a cada ataque do Flamengo que parecia nos sentenciar novamente ao sofrimento. E o jogo não acabava, e as bolas pareciam ter se multiplicado no gramado, todas chegando perto de nosso goleiro-herói.

E eis que, num ínfimo gesto, o juiz se aproxima da bola e ergue seus braços, um gesto quase ritual que nós, membros dessa imensa torcida, repetimos, atônitos, aliviados, exultantes. Terminava o jogo, e meu filho me abraçou forte, chorando, assim como eu e nosso amigo Humberto. Nada poderá delinear o que vimos e sentimos naquele ínfimo instante que saímos da dor para a mais intensa alegria. Meu filho soluçava, a torcida exultava, e eu, enfim, vi, junto de meu menino, meu sonho de menino se realizar.

sábado, 1 de maio de 2010

Um clube de intelectuais e muitos torcedores


Em primeiro lugar, por um equívoco de minha parte, deixei de creditar a sensacional caricatura do Time-Cabeça do Botafogo (abaixo publicada) ao excelente Aroeira. É óbvio ululante, como diria Nélson Rodrigues, que o Botafogo-Cabeça é muito maior do que ele escolheu. Mas não haveria espaço para tanta gente. Do time escalado por ele, tive a honra de conhecer e trabalhar com João Saldanha, Sandro Moreyra, Armando Nogueira, Oto Lara Resende e Vinícius de Moraes. Com Fernando Sabino, tive um rápido contato quando ele representava o país na Embaixada em Londres, nos anos 70. Com os outros, infelizmente não. Principalmente Olavo Bilac, que é homem do início do Século 20.

Sobre o amistoso, contra o Coritiba, no Paraná, só posso dizer que estranhei a escolha de Caio para cobrar aquele pênalti fraquinho, fraquinho. Felizmente, ele compensou o erro sofrendo o pênalti que nos deu o empate. Mas o nosso Talismã, dessa vez, não teve a sorte de sempre. Perdeu, inclusive, um gol cara a cara com o goleiro adversário. Aquela bola era para dar um toque à Loco Abreu e ficar assistindo a rede balançar. Mas tudo bem. Vamos agora pensar no Santos, no próximo sábado, e torcer para a volta de Maicosuel e, quem sabe, a do porra-louca Jóbson, que teve a pena diminuída. Graças a ele, não se esqueçam, estamos na primeira divisão.

Quanto a Coritiba x Botafogo (foto acima) não teve lá muita graça, com tantas substituições. Só não poderíamos sair do Couto Pereira com uma derrota. Afinal de contas somos os grandes campeões do Rio de 2010, justamente sobre o maldito Urubu. E mais: evitamos que eles, os urubus, comemorassem um tetracampeonato mais uma vez, como fizemos em 1956, com o gol de Cañete. E mais um detalhe: em 1964, com um gol de Roberto Miranda de cabeça, impedimos que o Urubu disputasse um supercampeonato com Fluminense e Bangu. Vendo o filme do jogo, aproveito para consertar um erro: achei que Mura cobrara uma falta sobre a área. Não foi assim: ele, Mura, veio pela lateral, à direita das tribunas, e centrou para Roberto.

O jogo, como dizem muitos autores alvinegros, não marcou a despedida do ídolo de Nílton Santos. Marcou, sim, o último jogo de Nílton pelo Glorioso no Maracanã. Mas ele ainda atuaria pela última vez num amistoso em Salvador (tenho foto do time formado e a publicarei oportunamente). Nílton jogou na Bahia por uma questão de contrato. Depois, tornou-se supervisor do clube. E em 1971 – todos se recordam – aplicou um nocaute em Armandinho Marque (a foto de José Santos foi Prêmio Esso), após um Botafogo x Atlético no Maracanã. O Botafogo, para ser campeão brasileiro precisava derrotar os mineiros por goleada. Foi à frente e perdeu de 1 a 0.

Ainda sobre Nílton Santos, espero que ninguém se esqueça de seu 85º aniversário, que será agora dia 16 de maio. E mais um detalhe que soube pelo ex-artilheiro Otávio Sérgio de Moraes (já falecido): o apelido de Nílton no Botafogo, quando ele lá começou, em 1948, era ‘Caminhão’. Pode? O de Ronald não era ‘Marreta’? O de Thomé não era ‘Boçal’? E Garrincha não era o ‘Torto’? Então pode.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Para o Urubu não esquecer nosso êxito


Devidamente depenado e assado por Papai Joel na final do Campeonato Carioca de 2010 (vou falar sobre isso na noite de sábado na ESPN Brasil), o Urubu idiota já está em festa porque venceu o Corinthians. O Urubu, por sinal, não tem a menor vergonha na cara: foram duas derrotas para o Glorioso. A primeira, em campo, com gols de Herrera e Loco Abreu, contra um de Vágner Mylove (apelidinho suspeito, venhamos e convenhamos). A segunda, quando Papai Joel rejeitou a proposta de se juntar ao grupo da Beira da Lagoa, que terá, brevemente, uma nova UPP instalada dentro do clube. Por quê? Para evitar compras de motos para mães de traficantes, inibir Mylove de ser protegido por bandidos e, por fim, vigiar os frequentadores de bailes funks nas mais variadas e perigosas comunidades da cidade.

Por isso, nada melhor que relembrar (vejam a foto) nossa sensacional conquista, que faz, também, como já disse aqui, uma homenagem aos heróis de 1910, que além de campeões (surrando o Fluminense na final) entraram para o hino do clube. Aliás, eu já vinha pensando nisso muito antes da decisão. E como às vezes tenho premonições – umas boas, outras ruins – senti que 100 anos depois o título seria nosso. Se existem outras vidas (a Globo está passando uma novela que fala nisso), nosso zagueiro Dinorah está dando cambalhotas de alegria onde foi parar, depois de levar um tiro de Euclides da Cunha, ficar paraplégico e se suicidar no Guaíba. Eu não acredito nisso, mas que foi uma bela homenagem, isso foi sem sombra de dúvida.

Quanto à utilização da camisa apelidada de Pierrô, mantenho meu ponto de vista. Respeito a decisão do clube, do marketing alvinegro e da Fila, que fornece nossas camisas. Não quero criar um caso. Mas sou cismado e supersticioso. Se ela não deu certo na estréia, será sempre motivo de gozação. É verdade que já jogamos, no Maracanã, com uma camisa amarela da Suderj (me recordo que Fischer estava no time) e já ganhamos a Taça Teresa Herrera com a camisa do La Coruña, em cima do Juventus (que inspirou a nossa listrada num distante passado, por iniciativa de Itamar Tavares). Mas a camisa de Pierrô...É melhor deixar para lá.

Agora é a hora de contratar reforços para o Brasileiro. E vamos todos torcer para o retorno do craque Maicosuel. Com ele no meio-campo, Herrera e Loco Abreu vão fazer o diabo lá na frente. Não quero dizer com isso que não goste de Lúcio Flávio. Gosto. Principalmente porque ele demonstra uma coisa rara no futebol de hoje: amor pelo clube que joga. E em forma, é um excelente jogador. E para terminar por hoje, uma correção: na lista que fiz dos que fugiram do clube, em 2009, esqueci o nome de Carlos Alberto, hoje no Vasco. Ele pode entrar no time de Diguinho das Boates, André Lima (vira-casaca), Jorge Henrique, Túlio e todos os outros que foram conquistar troféus de lata em novos clubes. Não acreditaram no Botafogo e foi isso que deu. Lamento por Túlio, que, a princípio, sempre me pareceu botafoguense. Mas futebol é assim. Não é como nos tempos do mestre inesquecível Nílton Santos, que só vestiu a camisa alvinegra e a da Seleção Brasileira. E vamos que vamos...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Camisa de Pierrô é uma lástima


Respeito o ponto de vista do departamento de marketing do Botafogo e, também, a intenção da diretoria em ter as melhores relações com a Fila, que confecciona as camisas do glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. Mas, pessoalmente, não gosto e jamais comprarei para mim ou amigos essa camisa (apelidada de Pierrô) que Loco Abreu está usando na foto, no amistoso contra o time B do Corinthians no Engenhão. Um clube como o Botafogo que é conhecido por sua linda camisa listrada e ainda tem, como opções, as camisas brancas e negras – variando as combinações com os calções brancos ou negros – não precisa desse estranho uniforme cinza e preto. Além de feio, em minha mais do que modesta opinião, é um uniforme maldito, pois foi estreado numa vergonhosa derrota para o Vasco, na bela campanha de 2010.

É verdade que o Glorioso voltou a usar a camisa Pierrô no jogo da entrega das faixas, no Engenhão, e que o time não tomou conhecimento do come-e-dorme do Corinthians. Mas por que, pergunto eu, os jogadores não receberam as faixas de campeões com as tradicionais camisas listradas, adotadas desde a fundação do clube, com a única diferença dos escudos – o do BFC até 1942 e o do BFR a partir de 1943? É uma jogada do marketing com a Fila? Tudo bem. Foi um sucesso de vendas após a conquista do título? Novamente tudo bem. Mas ela, a cinza e negra, estará sempre marcada pela goleada sofrida. É superstição minha? Aceito. Mas dela não gosto.

Quando um torcedor sair com ela nas ruas do Rio, será sempre gozado por vascaínos, tricolores e adeptos do urubu, mesmo tendo sido este último abatido a tiros na final da Taça Rio e a consequente conquista do título carioca. Varrer a superstição do Botafogo de Futebol e Regatas pode ser uma boa. Mas isso não ocorrerá de uma hora para outra. Vejam todos, por exemplo, a insistência dos torcedores – recebo uma quantidade enorme de e-mails – exigindo o retorno das meias cinza. Por quê? Porque o botafoguense, em sua gigantesca maioria, é supersticioso. E não sabe sequer que o clube já usou meias cinza já na distante excursão à Europa em 1955.

Mas isso não cabe a mim decidir. Mas que não quero o Botafogo vestido de Pierrô, isso não quero. Há outras saídas para um quarto uniforme, se é que o clube dele vai precisar, com tantas combinações que pode fazer com as camisas e calções que tem. Em 1948, por exemplo, Carlito Rocha cismou com o calção negro e o Botafogo foi campeão de calções brancos. Como ficou muito tempo sem ser campeão, voltou aos calções negros em 1957 e destruiu o Fluminense por 6 a 2, na maior goleada até hoje numa decisão de Campeonato Carioca (para não falar nos 24 a 0 sobre o Mangueira, em 1909, recorde absoluto em jogos do futebol brasileiro).

Mas vamos deixar as superstições de lado – eu tenho as minhas e não as revelo a ninguém – para sacanear aqueles que foram embora, como Diguinho das Boates, Jorge Henrique, André Lima (que virou tricolor), Túlio, Juninho, Carlos Alberto, Reinaldo e outros tantos que desistiram do Glorioso e foram ser derrotados em novos clubes. A vingança tarda mas não falha.

E vamos torcer pela volta de Maicosuel, este sim um belo jogador, que está na reserva do time alemão que o arrebatou ao Botafogo, como sempre através de empresários. E não podemos, nós, botafoguenses, deixar de cumprimentar Papai Joel Santana, que decidiu ficar no clube, apesar do capcioso assédio do Clube de Fragatas da Beira da Lagoa. Que o urubu fedorento siga sua atual sina de ter seus jogadores envolvidos em barracos, bailes funks e namoradas interesseiras. E que o microcéfalo Bruno veja mil vezes o gol de pênalti de Loco Abreu e chore, como diria Nélson Rodrigues, lágrimas de esguicho por não entender nada até hoje.

Para terminar por hoje, só por hoje, uma lástima: a ausência de Juanito das Candongas na final da Taça Rio. Ele merecia tomar uma porrada na vitória alvinegra e na conquista do nosso título e acordar chorando pela perda do tão sonhado tetracampeonato que, uma vez mais, o Botafogo evitou. O Botafogo é flórida...

Até a próxima.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Urubu ao espeto, para quem gosta de assados


Diante do Clube de Urubu – situado onde já foi a Favela do Pinto – o Botafogo de Futebol e Regatas completou cinco mil partidas, desde sua fundação a 12 de agosto de 1904. Para os que gostam de números, são supersticiosos ou querem um palpite para o jogo do bicho (que continua rolando solto pela cidade), vamos lá: quando entra em campo, o Glorioso tem 74,46% de chances de não perder, com 50,34% de vitórias e 24,12% de empates. O percentual de derrotas, em 106 anos de existência – inúmeras vezes prejudicado pelos árbitros – é de apenas de 25,54%. E, domingo passado, como mostra o desenho do excelente caricaturista Ique (botafoguense, claro), Joel enfiou o espeto no rabo do urubu e o assou devidamente, como todos nós esperávamos.

E fiquei sabendo de um detalhe curioso: rigorosamente livre das superstições alvinegras, o argentino Herrera – mesmo sem saber que seria expulso pelo árbitro – comprou uma passagem para Buenos Aires para a noite do próprio domingo, certo da vitória sobre o Clube do Urubu. Já o uruguaio Loco Abreu – que cobrou o pênalti mais inusitado que já presenciei num jogo decisivo – havia deixado as malas prontas para viajar com a família para Búzios, que ele queria conhecer. Não posso dizer o mesmo de mim. Supersticioso ao extremo, amando o Botafogo acima de todas as coisas, tomei uma série de ‘providências’ que, infelizmente, não posso revelar.

Não sei ainda, ao escrever essas linhas, quais foram as providências da presidente do Clube do Urubu, Patrícia Amorim, no departamento de futebol do crube. Mas as coisas não andam boas para o chamado Império do Mal, integrado por Adriano da Chatuba, Vágner Rocinha Love e outros menos votados. Por falar em Adriano da Chatuba, gostei de assistir pela televisão (ESPN Brasil) a ironia da comentarista Soninha, analisando a frase do Imperador Balofo de que, ‘vez por outra, é bom dar uns tabefes numa mulher’. É óbvio que o Balofo estava se referindo ao barraco que sua ‘namorada’ armou quando o surpreendeu num baile funk, bem antes da decisão.

O importante, nisso tudo, é que o Botafogo de Futebol e Regatas sagrou-se novamente campeão, justamente em cima do Urubu, que, alisando suas penas fedidas, sonhava em conquistar um inédito tetracampeonato. Tetra que só o Glorioso tem no futebol carioca, em 1932-1933-1934-1935. E o curioso nisso tudo é que o apelido de Urubu – adotado com amor pelo crube – foi dado por um botafoguense, o saudoso Otacílio Batista do Nascimento, que ficou famoso no Rio, já na década de 50, com o apelido de Tarzã. Mas Tarzã se foi alegre, pois estive com ele logo após a conquista de 1989, quando o Alvinegro também abateu a tiros a medonha ave de rapina.

Daqui deste modesto espaço, quero agradecer os e-mails que recebi de botafoguenses que me acompanham no blog, sempre postado pela amiga Malu Cabral, ela, sim, uma alvinegra de corpo e alma e que passa o ano inteiro defendendo o Glorioso em seu blogspot. Por fim, fiquei feliz ao saber que meu neto, Rafael Porto, chegando aos 11 anos, estava presente à nossa vitória, vestindo a camisa da estrela solitária. E não posso esquecer-me de meu sobrinho Bruno Porto, em Xangai, que foi pai pela primeira vez às vésperas de assarmos o urubu. O pequeno Artur é mais um representante da família Porto, como meu filho, Roby, meus irmãos Carlos e Maurício, e outro sobrinho Pedro. Ninguém calará esse nosso amor.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tetra-vice é o baralho!!!


Depois de destruir a cabine da UPP (Unidade da Polícia Pacificadora) instalada na sede da Gávea, os adeptos do COB (Clube mais Odiado do Brasil) decidiram criar um cartaz para tripudiar sobre os torcedores do Glorioso. Certos da vitória e da conquista inédita (para eles, claro) do tetracampeonato carioca, criaram um cartaz para ser espalhado pela cidade do Rio de Janeiro: tetra-vice. Meu amigo e parceiro César Oliveira descobriu e ele mesmo, com a criatividade de sempre, demonstrou que tetra existe sim, nos baralhos espalhados pelas casas da cidade: Valete, Dama, Rei e Ás. E hoje, neste blog campeão carioca de 2010, passo para os leitores a idéia sórdida daqueles que não esperavam que o Botafogo lhes aplicasse mais uma porrada em final. Tetra é unicamente o Alvinegro, campeão de 1932-1933-1934-1935.

A situação na Gávea é tão grave que até Zico (lembram-se do pênalti perdido contra a França em 1986?) apareceu por lá para dar uma força aos freqüentadores de favelas e doador de motos para a mãe (?) de traficante. Foi uma visita de consolo, claro, porque na última decisão de que participou contra o Botafogo (1989) acabou substituído mais tarde para não testemunhar no final a derrota que surgiu com o gol de Maurício. Não desgosto de Zico, que foi um belo jogador, mas sua ida ao Clube de Fragatas da Beira da Lagoa (CFBL) foi um desperdício. Um desperdício e um risco, pois se misturou a uma corja e poderia até (quem sabe?) ser assaltado na entrada ou na saída do crube (é assim mesmo, crube). Fiquei com pena do ex-Galinho.

Da mesma maneira fico penalizado com a ex-nadadora Patrícia Amorim, que pegou uma gigantesca fria pela proa. Os jogadores andam tendo pesadelos, principalmente com o gol enlouquecido de El Loco Abreu e o pênalti defendido pelo excelente Jefferson. E pior: andam com medo de enfrentar a fúria arrebatadora de Herrera, que poderia partir para cima dos adversários ao invés de atacar o árbitro. Principalmente o covardaço microcéfalo Bruno, que agrediu um aposentado no Chile, o sóbrio sérvio Petkovic, que só pode jogar cinco minutos antes de retornar à sua cadeira de rodas. Logo ele, Petkovic, que num passado distante, fez muito pelo crube.

E ontem, pela televisão, assisti à formatura de milhares de policiais militares, que trabalharão em UPPs. E está nos planos do secretário de segurança tornar a instalar na Favela do Urubu, na Beira da Lagoa, uma nova unidade para evitar possíveis tumultos, assaltos e evitar que jogadores do crube sigam participando de bailes funks em locais ainda dominados pelo tráfico de drogas. Tudo vai depender das prioridades do governo estadual, nas mãos do vascaíno Sérgio Cabral, filho do grande jornalista e meu ex-companheiro de O Globo, Sérgio Cabral. De saída, aviso que não quero dar palpites. Por mim, o clima de bagunça generalizada pode prosseguir na Gávea.

(*) Ontem à noite tive a honra de receber um telefonema do presidente do Botafogo Maurício Assumpção, que me parabenizou pelo título conquistado. Rebati na hora: ‘Maurício, não ganhei nada, rigorosamente nada. Quem ganhou e merece felicitações é você e o grupo que levou o Botafogo ao título de 2010’. Telefone desligado, me lembrei dos 100 anos da conquista de 1910, num time do qual participava o heróico zagueiro Dinorah Cândido de Assis, mesmo com uma bala encravada no pescoço, fruto de um duelo mortal entre seu irmão, Dilermando, e o escritor Euclides da Cunha. Dinorah, gaúcho, foi ficando paraplégico e suicidou-se aos 24 anos na águas do Rio Guaíba. A vitória em 2010 é também uma homenagem a este herói alvinegro, que nada tinha a ver com a rivalidade Dilermando-Euclides.

(**) Por fim, um abraço campeão aos leitores deste meu modesto blog, que anda perto de chegar a 100 mil visitas. Obrigado a todos que seguem me acompanhando.

(***) Essa história, rigorosamente verídica, ocorreu com Paulo César Lima, que se transferiu para o crube em 1972. Quando acabou seu primeiro treino com os urubus, voltou ao estacionamento e verificou que seu carro tinha sido roubado. É mole ou querem mais?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Botafogo abate urubu a tiros


O Botafogo de Futebol e Regatas – eterno orgulho do futebol mundial – conquistou o título de campeão carioca de 2010 justamente diante de seu mais odiento rival, o Clube de Fragatas da Beira da Lagoa. Todos os urubus que sempre povoaram o lixo da Gávea perderam o rumo de casa, entre eles Adriano da Chatuba, Vágner da Rocinha (protegido dos traficantes), Léo Sioux Moura, o microcéfalo Bruno (que agrediu o cadeirante Petkovic em Santiago) e o suposto treineiro Andrade Tromba de Elefante. Foi pena, muita pena, que Juanito das Candongas (que não joga porra nenhuma) estivesse ausente da partida. El Loco Abreu, Herrera, Jefferson e todos os outros jogadores do Glorioso deram uma bela lição ao mascarado time dos urubus.

E mais: o Botafogo impediu, jogando de maneira febril, armado até os dentes e atirando nos urubus, que o Clube de Fragatas da Beira da Lagoa conquistasse o seu tão sonhado título de tetracampeão carioca. E não foi a primeira vez que isso aconteceu. Assim como a dupla Mercosul, Abreu e Herrera, (poster Globo Esporte. Com) marcou agora, no passado (1956), o paraguaio Cañete fez o mesmo, matando o sonhado tetra do Urubu. E há mais duas curiosidades sobre a vitória: foi a 21 anos que o Botafogo venceu o Urubu por 1 a 0, gol de Maurício, e foi a 100 anos, em 1910, que o Alvinegro espancou o Tricolor por 6 a 1, sagrou-se campeão e seu feito entrou para o hino do clube. Uma homenagem ao trágico destino de Dinorah Cândido de Assis.

O Urubu, agora, vai entrar em crise. Perdeu a taça das bolinhas de gude para o São Paulo, Adriano da Chatuba ficou uma série de partidas ausentes – dizem que para não ser apanhado em exame antidoping – e Andrade Tromba de Elefante está balançando no cargo. Honestamente, a ex-nadadora Patrícia Amorim não sabia que ia pegar tantos problemas pela frente. Outra coisa: parece que as mordomias vão acabar no Beira da Lagoa. Ou o cara joga, e justifica a grana que recebe, ou dá no pé. E pela bolinha que está apresentando, Chatuba corre o risco de não ir à Copa do Mundo, o que seria um belo castigo para um cara que pesa mais de 100 quilos.

Foi pena, muita pena, que Caio não tenha roubado a bola do Microcéfalo Bruno, que se meteu a atacante e foi para a área do Botafogo tentar um gol de cabeça. Ridículo. Mais ridículo ainda e covarde foi ele partir para dentro do cadeirante Petkovic, um senhor de idade que não tem fôlego para jogar mais de cinco minutos. O que o microcéfalo queria? Que Petkovic colocasse um jato em sua cadeira de rodas? Mas falta mesmo senti de Juanito das Candongas. Ele sacaneou tanto o Botafogo nos últimos anos que seria uma glória vê-lo chorando na volta para o buraco que abrigou os urubus no Maracanã. Mas mesmo assim foi uma glória perceber que o chororô agora é dos urubus e que o clima de guerra tomou contra da sede da Beira da Lagoa.

Quanto ao jogo contra o Caracas, mesmo sendo brasileiro vou torcer pelos venezuelanos. Para terminar por hoje, só por hoje, fiquei sabendo que o chinês Chang Xin-Pow e seu filho Changuinho mataram uma porrada de corvos em Staten Island, Estados Unidos, assim que acabou o jogo com a vitória do Glorioso.

Chora, urubu, chora, o título agora é do imbatível Botafogo...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Botafogo dá férias ao Fluminense


Infelizmente para os torcedores do vetusto e elitista Tricolor das Laranjeiras, dessa vez José Marçal Filho – o famoso árbitro da final de 1971 – não pôde comparecer ao Maracanã na noite do último sábado. E assim, desfalcadíssimo de seu ‘santo protetor’, o glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, imaculadamente vestido de branco, foi obrigado a decretar férias coletivas aos jogadores e torcedores de seu tradicional adversário (desde 1906). El Loco Abreu, Fahel (foto O Globo On line) e Caio deram um razoável descanso ao artilheiro Fred, Conca, Diguinho, André Lima, Cuca e todos os demais, que estavam certos de que o Alvinegro era ‘pão ganho’.

Sem José Marçal Filho – já veterano – afinal já se passaram quase 40 anos daquela decisão no Maracanã) – o Tricolor ainda contou com a ajuda do estranho árbitro Péricles Bassols, que marcou um pênalti inexistente de Leandro Guerreiro. Mas o castigo já não vem mais a cavalo (vem a jato) e Fred deu um bico no travessão. Mas aí, mais tarde, com 2 a 2 no placar (a foto é após o gol de Fahel), a bandeirinha Lilian Bruno não viu que Herrera, em posição duvidosa, abriu as pernas para deixar passar o chute mortal do garoto Caio para fixar o placar final em 3 a 2 para o Glorioso. Foi uma vitória extraordinária, principalmente porque o Tricolor achava que poderia reeditar a vitória de 2 a 1 que conseguira na Taça Rio, antes do quadrangular.

Sinceramente, mesmo apaixonado pelo Botafogo do meu coração, sou obrigado a dizer que o time não jogou rigorosamente nada no primeiro tempo e já poderia ter entregue o ouro ao bandido. Mas, no segundo tempo, foi para cima do Tricolor, na base do ‘vamos que vamos’ e chegou à vitória. Dizem, não posso afirmar, que todo o elenco do Tricolor saiu do Maracanã direto para um hospital bancado pela Unimed de Celso Barros, o verdadeiro dono do clube de Álvaro Chaves. A rigor, o Fluminense, mesmo tido como imbatível, completou o ciclo de ser derrotado por Botafogo, Vasco e o famoso CRBL (Clube de Regatas da Beira da Lagoa). E assim merece as férias.

Agora, o Botafogo – minha maior paixão imaterial – terá pela frente, pela quarta vez consecutiva, o CRBL, e tem a obrigação de ser campeão carioca e, mais ainda, de novamente evitar a conquista, por eles, do tetracampeonato carioca. A última vez que isso aconteceu foi em 1956, no século passado, quando o ponteiro esquerdo paraguaio Cañete liquidou a fatura e deu, por antecipação, o título carioca ao Vasco. E por falar em Vasco – que insiste em usar aquela camisa medieval – o clube cruzmaltino já poderia ter dado o tiro de misericórdia no CRBL, se Felipe Coutinho, um garoto de 17 anos, não tivesse chutado a bola na trave direita de Bruno microcéfalo.

Mas, como sempre ocorre quando o CRBL está em campo, o árbitro João Batista de Arruda deixou de marcar um pênalti escandaloso do volante Williams, que impediu com o braço uma cabeçada de um atacante cruzmaltino. Àquela altura do campeonato, se marcasse o segundo gol, cobrando o pênalti, o Vasco forçaria uma decisão por tiros livres diretos e poderia, perfeitamente, como fez o Botafogo na véspera, mandar o CRBL para o espaço. Mas, como de hábito, juízes e bandeirinhas em jogo do CRBL devem ser vistos com a maior desconfiança. E Arruda, como sempre ocorre, não marcou rigorosamente nada. De bom, só fez a expulsão de Juan das Candongas, que não poderá enfrentar o Botafogo que ele tanto odeia. Menos mal.

Vamos que vamos...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Chegou a hora de a cobra fumar (*)


Depois da execrável derrota para o Santa Cruz (clube da série inqualificável do Campeonato Brasileiro), é de bom alvitre que o glorioso Botafogo de Futebol e Regatas esteja preparado para enfrentar o Fluminense, sábado, na primeira semifinal da Taça Rio. Inimigo mortal do Botafogo desde 1906 – antes que o Clube da Beira da Lagoa e o Vasco formassem times de futebol – o conhecido Pó de Arroz já nos derrotou agora em 2010 (depois de estar perdendo) e já foi nosso carrasco em outras ocasiões, a pior delas em 1971, com aquele belo gol de José Marçal Filho, quando já estávamos com a mão na taça. Nunca vou esquecer aquela derrota medonha.

Por menos que esteja jogando, Lúcio Flávio vai fazer uma tremenda falta no nosso querido alvinegro de General Severiano, justamente contra o Tricolor, sobre quem conquistamos, há um século, 1910, nosso título histórico (daí a foto que ilustra esse blog como homenagem aqueles heróis). Sei que Papai Joel vai arrumar um substituto à altura para Lúcio Flávio. Mas eu, com 65 anos de Botafogo nas costas, escalaria Herrera no meio-campo e colocaria Loco Abreu e Caio no ataque. E mais: jogaria fechadinho, explorando os contra-ataques, principalmente com Alessandro.

Não temos que nos preocupar com a batalha mortal que travarão domingo, o Clube da Beira da Lagoa e o Vasco. A rigor, preferia que o Vasco acabasse logo com o sonho do tetracampeonato carioca do Simpaticíssimo. Mas nós mesmos poderemos fazer isso – como já fizemos várias vezes no passado – se liquidarmos o Pó de Arroz. Em 1956, estava grudado na televisão quando o paraguaio Cañete, no gol à esquerda das tribunas – bem abaixo da torcida do BL (abreviatura para Beira da Lagoa) – marcou o gol que deles tirou o sonho do tetra campeonato num chute cruzado.

Mas venhamos e convenhamos: o Botafogo precisa saber que hoje o futebol tem um pouco mais de 90 minutos. Deixamos que o BL empatasse conosco nos descontos, recentemente (embora o jogo não tenha tido importância) e permitimos que Cruz Credo (aliás, Santa Cruz) nos eliminasse da Copa do Brasil, em pleno Engenhão, nos minutos finais. Quando Zagallo era técnico do Botafogo e vencíamos por margem estreita no placar, ele, de maneira inteligente, gritava apenas ‘alarga o campo, alarga o campo’. Zagallo queria dizer para os jogadores alvinegros que tocassem a bola para os jogadores que estivessem na laterais, evitando a pressão dos adversários.

O que não podemos, de maneira alguma, é permitir que o Pó de Arroz saia na frente. Esse Botafogo de hoje não tem elenco sólido para ir à frente e arrancar o empate. Será uma desarrumação total, principalmente sem a presença de Lúcio Flávio, que conhece o poder de fogo do alvinegro na palma da mão. E não podemos, também, deixar a partida ir para os pênaltis. Sei que Jefferson e pegador de pênaltis, mas não confio em alguns de nossos cobradores. E se Fred jogar, vai fazer aquela paradinha ignóbil que costuma fazer e que a FIFA ainda não proibiu mas vai proibir.

Mas não podemos nos esquecer de que já somos finalistas desse Carioca (ou Estadual), a partir do momento em que conquistamos a Taça Guanabara. Só não podemos jogar pensando nisso. Quanto mais cedo liquidarmos a fatura, melhor. E importante: o BL não pode ser tetracampeão carioca nem que a vaca tussa.


(*) ‘A cobra vai fumar’ era o lema pintado nos aviões da FAB que foram batalhar na II Guerra Mundial (1939-1945)

terça-feira, 30 de março de 2010

Botafogo perde seu melhor colunista


Os leitores deste blog devem ter estranhado por que não escrevi sobre a morte de Armando Nogueira (1927-2010), torcedor do Botafogo desde 1945 – quando chegou do Acre – e o melhor e mais inspirado colunista esportivo do Brasil. Não escrevi por duas razões fundamentais: primeiro, porque já havia enviado para o site da ESPN Brasil, editado em São Paulo, um texto falando sobre ele; e segundo porque, a rigor, mesmo sendo seu companheiro de redação no JB, de 1963 a 1966, jamais troquei uma palavra com ele. Eu era apenas um iniciante na editoria de Esportes do JB, enquanto Armando Nogueira (foto Rede Brasil Atual) era, sem dúvida, o maior astro daquele grupo de jornalistas, ainda no prédio da Avenida Rio Branco, 110.

Sempre de paletó e gravata, muito bem vestido, Armando Nogueira chegava à redação apenas para entregar sua coluna ao editor de Esportes, primeiro Marcos de Castro, depois Oldemário Touguinhó (1934-2002). Sem qualquer sombra de crítica, Armando Nogueira não perdia tempo conversando com novatos como eu. Preferia trocar idéias com jornalistas mais veteranos, como Marcos de Castro, Oldemário Touguinhó, Sandro Moreyra (1919-1987), Dácio de Almeida (1938-1987), Mauro Ivã Pereira de Melo ou Sérgio Noronha. A rigor, jamais soube que eu era alvinegro e fã de suas colunas no JB (‘Na Grande Área’) e de suas participações na Resenha Esportiva Facit, da TV-Rio, ao lado de João Saldanha (1917-1990), Nélson Rodrigues (1912-1980), José Maria Scassa (1920-1975), Luiz Mendes e de outros integrantes.

Quando ele se foi para a TV Globo, em 1966, aí é que minhas chances de conversar com ele desapareceram. Quando Sérgio Augusto (outro botafoguense) lançou seu livro ‘Botafogo, entre o Céu e o Inferno’, encontrei Armando Nogueira na fila de autógrafos e o cumprimentei. Ele me olhou de alto a baixo, como se eu fosse um estranho no ninho, e disse apenas ‘Como vai?’. Ora bolas, o que teria eu para falar de contatos e conversas com um cronista tão brilhante que sequer me conhecia? Nada, rigorosamente nada – sem que isso, por favor, representasse qualquer espécie de máscara por parte dele. Em poucas e resumidas palavras, ele, Armando Nogueira, não me conhecia e não me cumprimentaria sequer na fila de um hipotético ônibus.

O tempo passou, minha carreira prosseguiu, e aí sim, nas redações da vida, fiquei amigo de Sandro Moreyra, João Saldanha, Nélson Rodrigues (1912-1980), Cláudio Mello e Souza e tantos outros que brilharam e brilham na crônica esportiva, como os atuais Fernando Calazans e Renato Maurício Prado, os dois últimos de O Globo. Na matéria que escrevi para o site da ESPN Brasil, onde trabalho atualmente, limitei-me a relatar uma história curiosa ocorrida durante a Copa do Mundo de 1962, no Chile, envolvendo Armando Nogueira, Araújo Neto (1929-2003), Sandro Moreyra e Mário Filho (1908-1966).

Aproveitando-se de conhecer intimamente cinco titulares alvinegros daquela Seleção Brasileira, inclusive o preparador físico Paulo Amaral (1923-2008), Sandro inventou inúmeras histórias para Mário Filho e foi censurado por Armando Nogueira, que sempre foi sério e preciso em suas informações. Infelizmente esta é a verdade, não mais do que a verdade: não tive tempo de conviver com Armando Nogueira, a quem sempre admirei e de quem guardei o recorte de sua coluna, escrita em 1970, ‘Heleno, anjo e demônio’, no 11° aniversário da morte do grande e controverso centroavante do Botafogo de meu coração.


(*) Recebi do leitor Abdias Ferreira Neto o texto abaixo:


‘Tem coisas que só acontecem... com botafoguenses’

A Lua não precisava estar cheia, mas estava...

Não precisaria ter jogo do Botafogo numa pacata segunda-feira, mas tinha...

E os Deuses do futebol precisavam estar alegres – e estavam! Afinal, Armando Nogueira estava finalmente entre eles. Armando não era um Deus do futebol através de suas pernas, mas sim de suas mãos, fazendo com as palavras o que os jogadores mais qualificados fazem ou faziam com a bola. Alçando lançamentos de um parágrafo a outro, driblando com as letras e finalizando textos mágicos sempre com pontos finais precisos e certeiros.

Quis o destino que o ponto final de sua passagem pelo planeta bola fosse numa segunda-feira – pasmem – de futebol. E não poderia ser outra equipe a entrar em campo senão o seu Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, que aprendeu a amar recém-chegado ao Rio, vindo da sua terra natal, o Acre.

Na cidade maravilhosa, transformou um acre de terra em um pequeno lenço, para que Garrincha pudesse driblar seus “Joões”, como se estivesse num latifúndio. E assim foi sua vida, transformando esporte em poesia, futebol em poesia, futebol em sentimento; sentindo com o coração e amando com as palavras. Como sabia espalhar palavras num campo de papel com perfeita eficiência tática, com vibração, com técnica, com raça!

Como poderia ter futebol em plena segunda-feira? Numa pacata segunda-feira que normalmente só tem futebol através das palavras, comentários verbais e escritos, nos jornais da vida, nas televisões espalhadas nas casas dos torcedores...

Mas quis o destino que por ironia sua, um jogo da rodada não encontrasse horário nem espaço para ser disputado no fim-de-semana, e ficasse reservado para uma segunda-feira marcada pela despedida de um torcedor ilustre do time da “Estrela Solitária”, torcedor esse muito mais ilustre quando se punha a realizar seu ofício, de transformar grandes momentos esportivos em poesia.

Dizem que homenagens devem ser feitas em vida. Quando o Botafogo entrou em campo na noite dessa segunda-feira, com seu terceiro uniforme, dispensou a faixa negra pelo luto de sua torcida, por ser todo ele negro, Armando ainda devia estar numa dimensão muito próxima. Do alto, planando em uma silenciosa aeronave – sua outra grande paixão –, assistiu a homenagem de seu time: alem da camisa negra, guardada para poucas ocasiões, talvez nunca uma tão especial, viu os quatro gols da vitória do Botafogo e partiu, sorrindo, feliz e satisfeito. Tão satisfeito quanto às inúmeras vezes em que saiu do Maracanã ou de General Severiano, após ver seus heróis de camisas listradas em preto e branco tornando-lhe mais fácil sua arte de transformar futebol em poesia.

Abdias Ferreira Neto

(**) Por equívoco, em uma de minhas colunas, aqui no blog ou no site da ESPN Brasil, cometi o equívoco – minha memória não é de ferro, como costuma dizer José Inácio Werneck – que Flávio Costa (1906-1999) foi o técnico tricampeão carioca do Clube da Beira da Lagoa em 1953-1954-1955. Na verdade, o técnico tricampeão foi o paraguaio Fleitas Solich (1901-1984). Que me perdoem os leitores.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Brasil, futebol e livros (parte II)


Nesta terça-feira, dia 30, prossegue no Centro Cultural do Banco do Brasil – à Rua Primeiro de Março – o excelente projeto ‘Brasil, futebol e livros. Agora, os debatedores são meus antigos conhecidos: Cláudio Nogueira, meu ex-aluno na Faculdade da Cidade (hoje UniverCidade) e Teixeira Heizer, que foi meu colega em 1965 nos primeiros passos da TV Globo e, posteriormente, meu chefe na Rádio Nacional. O mediador será Paulo Mata. Ninguém pode esquecer que os debates começam às 18h30 e, pela presença dos protagonistas, devem ser interessantes.

*cliquem na imagem para ampliá-la

sábado, 27 de março de 2010

Para que clube elas torcem?

De nada vai adiantar a instalação de uma UPP na Gávea se as torcedoras do Clube da Beira da Lagoa continuarem a se comportar assim nos estádios. A UPP pode controlar o tráfego dos jogadores em direção aos esconderijos do tráfico. Mas fica a pergunta: quem vai vigiar o comportamento dessas duas torcedoras em pleno Maracanã? Elas vão provocar, isso sim, uma briga de foice no escuro entre os próprios adeptos do Simpaticíssimo. Classificá-las como ‘marias-chuteiras’ é pouco para o espetáculo que já proporcionaram e que, certamente, estão acostumadas a proporcionar em partidas do Clube da Beira da Lagoa. Trata-se de um caso de atentado ao pudor, previsto no Código Penal Brasileiro – embora esse Código Penal esteja mais do que desmoralizado com o correr dos tempos em nosso imenso país.

De qualquer maneira, o flagrante não me assusta. Reflete com precisão cartesiana o comportamento da torcida do Simpaticíssimo nos estádios. Os adeptos do Clube da Beira da Lagoa brigam entre si, caem das arquibancadas, atiram urubus em pleno gramado e, agora, suas torcedoras inauguram uma nova fase. Com os raros policiais que circulam pelo estádio, em breve, muito em breve, elas irão em frente, desnudando-se por inteiras, instalando um alvoroço sem precedentes durante as partidas.

Daqui deste espaço nada posso fazer, a não ser registrar o espetáculo lúbrico por elas proporcionado. Conseqüências? São rigorosamente inimagináveis.

É claro que sei que, com o passar dos tempos, os costumes e comportamentos vão se modificando numa velocidade nunca dantes navegadas. Mas, admito, jamais imaginei que chegassem a tal ponto. Mas como é coisa praticada por adeptas do Clube da Beira da Lagoa, alegres, livres e descompromissadas, chego a compreender pelo menos em parte.

Só espero que – no caso específico delas – não tumultuem ainda mais o comportamento dos torcedores, diante de um espetáculo tão inusitado.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Caio, o garoto que decide partidas

Confesso a vocês, leitores deste blog alvinegro, que fiquei preocupado com a famosa ‘dupla do amor’, chamada às delegacias logo após a morte do amigo Roupinol (parece nome de xarope). Adriano da Chatuba e Vágner Rocinha Love correram certo risco de ver o sol nascer quadrado, o que desfalcaria o tão disciplinado Clube da Beira da Lagoa na reta final do Campeonato Estadual de 2010. Felizmente, tanto Adriano da Chatuba como Vágner Rocinha Love negaram todas as evidências de associação para o tráfico e saíram leves e soltos dos interrogatórios a que se submeteram. Em poucas e resumidas palavras, Adriano da Chatuba não comprou qualquer motocicleta para a mãe de seu amigo traficante e Vágner Rocinha Love não tem amigos na comunidade, na qual foi surpreendido protegido por bandidos armados até os dentes.

Em relação ao Glorioso, uma vez mais Caio Talismã (foto Globo Esporte) fez o gol da vitória no Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, e manteve o clube na primeira colocação de seu grupo, praticamente garantindo sua participação nas semifinais da Taça Rio. Mas o Botafogo, pelo que vi, precisa perder o vício de centrar bolas altas sobre a área, na esperança de uma cabeçada fatal de Loco Abreu. O gol da vitória, sobre o Volta Redonda, mesmo assim, saiu de uma fracassada cabeçada de Louco Abreu, sobrando livre para Caio emendar de canhota a bola no canto do goleiro, aos 37 minutos do segundo tempo. Caio, realmente, está inspirado.

Agora, quem está ameaçado é Papai Joel, que teria dito certas verdades ao soprador de apito que prorrogou enquanto pôde o jogo do Botafogo contra o Clube da Beira da Lagoa, parecendo rezar para que o Simpaticíssimo empatasse a partida. Se o pênalti em Lúcio Flávio parece ter sido cometido fora da área, em compensação o gol de empate na cabeçada do Chatuba surgiu de uma falta inventada por ele. E o jogo seguiria – mesmo que Jefferson defendesse a cabeçada – até que o Beira da Lagoa chegasse ao empate. Creio que por isso Papai Joel criticou o soprador de apito e foi citado na súmula. Agora, a Fla-Prensa vai fazer de tudo para que o técnico alvinegro seja suspenso, de preferência até o final do Campeonato Estadual deste ano.

(*) Para encerrar a coluna de hoje, preciso reparar um equívoco que cometi quando, há algum tempo, falei sobre Ary Barroso. Quem pediu a mão em casamento da filha de Ary não foi o repórter-volante Marum Jasbick. Quem foi até a Cantina Sorrento com esse intento foi outro repórter da equipe de Ary: Isaac Zuckenman. Assim, fica o dito pelo não dito, embora a história, em seu todo, tenha sido hilariante, tanto fazia com Jasbick quanto com Zuckenman. O esclarecimento está num livro de Sérgio Cabral, pai do governador do Rio de Janeiro, este último formado jornalista pela antiga Faculdade da Cidade (na qual fui professor), hoje UniverCidade.

(**) Segundo informações de um colunista rubro-negro, em O Globo, a Polícia Militar do Rio de Janeiro está estudando a possibilidade de aumentar o número de UPPs (Unidades Pacificadoras da Polícia). Uma delas seria imediatamente instalada exatamente na sede do Clube de Beira da Lagoa. Os motivos os leitores podem imaginar.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Botafogo deixa Beira da Lagoa empatar

A partir deste segundo turno do Campeonato Carioca (Taça Rio), os árbitros das partidas que estiverem apitando os jogos do Clube de Fragatas da Beira da Lagoa têm uma determinação: se o time de Beira da Lagoa estiver vencendo, eles encerram o jogo aos 45 minutos do segundo tempo, sem um segundo a mais; mas, se estiver perdendo por um gol, como ocorreu diante do Glorioso no último domingo, eles terão a obrigação de prorrogar o jogo até o Beira da Lagoa conseguir empatar, mesmo que seja aos 50 minutos. Foi o que aconteceu no Engenhão, no 2 a 2 que consagrou o argentino Herrera (foto de O Dia), que não perdoou o MC Bruno (microcéfalo Bruno), marcando dois gols, um deles de pênalti sofrido por Lúcio Flávio.

Depois do empate aos 50 minutos, o tatibitate Andrade, que engana como técnico do Beira da Lagoa, gaguejou em todos os microfones das emissoras de rádio, menosprezando o Botafogo e enaltecendo seu time, que, agora, tem dois de seus jogadores envolvidos com a polícia: Adriano da Chatuba (comprou uma moto de 35 mil reais para o chefe do tráfico local) e Vágner Funk Love (protegido por armas de grosso calibre quando vai se divertir nos bailes comunitários). Para os próximos jogos do Beira da Lagoa, um grave problema: a tradicional concentração do clube, no Complexo Penitenciário da Frei Caneca, foi implodido, dele não restando pedra sobre pedra. É possível que a concentração passe para barracos na Favela da Chatuba.

Não pensem os leitores deste alvinegro blog que deixarei de criticar o Glorioso. O Botafogo, pressionado pelos absurdos minutos de prorrogação dados pelo soprador de apito da partida, não soube segurar o jogo, tocando a bola, fazendo o tempo correr pois vencia por 2 a 1 até o 50° minuto de jogo. E acabou permitindo o empate. Mas talvez isso de nada adiantaria: o árbitro empurraria a partida até mais meia hora, alegando o de sempre: tempo para que todos bebam água e acréscimos para as substituições. Só correu o perigo de o Botafogo marcar o terceiro gol. Aí, Andrade, que já fala com extrema dificuldade, ficaria mudo para todo o sempre.

Menos mal porque o Botafogo de Futebol e Regatas já é finalista do Campeonato Carioca e, inclusive, poderá ser campeão por antecipação se, mesmo enfrentando os árbitros, conquistar a Taça Rio. Correndo por fora, quase desacreditado, surgiu o América Footbal Club, superando o Vasco pelo menos no momento. O Vasco, por sinal, quebrou uma escrita de 39 anos sem perder do Olaria, o que ocorreu sábado passado. E é importante ressaltar que no time do Olaria – que jogou bem – não existia nenhum macumbeiro como o saudoso Arubinha, do Andaraí, que teve a petulância de enterrar um sapo vivo no gramado de São Januário, irritado com a goleada de 12 a 0 que seu clube sofreu do Vasco, numa noite chuvosa no campo do Fluminense.

Como diria João Saldanha, vida que segue...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Beira da Lagoa vira caso de Polícia

O famoso Clube de Regatas da Beira da Lagoa não passa por uma fase boa fora dos gramados. Fatos sucessivos têm agitado o ambiente, começando pelo entrevero ocorrido na entrada da favela da Chatuba, no Complexo do Alemão. Na ocasião, a namorada do Imperador Adriano, Joana Machado (que dirige sem habilitação), surpreendeu seu grande amor num baile da comunidade, fez um escândalo, apedrejou os carros do goleiro Bruno Microcéfalo, Vágner Love (foto UOL) e do mais que desconhecido Álvaro.
Informações desencontradas dizem que os traficantes da Chatuba amarraram Joana, num poste ou numa árvore, para impedir que o ‘barraco’prosseguisse e atraísse a presença de policiais do narcotráfico ao local.

Poucos dias depois, Vágner Love, o jogador das trancinhas, foi surpreendido num baile funk, numa favela do Rio, protegido por traficantes armados até os dentes e será convocado pela Polícia para prestar depoimento sobre sua amizade com os fora da lei.
Mas os problemas do Clube da Beira da Lagoa – também conhecido por Simpaticíssimo – não pararam por aí. O mesmo Adriano da Chatuba, que hoje pesa 106 quilos (pretende bater o recorde de Ronalducho, do Corinthians) comprou uma moto por R$ 35 mil para a mãe do traficante Paulo Rogério de Souza Paz, mais conhecido como Mica, e também será chamado pela Polícia para explicar a doação.

Por fim, a tragédia maior: por ordens superiores, a concentração do clube, no Complexo da Frei Caneca, foi implodida e os jogadores, quando regressarem do Chile (onde enfrentaram um adversário pela Taça Libertadores), ficarão sem um local de reclusão entre um jogo e outro.

A presidente do clube, a ex-nadadora Patrícia Amorim, pessoa das mais bem intencionadas, já não sabe o que fazer diante de tantos problemas surgidos logo no início do seu mandato. O certo é que Adriano, gordo e totalmente fora de forma, está arriscadíssimo a ficar fora da Copa do Mundo da África, mas tudo dependerá da paciência do treinador Dunga e da Polícia.

Problemas e mais problemas afetam hoje a Fla-Prensa e o Beira da Lagoa.

domingo, 14 de março de 2010

Homenagem no Lamas


Cricrizada Amiga:

A Confraria da Amizade Botafoguense reuniu-se na quinta-feira, dia 11, para comemorar os 70 anos do jornalista e historiador Botafoguense Roberto Porto.
A efeméride aconteceu no tradicionalíssimo Bar Lamas, que já era balzaquiano quando o nosso Robertão adentrou o gramado do planeta Terra, no dia 22 de fevereiro de 1940.

Como secretário da Confraria, fazendo uso dos direitos a mim concedidos pelo Sr. Presidente Sávio Neves, empossei Roberto Porto no grau de Confrade Glorioso, e outorguei a ele o avental que é símbolo da Confraria.

Estiveram presentes (por ordem alfabética:)

Adílson Taipan (poeta botafoguense)

Carlos Porto (irmão de Roberto Porto - o arquiteto do Engenhão) e Srª

Humberto Cottas

Luiz Roberto Santos e sua filha, Mariana

Manoel Mol

Paulo Marcelo Sampaio

Rafael Casé e o locutor que vos fala

O empresário Manoel Mol, da Mineirart, presentou Roberto Porto com uma placa decorativa, produzida na sua indústria de móveis.

Por indesculpável esquecimento, deixei de anotar - como deveria ter feito - o nome de uma dupla (pai e filho) que estiveram presentes ao encontro. E de um jovem jornalista, que se identificou como torcedor daquele time da beira da Lagoa, mas foi lá expressar a sua admiração pelo nosso agora Confrade.

O papo transcorreu regado a chops e mais chopps (muitos mesmo...), petiscos e acepipes variados e, ao final, depois de assistirmos no telão à vitória do Botafogo contra o São Raimundo (cada gol sendo saudado pela gargalhada inconfundível do Dr. Betofoguense), detonamos uma bela torta de sorvete.

Roberto Porto - 70 anos de amor ao Botafogo!

Saudações Botafoguenses,
Cesar Oliveira