Em primeiro lugar, quero agradecer aos leitores deste alvinegro blog o fato de me ajudarem a ultrapassar a marca de 100 mil acessos, número que jamais imaginei a que pudesse chegar, escrevendo apenas nas poucas horas de folga que consigo. Mas, sem qualquer sombra de dúvida, o que mais pesou nessa marca fantástica foi a incrível conquista do Campeonato Carioca de 2010 pelo nosso glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. Superstições e numerologias à parte, confesso que não esperava um presente tão significativo este ano, depois de tantas roubalheiras que sofremos nos três últimos anos, diante do medonho Clube da Beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde num passado distante havia a vergonhosa e perigosa favela do Pinto, afinal removida.
A quem dedicar essa incrível conquista? À nossa torcida, claro, que, num determinado momento chegou a desanimar depois de tantos furtos acintosos no gramado do Maracanã, principalmente diante do já citado Urubu agourento. E mais: não foi apenas a vitória na partida decisiva. Uma vez mais, nós, botafoguenses, conseguimos impedir que o Clube da Beira da Lagoa chegasse ao seu tão desejado tetracampeonato carioca, feito que só nós conquistamos em 32-33-34-35. Ainda adolescente, nas arquibancadas do Maracanã, assisti em 1956 a um episódio parecido. Por quê? Por que se vencesse o Botafogo, naquela tarde, o Urubu ainda poderia lutar pelo tetra. Mas vencemos e demos, de bandeja, o título ao Vasco da Gama.
É verdade que já neste Século 21 (olha o 21 aí, gente), já havíamos conquistado o título do Carioca de 2006. Mas faltava este de 2010, quando eliminamos Fluminense, Vasco e o Urubu. Foi um belíssimo presente para a torcida, para os jovens botafoguenses que, num futuro próximo, irão me substituir nesse amor incontido pelo alvinegro de General Severiano. Derrotamos nossos inimigos permanentes, como a Fla-Prensa, e podemos comemorar, com elegância e respeito, a homenagem aos campeões de 1910 que entraram para nosso hino. E foi justamente 100 anos depois que conquistamos essa glória, mais uma em nossa iluminada estrada dos louros.
Confesso a vocês todos – principalmente aos que me acompanham neste modesto mas apaixonado blog – que minha ficha ainda não caiu. Mas cairá, claro que cairá cada vez que ouvir o hino do Botafogo ou a cantoria do ‘Ninguém Cala Esse Nosso Amor’. Há muitos anos, quando fui a um jogo com meu filho Roby, ouvi o hino ainda nos corredores do estádio. Comecei a ficar emocionado e ele, de temperamento mais frio, ameaçou me levar de volta para casa. É óbvio que me controlei e fui adiante, torcer pelo maior amor imaterial de minha vida. Hoje, junto a meus irmãos Carlos e Maurício, só posso agradecer a meu falecido tio Júlio Lopes Fernandes o fato de me conduzir ao brilho da estrela solitária, desde que éramos meninos de calças curtas.
E nunca vou esquecer que meu querido tio, pouco antes de morrer, pediu a mim que intercedesse junto ao Botafogo para que dele cobrasse a mensalidade devida (era apenas sócio contribuinte desde o Botafogo Football Club). Infelizmente, não deu tempo. Ele morreu inadimplente. Mas foi um botafoguense de coração, desde o Pará, onde nasceu no final do Século 19. Não sei onde ele foi sepultado ou se já removeram sua sepultura. Mas juro que tinha vontade de cobrir o seu jazigo com a nossa bandeira gloriosa e agradecer a ele – certamente em lágrimas – o presente que nos deu, a mim e meus irmãos, de torcer por esse inacreditável Botafogo de Futebol e Regatas.
Você também é campeão de 2010, meu tio Júlio..
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