quinta-feira, 23 de abril de 2009

No caminho das Índias


Em 1972, em razão de impedimento de força maior do eterno amigo Marcos Alexandre de Souza Aranha Mello Matos de Castro, fui chamado pela Rio Gráfica Editora – hoje Editora Globo, na Rua Itapiru – para concluir o projeto ‘Grandes Clubes Brasileiros’. Quis o destino que eu já pegasse andando o meu Botafogo do coração, na época com Xisto Toniato como vice-presidente de futebol. Tive muita ajuda dele e de dona Madalena, secretária do clube desde fevereiro de 1942, antes, portanto da fusão entre o Club de Regatas Botafogo (1894) e o Botafogo Football Club (1904).

Você não vale nada mas eu gosto de você...’

Na época, por razões que não precisam ser explicadas, além de uma lista com todos os jogos no exterior feitos pelo Botafogo, decidi incluir o retrospecto de Botafogo e Flamengo. Na ocasião, mesmo distante do título desde 1968 – foram cinco, com duas Taças Guanabara e dois Campeonatos Cariocas, além de uma Taça Brasil – o Botafogo ainda tinha vantagem de 10 vitórias sobre o Clube da Beira da Lagoa, conhecido como Flamengo.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Os leitores deste blogspot sabem, por acaso como anda a estatística? Não? Pois segurem a pemba: Em 327 jogos, desde 1913 (que o Botafogo ganhou por 1 a 0), o Flamengo tem 119 vitórias contra 103 empates e 105 êxitos do Glorioso, ou seja, o Clube da Beira da Lagoa – cujo futebol surgiu de uma briga entre jogadores e dirigentes do Fluminense – não apenas ultrapassou o Botafogo como tem hoje 16 vitórias de vantagem.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Em poucas e resumidas palavras, o Botafogo faz tempo que não pode chamar o Flamengo de freguês de caderno. Pior, nas últimas sete decisões, a partir da cabeçada de Gaúcho, no Campeonato Carioca de 1991, o Botafogo não ganhou uma decisão contra o Flamengo. E agora, a partir de domingo, vai para a sua oitava tentativa após jogar pela janela a Taça Rio, com aquele gol contra do Emerson.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Muitos – creio que a maioria – dos leitores de meu blogspot acham que sou pessimista. Tudo bem, não discuto. Mas talvez eles não saibam fazer a diferença entre pessimismo e realismo. E o real é que o Botafogo do meu coração não entrou em campo domingo passado, deixando-se dominar totalmente pelo adversário, até surgir o gol acidental que nos derrotou. Se o Botafogo não voltar a campo com garra, coragem e disposição, não apenas sofrerá nova derrota como aproximará o Clube da Beira da Lagoa de seu quinto tricampeonato na Era do Profissionalismo, o que será de amargar.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Há muitos anos, no século passado, o Botafogo impediu que o Flamengo conquistasse o seu tetracampeonato. No jogo do turno, mesmo com 10 homens (Thomé quebrou o braço), o Glorioso meteu 5 a 0. E no returno, quando o Flamengo precisava ganhar, nosso ponteiro-esquerdo paraguaio, Cañete, fixou o placar em 1 a 0 e deu de presente o título ao Vasco, cujos dirigentes comemoraram o título nas cadeiras especiais.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

Mas hoje é hoje. E se Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões repetirem a bisonha atuação de domingo passado, e Ney Franco não encontrar uma solução para o apático Botafogo, serei obrigado, uma vez mais, a cantar a música engraçada da novela ‘Caminho das Índias’, que retrata a excelente Norminha (Dira Paes), que não vale nada mas o guarda Abel a adora, tanto quanto eu ao Botafogo imortal da estrela solitária.

Estou certo ou não? Deixo as respostas para meus agradáveis leitores.

‘Você não vale nada mas eu gosto de você’

terça-feira, 21 de abril de 2009

Esse Botafogo tinha pelo menos raça


Vocês, meus leitores habituais – como a jovem radialista Thayssa Roberta, da Rádio Globo, certamente não conhecem esse time do Botafogo de 1955. Apesar das presenças de Nílton Santos e Garrincha, foi uma das piores equipes que o Glorioso armou em muitos anos. Basta dizer que não se classificou para o terceiro turno, sendo superado pelo modesto Bonsucesso.

Mas vamos às identificações do grupo.

De pé, da esquerda para a direita, estão Thomé, Nílton Santos, Orlando Maia, Juvenal, Bob (Robert James Neil) e Lugano.

Agachados, na mesma ordem: Garrincha, Gato, Paulo Omena, Casnock e João Carlos (que foi um astro no América).

Como jogava esse time? Lugano, Orlando Maia, Antônio Correia Thomé e Nílton dos Santos (seu verdadeiro nome); Bob, Juvenal e Paulo Omena; João Carlos, Gato e Casnock. Pois bem. Tenho a mais absoluta e concreta das certezas de que esse projeto de time – depois que o clube vendeu Dino e Vinícius para a Itália – teria um comportamento mais profissional e corajoso daquele bando que perdeu a Taça Rio, para o Flamengo, assistindo ao Clube da Beira da Lagoa dar uma exibição de gala.

O time, repito, era ruim, sem entrosamento, mas seus jogadores botavam a alma pela boca em defesa da camisa da estrela solitária, como faziam Juvenal Francisco Dias e o já citado Bob – banido do Botafogo de maneira escrota e que não permitiu que o atleta se defendesse, na temporada de 1956. Digo isso porque conversei longamente com Bob, na redação do Jornal dos Sports – um jornal inadimplente com seus inúmeros ex-funcionários, como eu, por exemplo. Mas isso não vem ao caso. O JS está fecha-não-fecha e já sei que minha indenização foi para o espaço sideral.

Mas nunca esse time – que acompanhei com meu saudoso tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983) – foi covarde diante de qualquer adversário. Jamais medrou para Flamengo, Vasco, Fluminense ou América. Perdia, claro, mas seus jogadores deixavam o gramado orgulhosos da luta que demonstravam na partida. Foi o que o Botafogo de Ney Franco fez domingo. Assistiu de maneira privilegiada – pois que estavam em campo – ao passeio que o Flamengo deu, mesmo levando-se em conta o gol contra.

Sei muito bem que sou considerado pessimista. Mas vejo futebol há mais de seis décadas e sei quando um time entrega o ouro ao bandido. Foi o que o Botafogo fez. Não jogou rigorosamente nada e nem demonstrou vontade de jogar. Como sou mordido de cobra, nem penso em pintar no Maracanã – Maurício Assumpção que me desculpe. Mas para ver uma equipe covarde, amedrontada, assustada com os gritos da torcida do Clube da Beira da Lagoa, eu não vou.

Não vou para não ficar mais puto (perdoem a expressão, mas é a que cabe) com esse Botafogo covarde e sem personalidade. Estou pensando seriamente em dar um tempo ao Botafogo.
E fazer como meu amigo Luiz Carlos Albuquerque, apaixonado com eu, torcer para o Botafogo não disputar mais finais. A última vitoriosa vai completar 20 anos. Mas aquele time era um time de machos. Não um time de frouxos – exceção que faço a um único jogador: Leandro Guerreiro.
Seja o que os deuses do futebol quiserem. Assim espero.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Que decepção, Botafogo do meu coração...

Que decepção, Botafogo do meu coração...

Quero esclarecer aos leitores deste blogspot – gentilmente postado pela minha irmã-camarada Malu Cabral – que não sou infalível. São mais de 60 anos de Botafogo na cabeça (meu maior e inexcedível amor imaterial) e, vez por outra, recorro a meu amigo do peito Pedro Varanda, demitido arbitrariamente do Glorioso pelo senhor (?) Bebeto de Freitas. Pedro Varanda é o sucessor de Alceu Mendes de Oliveira Castro, autor do livro raro ‘O Futebol no Botafogo – 1904-1950’. Por pura sorte, tenho um exemplar deste livro que está cotado no mercado paralelo a R$ 4 mil.

Assim, depois do vexame de domingo, recorri a Varanda para saber quando foi a última vitória do Botafogo sobre o Flamengo em partidas decisivas. E ele, para minha decepção, informou-me que foi a 21 de junho de 1989, com o mais que famoso gol de Maurício. Em poucas e resumidas palavras, o Botafogo não vence aquele Clube da Beira da Lagoa há quase 20 anos, (1989-2009)
ao longo de sete inexoráveis anos de decisões.

Como diria meu amigo tricolor Nélson Rodrigues (1912-1980), é caso de sentar no meio-fio e chorar lágrimas de esguicho. E haja esguicho para chorar por 20 anos.

Não vou listar os desastres porque não sou sofredor de nascença.

Seja com a ajuda dos árbitros – não foi falta aquela sobre Juan que terminou com o gol contra de Emerson – ou não, o fato é que viramos o que a gentalha chama de fregueses de caderno. E domingo que vem, podem esperar. A torcida do Botafogo não vai ao Maracanã. Seremos espremidos como ocorreu em 1992, depois que o Clube da Beira da Lagoa nos meteu 3 a 0 no primeiro jogo decisivo do Campeonato Brasileiro. Foi um vexame. Fui ao jogo e fiquei num cantinho da arquibancada porque a massa rubro-negra tomou, literalmente todo o estádio. Uma vergonha daquelas.

O que mais me emocionou nessa derrota foi saber que meu neto, Rafael Porto (que ainda vai fazer 10 anos) perguntava a toda hora ao pai, Roby Porto, se ainda havia tempo de empatar ou virar o jogo. Este Botafogo que aí está decepcionou meu neto querido (tem uma irmã menor que não foi, felizmente). Este Botafogo, desarrumado e sem um mínimo de garra, conseguiu o feito de entristecer meu neto para sempre. Isso eu não perdôo. Vá ser desmotivado assim (perdoem a expressão) na puta que o pariu.

À noite, meu amigo de infância, o engenheiro Luiz Carlos Albuquerque, me fez uma confissão triste. Disse ele que não quer mais que o Glorioso vá à decisões. Que fique pelo caminho, fazendo número, vencendo o Resende e o Canto do Rio. Até porque já perdeu para Americano, Boavista, Volta Redonda e outros que apaguei da memória. Bonsucesso, Madureira e São Cristóvão nem se fala, tantas decepções provocou em sua torcida.

Por isso, sem querer ser pessimista – ao contrário da amiga Malu Cabral – não tenho a menor vontade de assistir a esse time desmotivado, sem garra, molenga e que ainda faz gol contra. Estou sendo pessimista? Estou, sim. O Botafogo mobilizou o Brasil inteiro – até um iugoslavo e um húngaro, que amam o Botafogo. Mas eles amam o Botafogo de Garrincha, Nílton Santos, Didi, Quarentinha, Zagallo, Amarildo Possesso e outros craques do Glorioso.

Juro que estou envergonhado com esse timeco do Ney Franco.

domingo, 19 de abril de 2009

Botafogo jogou pedra em santo


É possível que os verdadeiros botafoguenses que acompanham meu blog – carinhosamente postado pela amiga do peito Malu Cabral – parem de ler o que escrevo. Mas quero alertar a todos que não minto nunca. O Botafogo de domingo, contra o Flamengo, jogou o que em minha época se chamava de ‘pedra em santo’ – ou seja, porra nenhuma. No primeiro tempo, ainda teve oportunidade de marcar com Victor Simões (nulo em campo) e com Maicosuel que acertou a trave direita de Bruno. Mas, na etapa final, foi literalmente engolido pelo Clube da Beira da Lagoa.

O gol contra de Emerson, naquela confusão dentro da área, foi apenas um acidente de percurso. O Flamengo, para minha decepção, deu um verdadeiro baile no Botafogo, assim como o Americano fizera no Engenhão na quarta-feira à noite. O Botafogo de Ney Franco não conseguiu acertar um único e mísero passe e o êxito do Flamengo na Taça Rio foi mais do que merecido – ressalto que apesar do gol contra. O Botafogo, infelizmente, está no caminho exato para permitir mais um tricampeonato do Clube da Beira da Lagoa, pois não percebi no time nenhuma vontade de vencer.

O Flamengo, apesar de minhas advertências, que assisti a Flamengo x Fluminense, deu um passeio em campo, sem que nosso meio-campo acertasse um mísero contra-ataque mortal. Pelo que assisti ontem, pela Rede Globo – não tenho mais coração para ir ao Maracanã – o Clube de Beira da Lagoa não tomou conhecimento do Botafogo e tampouco de seus famosos três tenores – Maicosuel, Victor Simões e Reinaldo. Para variar, um único que jogou com alma e desejo de vencer foi o já manjado Leandro Guerreiro. O resto foi o resto e ainda tivemos um jogador importante expulso.

Como não minto – repito – e não falseio a verdade, espero que os rubro-negros que me escrevam coloquem seus e-mail para que eu os responda. Estou cansado de ver comentários anônimos, inclusive de um ‘adevogado’, que trabalha num escritório do tamanho do Maracanã e que tem a intenção de me processar. Processe, meu querido ‘adevogado’, o Renato Gaúcho que tem uma entrevista incrível ao Sportv. Quanto aos outros anônimos, tomem vergonha na cara e coloquem seu e-mail e não o covarde ‘anônimo’. Não disse aqui que o jogo foi roubado, falei que o Flamengo deu um banho do Botafogo e não ofendi ninguém. Então, tomem coragem.

E parabéns ao Flamengo pela conquista da Taça Rio. Mas lembrem-se todos que há mais dois jogos para definir o campeão de 2009. E o Botafogo não está morto, apesar da derrota medonha que sofreu

É isso aí. Vamos que vamos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Surpresa apenas para os incautos


Vocês, torcedores do Botafogo como eu, estranharam as suspensões de Juninho e Alessandro para a decisão do título contra aquele clube da Beira da Lagoa? Eu, não. Vocês estranharam também a escalação de Djalma Beltrami para apitar o jogo Botafogo x Americano? Eu, não.
O esquema de há muito está montado para que o Simpaticíssimo conquiste o tricampeonato carioca e o STJD-RJ tem parte nisso, assim como esse Beltrami, de triste passado. Minha única e escassa surpresa foi que o bandeira Wilson Moutinho – que chega de carro ao Maracanã vestido com a camisa rubro-negra, tenha escapado desse sorteio fajuto feito pela Federação.

A verdade é que o Botafogo, graças à pífia arbitragem de Djalma Beltrami, não jogou rigorosamente nada e o Americano – com todas as suas deficiências – botou a alma pela boca para derrotar o alvinegro nos pênaltis.
Ironia do destino foi Maicosuel marcar o gol da vitória, aos 47 minutos do segundo tempo, e, depois, tentar aquela cobrança maldita com uma paradinha da qual sou contra, chutou na trave e o Glorioso foi eliminado da Copa do Brasil, perdendo por 5 a 4.
O goleiro Renan – revelação do Botafogo nos últimos tempos, não teve chance nas cobranças do Americano.

Em pouca e resumidas palavras, o circo está armado para que aquele clube da Beira da Lagoa – que ficou a semana em repouso – chegue a mais um tricampeonato. Não há dúvida de que o Botafogo, com a derrota para um time de segunda categoria – mesmo nos pênaltis – chegará domingo ao Maracanã de cabeça baixa pela eliminação que podia tê-lo levado à Taça Libertadores da América.
Mas como há coisas que só acontecem ao Botafogo, quem sabe se a equipe poderá se recuperar do vexame que passou? A verdade, verdadeira, foi que nas duas partidas o Americano jogou com alma e o Botafogo desprezou o adversário. Azar o nosso.

O que me espanta é que o novo presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, não tenha impedido o larápio Beltrami de sequer pisar as dependências do Engenhão. E olha que passei e-mails para Assumpção, alertando-o de esquemas armados – e bem armados – para desmotivar o Botafogo e, uma vez mais, motivar o adversário da final da Taça Rio.
E os advogados do Botafogo? Permitiram que Juninho e Alessandro fossem punidos por causa de um jogo contra o Fluminense, sem terem sido expulsos de campo? Também não posso culpá-los de todo. Esse STJD é venal.

Preocupa-me, também, a contusão de Reinaldo, que deixou o gramado do Engenhão sentindo uma contusão. Ou seja, além de perder Juninho e Alexandro – por obra e graça desse STJD – o Glorioso pode ficar sem um de seus três tenores – Reinaldo, Maicosuel e Victor Simões.
Mas deixar Beltrami pisar o Engenhão foi de uma burrice incorrigível. Ele era capaz até de marcar um gol a favor do Americano, de tanta raiva que tem do Botafogo e amor pelo clube da Beira da Lagoa. Essa eu não vou engolir jamais.

Mas como a esperança é a última que morre, vamos que vamos. Pelo menos não teremos Moutinho e Beltrami em campo. Eles fazem parte da Raça Rubro-Negra e estarão nas arquibancadas torcendo.

Há coisas...bem, é melhor não dizer porra nenhuma...

domingo, 12 de abril de 2009

Estranhas reações à goleada de sábado


O futebol tem realmente coisas extremamente curiosas e inexplicáveis. Na tarde de sábado, a partir do momento em que o Botafogo começou a despachar o Vasco, com um verdadeiro chocolate de Páscoa, passei a receber, em meu computador, uma série de ameaças, ofensas e xingamentos vindos de torcedores do Flamengo. Confesso que não entendi bulhufas. Teria o simpaticíssimo clube da Beira da Lagoa receio de enfrentar o Glorioso na decisão da Taça Rio?

Estariam os rubro-negros preferindo medir forças com o Vasco e ficaram revoltados com a goleada alvinegra?

Volto a confessar que não compreendi nada. Até porque, na tarde de domingo, com o Maracanã novamente lotado, O simpaticíssimo deu um verdadeiro baile no Fluminense, cumprindo uma atuação rigorosamente irrepreensível, do início do fim. E só não conseguiu um placar mais elevado por uma questão de sorte do Tricolor. A vitória do Flamengo sobre o Fluminense – candidatando-se ao tricampeonato estadual – foi de uma clareza única e insofismável.

Assim, se o clube da Beira da Lagoa está tão preparado, como demonstrou, por que as ofensas contra o Botafogo?

Agora, pelo terceiro ano consecutivo, o Botafogo terá a dura missão de superar o Flamengo e evitar as duas partidas decisivas da competição. Uma vez mais, Vasco e Fluminense foram remetidos ao limbo do esquecimento. E mais: a facilidade com que o clube da Beira da Lagoa dominou o Fluminense me deixou um ponto de interrogação: que time foi esse que o simpático e sempre afável Carlos Alberto Parreira armou para chegar aonde chegou? Thiago Neves, Conca e Fred não viram a cor da bola. E se fosse no turfe, eu diria que o Flamengo venceu com vários corpos de vantagem.

Quanto ao Glorioso, não tenho dúvidas. Cumpriu, contra o Vasco, a sua melhor atuação desde a conquistada Taça Guanabara, devolvendo, com juros baixos – determinação do Banco Central – a goleada que sofrera por 4 a 1. Os 4 a 0, admito, foram inesperados para mim. O Botafogo vinha de uma atuação bisonha diante do Americano, em Campos, e, de repente, os já chamados três tenores – Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões – atropelaram o Vasco da Gama, que vinha de uma excelente campanha na Taça Rio. Mas o Vasco, ao contrário do Tricolor, não foi uma decepção. Lutou como pôde.

Se sábado, num Botafogo x Vasco, meu computador quase estourou de xingamentos – e vejam que o Fla-Flu não tinha se realizado – fico imaginando o que vem agora. Um torcedor rubro-negro, dizendo-se advogado, quer me levar à justiça para esclarecer o suposto suborno praticado por alguém do Flamengo na decisão do Brasileiro de 1992. Ora, bolas, eu sou a pessoa menos indicada para isso. E só toquei no assunto porque Renato Gaúcho, em longa e simpática entrevista ao Sportv, revelou que algo de estranho ocorreu em General Severiano naquele domingo.

Se Renato Gaúcho, que participou dos 3 a 0 que o Botafogo tomou, disse na televisão que houve coisas estranhas no clube, às vésperas da decisão, então ele que confirme ou desminta o que disse. O outro personagem que me revelou a história no Mourisco, Emil Pinheiro, já não está entre nós. E eu, modestamente, nunca fui dirigente do meu clube.

sábado, 11 de abril de 2009

Obrigado, Botafogo!


Nós temos que agradecer ao Botafogo, minha eterna, gigantesca e insuperável paixão imaterial.

Esses 4 x 0 foram demais! Confesso que me nocautearam de emoção.
É muito chocolate para uma Páscoa só....


Saudações Botafoguenses
Roberto Porto

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Esse era o meu Botafogo inesquecível


Eu já devia estar mais do que acostumado com as peças e peripécias do meu Botafogo do coração. Mas a partida contra o modesto Madureira, no Engenhão foi dura de roer. Hoje, depois do título da Taça Guanabara, apesar da derrota para o Volta Redonda, estou convencido de que o Glorioso amadureceu antes do tempo. Ou seja, no momento, é claramente o pior dos quatro grandes que lutam pelo título de 2009. O Botafogo vibrante daqueles momentos sumiu na poeira deste Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

E agora, através do Blog-Clipping da amiga Malu Cabral fico sabendo que Victor Simões pode pegar um gancho deslumbrante por causa da sua expulsão idiota contra o Americano. Se já jogando pedras com o time completo, imagino o que não jogará sem a presença de Victor Simões? Que os leitores deste meu blogspot me perdoem, mas já estou ficando pessimista, depois de um curto período de alegria com a conquista da Taça Guanabara. Por isso, hoje, mudo de assunto e escrevo sobre um período de alegrias.

A foto de hoje, com dedicatória, veio do ponteiro-direito Rogério Hetmanek, também conhecido como Rogério Ventilador, pelo movimento que fazia com os braços quando iniciava seus dribles. A foto é histórica. Foi tirada momentos antes de o Botafogo golear o Vasco por 4 a 0 na final do Campeonato Carioca de 1968 (eu estava lá na arquibancada). O ataque era, pela ordem, Rogério Hetmanek, Gérson Nunes, Roberto Miranda, Jair Ventura Filho e Paulo César Lima. Que ataque deslumbrante, heim?

Infelizmente, de acordo com o ditado que diz que há coisas que só acontecem ao Botafogo, o clube, em 1969, não conseguiu chegar ao tricampeonato, jogando fora uma oportunidade de ouro, já que tinha conquistado o bi da Taça Guanabara e o bi nesse jogo diante do Vasco. Sei de muitas coisas ocorridas em General Severiano em 1969, mas prefiro deixar para outra ocasião. A derrota para o Flamengo no famoso ‘Jogo do Urubu’ (2 a 1) é uma das histórias tristes daquele ano em que o tri sumiu.

Por acaso, naquela época, eu estava me recuperando de um rompimento dos ligamentos do tornozelo direito e o doutor Lídio Toledo, numa gentileza fora do comum, me permitiu fazer tratamento médico ao lado dos jogadores, em General Severiano. O detalhe é que, apaixonado pelo clube, arranquei a bota de gesso na véspera do ´Jogo do Urubu’, e fui ao Maracanã acompanhado do meu amigo botafoguense Luiz Carlos Mello. Quando deixei o estádio, meu tornozelo havia virado uma bola de tão inchado – tão inchado como estava minha cabeça após a derrota. Voltei para casa com o pé direito no acelerador – para isso dava – mas fazia os outros movimentos com o pé esquerdo, que não me servia nem para subir num lotação da época.
Mas um dia, prometo, vou falar dessa partida que, literalmente, tirou nossas esperanças no tricampeonato. Mas guardem a foto que é boa. E agradeço a Rogério Ventilador tê-la me enviado de São Paulo com uma dedicatória carinhosa. Valeu, garoto. Já está escaneada e guardada.

terça-feira, 31 de março de 2009

Botafogo 24 x 0 Mangueira


Minha amiga, irmã, camarada, Camila Augusta da Silva, botafoguense da mais alta estirpe – de um Carlito Rocha, certamente – só tem um único e escasso defeito: é noiva de um cruzmaltino. Mas como ninguém é perfeito, nem eu, que tenho uma filha que torce para aquele clube da Beira da Lagoa, vamos deixar para lá. Pois Camila foi ao Museu do Futebol, no Pacaembu, em São Paulo, e fez questão absoluta de posar ao lado do cartaz que indica a maior goleada da história do futebol brasileiro: Botafogo 24 x 0 Mangueira.
E como ainda é uma menina, me pergunta o que sei sobre esse jogo, disputado exatamente a 30 de maio de 1909, no campo do então Botafogo Football Club. Na preliminar o Botafogo foi mais modesto: venceu apenas por 12 a 1. Mas os 24 a 0 estão no Museu do Futebol. Não sei muito, Camila, mas vamos lá se consigo liquidar com sua curiosidade.

Para começo de conversa, Camila, é preciso esclarecer que a partida foi realizada antes que o escritor Euclides da Cunha (1866-1909), invadisse a casa dos militares Dilermando Cândido de Assis (1889-1952) e Dinorah Cândido de Assis (1890-1921), em Piedade, por causa da traição de sua mulher Ana de Assis (1875-1951).

Na manhã de 15 de agosto de 1909, Euclides saiu atirando, atingindo seu rival, Dilermando, mas ferindo na nuca quem nada tinha a ver com o caso, o zagueiro alvinegro Dinorah. Assim, pois, foi em plena forma física e técnica que Dinorah participou da goleada que entrou para a história do futebol brasileiro, tendo marcado um gol. Não havia tomado o tiro.

Naquela mais do gloriosa tarde, o Botafogo – ainda sem a inacreditável estrela solitária ao peito, o que só ocorreria em 1942 – jogou com Coggin, Pullen e Dinorah; Rolando, Lulú e Pullen; Henrique, Flávio Ramos, Monk, Gilbert e Emanuel Sodré Viveiros de Castro. Os gols, Camila? Pois bem: Gilbert (9), Flávio (7), Monk (2), Lulu (2), Raul (1), Dinorah (1) e Henrique e Emanuel (1 cada). Que tal? Coisas que só acontecem ao Glorioso.

O que ocorre, Camila, é que no dia 15 de agosto Dinorah levou o tal tiro de Euclides – morto de ciúmes. Mas nosso heróico zagueiro, tão esquecido pelo Botafogo de hoje – devia ter um busto em General Severiano – mesmo com a bala encravada no pescoço, entrou em campo para enfrentar o Fluminense, no dia 22 de agosto de 1909.
Com os movimentos prejudicados, não foi o zagueiro categórico de sempre e perdemos por 2 a 1. Mas assim mesmo, Dinorah, amando o nosso imortal Botafogo, seguiu jogando e sagrou-se campeão de 1910, fazendo com que nosso time ganhasse para sempre o apelido de ‘O Glorioso’.

Mas a bala de Euclides foi fazendo efeito e Dinorah ficou paraplégico. Triste, acabrunhado, suicidou-se nas águas do Rio Guaíba, em Porto Alegre, mas foi enterrado no Rio. Ele é um símbolo, Camila. Um símbolo da maior goleada que o futebol brasileiro registra em mais de 100 anos de história. Sou fã de Dinorah, Camila, e Maurício Assumpção também deveria ser. Nosso herói merece as maiores homenagens do Botafogo de Futebol e Regatas, legítimo sucessor do
Botafogo Football Club, certo?

(*) Um último detalhe: o escudo com a estrela solitária, apontado como o mais belo do mundo pelos japoneses, fez sua estréia num simples treino coletivo, em General Severiano, a 19 de janeiro de 1943. O autor do desenho? Basílio Viana Júnior. É mole ou quer mais, Camila?

domingo, 29 de março de 2009

Uma emissora 100% tricolor


Por absoluta falta de sorte, fui obrigado a acompanhar a partida Botafogo x Fluminense, disputada no Maracanã, exclusivamente pela Rádio Globo. À exceção do Garotinho José Carlos Araújo, que é tricolor, mas narra o jogo com a mais irresoluta e absoluta isenção, seus comentaristas Gérson Nunes e Felipe Cardoso parecem que vão ao estádio com a camisa do Fluminense e só falam, durante os 90 minutos, no que deve ou não deve fazer o time dirigido pelo hoje aposentado Carlos Alberto Parreira. Faço idéia do que a dupla de tricolas não deve perpetrar em outras partidas.

Não quero justificar com isso a pífia atuação do Botafogo, que tomou um vareio do Vasco, empatou com o Americano e agora conseguiu perder do não mais que mediano time do Fluminense no último minuto, depois de estar vencendo de 1 a 0 até os 35 minutos do segundo tempo. De nada adiantaram as palestras da psicóloga em General Severiano – deve ser tricolor, também – tentando motivar os jogadores. E, Francamente. Victor Simões ser expulso de campo contra o Americano é dose para mamute desmamado. Caso não tenha levado uma advertência da diretoria, é erro.

Honestamente, tinha dado um tempo para meu blog depois do empate contra o Americano. Mas depois da derrota para o Fru-Fru, coisa que não ocorria há anos, fiquei revoltado. O Botafogo, como aconteceu nos dois últimos anos, caminha celeremente para fazer o papelão que cumpriu diante daquele time da Beira da Lagoa. Só se fizer agora, o Simpaticíssimo será tricampeão uma vez mais. E se cair diante de Vasco e Fluminense será uma vergonha que não tem mais tamanho.

Hoje, pedi a Malu Cabral para colocar a foto do blog algo que significasse o que estou sentindo. É uma espécie de luto que demonstro pela queda vertiginosa do alvinegro. Aliás, estou exausto desse tipo de descalabro. E não há diretoria que resolva o problema. De volta à Globo – sempre com respeito à Zé Carlos, tricolor mais do que moderado, Gérson só falta entrar em campo para cobrar a faltas próximas à área e Felipe, por incrível que pareça, chega a superar Nélson Rodrigues (1912-1980) na sua angústia pelo seu time.

Eu, que fui aluno de Zé Carlos, na Nacional, que me ensinou o pouco que sei de rádio, fico puto com comentários tão parciais. Não vou deixar de ouvir meu mestre, que é o melhor na latinha. Mas Gérson, que obteve suas maiores glórias no alvinegro, deveria ter um pouco mais de carinho com o clube que o projetou para a Seleção Brasileira. Até porque foi banido do Simpaticíssimo e já chegou ao tricola às vias da aposentadoria.
Fui.

segunda-feira, 23 de março de 2009

De passagem pelo Duque


Como diria Theóphilo de Vasconcellos, espetacular narrador de turfe da Rádio Jornal do Brasil, o Botafogo passou de passagem pelo Duque das Caixas, aliás Duque de Caxias, metendo quatro balaços no gol adversário. Foi uma vitória clara e límpida mas creio que o Glorioso, pelo menos no primeiro tempo, andou um pouco mascarado. Mas depois que encontrou seu melhor jogo sobrou em campo, podendo ter chegado aos 5 a 0 não fosse o inacreditável gol perdido por Victor Simões embaixo da baliza.

A Taça GB, numa promoção da administração de Maurício Assumpção, foi exibida aos torcedores (foto), que fizeram questão de registrar em fotografia sua passagem pelo Engenhão. Só que o menino da foto humilhou: além de posar ao lado da taça, ainda desfraldou a mais bonita bandeira de que se tem notícia em matéria de clubes de futebol. Um dia, quem sabe, se me esforçar muito neste blog, ganho uma do meu clube querido? É esperar para ver. E em matéria de Botafogo sempre tenho a maior paciência.

Mas meu assunto hoje é outro. Quero falar de Donizete, o Pantera, que Victor Simões está sempre homenageando. E deixo no ar a pergunta para meus leitores, que sabem mais de Botafogo do que eu: o Donizete foi mais importante no Botafogo ou no Vasco?

Fiz o questionamento porque às vésperas de Botafogo x Vasco, Donizete declarou que iria torcer por um empate de 3 a 3. Como ele foi um dos heróis (ao lado de Túlio Maravilha) na partida decisiva contra os cabelos vermelhos do Santos, em 95, pensei que ele, Pantera, tivesse um carinho mais especial pelo Botafogo.

Eu me recordo de que, segundo me relatou Carlos Augusto Montenegro, o Pantera jogou à meia bomba, com um princípio de estiramento muscular na coxa. E chegou a fazer teste no corredor do hotel onde o Botafogo estava concentrado. Mesmo assim, sem render o que podia – e sempre foi dono de uma explosão fantástica – meteu uma bola no travessão quase ao final da partida no Pacaembu. Agora, fico sabendo que ele é meio vascaíno, ao contrário de Maurício e Gonçalves, que aderiram ao alvinegro. Será que alguém pode torcer para dois clubes?

É uma coisa fantástica ou não?

Mudando de assunto, volto a elogiar a seriedade e postura de Leandro Guerreiro em mais uma partida. Aliás, Juninho também. Juninho fez a besteira de ir para o São Paulo, amargou a cerca, e está de volta ao clube de onde nunca deveria ter saído. E vamos para um novo compromisso no Campeonato Estadual porque o Vasco, depois de abater o Flamengo como se abate um belo urubu, vem aí com a corda toda. Vamos que vamos...

sexta-feira, 20 de março de 2009

A história do broche estarrado


Dizem os inimigos do Glorioso alvinegro de General Severiano, que há coisas que só acontecem ao Botafogo.

Meu amigo e professor Luiz Mendes – o comentarista da palavra fácil – me revelou, certa vez, que, num passado distante, a frase incluía também o Vasco da Gama. Mas o clube de São Januário, pelos títulos invictos que conquistou na década de 40 (45,47 e 49), teve seu nome abolido da frase-ditado. Ficou apenas o do Botafogo.

E, venhamos e convenhamos, nós todos que somos botafoguenses não podemos negar que quando o broche presidencial desaparece da lapela do ex-presidente Bebeto de Freitas, os adversários alvinegros têm razão.

Como é que uma jóia que passava de presidente para presidente pode desaparecer sem deixar pistas?

Se vivo fosse, o escritor inglês Conan Doyle diria que esse seria um caso para Sherlock Holmes desvendar. E eu, que trabalhei por pouco tempo no marketing do Botafogo, sou obrigado a concordar com a fábula. Por que Maurício Assumpção não recebeu o broche que, supostamente, só poderia estar de posse de Bebeto de Freitas.

É óbvio ululante, como diria o tricolor Nélson Rodrigues (1912-1980) que o broche, por valioso que seja, não irá atrapalhar em nada a campanha do Botafogo no Campeonato Estadual de 2009.
O Botafogo, inclusive, já está classificado para decidir o título, pois conquistou de maneira insofismável a Taça Guanabara, abatendo o Resende (que fulminara o Simpaticíssimo).

Mas que é uma vergonha sem limites, isso é.

Tentei ficar afastado da discussão, mas infelizmente sou obrigado a registrá-la.

O curioso disso tudo é que certa vez, por puro gesto de elegância, passei em General Severiano e presenteei Bebeto de Freitas com o mascotinho alvinegro que está à venda na própria Fogão-Shop.

Para minha surpresa e decepção, Bebeto nem tirou o mascotinho da embalagem. Mandou chamar o advogado do clube, fora de sua sala, e entregou meu presente a ele com a ordem de verificar se a empresa tinha direito de fabricar aquele mascotinho.

De certa forma, embora decepcionado, entendi. Bebeto queria saber de tudo, da licença ou não, para comercializar o produto.

No fundo, no fundo, me pareceu um gesto de quem cuidava da imagem do eterno e amado Botafogo.

terça-feira, 17 de março de 2009

Cabofriense abatido a tiros


Depois de abater o Cabofriense com quatro tiros, em Cabo Frio, parece que o Botafogo
reencontrou seu melhor jogo, embora os 4 a 1 sofridos diante do Vasco ainda não tenham descido em minha garganta. Sei muito bem que a debandada de antigos jogadores alvinegros não pôde ser evitada pelo novo presidente Maurício Assumpção. Pelo contrário, Maurício fez das tripas coração e construiu um novo Botafogo, com jogadores com Juninho, Leandro Guerreiro, Maicosuel, Reinaldo e o novo pantera Victor Simões.

Mas como sou conservador, principalmente em se tratando do nosso Botafogo, ainda sinto a falta de jogadores como Túlio, Lúcio Flávio, Zé Roberto e uns poucos outros. Com o gigantesco calendário que o Glorioso tem pela frente, o atual time sentirá muito na hora de variar. Por sorte, ou por manter um certo padrão, já estamos classificados para decidir o título. Mas será que até lá o Botafogo conseguirá se manter? E vejam que ainda teremos o Fluminense pela frente, cheio de moral com a vinda de Fred.

Mas vamos adiante que atrás sempre vem gente.

O botafoguense Rodrigo Federman, numa gentileza, me remeteu a foto que tirou ao lado de Nílton Santos, ‘A Enciclopédia do Futebol Alvinegro. Rodrigo ficou emocionado com a visita que fez, agendado por dona Célia, mulher do craque de todas as épocas. Aliás, faz tempo, Otávio Sérgio (campeão de 48) me revelou que o apelido de Nílton Santos: ele era chamado pelos companheiros de ‘Caminhão.’

Seja como for, ‘Caminhão’ ou não, sou um sujeito de sorte. Vi Nílton Santos em toda sua carreira no Botafogo e na Seleção, jogando de lateral-esquerdo,em 62, posição que já abandonara.

Tive, também, o privilégio de viajar com ele para São Paulo, onde alguns periodistas (eu, inclusive) colocariam o craque em evidência no programa ‘Bola da Vez’, da ESPN Brasil. Durante a viagem na ponte-aérea, Nílton, que tem pavor de avião, ficou com uma medalhinha (creio que de Santa Teresinha) na boca. Tentei dissuadi-lo, mas foi rigorosamente em vão.

Outro privilégio (este me levou às lágrimas) foi ter sido escolhido marketing do Botafogo para saudá-lo numa reunião do conselho deliberativo. E falei de sua despedida, em 1964, num jogo contra o Simpaticíssimo no Maracanã. Ao derrotar o adversário por 1 a 0, gol de Roberto Miranda, de cabeça, num centro de Mura, o Botafogo do meu coração matou o Flamengo, que tentava o título. Aliás, a vitória naquele ano ficou entre Fluminense e Bangu. O Fluminense conquistou o troféu.

Hoje fico por aqui, mas vou refazendo o blog sempre que minhas demais obrigações não me impeçam.
O Botafogo, amigos, tem histórias que não acabam mais...

sexta-feira, 13 de março de 2009

O campeão não pode apanhar assim


Como diria o meu amigo tricolor Nélson Rodrigues (1912-1980), é óbvio ululante que o meu querido Botafogo de Futebol e Regatas já sofreu derrotas mais amplas e também doloridas goleadas no Maracanã, pelo Campeonato Carioca. Segundo a Enciclopédia Alvinegra Pedro Varanda – por quem tenho o maior respeito – a primeira das ultimas saraivadas de gols que tomamos ocorreu no dia de 29 de abril de 1994, diante do Fluminense, por 7 a 1.
Confesso que fui a nocaute técnico diante desse desastre.

Mas os medonhos feitos cumpridos pelo querido alvinegro não terminaram aí. O último e terrível fracasso ocorreu diante do Vasco, a 29 de abril de 2001 (olhem repetição do maldito dia). O chamado clube da colina meteu 7 a 0 no Glorioso diante da estupefata torcida alvinegra. Recordo-me que o placar foi tão alarmante e fora de propósito que o próprio Romário, nosso eterno algoz, deixou o gramado lamentando a goleada sofrida por um clube tão tradicional quanto o Botafogo de Futebol e Regatas.

É por isso que sinto na carne os 4 a 1 da noite de quinta-feira, principalmente porque foi construído por um jogador, Carlos Alberto, que acabara de abandonar a camisa do Botafogo – como fizeram Túlio, Jorge Henrique, Wellington Paulista, Zé Roberto, Lúcio Flávio, Diguinho e mais os dois zagueiros dos quais nem quero guardar os nomes. Um campeão, como foi o Botafogo na Taça Guanabara, não pode se deixar abater desse jeito, diante de um Vasco que não o derrotava há sete anos.

Creio eu que, agora, a conquista da Taça Rio – e o título de campeão carioca de 2009 – ficaram ligeiramente mais difíceis. Tomara que eu esteja errado e que o Glorioso tome a goleada sofrida como uma lição e parta para uma reação fulminante. Mas pelo que conheço do Botafogo, através da máquina do tempo que costumo utilizar, o efeito será devastador. Os jogadores vão achar que já estão classificados para a decisão e (é apenas uma questão de opinião) irão deixar o barco correr. Espero que não. Mas...

O fato, inconteste, é que, a essa altura do campeonato, os adversários do Botafogo vão achar dois motivos para deslustrar nosso êxito na Taça Guanabara: a derrota do Flamengo para o Resende e a perda de seis pontos por parte do Vasco.

E eu, aqui do Recreio dos Bandeirantes, meio isolado, não terei meios de refutar essas dúvidas. Perder é conseqüência natural numa competição de futebol. Mas ser goleado, tenham a mais santa das paciências. Principalmente para um time meio mal-ajambrado como o do Vasco, que andou tropeçando até mesmo em seu estádio, em São Januário.

Fica aqui, pois, a minha advertência: o Flamengo está lutando por mais um tricampeonato e o Botafogo, quer queira ou não, terá a dura missão de impedir essa conquista. De minha parte, abatido a tiros, vou tentar retornar à minha máquina do tempo e contar as histórias do meu Botafogo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Camisas lindas & dúvidas


Depois de abatermos os Tigres com três tiros certeiros, pela Taça Rio, retorno hoje a uma coluna (post) que escrevi há pouco tempo e que ainda provoca inútil polêmica entre meus leitores. Trata-se da foto que me chegou da Hungria, através do botafoguense István, com o inacreditável ataque formado por Garrincha (1933-1983), Gérson Canhota de Ouro, Didi (1928-2001), Jairzinho e Roberto. Alguns alvinegros acham que a foto é uma montagem, pois Gérson e Didi – segundo eles – jamais jogaram juntos.

Pois do alto da minha documentação a respeito do Glorioso, garanto a vocês que Gérson e Didi atuaram juntos, sim, de 23 de agosto de 1964 a 24 de fevereiro de 1965, totalizando 21 partidas. Sei que são poucos jogos e que a memória às vezes é traiçoeira. Mas o ataque da foto e outros, com Quarentinha, Amarildo e Zagallo, além da presença de Nílton Santos na defesa, entraram para a história do Botafogo velho de guerra, o clube que mais jogadores cedeu para a Seleção Brasileira que chegou ao tri mundial.

Esclarecida a dúvida dos leitores, vamos a outro assunto.

Vocês repararam na beleza de camisa que três jogadores do Botafogo estão usando em General Severiano? Pois trata-se da luxuosa (poderia ser outra coisa?) camisa que Carlito Rocha (1894-1981) mandou confeccionar para o Campeonato Carioca de 1947 e chegou a ser utilizada no início de 1948 (já com calções brancos) numa excursão do Botafogo à Bolívia, quando Nílton Santos, aos 22 anos, já integrava o quadro de profissionais.

Infelizmente (pois que a camisa é linda), ela foi criada por Carlito Rocha, inspirado na camisa do River Plate de Buenos Aires, mas teve que ser abandonada porque rasgava à toa, perdia botões e sempre estava para fora dos calções dos jogadores. Na foto, os três alvinegros são Teixeirinha (ponta-esquerda), Santo Cristo (ponta-direita) e Osvaldo Ávila (centro-médio). Particularmente, para disputar com essa beleza de camisa, só a listrada de mangas compridas (da foto tão questionada), sem patrocínios.

Para os mais velhos (ou mais fanáticos) vou escalar o time que mais vezes atuou envergando esse maravilhoso uniforme: Ary Nogueira César, Gérson dos Santos e Francisco José Sarno; Nílton Senra, Osvaldo Ávila e Juvenal Francisco Dias; Válter (Santo Cristo) Silveira, Efigênio (Geninho) Bahiense), Heleno de Freitas (1920-1959), Otávio Sérgio de Moraes e Nildo (Teixeirinha) Teixeira de Mello.


Por sorte, ainda muito garoto, pude ver esse Botafogo de 1947 ao vivo, levado às Laranjeiras e General Severiano pelas mãos de meu saudoso pai Nélson Porto (1909-1994), ironicamente torcedor do Flamengo, mas democrata para permitir que três de seus quatro filhos homens torcessem pelo incrível Botafogo de Futebol e Regatas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O húngaro botafoguense e família


Vocês todos, leitores de meu blog, têm todo o direito de pensar que imagino torcedores pelo mundo. Mas sabem, também, que botafoguenses não mentem. A primeira história começou há anos, quando meu filho Roby Porto vivia em Nova York e ainda não trabalhava na ESPN Internacional, em Bristol, Connecticut. Roby, sempre que podia, vestia a gloriosa na hora de ir para o trabalho. Certo dia foi abordado no metrô por um chinês que, reconhecendo a alvinegra, perguntou se era mesmo a do Botafogo. Esse chinês era nada menos do Chang Xin-Pow, que veio à posse de Rolim.

Depois foram aparecendo outros, dos mais distintos locais. Surgiu um cidadão, Fedor Kurepin, que se dizia chefe da Casaquifogo no Casaquistão, antiga república da extinta União Soviética. Mais recentemente, eis que me envia uma bela foto o húngaro István, acompanhado da esposa e filha numa visita a Praga, capital da República Tcheca. István foi quem me enviou a foto do Botafogo com aquele ataque inacreditável de Garrincha, Gérson, Didi, Jairzinho e Roberto Miranda. E eu pergunto: pode uma coisa dessas?

Eu e István nos correspondemo-nos em inglês (perdoem mas yo soy poliglota, ou seja, hablo castelhano, inglês e francês) graças aos duros ensinamentos do meu querido Instituto São Fernando (hoje não mais existe). Mas, como ia dizendo, István me pede fotos, eu envio, me solicita algumas identificações de time inacreditáveis do Botafogo, eu mato as charadas e ele fica feliz da vida. Agora mesmo, quando o Glorioso conquistou a Taça Guanabara, remeti, de imediato, uma foto do time posado no Maracanã.

Ele foi à loucura...

E foi por isso, depois de elogiar a foto de meus alvinegros netos na decisão, que ele me enviou sua foto. Em poucas e resumidas palavras, mato a cobra e mostro o pau (evidentemente no bom sentido), como já havia feito anteriormente com Chang (que odiava aquele clube da beira da Lagoa) e de Fedor Kurepin. Fora isso, meu sobrinho Bruno Porto (filho do meu irmão Carlos, que projetou o Engenhão) fundou na China, onde está trabalhando, a Xangai-Fogo que, segundo ele, conta com milhares de adeptos, que varam a noite (o horário não ajuda) para acompanhar os jogos do querido Botafogo.

Recentemente, publiquei aqui no blog uma foto de uma flâmula do Glorioso no museu do Barcelona. Haveria outras flâmulas? Nunca, jamais em tempo algum. Nem um plastiquinho? Também não. Este, portanto, é o Botafogo de Futebol e Regatas, camisa inspirada na do Juventus de Turim, por idéia de Itamar Tavares, um dos sócios fundadores de nossa paixão.

Por fim, uma explicação que muitos sabem, outros não. A estrela solitária não é uma estrela. É o belo planeta Vênus. Quando os remadores do Club de Regatas Botafogo saíam para treinar, lá estava Vênus, brilhando. E ele, Vênus, como uma estrela, foi parar na camisa negra dos remadores e, hoje, faz parte do mais bonito escudo de futebol do mundo, segundo pesquisa de uma revista japonesa nos últimos meses do ano passado.

Querem mais?

No próximo blog eu ataco outra vez, falando de minha eterna paixão.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Que Botafogo é esse, sô?


(ao estilo de Minas Gerais)

Vamos esquecer um pouco a nossa conquista da Taça Guanabara e a irritação de Cuca? Então vamos, e que os nossos inimigos de sempre tomem o xarope bromo-cereja (vocês se recordam?) que é bom para a tosse.


Então vamos lá porque atrás vem sempre gente rubro-negra, claro.
Que Botafogo é esse gente, juntando Gérson e Didi, Garrincha, Jairzinho e Roberto? Isso não é um time, é um escrete de futebol, ou não?


Imaginem os leitores deste apaixonado blog alvinegro que esta foto me veio parar em mãos vinda da Hungria, de um torcedor, um tal István, botafoguense apaixonado. Como ele descolou essa preciosidade não sei, mas que é um timaço, isso é. Nele, é claro, percebe-se que faltam as presenças de Joel Martins, Nílton dos Santos, Mário Jorge Lobo Zagalo e Quarentinha, certo? Mas a verdade é que já surgem Jair e Roberto.


O ano, haverão de perguntar os leitores? O ano certamente é o de 1964, quando mestre Valdir Pereira (1928-2001) desistiu de encarar o Real Madri sob o boicote de Di Stéfano e retornou a General Severiano. Aliás, com Didi e Gérson, com a inacreditável camisa de mangas compridas, é quase o ataque que Nílton dos Santos sonhou, com Didi e Zizinho (1921-2002). Mas Adhemar Bebiano implicou, disse que Zizinho tentou chutar o Biriba e o sonho de Nílton se foi. Mas esse time que o húngaro achou é demais.


Na foto, pela ordem, da esquerda para a direita, de pé, estão Adevaldo, Élton, Manguinha, Zé Carlos, Paulistinha (já falecido) e Rildo; agachados, na mesma ordem, vejam o tiroteio: Garrincha, Gérson Canhota, Didi, Jair Ventura Filho e Roberto Miranda. Como jogava esse time? Fácil: Manga, Adevaldo, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton, Gérson e Didi; Garrincha, Jairzinho e Roberto. Com todo o respeito pelos ausentes, era um timaço.


O interessante, na foto do húngaro (que só pode ser tarado e ainda comemora a Taça Guanabara) é a junção de duas gerações: a de Manga, Joel (ausente), Nílton Santos (ausente) e Garrincha (presente) com os jovens Gérson, Jairzinho, Zé Carlos e Roberto, todos eles campeões pelo clube anos mais tarde.


Quanto a Adevaldo, fazia parte dos excelentes reservas, como ele mesmo e mais Paulistinha, Ronald Alzuguir, Neivaldo, Rossi, Arlindo, Édson Praça Mauá e tantos outros que me fizeram ir mais cedo ao Maracanã só para vê-los na preliminar. E já ia me esquecendo de Quarentinha, o maior artilheiro da história do clube, e daquele que sempre tenho na lembrança, pela garra, faro e coragem, Paulo Catimba Valentim.


Mas vamos apoiar os que aí estão e esquecer os que deram no pé. Os de hoje são campeões outra vez e pela quarta vez irão decidir o título. Tomara que seja contra eles. Eles quem? Vocês sabem. Vamos fazer mistério.

terça-feira, 3 de março de 2009

Haja superstição



Quando bolei o título de meu livro (esgotado, infelizmente) – ‘Botafogo, 101 anos de histórias, mitos e superstições’ – acho, modestamente, que estava inspirado. Vejam, por exemplo, o que o leitor Stene Nílton me revelou. O Botafogo, no dia do 444º aniversário do Rio, conquistou o direito de disputar a quarta final consecutiva do Campeonato Estadual. E diz ele: 3 x 4 = 12, invertido, 21. E completa: estamos apenas no início do Século XXI. Depois, ninguém sabe exatamente qual a razão de os botafoguenses serem tão supersticiosos. E eu me incluo na lista, só não revelo a macumba.


Hoje, fugindo um pouco a meus hábitos, publico a foto de meus netos no Maracanã, no dia da vitória sobre o Resende. Rafael e Gaia Porto seguem a paixão do pai e do avô por esse indescritível clube denominado Botafogo de Futebol e Regatas. O Glorioso, por sinal, deu um espetáculo de fervor de sua torcida, colocando 75 mil pessoas no Maracanã. O número, curiosamente, não me assustou. E me recordo de 1999, quando colocamos mais de 100 mil botafoguenses contra o Juventude, antes de o Maracanã ser reformado e ganhar as cadeiras coloridas que tem agora.


No dia da partida, dei uma entrevista à Rádio CBN – emissora de grande categoria e elegância – e disse que não sabia como esse novo Botafogo iria se comportar numa decisão. E é óbvio: um time que perdeu Túlio, Diguinho, Lúcio Flávio, Wellington Paulista, Jorge Henrique e mais os dois zagueiros centrais – dos quais não guardei e nem quero guardar os nomes – poderia estranhar a disputa pelo título de finalista do Campeonato Estadual.


Mas, mesmo levando-se em conta a fragilidade do adversário, o time do Botafogo jogou uma bola mais do que redonda. Gostei demais de Leandro Guerreiro, Juninho, Fael, Maicosuel e Reinaldo e também do lateral Alessandro, dono de um fôlego de fazer inveja.


Quem sabe, e agora é o meu palpite, aqueles que foram embora é que não traziam sorte ao Botafogo? E Cuca não tem que ficar aborrecido com os gritos da torcida. Aliás, nem vice o Flamengo foi, pois discute com o Fluminense onde vão disputar o terceiro e o quarto lugares. Já sugeri o Aterro. Mas há gente contra.


Felizes são meus netos, que além de prorrogar a saga alvinegra da família, só foram ao Maracanã quatro vezes para ver o Botafogo ganhar. Eu, na idade deles, 9 e 8 anos, já estava começando a sofrer. Mas meu querido tio Júlio (1888-1983) não deixou que eu e meus irmãos, Carlos e Maurício, esmorecêssemos. E hoje é a vez das novas gerações.

domingo, 1 de março de 2009

We are the champions



Mais uma vez somos campeões da Taça Guanabara e, pela quarta vez seguida, estamos na decisão do Campeonato Carioca.
Quero deixar aqui o agradecimento de todos vocês, meus leitores, mas estou muito emocionado para escrever mais. Vou ficar devendo.

Pessoalmente, não posso deixar de cumprimentar um verdadeiro herói da partida decisiva, o leal, honesto e grande jogador Leandro Guerreiro.
Todos, porém, jogaram muito e a torcida formidável que colocou mais de 70 mil torcedores no Maracanã. E que belo escore: 3 a 0.

We are the champions...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Que tal uma disputa no Aterro?



Os amáveis e fiéis leitores que me acompanham aqui neste blog alvinegro já devem ter percebido que procuro ser o mais isento possível quando se trata de falar dos adversários do meu amado Botafogo de Futebol e Regatas. Agora, por exemplo, depois que abatemos com um só tiro certeiro o vetusto e elegante tricolor das Laranjeiras, estou preocupadíssimo com o local onde Flamengo e Fluminense irão disputar o terceiro lugar da Taça Guanabara. Álvaro Chaves e Gávea, como óbvios ululantes, não poderão ser utilizados pois são estádios a um passo da ruína.

Onde então deverão medir forças?

No Engenhão sem chance porque o Botafogo não cederá sua praça de esportes para os hunos rubro-negros. E em São Januário é impossível. Formou-se entre Vasco e Fluminense uma cerrada batalha nos tribunais e o estádio vascaíno, inaugurado em 1927, está fora de questão. Cá comigo pensei numa solução que poderia satisfazer tricolores e rubro-negros: uma disputa no Aterro do Flamengo. Que tal? O Aterro do Flamengo tem vários campinhos de futebol que podem e devem ser prestigiados, certo?

Outra solução – para satisfação daqueles que moram mais distantes – seria a Praia de Ramos. Mas devo confessar que da Praia de Ramos só ouvi falar do Piscinão. Não sei se há quadras disponíveis para um desafio tão importante para os destinos do futebol do Rio de Janeiro. Mas acredito que os dirigentes dos dois clubes – tão tradicionais e donos de gigantescas torcidas – haverão de encontrar um local para esse tremendo desafio: quem será o terceiro colocado na Taça Guanabara de 2009? Morro de ansiedade.

De volta a Botafogo x Fluminense, agora falando sério, fiquei deveras (bonita palavra, não?) impressionado com as vaias que Diguinho recebeu no Maracanã. Por parte da torcida alvinegra ainda compreendo. Diguinho não era rigorosamente ninguém até vestir a gloriosa e cumprir até mesmo boas e corajosas atuações. Mas Diguinho preferiu ignorar o prestígio que alcançou em General Severiano. Mas ser vaiado pela massa tricolor? Por quê? Como diria Nélson Rodrigues (1912-1980), um dos meus autores preferidos, Diguinho atarraxou a máscara da superioridade e acabou tremendo na base.

Não é de o meu feitio derramar lágrimas por jogadores de futebol. Mas admito que fiquei irritado com a debandada geral de vários deles, aí incluindo Túlio, Jorge Henrique e Lúcio Flávio, além de outros, como os zagueiros centrais, que nem merecem ser citados. E, como diz o ditado, o castigo vem a cavalo. Diguinho trabalhou como X9 para os tricolores e foi devidamente coroado por apupos violentos. Talvez, agora, ele sinta um pouco a falta do Botafogo, do ambiente do Botafogo, da torcida do Botafogo e da credibilidade que ele, quase um ‘joão-ninguém’, conseguiu em Venceslau Brás. Coisas da vida, Diguinho. Da próxima vez, pense um pouco antes de se oferecer para trabalhar como X9 para o tricolor.

Agora vamos encarar o Resende. Ainda desfalcados. Mas vamos que vamos porque o Botafogo, desde que Beltrami não apite, é praticamente invencível em decisões. Vamos nessa, Glorioso...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um time que sabia o que fazer


Minha máquina do tempo é infalível. E é a bordo dela que desembarco no Maracanã (145 mil pagantes), na tarde de 15 de dezembro de 1962, para assistir à final do Campeonato Carioca daquele ano entre Botafogo e Flamengo. Para os mais jovens, que não têm a obrigação de conhecer todos os jogadores do Glorioso – que precisava da vitória pois estava um ponto atrás do clube da beira da Lagoa – vamos à tradicional identificação, explicando, entretanto, que o Botafogo, nessa tarde, tinha três desfalques.

Então vamos lá: da esquerda para a direita, de pé, Paulistinha (no lugar do titular Joel Martins), Manguinha, Jadir (no lugar de Zé Maria), Nílton dos Santos, Aírton Povil e Rildo da Costa Menezes; agachados, na mesma ordem, Manoel (Garrincha) dos Santos, Edson (Praça Mauá) de Assis Pinto (nos lugares de Didi ou Arlindo), Valdir (Quarentinha) Cardoso Lebrego, Amarildo Tavares da Silveira e Mário Jorge Lobo Zagallo.

Apenas para começar nosso aquecimento, diria que esse era um time que sabia o que fazer para matar a pau seus adversários – principalmente o Flamengo.

Como jogava essa equipe, mesmo desfalcada de jogadores como Joel Martins (lateral direito), Zé Maria e Didi ou Arlindo? Em campo, o técnico Marinho Rodrigues, que não inventava e que anos atrás fora um dos campeões de 1948, escalava Manguinha, Paulistinha, Jadir, Nílton dos Santos e Rildo (um verdadeiro carrapato); Aírton, Édson e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo.

Em minha opinião, faço questão de dizer, nesse dia 15 de dezembro de 1962, Garrincha fez sua última exibição extraordinária, marcando dois gols e provocando o terceiro dos 3 a 0.

A estratégia de jogo era simples e foi aplicada inúmeras vezes. O Botafogo começava a atacar pela esquerda, trocando bolas entre Zagallo, Nílton Santos e Amarildo quando, de repente, invertia o jogo para o pivô Aírton. Este, sempre de meias arriadas, invertia o ataque para a direita, pegando Garrincha com um único e escasso marcador, no caso Jordan, ou Gérson Nunes.

Aí, amigos, era o caos completo e absoluto. Mané engolia os dois, fez um gol logo de saída, obrigou Vanderlei a meter o nariz na bola e fazer o segundo e fechou o caixão rubro-negro no segundo tempo.

A jogada do terceiro gol foi fascinante. Como sempre atacando pela esquerda, Zagallo tocou para Amarildo (que estava atuando sem condições físicas, com início de distensão) e recebeu de volta.

Fugindo às suas características, Zagallo foi até a linha de fundo e cruzou alto sobre a área, na altura da marca do pênalti. Foi aí que Quarentinha aplicou uma tesoura voadora avassaladora, fazendo a bola estourar no peito do goleiro Fernando. E aí, Garrincha, livre, quase em cima da linha do gol, só fez empurrar a bola para as redes. Botafogo bicampeão carioca de futebol.

E para os aficcionados, aí vão detalhes da partida: Botafogo – Manga, Paulistinha (já falecido), Jadir, Nílton Santos e Rildo; Aírton, Édson e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo; Flamengo – Fernando, Joubert, Vanderlei, Décio Crespo e Jordan; Carlinhos, Nelsinho e Gérson; Espanhol, Dida e Henrique. Juiz: Armandinho Marques, que expulsou de campo, no finalzinho, Paulistinha e Dida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Um time meio mequetrefe


Em primeiríssimo lugar, devo desculpas a meus leitores pela rápida porém sentida ausência de meu blog. Mas confesso que aquele empate com o Flamengo, aos 48 minutos, ainda está atravessado em minha garganta. Não consigo entender como um time que está vencendo uma partida, não toque a bola e esfrie o adversário. Resultado: uma vez mais, a torcida do tão odiado Simpaticíssimo saiu do Maracanã dando pulos de alegria, enquanto a nossa teve que suportar gozações as mais torpes, bem ao estilo deles.

Mas deixa para lá. Prefiro contar a história do Glorioso como ela deve ser contada, entro na minha já conhecida máquina do tempo e desembarco em General Severiano, precisamente em 1955, em jogo do Campeonato Carioca. Duvido que meus jovens leitores identifiquem as figuras posadas antes da partida.

Mas vamos lá: de pé, da esquerda para a direita, Antônio Corrêa Thomé, Nílton dos Santos, Orlando Maia, Juvenal Francisco Dias, Robert (Bob) James Neil e Lugano (goleiro de los hermanitos).

Agachados, na mesma ordem, Manoel dos Santos (o Francisco é invenção daqueles que não têm o que fazer), Gato, Paulo Omena, Casnock e João Carlos (ex-ídolo do querido Ameriquinha).

Por que esse arremedo de equipe? É fácil.

O Botafogo, com os cofres vazios (para variar), cometeu o verdadeiro suicídio futebolístico ao vender para o futebol italiano de uma só tacada, seus dois maiores artilheiros: Dino da Costa (Roma) e Luiz Vinícius de Menezes (Nápoles). O resultado, imediato, é que o querido Glorioso não participou do terceiro turno do Carioca, conquistado por “eles”. É mole?

Como jogava esse arremedo de equipe com dois craques inexcedíveis, Nílton dos Santos e Manoel dos Santos? É fácil (pelo menos para este escriba alvinegro da cabeça aos sapatos): Lugano (que morreu tuberculoso ainda no Rio), Orlando Maia, Thomé e Nílton Santos; Bob, Juvenal e Paulo Omena; Garrincha, Gato, Casnock e João Carlos. Quando a coisa ficava preta, João Carlos recuava e o alvinegro jogava num 4-4-2 rígido.

É óbvio de que João Jobim Alves Saldanha (1917-1990) ficou fulo da vida com esse Botafogo meio de araque. E em 1956 simplesmente comprou Didi ao Fluminense por um milhão e meio de cruzeiros (não me perguntem o que essa quantia seria hoje porque não sou economista). E mais: Nílton dos Santos (gosto sempre de escrever o nome completo dele) tentou que Adhemar Bebiano comprasse o passe de Zizinho, que estava dando sopa. Bebiano, bem ao estilo alvinegro, só lhe deu uma resposta:

- Zizinho jamais vestirá a camisa do Botafogo. Ele tentou chutar o Biriba aqui em General Severiano num Botafogo x Flamengo...

Menos mal porque em 1956, na primeira temporada de Didi no alvinegro do meu coração, o Botafogo simplesmente colocou uma pedra de cal na aspiração rubro-negra de chegar ao tetra.

Ganhamos de 5 a 0 no turno (com 10 jogadores no segundo tempo porque Thomé quebrara o braço) e fechamos o caixão deles no returno, vencendo por 1 a 0, gol do paraguaio Cañete.
Esse resultado deu ao Vasco o título de campeão carioca por antecipação.
O Flamengo?
Ah, o Flamengo desatou num chororô de dar pena. Não para mim, mas para meu pai, Nélson Porto (1909-1994), sujeito democrata que viu três de seus quatro filhos homens vestirem a gloriosa camisa alvinegra.

Valeu, pai. Valeu pelo espírito democrático que nos ensinou e que não sigo com meu filho e meus netos. Veja se me entende....


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Heleno e o escudo mais bonito



Estou em débito com os leitores de meu blog. Primeiro, com José Rosa, de Brasília, que me enviou a foto de hoje, com Pedro Amorim e Heleno de Freitas (1920-1959) em Álvaro Chaves, em 1947. E, segundo, porque passei voando sobre a séria pesquisa do site Esporte Fino, que elegeu o escudo do Botafogo de Futebol e Regatas, entre 49 outros, como o mais bonito do mundo do futebol. Mas, como diria o esquartejador, vamos por partes.

A foto no campo do Fluminense é de antes da partida na qual o Glorioso venceu por 2 a 1 – eu lá estava com meu pai, Nélson Porto (1909-1994) – e Heleno, após a partida, carregado em triunfo, além de fingir que colocava pó-de-arroz no rosto, fez, digamos assim, um gesto para lá de obsceno em direção à tribuna de honra do clube tricolor. Quase provoca um sururu...Os gols foram marcador por Teixeirinha, de cabeça, e Geninho.

Mas o problema não está nessa partida, da qual já contei a história. O problema é o indiscutível mal-estar que sempre vigorou enquanto Heleno de Freitas e Nílton Santos dividiram o espaço de General Severiano. O problema, segundo relato de Nílton Santos a mim, a bordo de um avião, é que no primeiro treino, Nílton, entre os reservas, deu seu famoso drible de corpo em Heleno, que ainda treinava entre os titulares, no início de 1948.

Heleno, com seu temperamento irascível, xingou Nílton, que revidou, insinuando que Heleno não era homem na acepção da palavra. Daí em diante não houve mais clima entre os dois. Por sorte do clube, Heleno foi negociado com o Boca Juniors (por Cr$ 400 mil) e os dois só se encontraram, por acaso, no Campeonato Carioca de 1949, quando Heleno jogava no Vasco e conquistou seu único título no futebol do Rio.

Daí em diante, mesmo com Heleno fora do futebol, pedindo dinheiro emprestado a todos os conhecidos, Nílton não o perdoou. E certa vez, com a delegação do Botafogo hospedada no Hotel Plaza, na Avenida Princesa Isabel, no Rio, Heleno apareceu por lá. Conversa daqui, conversa dali, tomou Cr$ 20 de Braguinha (campeão de 48). Nílton repreendeu severamente o companheiro, dizendo que Heleno iria comprar éter.

Fora do futebol, Heleno de Freitas só respeitava – até de maneira inusitada – o comandante Eduardo Henrique Martins de Oliveira (1915-1950), o mais do que famoso Edu da Panair, torcedor do Botafogo, integrante e quase chefe do Clube dos Cafajestes, e que morreu pilotando seu Constellation num pouso desastrado em meio à chuva, em Porto Alegre.

Esclarecida a inimizade entre Nílton e Heleno, passemos ao escudo da estrela solitária, eleito o mais bonito do mundo pelo site Esporte Fino. È preciso dizer, antes de mais nada, que em meu livro sobre o Botafogo, entreguei a meu sobrinho e designer Bruno Porto (hoje dando aulas em Xangai, na China) a responsabilidade de analisar o símbolo alvinegro. E Bruno foi enfático: é o mais bonito e perfeito. A eleição do site só confirmou a opinião de Bruno, antigo professor da UniverCidade.

Mas é preciso fazer justiça ao cidadão que bolou o escudo. Trata-se do antigo conselheiro do Botafogo, Adherbal de Souza Bastos, que fez a coisa mais simples: retirou a estrela solitária do uniforme do Club de Regatas Botafogo e a colocou nos lugar das letras entrelaçadas do Botafogo Football Club. Quando? A oito de dezembro de 1942, quando surgiu o Botafogo de Futebol e Regatas. Para os mais aficcionados alvinegros, revelo outra data: a primeira vez que o novo escudo foi visto no uniforme dos jogadores foi a 19 de janeiro de 1943, num simples treino coletivo em General Severiano.

Um último detalhe: a estrela solitária não é estrela. É o planeta Vênus, que os remadores, madrugadores, vislumbravam quando iam treinar. Por hoje chega. Ou não chega?



Botafogo x Flamengo
(*) Para que vocês não digam que não falei de flores, anotem aí em seus caderninhos: Botafogo e Flamengo fizeram até hoje 322 jogos, com 103 vitórias para nós, 115 para eles (12 de vantagem) e 104 empates. Marcamos 477 gols e sofremos 502. Vamos ver agora.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Detalhes de uma discussão


Aí está, uma vez mais, o time do Botafogo campeão de 1957. Esta espécie de pôster foi vendida nas bancas, assim que o Glorioso conquistou o título carioca, goleando o Fluminense por 6 a 2. Talvez os leitores deste meu blog desconheçam a razão da publicação desta foto. Mas há alguns motivos específicos. Primeiro, o Botafogo está com o mando de campo nas Laranjeiras; segundo, Paulo Valentim ainda aceitava a camisa número nove e, por último, por erro crasso, é Servílio e não Servilho como está grafado.

O time está posado assim: de pé, da esquerda para a direita, com Amauri, Thomé, Servílio, Nílton dos Santos, Pampolini e Beto; e agachados, na mesma ordem, Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Édson Praça Mauá e Quarentinha – o artilheiro que não sorria e virou livro recentemente. Mas há outras peculiaridades. Naquele campeonato, o Botafogo teve quatro mandos de campo empurrados para as Laranjeiras (eu ia a pé para o estádio) e Amauri está presente. A partir da primeira rodada do segundo turno, Adalberto tomou-lhe o lugar de goleiro titular e foi assim até o final.

Outro detalhe – que não foi percebido por um de meus leitores – é que João Saldanha (1917-1990) mantinha três jogadores no meio-campo, Pampolini, Didi e Édson, apelidado de Praça Mauá, de acordo com o que me contou o reserva de Garrincha, Neivaldo (1933-2006), um bom amigo que tive. Pois bem: na final diante do Fluminense, João Saldanha simplesmente colocou quatro homens à frente dos zagueiros: Pampolini, Didi, Édson e Quarentinha.

Por quê?

Porque João, matreiro e conhecedor da força tricolor, escalou Quarentinha em campo com a única missão de ficar em cima de Telê Santana (1931-2006), por saber que Telê era o ponto chave do time.

Como fui ao jogo, a 22 de dezembro de 1957, me surpreendi, no intervalo do primeiro para o segundo tempo, com a bronca que Thomé deu em Quarentinha na entrada do túnel. Afinal de contas o Botafogo já vencia por 3 a 0 (gols de Paulo Valentim, já com a camisa oito) e não era motivo para aquela raiva toda. Só depois fiquei sabendo que Thomé estava cobrando de Quarentinha a tal marcação em cima de Telê, conforme instruções de João Saldanha. Na etapa final, Paulinho fez mais dois e Garrincha, um.

Agora chego ao ponto que queria: por que, na Seleção Brasileira, dois anos depois, João, de cuja inteligência ninguém duvidava, escalou o Brasil, nas eliminatórias, num 4-2-4 rígido, com Carlos Alberto, Joel, Piazza e Rildo e, mais à frente, apenas Clodoaldo e Gérson, deixando Jair, Tostão, Pelé e Edu na frente? Honestamente não sei explicar.

Acrescente-se a esse detalhe o fato de João, armado, ter invadido a concentração do Flamengo, para tirar satisfações com Yustrich e a entrevista que deu para a televisão dizendo que Pelé era meio cego, que precisava jogar de óculos (ou lentes). Pronto: estava aberto o caminho para uma intervenção de João Havelange, escolhendo Zagallo, além de satisfazer os militares que estavam no poder e lá ficariam ainda por muitos e muitos anos.

No último blog, com a inusitada bandeira do Bonsucesso tremulando ao fundo (à esquerda está a do Botafogo) esqueci de dizer como foi a partida no Estádio Nacional de Santiago, contra o Chile, na primeira exibição do Brasil após o tri. Vencemos por 5 a 1, gols de Pelé, Roberto Miranda, Jairzinho (2) e Paulo César Lima.

O time?

Era quase o Botafogo, com Félix, Carlos Alberto, Brito, Joel e Everaldo; Clodoaldo, Nei Conceição e Paulo César Lima; Jairzinho, Roberto e Pelé (Rogério). Técnico Zagalo, preparador físico Admildo Chirol, médico Lídio Toledo – em resumo, quase o Glorioso.

O que mais é preciso dizer?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

E a bandeira do Bonsucesso?


Aí está uma foto bastante curiosa. É da Seleção Brasileira, dirigida por João Saldanha, que derrotou o Paraguai por 1 a 0 (gol de Pelé), no Maracanã, quebrando o recorde de público no estádio (183 mil 341 pagantes) e conquistando uma vaga para a Copa do Mundo de 1970, no México.

Mas o que é estranho? Atrás dos jogadores tremulam duas bandeiras: uma já esperada, a do Botafogo, que àquela altura tinha dois jogadores na equipe (Jairzinho e Gérson); e a outra? Nada mais nada menos que a do Bonsucesso Futebol Clube, que anda esquecido pelos torcedores.

O time aí formado é este: de pé, da esquerda para a direita, Carlos Alberto Torres, Félix Venerando Mieli, Djalma Dias, Joel Camargo, Piazza e Rildo da Costa Menezes; agachados, na mesma ordem, Jair Ventura Filho, Gérson Nunes, Tostão, Pelé e Edu. Em poucas e resumidas palavras, esta escalação no 4-2-4, em minha opinião, derrubou João Saldanha. Com quatro atacantes fixos não havia jeito de se chegar a lugar algum no Mundial. Daí a chegada de Zagallo e, com ele, o ponta recuado, Rivellino ou Paulo César.

Pessoalmente, pelo trato que tinha com João Saldanha (1917-1990) e Sandro Moreyra (1919-1987), meus porta-vozes do Botafogo, custei a acreditar que João escalasse uma equipe no 4-2-4.

Por que, os leitores deste blog podem perguntar? Porque já em 1957, quando enfrentou e goleou o Fluminense (6 a 2), na final do Campeonato Carioca, João escalou um Botafogo super-cuidadoso, com Pampolini, Didi, Édson e Quarentinha no meio-campo, deixando apenas Garrincha (1933-1983) e Paulo Catimba Valentim (1932-1984) no ataque. Eu estava lá e fui testemunha ocular.

Pouco depois da conquista do tricampeonato mundial no México, viajei pelo Correio da Manhã até Santiago, a fim de cobrir o primeiro amistoso dos campeões, contra o Chile, no Estádio Nacional. E, por puro acaso, O presidente da CBD, João Havelange, o vice Abílio de Almeida e eu e mais o fotógrafo da Manchete Jáder Neves, ficamos retidos no Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires.

Havelange, com a autoridade que tinha, nos colocou a todos numa conexão da Swissair e podemos chegar a salvo em Pudahuel, o aeroporto chileno. Mas a conversa que tivemos em Ezeiza foi esclarecedora. Até porque foi à vontade, entre quatro brasileiros.

No bate-papo informal, à espera da conexão, Havelange tocou no ponto que eu queria, ou seja, no inacreditável esquema retrógrado que João havia traçado para a Seleção Brasileira. Deixei que a conversa fluísse, porque queria saber se teria havido algum dedo militar no afastamento de João (comunista tradicional) e percebi que não ocorrera.

Talvez, se eu tivesse apertado Havelange, falando em militares, ele poderia dizer a mesma coisa, ou seja, o esquema furado de João. Mas nem precisei. Ele mesmo botou a boca no trombone e disse que no 4-2-4 o Brasil não iria a lugar algum.Faz tento tempo que me sinto tirando coisas do baú. Mas quem é que me explica a presença fantástica da bandeira do Bonsucesso em campo?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Fevereiro, mês de Heleno de Freitas



Hoje, tantos anos passados, verifico que meu pai, Nélson Porto (1909-1994), foi realmente um sujeito extremamente democrata. Torcedor apaixonado pelo Flamengo, permitiu, sem uma única e escassa palavra de desaprovação, que três dos seus quatro filhos homens torcessem pelo glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. Por quê? Simplesmente porque meu tio Júlio Lopes Fernandes (1898-1983), casado com a irmã de minha mãe, arrebatou os sobrinhos para as atraentes camisas alvinegras. Valeu, tio...

Pelo fato de meu pai ser sócio do Fluminense e Botafogo, pude assistir, ainda menino de calças curtas, a duas partidas disputadas por Heleno, em 1947. O craque nasceu a 12 de fevereiro de 1920 – há 89 anos portanto. A primeira contra o Fluminense, em Álvaro Chaves, que o Botafogo venceu por 2 a l, gols de Geninho e Teixeirinha. A segunda, em General Severiano, diante do América, quando o Botafogo ganhou por 3 a 2, gols de Heleno.

Sobre o jogo em Laranjeiras – bairro onde morava minha família – tenho poucas recordações, a não ser o gol de Teixeirinha, de cabeça, diante do goleiro Robertinho. Foi depois dessa vitória que Heleno provocou a torcida tricolor, quase originando uma briga generalizada. Por fim, contra o América, tenho na lembrança o último gol de Heleno, de cabeça, na baliza à esquerda das sociais. E me surpreendi com os jogadores alvinegros, após o apito final, carregarem Heleno em triunfo em razão de seus três gols.

Depois, o Botafogo vendeu seu passe ao Boca Juniors, de Buenos Aires, no início de 1948, e só voltei a ouvir falar de Heleno quando ele atuou pelo Vasco da Gama, campeão invicto de 1949. Por fim, já na era da televisão, pude assistir à sua única apresentação pelo América, em 1951, contra o São Cristóvão, já no Maracanã. Com os nervos abalados, Heleno de Freitas foi expulso de campo ainda no primeiro tempo. Sua carreira no Brasil terminou.

A foto que ilustra o blog de hoje me foi cedida por um leitor, é da época do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais e mostra o ataque carioca com Djalma, Zizinho, Heleno, Ademir e Nívio. Djalma, que jogou no Vasco antes de tomar o caminho do Bangu, morreu de maneira trágica num carnaval. Esqueceu a chave de casa e tentou pular da área de serviço do prédio para o interior do seu apartamento. Errou o salto e caiu.

Curiosamente, Nílton Santos, tornou-se inimigo de Heleno desde os primeiros treinos em General Severiano. Nílton jogava pelos reservas e deu seu famoso drible de corpo sobre Heleno, que ainda pertencia ao clube alvinegro. Daí em diante, não mais se falaram. Heleno xingou Nílton, recebeu na mesma moeda e a rivalidade só não prosseguiu porque Heleno viajou para a Argentina. Aliás, pelo que conversei com antigos jogadores do Botafogo, Heleno só respeitava Geninho, por ser uma espécie de dono do time, e Osvaldo Baliza, pelo tamanho e porte do goleiro.

Heleno morreu em 1959, há 50 anos, quando ainda não completara 40 anos. Mas, sem dúvida, deixou sua passagem marcada pelo Botafogo, sua grande paixão. E eu não poderia deixar fevereiro passar sem nele falar.

Até porque, também, fevereiro é o meu mês de aniversário.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O botafoguense, por Nélson Rodrigues



Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time. Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível. Por quê?


Pelo seguinte: - há, no alvinegro, a emanação específica de um pessimismo imortal. Pergunto eu: - por que vamos ao campo de futebol? Porque esperamos a vitória. Esse otimismo é o impulso interior que nos leva a comprar ingresso e vibrar os 90 minutos. E, no campo, o otimismo continua a crepitar furiosamente. Não importa que o nosso time esteja perdendo de 15 a 0. Até o penúltimo segundo, nós ainda esperamos a virada, ainda esperamos a reação.


Pois bem: - o torcedor do Botafogo é o único que, em vez de esperar a vitória, espera precisamente a derrota.Os outros comparecem na esperança de saborear como um chicabom o triunfo do seu clube. Mas o torcedor do Botafogo é diferente: - ele compra o seu ingresso como quem adquire o direito, que lhe parece sagrado e inalienável, de sofrer. Eis a verdade: - ele não vai a campo ver futebol.


O futebol é um detalhe secundário e, mesmo, desprezível. Ele quer, acima de tudo, desgrenhar-se, esganiçar-se, enfurecer-se e rugir contra Zezé Moreira. No dia em que retirarem do torcedor alvinegro o inefável direito de sofrer e, sobretudo, o direito ainda mais inefável de descompor o seu técnico, ele ficará inconsolável, como um ser que perde, subitamente, a sua função e o seu destino.


Tudo na vida é uma questão de hábito. E o cidadão que padece todos os dias acaba se afeiçoando ao próprio martírio ou mais do que isso: - o martírio torna-se insubstituível como um vício funesto. É o caso da torcida alvinegra que, desde 1910, sofre e, ao mesmo tempo, xinga Zezé Moreira. Conclusão: - já não pode viver sem uma coisa e outra.


Por exemplo: - o clássico de ontem, no Maracanã, foi o que se chama de jogo ideal para o torcedor do Botafogo. Já durante a semana, ele vivera mergulhado no pessimismo como um peixinho no seu aquário. E, ontem, finalmente chegou o grande dia: - a torcida alvinegra sofreu como nunca e rugiu, como nunca, contra Zezé Moreira. De fato, o Vasco exerceu um feroz, um maciço domínio de 80 minutos.


E mais: - o Vasco deu show, jogou bonito, brilhou escandalosamente como um Sol. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, encontro um amigo botafoguense. Exultante com o próprio sofrimento e com o próprio furor, ele veio, para mim, de braços abertos. Do lábio, pendia-lhe a saliva pesada e elástica de uma cólera sagrada. Agarra-me e rosna-me, ao ouvido: - Esse Zezé Moreira é um tarado! E repetia, atirando patadas ao chão: - Tarado.


A princípio, pensei num crime sexual ainda impune, praticado nalgum terreno baldio. Pálido, quero saber por que tarado. Então, o amigo explica-me: - porque pusera o Bauer no lugar de Pampolini! E essa substituição parecia, ao meu conhecido, o sintoma inconfundível de uma tara tenebrosa. O diabo é que todo o esforço e todo o brilho do Vasco não renderam mais que um franciscano empate de 0 a 0. Acresce que, nos 10 minutos finais, o Alvinegro reage dramaticamente e quase ganha o jogo.


(*) Crônica publicada após um jogo de 1956 entre Botafogo x Vasco(**)


Agora pergunto eu, Roberto Porto: vocês concordam com o que Nélson escreveu?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Estréia para não esquecer


Valdir Cardoso Lebrego (1933-1996), o Quarentinha, que aparece na foto acima entre Dino Sani e Pelé, com Dorval e Zagallo logo atrás, estreou no Botafogo em junho de 1954, na goleada histórica que o Botafogo aplicou no São Paulo Futebol Clube, em partida válida pelo antigo
Rio-São Paulo ( 5 x 1).
A foto é de mais uma disputa da Taça O’Higgins, contra o Chile, pela Seleção Brasileira, partida essa que terminou com o escasso placar de 1 a 0. Gol de quem? Exatamente dele, Quarentinha, o maior artilheiro do Botafogo.

Mas vamos voltar à estréia de Quarentinha pelo Botafogo, que jogou com a seguinte e curiosa formação: Gílson, Gérson e Geraldo Bulau (ex-São Cristóvão); Bob, Ruarinho e Juvenal; Garrincha, Quarentinha, Dino, Carlyle e Neivaldo.
Não me perguntem como esse time jogava, pois nele há cinco jogadores de frente, como o próprio Quarentinha e mais Dino da Costa e Carlyle Cardoso, este último tendo se consagrado no Fluminense.

Mas o que há de extraordinário nessa partida, assistida por um público apenas razoável no Maracanã?

Primeiro, a expulsão de Dino da Costa, jogador extremamente disciplinado, que teria trocado empurrões com Nílton De Sordi, do tricolor paulistano. Por fim, acreditem ou não, a expulsão de Carlyle pelo juiz chileno Juan Carlos Armenthal.
Qual a razão da expulsão de Carlyle? Pura e simplesmente por ter ofendido em altos brados o ainda iniciante Garrincha, que, como de hábito, por ser um sujeito tímido, baixou a cabeça.

Carlyle (1926-1982) era um jogador temperamental ao extremo. Dizem, os que lhe foram íntimos, que ele se achava uma nova versão de Heleno de Freitas (1920-1959). Outros não acreditam nisso. Um deles era Mauro Borja Lopes (1925-2004), o Borjalo, com quem trabalhei no Programa Haroldo de Andrade (1934-2008), na Rádio Globo. Borjalo simplesmente foi o autor intelectual do plim-plim da Rede Globo de Televisão. Chega?

Da mesa redonda de que participei, muitas vezes, conversava com Borjalo, que era botafoguense. E sabem vocês deste blog quem influenciou Borjalo a ser alvinegro? Simplesmente Carlyle Guimarães Cardoso, numa pequena cidade de Minas Gerais, onde os dois foram colegas de turma.

Quando Carlyle chegou ao Botafogo já estava se aproximando do ocaso de sua carreira. Mesmo assim, mantinha com os companheiros de ataque uma ascendência notável. Daí ter xingado Garrincha que, coitado, aos 21 anos, mal estava começando no clube.
Mas que a expulsão de Carlyle foi uma atitude única, isso foi. Não venham me dizer que não.
Há coisas que só acontecem ao Botafogo...Certo ou errado?