terça-feira, 29 de junho de 2010

Maicosuel está de volta ao Glorioso


Por essa foto do Globo Esporte, batida ontem na Granja Comary, em Teresópolis, os leitores alvinegros percebem que o Botafogo não está brincando em serviço: Maicosuel já se apresentou ao técnico Papai Joel para começar seus treinamentos no Glorioso. Agora é que os problemas começaram, para o próprio Botafogo, campeão carioca de 2010, e para seus futuros adversários, principalmente o Tinhoso. Como o Botafogo armará sua equipe depois da Copa do Mundo, com a chegada do Mago Maicosuel e de Jobson? Sei muito bem que o problema é de Joel, que é pago para resolver esse tipo de problema. Mas que vai ser dureza, isso vai. Podem apostar.

Isso me faz lembrar o tempo em que General Severiano – o velho e saudoso estadinho demolido – em dias de treino. Era um desfile de craques e de jovens jogadores que iam surgindo, como Jairzinho, Roberto e Arlindo, para citar apenas os três, campeões da categoria de juvenis, e mais os cobras veteranos, como Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo, Zagallo, Gérson (chegou em 1963) e Paulo Catimba Valentim. Era uma festa e às vezes, quando Sandro Moreyra estava de folga, Oldemário Touguinhó, sabendo da minha paixão pelo clube, me escalava para cobrir o extraordinário Botafogo para nosso velho e querido Jornal do Brasil.

Outro dia mesmo, revirando meu arquivo de fotos do Botafogo, fiquei surpreso com a formação de um ataque da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1959. Lá estavam, com as camisas de titulares, Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Pelé e Zagallo. Mas a foto, que guardo com carinho, não supera a da Seleção Brasileira bicampeã mundial no Chile, em 1962, com Nílton Santos na defesa e um ataque com Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo, na final contra a então Tchecoslováquia. Mas não foi esse Botafogo que me fez um torcedor enlouquecido. Eu já era antes.

Mas a chegada de Maicosuel e de Jobson, somadas as permanências de Loco Abreu e Herrera, mais Caio Talismã, sem esquecer Lúcio Flávio – que está voltando à forma – me deixam ainda mais abestalhado com meu clube do coração. Só faço, a rigor, uma única observação: mesmo sem ser técnico, acho que Somália, com o fôlego e a audácia que tem, deveria ser titular da lateral direita. Mas estou certo, por outro lado, que Papai Joel terá um grave problema pela frente: como escalar o time todo?

Antes assim. Poderemos mudar a feição de uma partida assim que quisermos. Mandou bem a diretoria com o esforço terrível para trazer Maicosuel de volta. Ele é o talento que faltava, a inteligência que o Botafogo precisava. Hoje vou ficar por aqui, às voltas com a cobertura, pela TV, da Seleção Brasileira para a ESPN Brasil. Mas confesso: o Botafogo me perturba, talvez mais do que a Seleção. Por quê? Porque o Botafogo é mais ou menos meu. Já a Seleção é de todos os brasileiros.

Vamos à luta nas duas frentes...

sábado, 26 de junho de 2010

Botafogo lança revista


Foi lançada na noite da última quinta-feira, na sala de troféus de General Severiano, a revista oficial do Botafogo, que estará à disposição dos torcedores nas bancas a partir do dia 1º de julho. Bimestral e impressa em papel de alta qualidade, a revista é interativa e tem como objetivo principal o estreitamento dos laços entre clube e torcida. No coquetel que deu o pontapé inicial a este novo produto de marketing do clube, estiveram presentes o presidente Mauricio Assumpção, o vice-presidente Geral, Antônio Carlos Mantuano, o vice-presidente de Esportes Gerais, Caio Calumby, o vice-presidente de Patrimônio Francisco José S. Fonseca Filho e o Diretor-Executivo Sérgio Landau.

O vídeo que mostrou os bastidores da final do Campeonato Carioca abriu a solenidade, emocionando os convidados presentes. Em seguida, o presidente Mauricio Assumpção fez o uso da palavra e comentou a importância de abrir esse novo canal de contato com os alvinegros de norte a sul do país.

" Com a revista, queremos reforçar os laços entre clube e torcida. O botafoguense terá o prazer de ter o Botafogo dentro de casa. Vamos divulgar as melhorias, as novidades, contar a história dos ídolos e dar também um destaque aos esportes olímpicos. Queremos informar o torcedor que não pode vivenciar o cotidiano do clube. A primeira edição é sobre o título do Carioca 2010. É um projeto que já nasce campeão", afirmou o presidente.

(*) Este é o comunicado oficial do clube. De minha parte, espero que a revista tenha as informações precisas do velho boletim do clube, confeccionado com esmero e dedicação pela figura histórica de Alceu Mendes de Oliveira Castro.

(**) Quando o jogador de vôlei Bebeto de Freitas assumiu a presidência do Botafogo, sua primeira providência foi demitir o ainda jovem estatístico alvinegro apaixonado Pedro Varanda, meu amigo até hoje. Em seu lugar contratou a tricolor Mariúcha Moneró, jornalista de experiência zero, para chefiar o site oficial. Fui chamado por Jefferson Mello para ajudá-la. Trabalhei três meses e fui demitido pelos três. Mariúcha não entende lhufas de jornalismo. Vetou, de estalo, todas as idéia que lhe passei para revigorar o site do meu amado clube. Recebi apenas dois míseros salários. O terceiro, mandei que ela recebesse em meu nome e o destinasse aos humildes funcionários do clube com salários atrasados. Não sei se ela fez o que mandei. Ou se deu outro destino aos três mil reais de meu acordo verbal com o BFR, como PJ, jamais como funcionário do clube. O Botafogo jamais me deverá nada. Só a sua existência é para mim um amor incondicional e incomensurável.

(***) Agora temos Maurício na presidência e pergunto: Será que temos novas ‘mariúchas’ fazendo o site? Não sei responder. E fica a pergunta que não quer calar: Será que os confeccionadores da nova (e bonita revista) são alvinegros? Também não sei responder. Amanhã, eles poderão estar noutro clube, assim como Mariúcha sentou-se na chefia do site oficial do Fluminense. E detalhe: em certas ocasiões, Mariúcha – e sua companheira Márcia Loureiro – cantavam o hino do Botafogo. Toma atenção, Maurício. Ódio ao Botafogo é o que não falta. Cuidados com os gols contra que Mariúcha perpetrou ao longo de sua carreira no BFR, como protegida do jogador de vôlei.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O caso Rede Globo x Dunga


Blog da Leila Cordeiro (Miami)

O episódio Dunga versus TV Globo parece definitivamente explicado: A Globo resolveu atacar o técnico quando se sentiu prejudicada em seu negócio. A queda de braço entre o treinador e a emissora vem rolando há algum tempo. Dunga prioriza os treinamentos e a disputa do Mundial, enquanto a Globo quer preencher seus programas de jornalismo e variedades com reportagens e entrevistas exclusivas com os craques da seleção.

Para isso, pediu até a interferência de Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, a quem Dunga está subordinado, mas o treinador foi inflexível: ”eu sei o que é melhor para os jogadores, por isso eu faço as regras”. E colocou a Globo em seu devido lugar, com os mesmos direitos dos demais repórteres de outras emissoras.

As regras de Dunga desagradaram a emissora que se julga dona de seleção, pelo fato de ter os direitos de transmissão. Seus 300 profissionais na África do Sul ficaram perdidos, tudo que planejaram ruiu depois da linha dura adotada por Dunga. O incidente de domingo, na coletiva de imprensa, foi a gota d’água, quando Dunga interpelou o repórter Escobar que falava ao telefone movimentando a cabeça de forma negativa. O repórter do UOL, Mauricio Stycer, estava próximo de Alex Escobar e ouviu o que ele falava ao telefone:

“Insuportável, bicho, insuportável. O Rodrigo (Paiva) foi revoltado lá falar comigo, cara. O Dunga não deixou. Ninguém. Caraca, nem o Luís Fabiano. Infelizmente. Valeu, Tadeuzão”.

Alguém tem mais alguma dúvida sobre o episódio? Qualquer que seja o resultado do Brasil na Copa, Dunga está com seus dias contados à frente da seleção. Ele ousou desafiar o império e o império vai triturá-lo.

sábado, 19 de junho de 2010

Túlio Maravilha era o Botafogo


Em meu último blog, propositalmente, deixei de falar em Túlio Humberto Pereira da Costa, mais conhecido pelos torcedores como Túlio Maravilha (foto). Campeão brasileiro pelo Botafogo, em 1995, tenho a mais concreta e absoluta certeza de que ele foi o maior ídolo alvinegro dos últimos tempos. Irreverente, provocador, Túlio, em poucas temporadas com a camisa da estrela solitária, transformou-se no oitavo maior artilheiro da história do clube de General Severiano, com nada menos do que 155 gols, superado, claro, por jogadores como Quarentinha (308), o líder absoluto até os dias de hoje, e atrás, também, de Carvalho Leite, Garrincha, Heleno de Freitas, Jairzinho, Nilo Murtinho Braga e Otávio Sérgio de Moraes, que atuaram mais vezes.

Pode ser – vejam que escrevi pode ser – que Loco Abreu, Herrera ou Caio Talismã o superem em popularidade. Mas eu, como botafoguense apaixonado, acho difícil, muito difícil. Túlio Maravilha, no auge de sua primeira passagem pelo Botafogo, de 1994 a 1996, foi certamente responsável pelo surgimento de novos torcedores do Botafogo, que hoje, segundo o Ibope, é o 12º clube na preferência de todos os brasileiros (93 milhões de habitantes, segundo o último censo), superando, inclusive o Fluminense. Mas Túlio, apesar de ter todo o Botafogo na mão, decidiu tentar a sorte no Corinthians e, depois, no Tricolor das Laranjeiras. E lá se foi o ídolo.

Depois de Túlio, como maiores artilheiros, aparecem Roberto Miranda, Dino da Costa, Amarildo, Paulo Catimba Valentim, Nílson Dias, Mendonça, Geninho, Didi, Moisés Ferreira Alves, o Zezinho, Paschoal, Patesko e Gérson Canhotinha de Ouro. Orgulhosamente, posso dizer que só não vi envergar a gloriosa Carvalho Leite, Nilo, Paschoal e Patesko – que não foram do meu tempo. É verdade, também, que só vi Heleno de Freitas jogar duas vezes, contra América (Botafogo 3 a 2) e Fluminense (Botafogo 2 a 1), no distantíssimo Campeonato Carioca de 1947. Mas tive a sorte de assistir a todos os demais e gostava muitíssimo de Paulo Catimba Valentim.

Confesso que guardo por isso – pelo fato de deixar o Botafogo no dia da posse de José Luís Rolim – tentado por proposta do Banco Excel Econômico, certa mágoa de Túlio Maravilha. Sei que ele é (ainda joga atrás do milésimo gol, quase aos 40 anos) profissional e viu uma oportunidade de ouro pela frente. Mas o Botafogo perdeu o charme que tinha com ele em campo. Túlio era o Botafogo personificado, acreditem ou não meus leitores. A tal ponto que na Taça Guanabara de 1995, o Tinhoso escalou um zagueiro, um tal Aguinaldo, com o único intuito de provocar sua expulsão. O Glorioso perdeu o jogo (aquele da falha de Márcio Theodoro) e o árbitro, Léo Feldman, não percebeu a armação e expulsou Túlio e o idiota do Tinhoso.

A meu favor, tenho o depoimento do excelente radialista Waldir Luiz – ex-companheiro na Rádio Nacional – e que sabe tudo de Botafogo. Waldir concorda comigo que Túlio conquistou milhares de torcedores para o Glorioso, mas trocou a idolatria alvinegra pelo dinheiro do Excel Econômico e pela reserva no Corinthians.

Por isso, por tudo isso, não o incluí no blog onde falo na volta de Jobson. Mas não posso negar, de modo algum, que Túlio Maravilha foi, repito, o grande ídolo do Botafogo nos últimos tempos, mesmo comparando-o aos heróis da conquista de 1989, quando o alvinegro quebrou um jejum de 21 anos.

Por causa desses heróis, Casé e Paulo Marcelo escreveram um livro sensacional com o título ‘21 depois de 21’. Mas eu não podia, de maneira alguma, deixar de falar em Túlio e na importância que ele teve no Botafogo. Mesmo guardando certa mágoa em meu alvinegro coração.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Esse é o Botafogo que eu mereço


O atacante Jobson (foto Agência Estado) está de volta ao Botafogo. Ele fez sucesso nas últimas rodadas do Brasileiro de 2009 e pode ser apontado como um dos responsáveis pela manutenção do Glorioso no Brasileiro de 2010. Sem dúvida alguma é um belo reforço para Papai Joel. Mas fica uma dúvida: como o técnico armará o ataque alvinegro depois da Copa do Mundo? Herrera e Loco Abreu? Ou recuará Herrera e colocará Jobson e Loco Abreu na frente? E mais uma dúvida: e Caio, o Talismã Alvinegro? E mais outra: e se Maicosuel vier da Alemanha como quer o presidente Maurício Assumpção? De qualquer maneira é bom ter essas dúvidas.

Tudo isso, felizmente, me faz lembrar o Botafogo dos velhos tempos, quando os treinos em General Severiano eram uma atração à parte com tantos craques em campo. Já publiquei aqui em meu blog fotos de Garrincha jogando com Gérson e de Didi no mesmo ataque que o Canhotinha de Ouro. E mais: estavam surgindo, a todo vapor, com bola cheia, Jairzinho, Roberto e Arlindo, e ainda tínhamos, como reservas, Ronald, Paulistinha, Neivaldo e Édson Praça Mauá. E não se esqueçam de que pouco antes de 1959 lá estava com a camisa oito (não gostava da nove) Paulo ‘Catimba’ Valentim, para não falar em Quarentinha, o maior artilheiro da história do clube.

Não sou botafoguense apenas dessa época. Muito antes da Era Garrincha eu já me apaixonara pelo clube, na época de Heleno e de Paraguaio, Geninho, Pirillo, Otávio e Braguinha. Vivi também os melhores momentos de Dino da Costa e Vinícius – vendidos para o futebol italiano – mas a compra do passe de Didi, em 1956, foi uma cartada decisiva. Basta dizer que em 1962, na Copa do Mundo do Chile, o Botafogo tinha na equipe titular nada menos do que cinco jogadores: Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo e Zagallo, este último contratado ao Tinhoso logo após a Copa de 58.

Se tudo der certo – e já está dando – Maurício Assumpção trará de volta o Botafogo velho de guerra que se transformou, na época, no 12º maior clube do Século XX. Faço questão de não desmerecer outras equipes, como as das conquistas do bicampeonato de 1989-90 e do belo esquadrão de 1997, com jogadores como Paulo Criciúma, Mauro Galvão, Wilson Gottardo, Maurício, Carlos Alberto Santos, Carlos Alberto Dias e tantos outros que só fizeram aumentar ainda mais a minha paixão por esse clube tão diferente, que conseguia reunir torcedores como Sandro Moreyra, João Saldanha, Luiz Mendes, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino e Otto Lara Resende.

Meu amor pelo Botafogo é tão grande que cheguei a torcer para o Uruguai por causa do Loco Abreu na partida em que ele entrou na Copa do Mundo da África. E fiquei frustrado porque ficou no banco no segundo jogo. Que me perdoe Herrera, mas torcer para a Argentina, mesmo ele não estando lá, não dá. Com Maradona dizendo o que diz, afivelando uma máscara gigantesca (como diria o tricolor Nélson Rodrigues), é impossível. Mas mesmo numa Copa do Mundo, mesmo querendo o hexa, não consigo deixar de pensar no Botafogo, no título carioca de 2010 e na faixa de campeão que ilumina o meu escritório aqui no Recreio dos Bandeirantes. O Botafogo é quase meu. A Seleção Brasileira é de todos. Em poucas e resumidas palavras, como diria o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, repito que torço pelo hexa. Mas o meu amado Botafogo de Futebol e Regatas não me sai da cabeça. O que posso fazer?

(*) Não se esqueçam: na próxima segunda-feira será lançado, na sede de Venceslau Brás, o livro “21 de 21’, dos meus amigos Casé e Paulo Marcelo. Eu lá estarei, comemorando com eles e todos vocês, alvinegros, a vitória sobre o Tinhoso naquele dia 21 de junho de 1989. Infelizmente não fui ao Maracanã. Estava trabalhando, editando o esporte da Tribuna da Imprensa. Mas meu filho, Roby Porto, da Sportv, me representou. Eu só pude acompanhar a partida histórica pela TV.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma Seleção Brasileira azarada


Sei muito bem que serei contestado – inclusive pelo meu amigo Roberto Assaf – mas considero a Seleção Brasileira de 1982, dirigida por Telê Santana (1931-2006) uma das melhores que o país formou em campeonatos mundiais. Repleta de craques, à exceção de Valdir Peres e Serginho, o Brasil foi eliminado pela Itália, no Estádio Sarriá, na Copa da Espanha, mas esteve perto de entrar para a história do futebol brasileiro, que hoje não perseguiria o hexa e sim o hepta. Vejam a que escalação o inteligente (meu falecido amigo, apesar de tricolor apaixonado) Telê Santana montou: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior Capacete; Toninho Cerezzo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder Aleixo, este último em grande forma na época.

Como minha memória não é de ferro – assim como a do amigo José Inácio Werneck, hoje naturalizado americano – não me recordo onde trabalhava. Sei que aceitei de imediato o convite da CBF, para ser o assessor de imprensa do presidente Giulite Coutinho (1922-2009). Na época, ainda na Rua da Alfândega, a CBF vivia um momento agitado. A Seleção Brasileira perdera a Copa do Mundo e, pior, a Taça Jules Rimet havia sido roubada da vitrine do oitavo andar do prédio. Quando assumi o cargo, lá encontrei um ambiente quase fúnebre, mas fui em frente assim mesmo.

Como assessor de imprensa, coordenei o trabalho da Kodak alemã, que ofereceu à CBF uma réplica perfeita da Jules Rimet, inclusive com a base no mármore lápis-lazuli, só encontrado em montanhas do Chile. Os alemães, precavidos, haviam feito uma cópia do troféu, quando o conquistaram em 1954, na Suíça, e não lhes foi difícil arranjar uma réplica para o Brasil. Onde está guardada essa taça, não sei. Disseram, na época, que fora enclausurada num cofre forte do Banco do Estado da Guanabara, mas não posso ter certeza. A que existe na CBF de hoje – na Barra da Tijuca – é apenas uma cópia da cópia. A original fora derretida e vendida em tabletes de ouro pelos marginais que a roubaram. Uma tristeza para os heróis de 1970, no México.

Se Valdir Peres não era o goleiro ideal – tomou um frangaço diante da URSS – a defesa era ótima, com quatro zagueiros de categoria. E o meio de campo, em minha opinião, não poderia ser melhor, com destaque para Sócrates, Falcão e Zico. Infelizmente Paolo Rossi, com três gols estragou nossa festa, colocando um 3 a 2 no marcador final. Nossa única vingança é que o Estádio Sarriá, em Barcelona, foi demolido e dele não restou uma única e escassa recordação. Apenas a frustração brasileira, que caminhava a passos largos para a conquista da nova Taça FIFA.

Toda vez que me encontrava a sós com Giulite – uma pessoa de grande caráter – ele lamentava a derrota. E, diante de uma galeria de fotos nos corredores da CBF, comparava a Seleção de 82 com as que chegaram ao título em 1958, 1962 e 1970. Por uma questão de educação, não discordava dele. Mas as três equipes citadas também eram uma gigantesca força do futebol brasileiro. Hoje, com Dunga, já não posso dizer o mesmo. Não sou pessimista – e sim realista – e vejo com desconfiança o time de 2010, que está começando a participar da barulhenta Copa do Mundo da África. E, outro dia, ouvi de Sócrates a mesma opinião – ou seja, não estou sozinho nessa desconfiança. Sócrates pode ser um frustrado, pois perdeu em 1982 e 1986, no México, na cobrança de pênaltis diante da França. Mas que foi um grande jogador, isso não pode ser discutido. Vamos ver quem tem razão agora em 2010.

(*) O time de 1982, da foto, está assim identificado: de pé, Valdir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luisinho e Júnior; agachados, Sócrates, Toninho Cerezzo, Serginho Chulapa, Zico e Éder Aleixo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um time que sabia o que fazer


Minha máquina do tempo é infalível. E é a bordo dela, nesses tempos de um Botafogo que toma gols incríveis, que desembarco no Maracanã (145 mil pagantes), na tarde de 15 de dezembro de 1962, para assistir à final do Campeonato Carioca daquele ano entre Botafogo e Flamengo. Para os mais jovens, que não têm a obrigação de conhecer todos os jogadores do Glorioso – que precisava da vitória porque estava um ponto atrás do Tinhoso, também chamado de clube da beira da Lagoa – vamos à tradicional identificação, explicando, que o time, nessa tarde, tinha três desfalques.

Então vamos lá: da esquerda para a direita, de pé, Paulistinha (no lugar do titular Joel Martins), Manguinha, Jadir (no lugar de Zé Maria), Nílton dos Santos, Aírton Povil e Rildo da Costa Menezes; agachados, na mesma ordem, Manoel (Garrincha) dos Santos, Edson (Praça Mauá) de Assis Pinto (nos lugares de Didi ou Arlindo), Valdir (Quarentinha) Cardoso Lebrego, Amarildo Tavares da Silveira e Mário Jorge Lobo Zagallo. Apenas para começar nosso aquecimento, diria que esse era um time que sabia o que fazer para matar a pau seus adversários – principalmente o Tinhoso.

Como jogava essa equipe, mesmo desfalcada de jogadores como Joel Martins (lateral direito), Zé Maria e Didi ou Arlindo? Em campo, o técnico Marinho Rodrigues, que não inventava e que anos atrás fora um dos campeões de 1948, escalava Manguinha, Paulistinha, Jadir, Nílton dos Santos e Rildo (um verdadeiro carrapato); Aírton, Édson e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo. Em minha opinião, faço questão de dizer, nesse dia 15 de dezembro de 1962, Garrincha fez sua última exibição extraordinária, marcando dois gols e provocando o terceiro dos 3 a 0.

A estratégia de jogo era simples e foi aplicada inúmeras vezes. O Botafogo começava a atacar pela esquerda, trocando bolas entre Zagallo, Nílton Santos e Amarildo quando, de repente, invertia o jogo para o pivô Aírton. Este, sempre de meias arriadas, invertia o ataque para a direita, pegando Garrincha com um único e escasso marcador, no caso Jordan, ou Gérson Nunes. Aí, amigos, era o caos completo e absoluto. Mané engolia os dois, fez um gol logo de saída, obrigou Vanderlei a meter o nariz na bola e fazer o segundo e fechou o caixão rubro-negro no segundo tempo.

A jogada do terceiro gol foi fascinante. Como sempre atacando pela esquerda, Zagallo tocou para Amarildo (que estava atuando sem condições físicas, com início de distensão) e recebeu de volta. Fugindo às suas características, Zagallo foi até a linha de fundo e cruzou alto sobre a área, na altura da marca do pênalti. Foi aí que Quarentinha aplicou uma tesoura voadora avassaladora, fazendo a bola estourar no peito do goleiro Fernando. E aí, Garrincha, livre, quase em cima da linha do gol, só fez empurrar a bola para as redes. Botafogo bicampeão carioca de futebol.

E para os aficcionados, aí vão detalhes da partida: Botafogo – Manga, Paulistinha (já falecido), Jadir, Nílton Santos e Rildo; Aírton, Édson e Zagallo; Garrincha, Quarentinha e Amarildo; Flamengo – Fernando, Joubert, Vanderlei, Décio Crespo e Jordan; Carlinhos, Nelsinho e Gérson; Espanhol, Dida e Henrique. Juiz: Armandinho Marques, que expulsou de campo, no finalzinho, Paulistinha e Dida.

(*) Será que vale a pena cantar para o time atual do Botafogo o sucesso do conjunto ‘Calcinha Preta’? ‘Você não vale nada mas eu gosto de você...’

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Esse Botafogo não me engana

                 

Perpetrando um quase inacreditável esforço de memória, concluo que fui a General Severiano (foto) pela primeira vez no início da década de 40. Não era para futebol, que nem sabia do que se tratava. Foi para um baile de carnaval infantil. Mas era fevereiro, fazia um calor dos diabos no salão principal do clube e minha mãe achou por bem me conduzir ao terraço do clube, onde fiquei até terminar o forno que havia lá embaixo. Depois, lendo o livro de Alceu Mendes de Oliveira Castro, descobri que já era torcedor do futebol do Glorioso Botafogo em 1946 (botem tempo nisso). Foi uma época em que Braguinha sempre brilhava com uma marchinha de sucesso.

No dia 22 de setembro daquele ano, um domingo, em General Severiano, o Botafogo derrotou o Madureira por 7 a 1 (Heleno marcou três vezes na goleada) e ouvi o jogo pelo rádio, no apartamento onde minha família morava, em Laranjeiras. A cada gol do alvinegro, eu dava uma cambalhota na sala e saía correndo para dar o placar para nossa empregada, Isaura, que, pelo que me recordo, era torcedora do Tinhoso. Contei essa duas histórias para provar aos possíveis leitores do meu blog que conheço o Botafogo na palma da mão. Bem mais do que qualquer dirigente do clube.

Por isso, não me surpreendi – embora ficasse uma vez mais puto da vida – quando o Corinthians empatou em 2 a 2, no Engenhão, quando faltavam apenas 30 míseros segundos para terminar a partida. O Botafogo, com raríssimas e honrosíssimas exceções, é useiro e vezeiro em entregar o ouro ao bandido no finalzinho das partidas. Pior: o gol de empate surgiu de um escanteio. Será possível que o time – que não jogou bem – não pudesse ficar todo dentro de pequena área, talvez até em cima da linha fatal, para evitar o empate? É por isso que os inimigos dizem, rindo, que ‘há coisas que só acontecem ao Botafogo’. E tenho que aceitar.

Sem querer cometer qualquer injustiça até com outros times que vestiram a gloriosa, creio que só a equipe que conquistou o Campeonato Carioca de 1989 lutava até a última gota de suor – por isso terminou campeã invicta. Tem razão Papai Joel, que jogou sua prancheta no chão, tem razão Lúcio Flávio que custou mas teve uma boa atuação e, por fim, teve razão Leandro Guerreiro, que deixou o gramado como se tivesse perdido um título. Infelizmente, através de décadas, sou obrigado a aceitar esses resultados absurdos. Honestamente, o Botafogo me tirou o sono e o humor. Tomara que com essa parada no Brasileiro, o clube volte com mais disposição.

Hoje vou terminar por aqui. O Botafogo me colocou a nocaute.

(*) O time da Tanzânia, que perdeu do Brasil por 5 a 1, na África, apesar dos desfalques alvinegros, é melhor que o do Botafogo. Podem apostar.

(**) Não é possível que o Botafogo ignore a difícil situação de saúde em que se encontra o nosso herói Juvenal Francisco Dias, campeão carioca de 1948.

sábado, 5 de junho de 2010

Mais sete morros para Adriano

                                    Créditos O Dia

Todos sabem que o Rio de Janeiro é uma cidade cercada de morros por todos os lados. Num deles, o Morro da Providência – bem atrás da Rádio Tupi – foi instalada a primeira favela da então capital do Brasil, com soldados pobres que vieram da Guerra do Paraguai e, também, com os desabrigados pela abertura da Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco). O então prefeito Pereira Passos não tomou conhecimento de nada. Mandou demolir tudo o que atrapalharia a grande avenida, que se tornaria um marco na história da cidade. Nessa época, 1904, o Botafogo Football Club estava nascendo. E Osvaldo Cruz tornou obrigatória a vacinação contra a varíola.

O tempo passou e outras dezenas – talvez quase uma centena – de favelas rodearam o Rio. A da Rocinha e do Vidigal, só como exemplo, são umas das maiores e mais famosas. Pois muito que bem. De repente, não mais do que de repente, surgiu um benfeitor dos desfavorecidos pela fortuna: o jogador do Urubu, Adriano da Chatuba (foto). Envolvido em inquéritos policiais, Adriano provocou, inclusive, um certo atrito entre o Ministério Público (que o denunciou) e a polícia (que o inocentou). Ele é acusado de dar 60 mil reais a um traficante, mas viajará assim mesmo para Roma, onde jogará pelo clube da capital italiana. Adriano argumentou que a grana foi doada para cestas básicas e não para um sujeito procuradíssmo pela polícia.

Ao tomar conhecimento da história, decidi verificar como Adriano da Chatuba poderá seguir com suas contribuições para os pobres justamente em Roma. E consultando meus velhos compêndios de latim, relembrei que Roma tem apenas suas sete famosas colinas (ou morros): Aventino, Campidoglio, Célio, Esquilino, Palatino, Quirinal e Viminal. E aí eu pergunto: será que Adriano da Chatuba encontrará uma simpática favela em Roma, para contribuir com alguma coisa? Acho difícil. Mas, no país da Máfia e da Camorra – meio desgastadas nos dias de hoje – tudo é possível. E será, também, que ele levará sua temperamental namorada loura para lá? Não sei.

De volta a assuntos mais sérios, baseado no blogspot da companheira e amiga Malu Cabral, fiquei sabendo que o cidadão Washington Sebastián Gallo, mais conhecido como Loco Abreu, é o jogador com mais gols marcados entre os 736 jogadores inscritos para a Copa do Mundo da África. Loco Abreu, uruguaio e jogador do Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, marcou 305 gols em sua carreira, mais do que qualquer outro dos 31 países restantes. É verdade que o Uruguai não está entre os favoritos para a conquista do título, mas já teremos uma prova disso quando a Celeste enfrentará a França (campeã mundial de 1998) no próximo dia 11 deste mês.

Loco Abreu, como de costume, usará a camisa 13, que ficou famosa no Botafogo, não porque Zagallo a usasse, mas pela cisma que ele tem com o número. E ninguém esquecerá a categoria com que Loco Abreu marcou, de pênalti – de forma inusitada – o gol que deu ao Botafogo o título de campeão carioca de 2010. Que ele está fazendo falta ao alvinegro, está. Ou alguém duvida?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Botafogo é o 12º no amor da torcida


Logo após a publicação do Datafolha sobre o número de torcedores de cada clube no Brasil, o Ibope, de Carlos Augusto Montenegro, revelou outra – com pequena margem de diferença – que aponta o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas com quase seis milhões de adeptos no universo de 193 milhões de habitantes do Brasil. Com este resultado, o Alvinegro é o 12º colocado (olha o número 12 aí outra vez), com 5 milhões 983 mil torcedores, de norte a sul do país. O curioso, pelo menos para este apaixonado botafoguense, é que o clube de General Severiano surge à frente do Esporte Clube Bahia e do Fluminense, que ocupam empatados a 13ª posição.

O Ibope ouviu a opinião de 7.109 pessoas em 141 cidades do Brasil e, evidentemente – não é rigorosamente novidade – apontou o Clube de Fragatas da Beira da Lagoa em primeiro lugar, seguido do Corinthians e, logo depois, do São Paulo Futebol Clube. Palmeiras e Vasco aparecem logo a seguir e, surpresa das surpresas, o Sport Club do Recife surge à frente do Botafogo, na 11ª posição. Quanto a posição do clube pernambucano tenho lá minhas dúvidas, e explico, baseando-me no fato de experiência pessoal com a própria família Porto, originária de Pernambuco.

Sem a menor criatividade, o Sport usa o mesmíssimo uniforme do Urubu, desde tempos imemoriais. Meu pai, por exemplo (já não conta, pois já se foi) era torcedor do Sport e do Urubu. Mas os Porto que restaram – e são inúmeros – são adeptos do Sport e do Beira da Lagoa. Em resumo, quem é Sport é também Urubu, pois ninguém vai me convencer que disputando com Santa Cruz e Náutico o Sport tenha tantos torcedores pelo Brasil afora. Quem tinha o mesmo uniforme medonho era o Atlético Paranaense – que ontem derrotou o Botafogo de virada – e, hoje, tem sua primeira camisa igual à do Milan, da Itália. Mas há outros rubro-negros, como o Vitória (BA).

Quero que meus leitores saibam que não contesto a liderança insofismável do Urubu velho de guerra. Na época do Rio de Janeiro capital do Brasil, os que aqui chegavam adotavam logo um Urubu para colocar na mesa de cabeceira. Querem um exemplo típico? Pois lá vai: Ary Barroso, nascido em Ubá (MG) era Fluminense. Quando desembarcou no Rio, virou a casaca. São raros os exemplos dos que vieram do Nordeste, como os Rodrigues (todos tricolores), que, pernambucanos, mantiveram o tricolor no coração, como meu saudoso amigo Nélson Falcão Rodrigues.

A 12ª colocação do Botafogo não me aborrece. Conheço o clube na palma da mão e sei muito bem que, mesmo com 12° Clube do Século XX da FIFA, recordista em convocações para a Seleção Brasileira (46 jogadores), o Glorioso tropeça em suas próprias pernas. Com o timaço que teve na década de 60, não aproveitou a força que tinha, embora tenha conquistado campeonatos, torneios e ficado famoso. E os 20 anos sem título – venceu na 21ª oportunidade – o afetaram bastante. Sem sede (vendida à Vale) e com times tipo do Camburão (invenção do tricolor Deni Menezes em 1977), o Botafogo custou a levantar a cabeça, o que ocorreu no título brasileiro de 1995.

Já o Fluminense empata com o Bahia, na 13ª posição, mesmo com o impulso dado por Francisco Horta, na época da Máquina. E já ía me esquecendo: em Salvador, o Vitória, com o uniforme do Tinhoso, também ajuda na força do Urubu.

Já Atlético Mineiro e Ceará dão uma força longínqua ao Botafogo, por causa da camisa listrada de preto e branco. Em Minas, em BH e no interior, o Glorioso tem uma grande e apaixonada torcida. E um exemplo é o finado Tarzã, atleticano doente e que no Rio transformou-se em chefe de torcida do Botafogo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mané, Gérson e Didi juntos


No blog abaixo, postado pela alvinegra Malu Cabral, mostrei aos torcedores do Glorioso que Garrincha e Gérson haviam jogado juntos no Botafogo. Desta vez, vou mais além e, de meu arquivo, demonstro que não apenas Garrincha e Gérson atuaram juntos como Didi esteve com os dois, numa excursão ao Peru em 1964. Na foto, meio estranha, admito (Manga está esquisito), aparecem de pé Ademar, Élton, Manga, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo (Nílton Santos já estava prestes a parar); e agachados, Garrincha, Gérson, Didi, Jairzinho e Roberto, nosso guerreiro na época.

Na prática, o time jogava com Manga, Ademar (improvisado), Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton, Gérson e Didi; Garrincha, Jairzinho e Roberto. Foi uma das últimas apresentações de Didi com a camisa da estrela solitária, pois logo depois ele se transferiria para o Peru (foi técnico da Seleção Peruana na Copa de 1970). Em suas andanças por tantos clubes, Mestre Didi – o homem da folha seca – esteve no Real Madri, voltou ao Botafogo, chegou a fazer alguns jogos em 1962, foi para Lima, retornou ao Botafogo e, por fim, fixou-se em definitivo na capital peruana.

Contratado ao Flamengo em fins de 1963, com o dinheiro da venda do passe de Amarildo ao Milan (Cr$ 150 milhões), Gérson só pôde disputar o Campeonato Carioca de 1964 pelo Botafogo, pois já havia atuado pelo Clube da Beira da Lagoa em 1963, sendo, inclusive, um dos campeões cariocas pelo Tinhoso. Mas foi uma pena. Garrincha estava com os joelhos em pandarecos (perdoem o termo), Didi só queria trocar de clube e restaram, como grandes revelações, Jairzinho e Roberto. O ataque bicampeão de 1967-1968, inclusive, era formado por Rogério Ventilador, Jairzinho e Roberto, com Carlos Roberto, Gérson e Paulo César no meio-campo.

Depois dessa viagem no tempo – que gosto de fazer para mostrar aos jovens por que o Botafogo é o líder em convocações (46) para as seleções brasileiras – volto aos dias de hoje para discordar totalmente de Papai Joel, que disse que o Botafogo fez, contra o Cruzeiro, no Mineirão, uma de suas melhores exibições. Sei que jogamos sem Herrera e Caio (dois bobos trocando empurrões e entrando para o folclore do clube), mas, francamente, Renato Cajá e Edno nada fizeram. Renato Cajá, inclusive, cobrou um pênalti lamentável, no momento em que o Botafogo poderia empatar o jogo, no finalzinho do primeiro tempo. Em resumo. O clube não tem elenco à altura.

De todos, sinceramente, só gostei de Somália, que O Globo, injustamente, deu nota cinco. E, para não dizer que me omiti, o garoto Alex mostrou qualidades. Os demais, fora Cajá e Edno, jogaram o feijão-com-arroz. Falta de sorte, mesmo, teve Alessandro, que teve o empate nos pés, já nos acréscimos, e chutou o empate para fora. Mas temos que reconhecer que o Cruzeiro tem um bom toque de bola e chegou a dominar o Botafogo por um bom tempo. Só não criou chances de gol, a não ser a que significou a nossa derrota, ainda no primeiro tempo. Estávamos invictos há oito jogos e perdemos uma boa marca e nosso lugar entre os quatro primeiros. De bom, mesmo, só a notícia de que Adriano da Chatuba vai deixar o Tinhoso para fazer suas farras em Roma. Nem o Urubu, que é uma bagunça geral, aturou um jogador como ele.

Que vá para sempre, Adriano...

Um Botafogo da pesada


Muitos torcedores do Botafogo me perguntam se Garrincha e Gérson chegaram a jogar juntos. E aí, nesta foto, tomada no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, está uma prova. O time é o de 64 – antes da despedida de Nílton e da venda de Garrincha ao Corinthians – e está assim formado: de pé, Joel Martins, Élton, Manga, Nílton Santos, Paulistinha e Rildo; agachados, Garrincha, Gérson (de cabeça abaixada e flâmula na mão), Barcímio Sicupira, Jairzinho e Zagallo.

Na prática, em campo, a equipe, que venceu o River Plate por 4 a 3, jogava com Manga, Joel Martins, Paulistinha (improvisado), Nílton Santos e Rildo; Élton, Gérson e Zagallo; Garrincha, Sicupira e Jairzinho. E Gérson, hoje consagrado comentarista da Rádio Globo, também atuou com Didi, quando este retornou de sua aventura no Real Madri, de Di Stéfano, em 1962, pouco antes do Mundial do Chile. Didi, por sinal, estava louco para enfrentar o argentino naturalizado espanhol, no Brasil x Espanha, mas, só teve o gostinho de derrotar o húngaro Ferenc Puskas, também naturalizado.

Puskas, por sinal, era um sujeito boa praça. Tive a rara oportunidade de conversar com ele, em Madri, em 1965, à porta do hotel onde estavam hospedadas as jogadoras de basquete do Brasil, que enfrentariam as da então Tchecoslováquia, numa exibição para os membros do Comitê Olímpico Internacional. Quem participou do bate-papo foi o ex-jogador do Clube da Beira da Lagoa, Espanhol, chamado de Ufarte, na Espanha. É óbvio que não pude deixar de falar com Espanhol sobre a final Botafogo 3 x 0 Flamengo, no Campeonato Carioca de 1962. Espanhol substituiu Joel.

Mas não há dúvida de que este time do Botafogo, mesmo com Paulistinha jogando de zagueiro-central, era forte, tanto que superou o River Plate. De estranho apenas a presença de Sicupira no ataque, num lugar que, no mesmo ano, no Campeonato Carioca de 1964, foi ocupado por Roberto, um verdadeiro guerreiro.

O ano de 1964, além de marcar a despedida de Nílton Santos do Maracanã, marcou também um fato na época corriqueiro. No jogo do returno, o Botafogo venceu o Urubu por 1 a 0 – gol de cabeça de Roberto, após um passe do lateral-direito Mura – e deixou o título para ser decidido apenas por Fluminense e Bangu. O Botafogo, por sinal, como fez agora em 2010, já havia evitado o desejado tetracampeonato do Clube da Beira da Lagoa, em 1956, vencendo no turno por 5 a 0 e, no returno, por 1 a 0, entregando de mão beijada o título máximo ao Vasco da Gama.

Na época, por sinal, Botafogo e Vasco estavam de relações rompidas, oficialmente, porque os dirigentes do alvinegro desconfiaram seriamente de que alguns jogadores do Glorioso fizeram corpo mole. Sei muito bem quais foram eles, mas não tenho provas. Sei apenas que foi feita uma tremenda injustiça com Bob (Robert James Neil), afastado do clube para sempre por Renato Estelita.

Bob, já falecido, me confessou certa vez, na redação do Jornal dos Sports, que foi acusado de ter sido subornado pelo então ator botafoguense Raul Roulien. E Estelita acreditou. Mas creiam, os leitores deste blog, que Bob era inocente. Os verdadeiros culpados (e sei seus nomes) nunca foram punidos. O Botafogo perdeu de 3 a 2.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Império do Mal ataca na Itália


Parece que, finalmente, o futebol brasileiro ficará livre de Adriano, um dos integrantes do ‘urubules-manhosus’, nome científico descoberto pelo leitor Zatônio, que me dá a hora de seguir meu alvinegro blog. Particularmente, acho que ainda há no Clube da Beira da Lagoa outros elementos que deveriam ser defenestrados porque não querem nada com a hora do Brasil. Resta saber se Adriano – quase tão gordo como Ronalducho, do Corinthians, levará com ele sua ‘namorada’ Joana Machado (tinha que ser loura) para a Itália (foto dos dois aí no alto). Joana Machado é aquela ‘senhorita’ que Adriano mandou amarrar numa árvore na favela da Chatuba, porque, aos gritos e apedrejamentos, estava chamando a polícia contra os traficantes da área.

O Clube da Beira da Lagoa, que adotou o uniforme do ‘Tabajara Futebol Clube’, do programa da Globo ‘Casseta & Planeta’, está tentando levantar a cabeça depois de perder o tetra para o Botafogo de Futebol e Regatas, a 18 de abril, e ser eliminado em Santiago da Taça Libertadores pelo modesto Universidade do Chile. Aliás, uma observação: o comentarista Júnior, ao tentar justificar a derrota do CBL para o Botafogo, disse em alto e bom som que o time do Tabajara estava focado apenas na Taça Libertadores. E agora, sem Adriano, qual será o foco do urubules-manhosus?

Bruno Microcéfalo já deixou claro que quer largar o clube. Outro que acha que deveria abandonar a UPP da Gávea é o índio sioux Leonardo Moura. Mas deve haver outros que querem dar no pé da bagunça que está atormentando a bem intencionada Patrícia Amorim, presidente do crube. No jogo do crube contra um time do qual não me recordo o nome, pelo Campeonato Brasileiro, os poucos esforçados que foram ao Maracanã queriam mesmo é apedrejar o time. O que fazer de agora em diante, sem a folclórica figura do Imperador do Mal? Vágner Love já está na lista negra, depois que foi flagrado num baile funk na Rocinha, protegido pelos fuzis dos traficantes. A solução, ao que me parece, é a reformulação total do elenco após os fracassos.

Mas o que mais me impressionou nos últimos tempos – sou obrigado a confessar – foi a medonha camisa amarela e azul que o CBL usou outro dia. Quem terá tido essa idéia? Pelo que me consta, o CBL, desde que foi fundado, sempre usou a famosa camisa de encruzilhada nas competições de remo – no início do Século 20. Depois, com a chegada dos nove tricolores e a criação do departamento de futebol, veio a camisa cobra coral, com uma fina faixa branca para não misturar com o remo. Mas amarelo e azul, juro, nunca tinha visto. E as meias? Quem será o culpado? Tenho a mais absoluta certeza de que os próprios torcedores do urubules-manhosus ficaram assustados. Aliás, o escudo do remo, bonito por sinal, é vermelho e preto.

Bem, já o CBL não está mais focado na Taça Libertadores, vou parar por aqui. Admito que é um esforço descomunal falar nas mazelas do velho crube da Praia do Pinto. Mas não poderia deixar passar em branco a saída do Imperador do Mal, supostamente para a Itália. Será que lá, em Roma, provavelmente, haverá favelas para que o Imperador se abrigue quando não estiver disposto a treinar? Já estive por lá, várias vezes, e nunca vi uma. Pode ser que o Imperador alugue uma casa velha no bairro de Trastevere – onde calçadas não existem – e se esconda por lá. Quem sabe? E será que a loura vai topar essa pobreza? Só o futuro nos dirá.

domingo, 23 de maio de 2010

Uma leitora mais do que especial


Recebi de Manoela Pagotto, bela jovem e sorridente leitora capixaba (na foto com o pai e o irmão), um texto caprichado relembrando o dia de seu aniversário (apenas 23 anos). Botafoguense fanática e supersticiosa, não posso deixar de publicá-lo, até porque prova que o alvinegro de General Severiano é querido e amado por esse Brasil imenso. Ela conta a felicidade conquistada a 18 de abril, dia em que o Glorioso se sagrou campeão de 2010. Alegria imensa para ela e para toda a sua família que, vez por outra, vem ao Rio apenas para assistir aos jogos do Botafogo. Embora atrasado, dou a Manu (apelido carinhoso que ela incorporou) os meus parabéns. A ela e toda a patota que integra a família Pagotto, de Vitória, Espírito Santo.

Mas não posso deixar de passar em branco o triste espetáculo proporcionado pelo argentino Herrera e pelo também jovem Caio Talismã na partida contra o Goiás, no Engenhão, supostamente a casa do Botafogo. E agora? Se os dois forem suspensos (e nós alvinegros não podemos reclamar), como será formado nosso ataque, já que Loco Abreu já se apresentou à Seleção do Uruguai? Será que teremos que convocar Amarildo e Donizete, que já abandonaram o futebol? Será que vamos tomar o caminho ladeira abaixo – como já aconteceu tantas e tantas vezes?

Eu acho, querida Manu, que o Botafogo não sabe conviver com o sucesso. As vitórias e as conquistas parecem que deixam o Glorioso meio idiotizado (talvez mascarado) e o triste espetáculo diante do modesto Goiás é uma prova disso. Não conheci Augusto Frederico Schmidt, mas ele, certa vez, disse que o Botafogo tinha a vocação do erro. Mas trabalhei ao lado de João Saldanha, que conhecendo o alvinegro na palma da mão, confessou um dia, no Jornal do Brasil, que o Botafogo era apenas um campo e duas balizas. Será, Manu, será? Eu que conheço o meu amado clube muitos anos antes de você nascer, temo, sinceramente, que os dois estejam certos.

Mas não baixe a cabeça. Certamente, com sua paixão e superstição, você, Manu, talvez consiga mudar o rumo desse barco chamado Botafogo de Futebol e Regatas. Você e sua família não merecem esse Glorioso meio doido, incapaz de conviver com vitórias consecutivas. E olhe, jovem capixaba, que não foi a primeira vez que isso aconteceu. Num passado distante, na década de 50, justamente na estréia de Quarentinha – nosso maior artilheiro – o centroavante Carlyle, do Glorioso, foi expulso de campo porque xingou Garrincha. E sabe quanto foi o jogo? Botafogo 5 x 1 São Paulo. É ou não é um absurdo? É por isso que dizem por aí que há coisas que só acontecem ao Botafogo. Luto contra isso, mas o Botafogo não colabora, certo?

Abaixo vai o belo texto que você (com jeitão de jornalista) escreveu sobre o dia de seu aniversário. Tomara que ao publicá-lo, consiga sorte para nosso clube.

O tal 18 de abril de 2010...

O dia do aniversário nunca é um dia comum. Mesmo que não faça uma festa ou algum tipo de comemoração, você acorda diferente. É como se aquele dia fosse o “seu dia”.

Nasci no dia 18 de abril e todos os anos, ao longo dos meus poucos 23, o dia 18 de abril é por mim comemorado e vivido como um dia especial. Mas foi apenas no dia 18 de abril de 2010 que tive a exata noção do que é um verdadeiro “dia especial”.

Se há uma paixão que nunca passa em minha vida, digo, sem medo de errar, ela se chama Botafogo. Digo paixão mesmo, pois é arrebatadora, intensa e cheia de fortes emoções. Não esfria, não cansa, nunca cai na rotina. É incondicional e intransferível, algo realmente especial.

No dia 10 de abril de 2010 o Botafogo entrava em campo para disputar sua segunda semifinal do ano contra o Fluminense. Jogo sofrido, amarrado, difícil, mas vencido com muita garra e dedicação: 3 a 2. Estávamos lá. O Botafogo acabava de carimbar sua passagem para a final da Taça Rio, e mais: uma simples vitória no próximo jogo daria ao clube o título de Campeão Carioca.

A família fez festa, gritou, comemorou. Tudo indicava que seria contra eles, pela quarta vez, após uma sucessão de maus resultados nos últimos três anos. Sim , o Flamengo confirmou o favoritismo e se classificou para a disputa final com o Botafogo. Tensão no ar. Eles mais uma vez. Passava um filme na minha cabeça de todo o sofrimento dos anos anteriores, me volto para aquela época, aqueles jogos, aqueles gols...até que subitamente sou interrompida com um comentário feito por minha mãe: “Vai ser no dia do seu aniversário...”

Sim, de fato. O grande dia, a nossa chance de redenção, o dia mais especial da minha vida seria naquele dia que para mim já é especial: o dia do meu aniversário. As palavras da minha mãe penetraram na minha alma e eu só conseguia pensar em uma coisa: “vai ser nesse dia”. Para mim, como toda boa botafoguense supersticiosa, era coincidência demais as duas coisas acontecerem ao mesmo tempo, isso jamais acontecera antes...tinha que ser, só podia ser...seria o meu maior presente, a maior alegria, seria o tal 18 de abril de 2010...

E foi. Indescritível, indecifrável. A palavra especial em toda a sua plenitude de sentidos. Não me lembro como foram todos os meus aniversários até hoje, mas, com toda a certeza, o dia 18 de abril de 2010 jamais será esquecido. De forma indiscutível o time que até então era considerado a quarta força do Rio, encerrava um campeonato que, normalmente, teria ainda mais dois jogos finais. O Botafogo foi o Botafogo. Eu fui o Botafogo. E todo torcedor naquele dia foi o Botafogo. Talvez você não saiba o que isso significa. Pois é, meu amigo, só quem nasceu com uma estrela ostentada no peito sabe a “dor e a delícia” de ser botafoguense.

Manoela Pagotto.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Tinhoso se acostuma ao chororô


Confesso a vocês, leitores deste meu alvinegro blog, que, a princípio, estava disposto a torcer pelo Tinhoso na partida de Santiago. Mas antes de a partida começar, me lembrei que tenho no Chile uma amiga da amiga de minha tia que vive no país Andino. Aí não houve jeito: dei pulos de alegria quando o jogo terminou e o Tinhoso foi eliminado (ou abatido a tiros) da Taça Libertadores, mesmo vencendo o time da Universidade do Chile por 2 a 1. Não tive a menor pena do mascarado Bruno (também conhecido por microcéfalo), Adriano da Chatuba, Vágner da Rocinha, Juanito das Candongas e todos os demais jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores do clube da camisa de encruzilhada. Pela segunda vez, o Tinhoso chorou. Que bom.

A amiga da amiga de minha tia – que vive no Chile mas é alvinegra – deve ter ficado feliz com o resultado do jogo. Para ser sincero, o Tinhoso não fez uma má exibição. Jogou o que sabe jogar e suou a medonha camisa de encruzilhada. Mas aí é que está a alegria insuperável de seus adversários, principalmente os integrantes da torcida do Glorioso. Mesmo vencendo, perdeu. E foi fuzilado por um time bisonho, que não soube aproveitar o fator campo para dar uma surra no adversário. Que alegria ao ver o São Paulo, o Internacional, o Universidade e Chivas Reagal, do México, nas semifinais da Taça Libertadores. E a pretensão do Tinhoso foi por água abaixo.

O Tinhoso (ou Clube da Beira da Lagoa, como quiserem) mal tinha se recuperado da derrota para o Glorioso – que impediu uma vez mais o seu tetracampeonato carioca – e voltou a chorar lágrimas de esguicho, como diria o tricolor Nélson Rodrigues, só que dessa vez na capital chilena. E agora, diante do ocorrido, não há mais desculpas para que a polícia não instale uma unidade de UPP na Gávea. Afinal de contas, Adriano da Chatuba e Vágner da Rocinha, com suas trancinhas ridículas, vão seguir com suas operações secretas, amarrando jovens nas árvores ou freqüentando bailes funks protegidos por traficantes. Só Patrícia Amorim não merecia esse martírio.

Na Argentina, ali ao lado, o Internacional marcou seu gol salvador, no finalzinho da partida, graças à histérica torcida local. Quando o jogo estava acabando, os portenhos, sempre mascarados, começaram a jogar foguetes de fumaça dentro de campo, para comemorar a classificação do Estudiantes de La Plata. Mas foram tão pouco inteligentes que formaram uma cortina de fumaça justamente onde estava o goleiro de seu clube. Pronto: naquela penumbra, quando não se enxergava nada, o Inter marcou o gol de sua classificação, deixando os torcedores locais sem saber o que fazer. Foram comemorar antes do tempo e a fumaça se encarregou de liquidá-los.

Com os resultados da rodada da Libertadores, é certo que um clube brasileiro – felizmente não será o Tinhoso – estará na decisão do Mundial de Clubes. Por quê? Porque o Chivas Reagal é do México e não pertence à Conmebol. Assim, Inter ou São Paulo estarão em Tóquio disputando o título mundial contra o vencedor de Bayern de Munique e Internazionale de Milão. Aí, sim, sem o Tinhoso chorão, vou torcer pelo Brasil, seja São Paulo ou Inter de Porto Alegre. O que tinha de ser feito já foi feito: ou seja, em poucas e resumidas palavras, a eliminação do Tinhoso no Chile.

Que alegria...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um momento inesquecível


Confesso a vocês que não marquei nenhum gol (nem contra nem a favor), não bati uma falta ou pênalti, não cobrei um escanteio e nem fui o autor intelectual de um único e escasso gol a favor do Botafogo de Futebol e Regatas, minha maior e inexcedível paixão imaterial. Mas graças a um convite do presidente do clube Maurício Assumpção e a gentileza da jovem fotógrafa Maria Júlia Cancella – do departamento de marketing alvinegro – consegui esta extraordinária foto que me dá, ao menos, um pouco da sensação de campeão carioca de 2010, juntando as Taças Guanabara e Rio. Fiz o que pude. Nos estádios, nas televisões ou mesmo nas rádios, torcendo fervorosamente por esse clube extraordinário que conheci aos três anos.

Claro que, como jornalista, lutei à minha maneira, escrevendo livros (três ao todo), postando blogs com a ajuda da botafoguense Malu Cabral, e defendendo, sempre que pude, o meu Botafogo nos programas da ESPN Brasil. Sei que é pouco, mas era o que estava a meu alcance. Num passado distante, recusei um convite do célebre Neném Prancha para jogar de zagueiro-central pelo Glorioso. Mas não tinha tempo. Por mais que amasse o Botafogo, a Faculdade Nacional de Direito, primeiro, e o Jornalismo, depois, consumiram minha juventude e a oportunidade de vestir a mais linda camisa do mundo. Mas são coisas da vida, embora dessa chance me arrependa.

A rigor, confesso, larguei o Direito e me dediquei ao Jornalismo por causa do Botafogo. Era uma maneira, na Editoria de Esportes do Jornal do Brasil, de estar mais perto dele, Botafogo, escrevendo sobre ele, e indo aos jogos com Sandro Moreyra, João Saldanha e Salim Simão (que mal aparece) na bela caricatura do botafoguense Ique no alto do blog. E, muitas vezes, sob o comando do também alvinegro Oldemário Touguinhó, tive a honra de cobrir o clube para o JB nas folgas de Sandro. Consegui, assim, me aproximar do clube que amo. E mais: fiz de meu filho, Roby, e de meu neto, Rafael, meus sucessores na execrável hora de tirar meu time de campo.

Por tudo isso, mesmo sem o merecimento devido, solicitei que Maria Júlia fizesse a foto que ilustra este meu blog. Queria, de qualquer jeito, chegar perto dos troféus conquistados por Papai Joel e os jogadores, numa final inesquecível contra o Flamengo (ou Clube da Beira da Lagoa, como costumo denominá-lo). E ainda mais: sou supersticioso mas não tenho religião. Minha religião está em General Severiano. Mas sou chegado a premonições. E achava que 2010 era o nosso ano, para honrar aqueles campeões de 1910, que fizeram Lamartine Babo, em 1949, dar ao Botafogo o título de Glorioso. E falei sobre isso no programa do qual faço parte na ESPN.

Em poucas e resumidas palavras, o ano de 2010 me deixou realizado. E detalhe: ainda ganhei a faixa de campeão que aparece na foto. Imerecida? Talvez. Muitos e muitos botafoguenses a mereciam mais do que eu. Meus irmãos Carlos e Maurício, por exemplo, meu filho, Roby, ou meus sobrinhos Pedro e Bruno, todos Porto como eu. Bruno, por acaso, é professor de design em Xangai e lá fundou a Xangai-Fogo. Disse-me, não sei se é verdade, que a torcida fundada por ele já tem três milhões de adeptos. Mas Bruno é exagerado. Mas que a bandeira da estrela solitária tremula num mastro diante de sua casa, na China, é ponto pacífico. Se os chineses entendem, não sei. Mas que ele vai acabar convencendo um bom número de vizinhos, isso vai.

Para terminar por hoje, só por hoje, como dizia Hélio Fernandes na Tribuna da Imprensa, peço desculpas aos que me acompanham aqui neste blog. Mas não resisti. Pela primeira vez em tanto tempo decidi colocar minha foto com as taças. Obrigado, Maurício, obrigado meu velho amigo Márcio Tavares e obrigado à linda jovem Maria Júlia. Prometo que não peço mais nada a vocês. Estou realizado.

Botafogo para sempre...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Obrigado, Nílton dos Santos


Nílton dos Santos completou 85 anos no último dia 16, enquanto o Botafogo derrotava o São Paulo no Morumbi. Muitos de seus antigos companheiros foram visitá-lo na clínica onde ele está internado. Eu podia, perfeitamente, publicar uma foto do Nílton atual. Mas prefiro esta, tomada a bordo do Comte Grande, na travessia do Atlântico, da Itália para o Brasil, em 1955. Por quê? Porque para mim Nílton será sempre assim, campeão do mundo e campeão pelo meu Botafogo do coração. Infelizmente, só pude privar da intimidade de meu ídolo depois que ele abandonou o futebol e, nos treinos em General Severiano, fazia competição de domínio de bola com Marinho Chagas, no início da década de 70. Mas valeu a pena. Tanto vê-lo jogar como tê-lo como amigo, me contando histórias de seu tempo no Glorioso alvinegro.

Pessoalmente, acho que ele começou tarde sua carreira (22 anos), em 1948. E, curiosamente, foi campeão invicto. Na única derrota do time, na estréia contra o São Cristóvão, ele jogou entre os reservas. E jogou de má vontade porque, segundo me disse, sua vocação era ser ponteiro-esquerdo. Mas Carlito Rocha não deixou ou teve uma premonição. Disse a Nílton que ele seria o melhor do mundo como lateral. E estava certo. A FIFA o escalou no mais fantástico time do Século 20 – o Botafogo foi o 12º colocado. A rigor, pelo que conversamos durante anos, ele só teve bronca de dois indivíduos: Heleno de Freitas e Armando Marques. E teve suas razões.

Entre as melhores histórias de Nílton está a amizade que fez com Didi, quando este ainda era do Fluminense. Nílton, iniciando a carreira, não tinha carro e estava subindo a pé a Rua Cândido Mendes, em direção, digamos assim, a uma famosa ‘casa de saliências’. Foi quando Didi passou de automóvel e lhe deu uma carona. Didi também era chegado às ‘saliências’. Em 1954, na Suíça, Zezé Moreyra não permitiu que Didi desse um pulo a Lausanne para encontrar Guiomar. Com raiva, fez greve de fome. Mas Nílton, sabendo do valor de Didi para o time, levava comida escondida para o quarto do amigo. Quando Didi foi para o Botafogo, em 56, a amizade cresceu.

A história dessa foto na murada do Comte Grande é curiosa. Quando o Botafogo jogou em Turim, um débil mental levou os jogadores para a catedral, na torre da qual o avião do Torino se espatifou, matando todo o time. Os jogadores do Botafogo, Nílton à frente (sempre teve pavor de avião) foram ao chefe da delegação, Sandro Moreyra, e pediram que a volta ao Rio fosse de navio. Sandro disse que se o time vencesse os dois últimos jogos, na Tchecoslováquia, o negócio estaria fechado. Daí a pose de Nílton, solitário, olhando para o mar, que o lembrava a Ilha do Governador.

Certa vez, por volta de 2002, viajamos juntos para São Paulo, onde ele seria entrevistado no programa ‘Bola da Vez, da ESPN Brasil. Fui um dos convidados para a entrevista. Mas, no avião, pouco pude aproveitar de uma conversa com Nílton. Ele colocou uma medalhinha de santa na boca e falava pouco. E o pouco que falava não dava para entender direito. Brinquei com ele, disse que o vôo estava tranquilo mas nada adiantou. Enquanto o avião não chegou, ele não tirou a medalhinha da boca. Mas fiz o possível e o impossível para que ele ficasse calmo – e acho que consegui em parte. Por tudo isso, pelo que assisti de Nílton em campo e de sua amizade fora dele, não gosto de vê-lo envelhecido e bastante ausente. E daqui deste modesto espaço mando-lhe os parabéns pelos 85 anos. Eu, posso dizer, tive a sorte de vê-lo jogar e dar seu famoso drible de corpo. E só posso dizer, obrigado, Nílton dos Santos.

(*) O número 62 na foto não tem nada a ver com nada.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Botafogo segue na frente


Graças à colaboração do leitor Sérgio Motta, que me enviou este relatório completo, o glorioso Botafogo de Futebol e Regatas segue sendo o clube que mais cedeu jogadores para uma Copa do Mundo. A convocação, recente, do técnico Dunga, alterou algumas posições no ranking, mas não a do Glorioso, que é seguido pelo São Paulo. É mais uma prova da força do Botafogo em quase todos os campeonatos mundiais e sua importância para o futebol brasileiro, desde 1930.

A foto que ilustra esta matéria é da Copa do Mundo de 1962, quando o Botafogo, a partir do terceiro jogo e com a contusão de Pelé, passou a ter nada menos do que cinco titulares na equipe que levantou a Taça Jules Rimet pela segunda vez seguida: Nílton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo e Zagallo. Por mais que a imprensa – parte dela, é bom que se ressalte – não fale com justiça do Botafogo, os números estão aí – e os números, amigos, não mentem jamais.

Vamos aos números e observações:

1 - O São Paulo, segundo clube que mais cedeu jogadores à seleção em Copas, não teve ninguém chamado, o que não acontecia desde 1938. É isso mesmo. De 1950 até 2006, o clube paulista sempre teve atletas convocados para os Mundiais, o que não acontece agora.

2 - Com a convocação de Robinho, o Santos quebra um imenso jejum. Desde Marinho Peres e Edu, em 1974, que o clube não tinha jogadores chamados para representar a seleção em Copas. O Peixe desempatou com o Corinthians e agora está com o mesmo número do Palmeiras.

3 - Com a convocação de Kléberson, o Flamengo desempatou com o Vasco, assumindo o terceiro lugar de maneira isolada. O Vasco agora é o quarto.

4 - Para apimentar ainda mais a rivalidade Cruzeiro x Atlético-MG, o Cruzeiro, com Gilberto, desempatou e agora está na frente do Galo.

5 - O Grêmio bem que poderia ter empatado com o Inter, mas como o goleiro Victor não foi convocado, continua atrás.


O novo ranking dos clubes que mais cederam jogadores à seleção em Copas:


1º BOTAFOGO - 46 jogadores: 30: Benedicto, Pamplona, Nilo, Carvalho Leite; 34: Pedrosa, Germano, Octacílio, Canalli, Ariel, Waldyr, Martim Silveira, Carvalho Leite, Áttila; 38: Nariz, Zezé Procópio, Martim Silveira, Perácio, Patesko; 50: Nílton Santos; 54: Nílton Santos; 58: Nílton Santos, Didi, Garrincha; 62: Nílton Santos, Didi, Garrincha, Amarildo, Zagallo; 66: Manga, Rildo, Gérson, Jairzinho; 70: Paulo Cézar, Jairzinho, Roberto; 74: Marinho Chagas, Dirceu, Jairzinho; 78: Rodrigues Neto, Gil; 82: Paulo Sérgio; 86: Josimar, Alemão; 90: Mauro Galvão; 98: Gonçalves, Bebeto

2º SÃO PAULO - 42 jogadores: 50: Bauer, Rui, Noronha, Friaça; 54: Mauro, Alfredo, Bauer, Maurinho; 58: De Sordi, Mauro, Dino Sani; 62: Bellini, Jurandir; 66: Bellini, Paraná; 70: Gérson; 74: Valdir Peres, Mirandinha; 78: Valdir Peres, Chicão, Zé Sérgio; 82: Valdir Peres, Oscar, Serginho, Renato; 86: Oscar, Falcão, Müller, Careca, Silas; 90: Ricardo Rocha; 94: Müller, Cafu, Zetti, Leonardo; 98: Zé Carlos, Denílson; 02: Rogério Ceni, Belletti, Kaká; 06: Rogério Ceni, Mineiro

3º FLAMENGO - 33 jogadores: 30: Benevenuto, Moderato; 38: Walter, Domingos da Guia, Leônidas da Silva; 50: Juvenal, Bigode; 54: Dequinha, Rubens, Índio; 58: Moacir, Zagallo, Joel, Dida; 66: Paulo Henrique, Silva; 70: Brito; 74: Renato, Paulo César; 78: Toninho, Zico; 82: Leandro, Júnior, Zico; 86: Zico, Sócrates; 90: Zé Carlos, Renato Gaúcho; 94: Gilmar; 98: Zé Roberto, Júnior Baiano; 02: Juninho Paulista; 10: Kléberson

4º VASCO - 32 jogadores: 30: Brilhante, Itália, Fausto, Russinho; 38: Niginho; 50: Barbosa, Augusto, Danilo, Ely, Ademir, Chico, Alfredo, Maneca; 54: Paulinho de Almeida, Ely, Pinga; 58: Bellini, Orlando, Vavá; 66: Brito; 78: Abel, Dirceu, Roberto Dinamite; 82: Pedrinho, Roberto Dinamite; 90: Acácio, Mazinho, Bismarck, Bebeto, Tita; 94: Ricardo Rocha; 98: Carlos Germano

5º FLUMINENSE - 30 jogadores: 30: Velloso, Ivan Mariz, Fortes, Fernando Giudicelli, Preguinho; 38: Batatais, Machado, Romeu, Hércules, Tim; 50: Castilho; 54: Castilho, Veludo, Pinheiro, Didi; 58: Castilho; 62: Castilho, Jair Marinho, Altair; 66: Altair, Denílson; 70: Félix, Marco Antônio; 74: Marco Antônio; 78: Edinho, Rivellino; 82: Edinho; 86: Paulo Vítor, Branco; 94: Branco

6º PALMEIRAS - 24 jogadores: 38: Luizinho; 50: Jair, Rodrigues; 54: Rodrigues, Humberto; 58: Mazzolla; 62: Djalma Santos, Zequinha, Vavá; 66: Djalma Santos; 70: Leão, Baldocchi; 74: Leão, Luís Pereira, Alfredo, Ademir da Guia, Leivinha, César; 78: Leão, Jorge Mendonça; 86: Leão; 94: Mazinho, Zinho; 02: Marcos

6º SANTOS - 24 jogadores: 58: Zito, Pelé, Pepe; 62: Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe; 66: Gilmar, Orlando, Zito, Lima, Pelé, Edu; 70: Carlos Alberto, Joel, Clodoaldo, Pelé, Edu; 74: Marinho Peres, Edu; 10: Robinho

8º CORINTHIANS - 23 jogadores: 38: Jaú, Brandão, Lopes; 50: Baltazar; 54: Cabeção, Baltazar; 58: Gilmar, Oreco; 66: Garrincha; 70: Ado, Rivellino; 74: Zé Maria, Rivellino; 78: Amaral; 82: Sócrates; 86: Carlos, Édson, Casagrande; 94: Viola; 02: Dida, Vampeta, Ricardinho; 06: Ricardinho

9º CRUZEIRO - 11 jogadores: 66: Tostão; 70: Wilson Piazza, Fontana, Tostão; 74: Nelinho, Wilson Piazza; 78: Nelinho; 94: Ronaldo; 98: Dida; 02: Edílson; 10: Gilberto

10º ATLÉTICO-MG - 10 jogadores: 70: Dario; 78: Toninho Cerezo, Reinaldo; 82: Luizinho, Toninho Cerezo, Éder; 86: Edivaldo, Elzo; 98: Taffarel; 02: Gilberto Silva

11º INTER-RS - 8 jogadores: 50: Nena, Adãozinho; 74: Carpegiani, Valdomiro; 78: Batista; 82: Edevaldo; 86: Mauro Galvão; 90: Taffarel

12º GRÊMIO - 7 jogadores: 66: Alcindo; 70: Everaldo; 82: Paulo Isidoro, Batista; 86: Valdo; 02: Ânderson Polga, Luizão

13º PORTUGUESA - 6 jogadores: 54: Djalma Santos, Brandãozinho, Julinho; 58: Djalma Santos; 62: Jair da Costa; 70: Zé Maria

14º PONTE PRETA - 5 jogadores: 78: Carlos, Oscar, Polozzi; 82: Juninho, Carlos

14º SÃO CRISTÓVÃO - 5 jogadores: 30: Zé Luiz, Teóphilo, Doca; 38: Afonsinho, Roberto

16º BANGU - 4 jogadores: 50: Zizinho; 58: Zózimo; 62: Zózimo; 66: Fidélis

17º AMÉRICA-RJ - 3 jogadores: 30: Joel, Hermógenes; 38: Britto

18º YPIRANGA - 2 jogadores: 30: Oscarino, Manoelzinho

19º AMERICANO - 1 jogador: 30: Poly

19º ATLÉTICO-PR - 1 jogador: 02: Kléberson

19º GUARANI - 1 jogador: 86: Júlio César

19º PORTUGUESA SANTISTA - 1 jogador: 38: Argemiro

quarta-feira, 12 de maio de 2010

As mais belas camisas


Toda vez que o Botafogo anuncia novas camisas, tremo de medo. Não sei qual a razão, mas me recordo de um uniforme alvinegro que o Glorioso lançou no início da década de 70, com umas listras exageradamente largas. Na falta de outra, fui obrigado a colocar na capa da revista Grandes Clubes Brasileiros (da então Rio Gráfica, hoje Editora Globo) uma foto de Jairzinho, com a tal camisa, junto a Fischer, com um uniforme normal. Na época, trabalhando na Editora Bloch, fiz para a Rio Gráfica três revistas: Botafogo, Santos e Palmeiras, tudo na base do free-lancer. A que me deu mais trabalho foi a do Palmeiras, que me obrigou a viajar a São Paulo para colher fotos de arquivo, da época em que o Palmeiras era o Palestra Itália.

Mas as camisas boladas pela Fila (foto Globo Esporte) são bonitas e bem representativas. Felizmente, a camisa estilo pierrô parece ter sido devidamente deletada. Mas para meu gosto, as mais belas camisas do Botafogo foram as de 1947 (tenho foto de Heleno usando uma delas), ao estilo das que o River Plate usava na época. Mas como tinham botões (pareciam camisas esporte) foram abandonadas em 1948, no mesmo ano em que Carlito Rocha exigiu que o time usasse calções brancos. Os calções negros, oficiais, só voltaram em 1957 e tanto em 1948 como em 1957 o número 12 no final dos dois anos aparece como símbolo de uma nova superstição.

Sobre a goleada de 6 a 2 imposta ao Fluminense na decisão de 1957, há uma história curiosa que acho que já contei aqui. Quando Telê Santana assumiu a Seleção Brasileira, que disputou as copas do mundo de 1982 e 1986, ficamos amigos e diariamente corríamos no calçadão do Leme e, depois, dávamos um mergulho no mar. Numa dessas vezes, perguntei a ele por que ele tinha trocado pontapés com Didi, no centro do campo, em 57, sem que o árbitro Gama Malcher tomasse conhecimento.

Ele me contou que logo após o Botafogo ter marcado o quarto gol, colocando 4 a 1 no placar, já no segundo tempo, ele chamou Nílton Santos e Didi e disse o seguinte:

- Olha, parabéns a vocês...Já são campeões e estão jogando uma partida excepcional. Mas peço um favor: chamem o Garrincha e peçam a ele que pare com o baile que ele está dando no Altair e no Clóvis... É desmoralizante...

Se Nílton e Didi disseram algo a Garrincha, de nada adiantou. Garrincha seguiu dando seu baile, marcou o quinto gol, cara a cara com Castilho, e deu o passe para Paulo Valentim fazer o sexto. Àquela altura o placar marcava 6 a 1. Telê, então, discutiu com Didi e os dois trocaram pontapés. No final do jogo, Valdo diminuiu para 6 a 2, quase que para rimar ‘foi 6 a 2 no pó-de-arroz’ (maior goleada numa final de Campeonato Carioca). É claro que depois Telê e Didi voltaram a ser amigos.

Mas ficou uma dúvida no ar: será que Nílton e Didi chegaram a falar alguma coisa com Garrincha? Ninguém sabe. E se falaram, Garrincha não tomou conhecimento da advertência e foi em frente, incluindo até Pinheiro em seus dribles.

Conto essa historinha porque passei a admirar a figura de Telê Santana, que se tornou meu amigo. Eu brincava muito com ele porque, ainda juvenil, vindo de Minas, começou a carreira no Botafogo, mas logo tomou o rumo das Laranjeiras. Por acidente de destino, ele, Telê, e Ademir Menezes, morreram do mesmo mal: entupimento de uma das carótidas. Por coincidência, também fiquei amigo de Ademir (figuraça) quando trabalhei em O Dia. Ele lá tinha uma coluna mas nunca se lembrava de nada e me pedia para contar uma história dele (a redação era do competente Hideki Takisawa). Numa das vezes, mandei que ele contasse a história de colocar cebolas no prato de Heleno de Freitas na concentração do Vasco. Ele vibrou. Não preciso dizer que Heleno pegou o prato e o atirou na parede.